2007/03/30

virtual boxon

Imaginem fotografias tiradas num bordel de há 100 anos. Onde tudo é possível, onde tudo é estranho, onde tudo é quase cómico. São retratos anónimos da última década do século XIX, do início da Belle Époque recolhidos e exibidos pelo site Virtual Boxon. Bons retratos, porém, no esplendor do sépia natural e da imaginação dos intervenientes. De homens e de mulheres. De elas com eles e de elas com elas, ainda que na foto de exemplo não seja bem o caso, até porque ficou por determinar com clareza se é ela que quer ser ele, ou se ele é que quer ser ela...

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2007/03/29

ukrainito

Com formação artística académica e um nome inspirado no pintor espanhol Jusepe de Ribera (também conhecido por El Españoleto ou Lo Spagnoletto), Ukrainito é um artista plástico ucraniano. Ao lado de Ermanito, o seu companheiro desde há 2 anos, constrói um templo de amor e de arte a que deram o nome de The BK Family. Fotografia, desenho e arte digital são as técnicas usadas. Num país em democratização e aos 30 anos de idade, este jovem espera paciente pelos dias prometidos...

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you talkin'to me?

No filme «Taxi Driver», realizado por Martin Scorsese em 1976, a personagem representada pelo actor Robert DeNiro diz uma frase que ficaria para a história do cinema: enfrentando o espelho com uma arma na mão, Travis Bickle enfrenta-se também a si próprio e insinua sem temor "You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talkin' to? You talkin' to me? Well I'm the only one here". A cultura popular (ou pop, como se diz nos anglo-saxónicos) não ignora esta frase tão marcante e carregada de simbolismos, de leituras. E é esta uma das que tantas vezes nos deveria trazer à realidade, num mundo em que sonhamos de olhos abertos. Não poucas vezes perguntámo-nos aonde nos dirigimos, adonde levamos a nossa vida. Essa, sim essa, que é bem mais limitada do que geralmente queremos admitir. Ouvia ontem num documentário da TV que "todos nascemos, crescemos e morremos" e essa é a verdade, pelo menos no nascer e no morrer. Porque o crescimento pode ser maior ou menor, mais curto ou mais longo, ou quase nem existir. Existindo, poderá sê-lo de muitas maneiras. E no fundo assim se entende que crescer é viver, como viver é crescer. Ou estagnar, ficar inerte, entre o cá e o lá, entre o ontem e o amanhã, entre o princípio e o fim... Pergunto-me por vezes, quando vejo o espelho, se eu sei quem tenho por diante. Se o devo aceitar ou se o devo provocar... O certo é que do lado de lá do vidro não está ninguém, só eu daqui... E por mais que eu espere companhia, por mais que eu dê de mim a essoutro, nada mais tenho observado do que uma imagem desfocada da companhia que tanto anseio. Como diria novamente DeNiro, "well I'm the only one here"...

Texto de Paul Schrader via Wikipedia
Imagem de Martin Scorsese via Wikipedia
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2007/03/28

tony patrioli: um corpo mediterrânico

Tony Patrioli nasceu em Manerbio, Itália, em 1941. Tinha 24 anos quando começou a sua carreira fotográfica tendo por objecto o nu masculino, em especial o dos seus jovens amantes. Patrioli tinha a particularidade de se dirigir a um público gay, ao contrário dos vulgares fotógrafos de então, mesmo quando a nudez masculina era o tema da fotografia. Assumiu a sua sexualidade em 1970 e foi nesse ano que se inscreveu em Milão na escola de fotografia publicitária, onde se formou em 1977. Mas na época não se editavam livros de tal tema e só nas revistas eróticas é que essas fotos tinham lugar. Wilhelm von Gloeden, pioneiro da fotografia de nu masculino, foi a sua principal inspiração. Primeiro porque era tolerado pelas autoridades italianas da época e depois pela falta de afinidade estética com a fotografia americana ou de outras origens. Nos retratos de Patrioli há um corpo mediterrânico que se exibe, com simplicidade e orgulho (veja-se aqui). Os modelos que contratava eram simples jovens heterossexuais que se deixavam levar com curiosidade e prazer pelo jogo narcisista e erótico da exibição da uma sexualidade não satisfeita. Ele hoje é um homem que observa a partir do seu retiro, em Milão, onde se dedica à fotografia por exclusivo prazer pessoal.

