2007/04/30

20 anos de amor

Há 20 anos partimos do cais da estação para a nossa primeira noite de muitas noites que se seguiriam e seguirão. Do Porto a Braga foi um instante mas mesmo assim a noite não chegava e tudo acontecia lentamente como se fizesse parte de uma história encantada que tem que se contar devagar, que tem que se ouvir devagar, com vagar, para que se entenda e encante. Nela, tu e eu éramos os únicos heróis: tu, o meu e eu, seguramente, o teu. Assim não fosse, não nos teríamos perdido nos braços um do outro, nos lábios um do outro, no corpo um do outro, no mundo um do outro e não teríamos feito dessa noite a noite mais feliz das nossas vidas. Pode dizer-se que te afogaste no meu corpo, mas eu também me afoguei no teu. E na doçura dos nossos vinte anos fizemos todas as juras de amor que podem ser feitas. Ainda cá estamos e aqui pouco mais posso acrescentar do que um grande beijo para o meu querido amor! Até logo...

Imagem de Pierre et Gilles via MarkRobot
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pierre et gilles

Pierre et Gilles em reprise vem a propósito deste beijo fantástico. «The Kiss» parece ser o título da obra, mas esse tanto pode ser dito em inglês como noutra língua qualquer: é «O Beijo», de amor. Pierre Commoy (1949) e Gilles Blanchard (1953) sabem o que isso significa e as suas imagens não deixam dúvidas de que o que vemos aqui é uma representação do mais absoluto e puro amor. Deixem-nos (a) sós!...

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2007/04/27

david wojnarowicz

Descobri David Wojnarowicz em 1993 através do CD «ITSOFOMO», assinado em parceria com o compositor-trompetista Ben Neill. David nasceu em 1954 e morreu com sida em 1992. Foi homossexual, pintor, fotógrafo, escritor, realizador, actor e activista dos direitos civis. O seu disco já raro é um exemplo magistral do seu posicionamento e dessa luta. De 28 de Abril a 6 de Maio «ITSOFOMO» pode ser recordado através de uma instalação que estará no museu de arte contemporânea de Serralves, no Porto. Seguramente um acontecimento a não perder!...

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2007/04/24

keith haring: a arte é uma arma

1958 foi o ano do nascimento de Keith Haring, a 4 de Maio. Entre 1976 e 78 estudou design gráfico em Pittsburg, notando-se-lhe uma forte disponibilidade para as artes plásticas e para a intervenção, o que se tornaria mais evidente no início dos anos seguintes. É por essa altura que ele parte para a Big Apple de Andy Warhol e Allen Ginsberg, talvez duas das figuras que mais o marcaram e de quem se torna amigo. Nas ruas e nos corredores do metro de Nova Iorque foi deixando os seus graffitis, as suas mensagens sobre sexo e liberdade. Era homossexual e tal facto tomou expressão gráfica na maior parte dos seus trabalhos (ao lado «Glory Hole», de 1980). O Club 57, na East Village, dá-lhe espaço e torna-o reconhecido. Pouco depois é levado a participar em exposições e intervenções em Barcelona, em Paris, Berlim, Amesterdão, S. Paulo ou mesmo Sydney. A deliciosa canção «I'm Not Perfect (But I'm Perfect For You)» foi apresentada em 1986 pela sexy Grace Jones com o corpo pintado por Keith Harring. Este viveu os últimos anos da década de 80 com sida e morreu a 16 de Fevereiro de 1990, pouco tempo depois de se criar a fundação com o seu nome. Tinha 31 anos de idade, 2 a menos do que uma revolução que terá acontecido em Portugal e que se volta agora a recordar.

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2007/04/20

maxim velcovsky

Em Chodovice, na República Checa, a igreja de S. Bartolomeu foi redecorada pelo Qubus Studio de Maxim Velcovsky. Cadeiras desenhadas por Verner Panton nos anos 60 e outros elementos de design industrial deram à igreja barroca um ar de modernidade, de vida. Mais até, quem lá entra sente no ar a profunda e necessária preocupação do seu clero perante as questões espirituais e os valores do mundo actual...