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the word is gay

A livraria londrina Gay's The Word, a única especializada em literatura homossexual em toda a Inglaterra, corre o risco de fechar as portas. O escritor norte-americano Edmund White, autor de «Um Belo Quarto Vazio» e «A Vida Privada de um Rapaz» (ambos por cá na Dom Quixote), expressou a sua preocupação e solidariedade: "a Gay's The Word é a única livraria que expõe e vende a maior parte da literatura homossexual da história. Seria muito lamentável se fechasse." Também outros escritores, intelectuais e activistas dos direitos civis lançaram uma campanha no Reino Unido para salvar a livraria que abriu as suas portas em 1979, no bairro literário de Bloomsbury, e que em 1984 foi mesmo acusada pelas autoridades aduaneiras de importar "literatura indecorosa". Só que as razões para a preocupação actual são outras: por um lado o elevado custo do arrendamento do espaço e, por outro, a grande concorrência comercial com a venda de literatura light pela internet. O valor pago mensalmente pelo espaço ronda já 0s 2.500 Euros (cerca de 500 contos, em moeda antiga) e os livros que importam vendem-se cada vez menos. "A perda da livraria seria uma grande perda política, cultural, comunitária e humana", afirmou por sua vez a popular escritora britânica Ali Smith. Ali à mão, bem no coração de Londres, ainda está a Gay's The Word Lesbian And Gay Bookshop, uma velha jóia que não se esquece com facilidade. E que espero muito em breve reencontrar...

Estações de Metro: Russell Square, Euston ou King Cross.

2007/03/23

steve walker

No início de 2004 foi-me entregue o apartamento que haveria de ser a nossa casa... Foi esta imagem - «The Painters», 2001 - de Steve Walker a que escolhemos para anunciar aos amigos, num pequeno cartão, a renovação, a mudança... A obra do artista nunca está terminada e os seus quadros são sempre belos, emotivos e encantadores. Levantam questões, de forma simples. Vivem do multiplicar das energias. É isso que mais lhe admiro, é isso que ainda me inspira...

2007/03/22

uma velha história

Haverá alguém que não conheça esta velha história que sempre se repete? Alguém que não conheça ainda somente a sensação ou a canção?

People everywhere / A sense of expectation hanging in the air / Giving out a spark / 'Cross the room your eyes are glowing in the dark. / And here we go again, we know the start, we know the end / Masters of the scene / We've done it all before and now we're back to get some more / You know what I mean. / Voulez-vous? / Take it now or leave it / Now is all we get / Nothing promised, no regrets / Voulez-vous? / Ain't no big decision / You know what to do / La question c'est voulez-vous? / Voulez-vous? / I know what you think / The girl means business, so I'll offer her a drink / Feeling mighty proud / See you leave your table, pushing through the crowd. / I'm really glad you came, you know the rules, you know the game / Master of the scene / We've done it all before and now we're back to get some more / You know what I mean. / Voulez-vous? / Take it now or leave it / Now is all we get / Nothing promised, no regrets. / Voulez-vous? / Ain't no big decision / You know what to do / La question c'est voulez-vous? / I'm really glad you came, you know the rules, you know the game / Master of the scene / We've done it all before and now we're back to get some more / You know what I mean. / Voulez-vous? / Take it now or leave it / Now is all we get / Nothing promised, no regrets / Voulez-vous? / Ain't no big decision / You know what to do / La question c'est voulez-vous? / Voulez-vous?

«Voulez-Vous», de Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus (Abba), 1979, em «Voulez-Vous» (Polar Music). Foi revisto pelos Erasure, 1992, em «Abba-esque» (Mute Records).

Texto de B. Andersson e B. Ulvaeus (Abba) via Erasure
Imagem de via L'Homme Est un Concept
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richard baxter

Pintura figurativa contemporânea e fotografia são as variantes da arte do australiano Richard Baxter, nascido em 1966 em Angaston. É «Anton's Moth», um óleo de 150x150 cm terminado em 2003, que se vê ao lado. Um interessante trabalho...

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2007/03/21

qiu jiongjiong

Nasceu em 1977 em Leshan, na província chinesa de Sichuan. Ele, Qiu Jiongjiong, diz desejar que os seus quadros sejam um justo equilíbrio entre imagens e palavras. Dos seus retratos pintados espera que se retirem narrativas sobre uma sociedade nova, invulgar e viva: a China de hoje...

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canção em forma de poema

No Dia Mundial da Poesia também é tempo para ler um poema ou ouvir uma canção. Como esta:

Good times for a change / See, the luck I've had / would can make a good man / turn bad. / So please please please / let me, let me, let me / let me get what I want / this time. / Haven't had a dream in a long time / See, the life I've had / would can make a good man bad. / So for once in my life / let me get what I want / Lord knows it would be the first time / Lord knows it would be the first time.

«Please, Please, Please, Let me Get What I Want», de Morrissey (The Smiths), 1984, em «Hatful of Hollow» (Rough Trade Records).

Texto de Morrissey, via Passions Just Like Mine
Imagem de Joe Oppedisano via Les Ombres
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trilogia do nu: 3. paco y manolo

A nudez é natural? ou normal? É possível olhar um corpo nu e destacar a nudez do peso das referências sexuais ou, se a sexualidade não estiver em causa, da interferência cultural e milenar da vergonha, do embaraço ou do pudor? Algumas décadas atrás, Philippe Halsman fotografou Marilyn Monroe (por ventura o ser humano mais fotogénico que alguma vez existiu) fixando-a suspensa no ar no esforço e na alegria de saltar, a sua teoria era a de que assim, durante um salto, a pessoa se desfazia de máscaras e se revelava na sua verdade. Talvez a nudez — não profissional — revele na vulnerabilidade da exposição do corpo a verdade, ou alguma verdade, da pessoa fotografada. Talvez o nu, mais do que uma imagem em que a roupa e outros adereços apoiem o retratado nas suas máscaras, permitam que o fotógrafo efectivamente retrate. São estas questões e é esta nudez, a das "fotos normales" como lhes chamam, que me fascina na obra da dupla de fotógrafos Paco y Manolo. Antón, o rapaz na banheira, mostra-se ou esconde-se?

2007/03/20

paulo césar

A César o que é de César. E este, que é português, tanto se identifica por Paulo Cesar como por Cesar Boneville. O seu universo fotográfico é vasto em temática, mas é nos retratos e especialmente nos nus que eu mais me detenho. «Dói-me a Alma do Lado Esquerdo» é o título da foto escolhida, feita na bela Setúbal. Mas lê-se que ele é do Porto, o que é (para mim) ainda um melhor sinal...

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2007/03/19

otso kupiainen: vale a pena sonhar

Nasceu em Tyrnävä, na costa ocidental da Finlândia e vive e trabalha em Estocolmo. A sua formação em pintura teve a curta duração de dois anos (1986/87), mas logo no início da sua carreira (em 1992) Otso Kupiainen foi apreciado e encorajado através dos visitantes às exposições colectivas que integrou em Caen e Bayeux, em França. A invulgar qualidade do seu trabalho artístico foi admirado e levou-o a novas apresentações: entre 1994 e 98 em diversas mostras individuais na Finlândia e na Suécia, em 1998 e 99 num circuito colectivo pelo Japão e depois de novo na Suécia, em diversos locais e momentos. Os seus quadros - a óleo, técnicas mistas e acrílico - resultam de uma elaboração longa que passa pela observação profunda do mundo, pela reflexão e pela espiritualidade. O trabalho do artista reflecte as suas preocupações, os seus interesses, o seu entendimento, num meio caminho entre o abstraccionismo e o figurativo, integrando cor e textura na tela, criando um suporte rico para receber o tema que geralmente domina a composição, uma figura, uma expressão... A natureza humana é sensível e reencontra-se com a grande natureza, a natureza universal, na pintura de Otso. Viver é sonhar e o seu sonho é bem capaz de valer a pena.