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produtos verdes na muji

Muji deriva do japonês Mujirushi Ryōhin, divisa que em Inglaterra se traduz por "No Brand Quality Goods". A mesma reflecte a preocupação da Muji em fabricar e comercializar produtos sem marca mas com os mais exigentes padrões de qualidade. São produtos simples e geralmente acessíveis às bolsas comuns: móveis, acessórios para a casa, para o escritório, para a vida dentro e fora de portas... Mesmo os produtos mais tecnológicos têm preocupações ecológicas: veja-se ao lado como exemplo umas atractivas colunas portáteis feitas com cartão em vez de plástico. Por isso digo que os seus produtos brancos são verdes e que além de obedecerem ao seus tão exigentes padrões de qualidade são também simples e bonitos de ver... e de ter! No Japão a marca produziu e comercializou já mais de 5.000 artigos diferentes, bons, bonitos e baratos. A simplicidade, o despojamento ou o minimalismo são adjectivos que servem bem para a Muji que actualmente tem 15 estabelecimentos no Reino Unido, 9 dos quais na capital (ver lista abaixo). Contam-se também 6 lojas em Paris e 1 em Milão, além de mais 285 só no Japão. Incontornável?...

Lojas ou balcões (e respectivas estações de Metro): Carnaby Street (Oxford Circus); High Street Kensington (High Street Kensington); House of Fraser (Victoria); King's Road (Sloane Square); Long Acre (Leicester Square ou Covent Garden); Oxford Street (Oxford Circus); Totenham Court Road (Totenham Court Road); Selfridges (Marble Arch ou Bond Street); Whiteleys Center (Bayswater ou Queensway).

2007/04/19

vonn sumner

Vonn Sumner cresceu no norte da Califórnia, numa família de artistas. Licenciou-se em pintura e partiu para a bela e eterna Nova Iorque, cidade das oportunidades e do museu Guggenheim, para o qual trabalhou. Casou e regressou à costa oeste, vivendo e trabalhando em Long Beach. Se o seu trabalho ilustra figuras próximas do absurdo, é um facto que as suas telas nos agarram e nos fascinam...

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o encanto da serpentine

A Serpentine Gallery é uma das galerias de arte mais apreciadas em Londres, devido ao seu trabalho na promoção arrojada de novos valores artísticos britânicos e internacionais. Fica situada na antiga casa de chá de Kensington Gardens, bem no coração do Hyde Park. Defronte está o lago serpenteante que lhe dá o nome e não muito distante a estátua de Peter Pan (a norte) ou o memorial à Princesa Diana (a este). Não longe (a nordeste) encontra-se ainda a famosa Speaker's Corner, onde há constantemente alguém a defender discursivamente os seus ideais... perante quem calha. A galeria existe desde 1970, mas o pavilhão original é de 1934. Quase 750.000 pessoas já a visitaram e nela foram encontrar exposições de artistas de mérito e fama como Man Ray, Henry Moore, Andy Warhol, Bridget Riley, Allan McCollum ou Damien Hirst. A galeria foi concebida pelo Concílio Britânico das Artes e nos primeiros anos de existência apenas se encontrava aberta nos meses de Verão. Em 1986 passou para a direcção de Julia Peyton Jones, que a fez renascer. Hoje, além das exposições temporárias que se podem visitar livremente, a galeria oferece também um pavilhão de Verão, que se contrói nos terrenos anexos sob a direcção de um difrente arquitecto convidado em cada ano: Zaha Hadid, Daniel Libeskind, Oscar Niemeyer, Toyo Ito, Rem Koolhaas, Cecil Balmond ou os portugueses Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura foram alguns dos autores.

Trajectos (e respectivas estações de Metro): via a Peter Pan Statue (Lancaster Gate), via o Diana Memorial (Hyde Park Corner ou Knightsbridge), via a Speaker's Corner (Marble Arch).