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a poesia é uma arma

Quando na poesia se fala da vida militar, também ela pode ser uma arma:

G3: É o teu desejo de mim que te faz ver-me diferente dos outros, / pois eu visto também de verde e empunho a arma da mesma maneira cruel. / Não gosto de piadas de caserna, com o cheiro forte dos pés dos camaradas a enjoarem-me o espírito. / Procurei os teus olhos, vi-os verdes de azuis que são pelo amarelo da cerveja. / Escondi um sorriso com a espuma. / Na porta, olhaste-me tão longamente que me senti nu. / A metralhadora repousa nos meus joelhos. Falo frio desarmado. / A boina mal me esconde a testa de louco. / A farda sabe que mente. / Que não sou soldado. / Que sou? Para que perguntas? / Chamam o nosso pelotão; também me perguntam se eu vou. / E então eu não haveria de ir, contigo?

«Marinheiros - Peixeiras - O Mesmo Cheiro», de Rui Reininho, 1983, em «Sifilis Versus Bilitis» (& etc).

Segunda à noite, descansando sobre uma cama de ferro, circundado por paredes mal caiadas e recrutas verdes. Armários perfilados, vozes à solta, gillettes ferrugentas, champôs, odor a urina e suor. / É a minha segunda semana militar, o segundo dia de um novo período de esforços, acrobacias, fardas enlameadas, instruções, botas engraxadas, olhares discretos, formaturas, revistas, ... / Continuo sem entender como fui incorporado, tantos meses decorridos sobre a inspecção: as minhas reacções viris perante esbeltos e excitantes corpos masculinos insistem, quase sistematicamente, em denunciar-me! Mas correu tudo regularmente - agora também -, crendo bem ser já capaz de controlar esses impulsos. / Agora, nada mais me resta do que aproveitar o desfilar inocente de perfis desnudados, circunspectamente apreciando o encanto das suas formas, dos seus tesouros, reconditamente imaginando encontros proibidos de prazer.

«Encontros Proíbidos de Prazer», de Luís Adonísio, 1987, em «O Canto do Rouxinol» (edição de autor).

Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, a 21 de Março, o documentário «Autografia» será exibido pelas 22 horas no Teatro do Campo Alegre, no Porto, com leitura de poemas do grande Mário Cesariny. Um dia antes, mas bastante mais cedo (pelas complicadas 18 horas) vai ser dita poesia sob a direcção de Rui Reininho no átrio da Reitoria da Universidade do Porto. Estas coisas não se deveriam perder...

Textos de Rui Reininho e Luís Adonísio
Imagem de Robert Nettarp! via Gayya Kusysu
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2007/03/16

nam june paik

Coreano nascido em 1932 em Seul, Nam June Paik fugiu à guerra com a família e foi parar a Nova Iorque em 1964, depois de passar por Hong Kong e pelo Japão. Foi o pioneiro da vídeo-arte e figura preponderante no movimento Fluxus, um dos mais importantes na arte do século XX. Compositores como Stockhausen e Cage, músicos como Laurie Anderson e Yoko Ono, ou artistas plásticos como Joseph Beuys e Salvador Dalí sempre estiveram por perto. Ao lado é «TV Rodin», uma deliciosa homenagem ao escultor francês...

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educação para a alegria

É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas mi­sérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil fe­licidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mes­mo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria mi­serável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama na­da se possa sentir feliz.

Texto de Jean-Jacques Rousseau via Citador
Imagem de Caspar David Friedrich via Wikipédia
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2007/03/15

mariette lydis

Pensa-se que viveu e trabalhou em Paris entre 1930 e 1955. Mariette Lydis (também conhecida pelo nome de Suzanne Ballivet) foi ilustradora de obras de autores malditos mas consagrados, como o poeta francês Pierre Louÿs. O tema é quase sempre a iniciação sexual. A solo, em duo, trio ou com múltiplos parceiros. Foi uma das raras mulheres a fazer ilustração erótica na primeira metade do século XX...

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2007/03/14

lindsay lozon

Lindsay Lozon é fotógrafo comercial há 25 anos. A moda, a música, o teatro e a política têm sido o alvo da sua objectiva. Mas não só, e ainda bem: são-no também os rapazes meio despidos que ele apresenta em álbuns com os títulos de «The Boys» e «Boys Uncovered» (a Bruno Gmünder, sua editora, está uma vez mais de parabéns)...

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2007/03/13

kelly grider

Este «Abraço Alado Nº 1» do fotógrafo Kelly Grider já me cativou há uns quantos anos. É uma bela foto de 1994, de um norte-americano do Alabama que tinha então 31 anos e que hoje vive dividido entre Nova Iorque e San Francisco. Paisagens, figura e cor são os seus temas. Mitologia, sexualidade e sensualidade estão lá, numa sensibilidade e detalhe que faz pensar no barroco...

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2007/03/12

jack balas, onde as artes se cruzam

Gosto deste quadro de Jack Balas e também de muitos mais. No Illinois fez a sua formação em arquitectura e design, passando por um estágio na Áustria em 1976 antes de voltar à sua terra no coração dos Estados Unidos, onde foi acabar a formação universitária. Hoje pinta, fotografa, escreve e faz escultura, mas é da pintura que eu mais gosto. Há nela uma forte modernidade que eu aprecio e que a torna ainda mais especial para mim do que as artes que parecem apenas vir por derivação... Jack mistura na sua obra várias técnicas, expressões artísticas, métodos de criação, que vale a pena examinar, tentar entender, relacionar... De Washington recebeu em 1995 o apoio do National Endowment for the Arts norte-americano. É em San Francisco que está representado na colecção de arte de Kent Logan, exposta a público no MoMA (Museum of Modern Art). Nova Iorque dedicou-lhe uma retrospectiva no número 120 de The Paris Review, concedendo-lhe o enigmático mas lúcido título «Today I Drove Along The Rio Grande». A aguarela que se mostra é de 2005 e intitula-se simplesmente «The True Cross». Uma escolha por mim próprio questionável, porque tantas outras haveria como possíveis — uns concordarão comigo, mas outros talvez não!

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2007/03/11

ion

IoN ou I(omega)N, que interessa? Os seus desenhos são sempre intensos e provocantes, um misto de Tom of Finland e finais do século XXI tal como lhe é possível imaginar, acredito. Há cabedal, cintos, bonés, pénis voadores, preservativos usados, máquinas de guerra fálicas, esperma perdido por todo o lado, em abundância. Para qualquer uma das suas figuras a expressão "chegou a minha vez" seria sempre voz de ânsia e de prazer. Está lá tudo isso, num traço pouco polido que roça o ingénuo, mas que é feliz e nos diverte ou dá prazer!...

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2007/03/10

herb ritts

Se cá já todos temos em casa pelo menos uma foto tirada por Herb Ritts (1952-2002), fotógrafo norte-americano de moda e realizador de pequenos clips que trabalhou com Madonna, Chris Isaak ou Jack Nicholson por exemplo. Fez fotografia para as mais famosas revistas de moda, também. Morreu com sida, em Los Angeles, vítima de pneumonia. Sem saber qual escolher, pela foto (do Herb), pelo modelo (o David) e pelo fato (de Ziggy) fica «David Bowie», fotografia de 1990...

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2007/03/09

gyula benczúr

O húngaro Gyula Benczúr (1844-1920) também merece uma referência em l'avion rose. Foi pintor e pedagogo, com muita da actividade a ter lugar na Baviera (Alemanha). Pintou reis e aristocratas, mas a nobreza e o realismo tocante deste «Narciso» de 1881 é superior a qualquer outra essência. A cidade de Budapeste tem uma rua com o seu nome...