2007/04/16

robert flynt

Esqueçam a hiper-modernidade. Esqueçam o esforço excessivo para estar in e não ficar out. Esqueçam tudo isso e apreciem o estilo de Robert Flynt, fotógrafo de nus masculinos surrealistas. Justapondo as figuras que capta com câmaras sub-aquáticas a elementos de fundo recuperados das memórias do tempo, as suas fotos são frescas e inovadoras, mergulham num mesmo banho o presente e o passado, como se sempre tivessem estado ligados entre si num plano pluridimensional: as fotos de Flynt são de hoje, mas também o são de todo o sempre!...

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2007/04/14

appio cláudio

O autor escreve e pinta. Também faz teatro amador, de vez em quando, e luta política, sempre. Appio Cláudio não é ribatejano, mas vive há muito no vale do Tejo, lá onde a bela lezíria forma ilhas temporárias sempre que as águas voltam a subir e a conquistar as margens. No alto do seu monte, de onde contempla o burgo e quem lá vive ou passa, o autor regressa regularmente aos seus pincéis e telas, às suas paisagens e aos companheiros de cada momento...

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2007/04/13

mais rough trade

Geralmente, trade e rough trade são entendidos como sinónimos. As expressões são assim usadas há muito pela cultura britânica para designar o acordo resultante da atracção vertiginosa de um homem homossexual por um prostituto que se diz interessado no dinheiro e não no sexo, que às vezes se diz heterossexual e que tem um comportamento dominante ou até violento. A loja de discos Rough Trade surgiu em Londres em 1976. Dois anos depois brotou dela a editora Rough Trade Records, berço de bandas como The Smiths, Aztec Camera, The Fall, Cabaret Voltaire e Young Marble Giants, que assinariam alguma da melhor produção musical britânica dos anos 80. Tantos anos depois, depois de tantas experiências e transformações, coexistindo com independência entre si as lojas (uma em Portobello, a outra em Covent Garden), a editora e a distribuidora, a Rough Trade anuncia para Junho a intenção de abrir o seu mais recente espaço de venda em Londres, que ficará situado num estabelecimento de 500 m2 algures na zona de Brick Lane. Que tipo de rough trade será este, não se sabe ainda. Mas para mim será incontornável uma visita ao mais recente templo de quem tanto fez pela música pop independente nas últimas três décadas e me deu o prazer de descobrir músicos e discos que marcaram a minha vida.

Lojas (e respectivas estações de Metro): Talbot Road (Ladbroke Grove ou Notting Hill Gate), Neal's Yard (Covent Garden) e a confirmar no Verão em Brick Lane (Aldgate East).

slava mogutin, o russo de nova iorque

Slava Mogutin (1974) é russo e siberiano de Kemerovo. Na adolescência foi para Moscovo, onde começou uma carreira como jornalista. Ainda apenas com 21 anos era já elogiado por uns e condenado por outros devido aos seus textos libertários que defendiam os homossexuais. Ele foi o primeiro jornalista abertamente gay na imprensa russa, sendo acusado de diversos crimes de "ofensa deliberada às normas morais geralmente aceites", de "provocação e divisão social, nacional e religiosa" e de "propaganda da violência, patologia psíquica e perversão sexual" (chega???). O seu nome corria nos tribunais e no ar pairava a ameaça de uma pena de prisão quase certa, que poderia durar 7 anos. Com a ajuda da Amnistia Internacional e da PEN American fugiu para Nova Iorque, onde se exilou. Aí é hoje considerado como um artista ao nível dos famosos Nan Goldin, Wolfgang Tillmans ou Terry Richardson. Soldados, punks, skaters são parte do objecto da sua escolha que se mistura com sexo, muito sexo, muita acção e sinais de revolta, de contestação, de amplo inconformismo. As fotos de Slava Mogutin são instantes pensados para não fazer concessões. Estão carregadas de dor, de prazer, de inocência, de fatalidade, de entrega, de despojamento. Nas suas imagens há algo de sinistro e de inatingível, que aos poucos vamos entendendo. Há pornografia, e não pouca. Às vezes só mesmo uma suave sugestão, algum erotismo, mas sempre uma enorme entrega que revela a grandeza do seu amor à arte, do seu amor à linguagem dos sentidos. Slava está hoje representado nas galerias mais arrojadas e mais conceituadas e nas melhores revistas de arte e de moda como a i-D, Butt, Visionaire, Honcho, BlackBook, Playgirl e a Stern. Foi capa da revista portuguesa Umbigo (veja-se aqui). Tem 7 livros publicados em russo e traduções para 6 línguas. Em 2005 criou uma parceria artistica com o seu companheiro Brian Kenny: o colectivo Superm.