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2007/03/08

andy

É um génio. Foi-o. Ele, que não é ela. Ou ela, aqui, que foi quase sempre ele, lá, no seu atelier todo pintado de prateado. Este (ou esta) foi um Warhola que se tornou famoso sem o a no fim, mas com Andy como primeiro nome e muitas beldades por perto (o Joe Dallesandro, ahh!!!). Eram os anos 60 de Nova Iorque onde a arte nunca teria sido alguma vez tão popular, sem ele. Também o mundo não o teria sido sem Ela, essa figura omnipresente e essencial que é a Mulher. E, porque hoje é o Dia Internacional da Mulher, aqui fica a ilustrar o elogio uma mera imitação feliz. Mas nada mais do que isso, porque homens são homens e mulheres são mulheres, salvo excepção, para nosso contentamento. Desta figura há mais variações para ver pelo link do título: são auto-retratos de 1981, que estão compilados num livro que merece atenção. Como todas as mulheres deste mundo...

fred goudon

Fred Goudon nasceu en Cannes (França), em 1965. Fez jornalismo, deejaying e fotografia de reportagem. No final dos anos 80 partiu para Los Angeles (Estados Unidos) onde permaneceu como correspondente de imprensa. As suas fotos de modelos masculinos começam aí e acabaram nos livros da editora Bruno Gmünder. São as que fez para o calendário «Dievx dv Stade» que estão entre as mais famosas, mas é a do lado que escolho como uma das minhas preferidas...


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2007/03/07

egon posselt, um grande homem

1933, Áustria. Egon Posselt estudou sapateado, dança e ópera, mas foi à pintura que o seu nome ficou para sempre ligado. Começou por pintar a óleo e nesse princípio optou por fazer cópias das obras-primas dos velhos mestres. Vivia da sua actividade como empregado comercial até que em 1955 (aos 22 anos) ousou ser original e pintar retratos dos seus amigos, que chegaram a ser exibidos numa mostra colectiva da semana da cultura juvenil austríaca. Partiu para a Austrália, onde levou uma vida irregular, vivendo do trabalho que pôde agarrar. Primeiro como tipógrafo dos caminhos de ferro, depois como assistente da indústria textil. Expõe em Adelaide e Melbourne, mas os australianos não estavam para mariquices e viram as costas aos seus óleos. Volta à Áustria em 1958 e logo depois parte para a Alemanha, onde viria a conhecer o seu companheiro de vida, Hans Endris. Regressa aos empregos de oportunidade, até que em 1966 abre um bar-discoteca em Wuppertal, que viria a manter sob a sua direcção por 6 anos. Em 2001 torna-se alemão, apenas um ano antes de perder o seu companheiro. Neste dia em que o meu pai faria 90 anos se ainda fosse vivo, Egon tem já 74 anos. É um homem grande. E, como todos os grandes homens, também ele se fez a pulso, também ele ficará presente na nossa memória.

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2007/03/06

dan kapelovitz

Parece que Dan Kapelovitz é essencialmente um repórter de excentricidades e que colaborou diversas vezes com a revista porno (heterossexual) Hustler. Não tenho a certeza, sequer, se é ele próprio que ilustra os seus trabalhos de reportagem ou de opinião, mas sem dúvida este delicioso cartoon que encontrei associado ao seu nome merece ser partilhado convosco. Sem (mais) palavras...

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trilogia do nu: 2. daniel radcliffe

Imagino que por esta altura já toda a gente tenha visto as imagens do Harry Potter nu, e é claro que chamá-las assim é o mesmo que contrariar as intenções do actor, Daniel Radcliffe, que saltou com coragem e decisão para fora da personagem do feiticeiro. As fotografias (de Uli Weber) fazem parte do material de promoção de «Equus», a peça com que se estreia nos palcos de West End, e com que pretende provar o seu talento de actor. E o salto não é pequeno. O drama, da autoria de Peter Shaffer, aborda o caso psiquiátrico de um rapaz que, depois de cegar seis cavalos com um ferro de cascos, sem motivo aparente, é internado numa instituição psiquiátrica, onde é atormentado por pesadelos nocturnos. Da peça, estreada em 1973 e com uma versão cinematográfica realizada em 1977, não se trata aqui, apesar dos seus vários e consagrados méritos — o que me move é o acto da nudez do jovem Daniel. O texto exige que o actor se dispa em palco, pelo que as fotografias de promoção não mais seriam do que uma antecipação, mas por outro lado, para o grande público que não verá nenhuma das actuações que Radcliffe fará no Gielgud Theatre entre Janeiro e Junho, as fotografias são o espectáculo. E no nosso voyeurismo, não é só a nudez do actor que nos confronta, é também, agradecidos os produtores e zangadas as associações de pais, a nudez de Harry Potter.

2007/03/05

crispin van den broeck

Crispin Van den Broeck foi um pintor flamengo (uns dizem que nasceu em 1523 e outros em 1542, mas todos apontam para que tenha morrido em 1591 ou um pouco antes disso) que nos deixou este quadro muito evocativo, de título «Dois Jovens». Entre outras interpretações, prevalece que a obra sugere o mito de Zeus e Ganímedes, mas também o pecado venial numa versão masculina e homossexual. Já o conheciam?...

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trilogia do nu: 1. rob monroe

Recentemente, andava eu nas minhas navegações de trabalho pela internet fora, quando me deparo com o meu querido Rob Monroe. Conheci o Rob há cerca de 25 anos atrás, num dia em que, depois de respirar fundo e me encher de coragem, me dirigi ao quiosque que existia na paragem de eléctrico ao pé da minha casa, peguei numa revista Playgirl e, com a cara vermelha como um tomate, estou certo, a entreguei no balcão para pagar. Depois terá seguido entre os meus cadernos de escola ou muito provavelmente, e a jogar pelo seguro, dentro da camisa, até casa e, passado o perigo de um encontro à entrada com os pais ou algum irmão que tudo descobrisse, até ao meu quarto. Nessa altura teria 13 anos e a excitação de ter nas mãos uma revista com homens nus, numa altura em que a consciência da minha homossexualidade era ainda nova e confusa, não pode ser comparada à de um rapaz heterossexual que nas suas mãos tem a primeira Playboy. Nesse dia, como noutros que pequenos acontecimentos marcaram, comecei a aceitar a minha diferença e — obrigado Rob — a desfrutá-la.

2007/03/04

bernard

O artista assina Bernard ou Art Bernard, à vossa escolha. O trabalho dele é graficamente interessante, desenvolvido sobre uma base fotográfica geralmente trabalhada a pastel. Acho que já estive num site dele, mas desta vez não o consegui encontrar...

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a.b.

Assinou como A.B. e é tudo quanto sei. Para abrir uma série de presenças simples mas diárias, sempre que o tempo ou a vontade não dêem para outros desenvolvimentos...

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2007/03/02

the aids t-shirt

There is more action to be done to fight AIDS than to wear this T-shirt but it's a good start. Laranja é a nova versão da célebre T-shirt da Maison Martin Margiela para a Primavera-Verão de 2007. Em Portugal pode ser adquirida na loja Por Vocação (no Porto) e por cada unidade vendida há 3 euros que revertem a favor de instituições de luta contra a sida. A T-shirt é apresentada estrategicamente dobrada sobre uma folha de papel que permite a clara leitura da mensagem e que contém também os números de telefone das linhas de apoio à luta contra a sida em mais de vinte países, quase todos da Europa. Uma vez aberta a embalagem e vestida a peça, o texto que era claro perde a leitura e incita à habilidade de quem ainda o tente ler. Há por isso, geralmente, uma troca de comentários entre quem lê e quem veste fazendo com que o conceito seja explicado e a mensagem de fundo transmitida. Em cada nova estação há uma nova cor nesta colecção e há quem compre esta T-shirt sempre que surge uma de cor diferente. Foram já vendidas mais de 60.000, o que significa que esta iniciativa já rendeu 180.000 euros (36.000 contos) a favor da luta. Um bom princípio!