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2007/04/12

françoise nielly

Ainda não se passou uma semana sobre a Páscoa e parece que ela vai já bem longe. Hoje é assim, o tempo passa demasiado depressa e não só não temos - muitas vezes - tempo para nós próprios como - ainda pior - não o temos para os outros. Ou para todos os outros a quem gostaríamos de dar parte do nosso tempo. As figuras pintadas por Françoise Nielly são coloridas como as amêndoas da Páscoa. Fazem-me regressar a momentos bons. E eu gosto disso!...

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2007/04/10

contigo ou sem ti

Sou feliz quando estou contigo. Acontece assim desde aquele dia que não esqueci e a que tantas vezes regressamos. Gosto de ti, como és e como tens sido ao longo do tempo. Gosto do teu carinho, do teu calor, do teu cheiro, da tua pele e dos teus beijos que tantas vezes me deixaram sem respiração. Gosto da forma como me encontras, como nos encontramos, de ser recebido entre os teus braços, entregue ao teu abraço. Mas quando não te vejo quase enlouqueço, fico sem norte, perco as estribeiras. Deverias saber como é difícil ultrapassar o silêncio, sobretudo quando se vive rodeado de ninguém. Quando ficámos sós porque os outros se esqueceram de nós ou simplesmente porque queremos ficar na solidão dos nossos pensamentos, das nossas recordações. É este o mundo com que me deparo nos dias de hoje, e tu deverias sabê-lo. Talvez te apercebesses que quase ninguém ainda precisa de mim, que todos os elos parecem ser frágeis, efémeros, condicionados. Mas eu reconheço que preciso de ti, muito, que preciso do teu amor, sempre, na saúde e na doença blá-blá... Preciso do teu braço, da tua boca, do teu aconchego, do teu corpo, da tua sabedoria e da tua sensibilidade. Preciso de ti, ente único e querido, com as tuas virtudes, com os teus defeitos, com a tua capacidade excepcional de me aceitar nos meus defeitos e de reconhecer em mim virtudes que mais ninguém conhece. Sem ti sinto-me esvaziado, demasiado só, vazio. Contigo sou feliz!

Contigo ou Sem Ti («With or Without You») é o título de uma canção dos U2 incluída no álbum «The Joshua Tree», de 1987 (Island Records).

Imagem via Emisiones Nocturnas
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2007/04/09

joel meyerowitz

«Fallen Man» é de 1967, mas eu já passei também por isto, num outro dia... Comigo foi uma quebra súbita de tensão e parecia que o chão subia vertiginosamente em direcção à minha cabeça; durou 10 segundos e logo depois tudo estava bem. Hoje descobri aqui o seu autor: Joel Meyerowitz (nascido em 1938), fotógrafo de vertigens, de quedas, de fracturas e de escombros, mas também do inverso, do reencontro, da reconstrução. Vale por tudo isso!...

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poema de amigo

Conversas recentes e, que mais não fosse, os pensamentos que me ocupam a cabeça, levam-me a questionar incessantemente as minhas qualidades e a destapar os meus defeitos. Com o passar dos anos a confiança nas virtudes vai dando lugar a uma mais realista aceitação das falhas e à consciência de que, apesar de tudo, sou menos, muito menos do que pensava ser. E penso nos meus amigos, nas pessoas, enfim, que eu amo — porque de amor faço também a amizade — e em como sou ausente. E há algumas semanas atrás encontrei um poema de José Tolentino Mendonça que tive logo a vontade de dar aos meus amigos, mas que, porque sou menos que perfeito, só agora mostro. Aqui vai então «A Estrada Branca», com fotografia de Joel Meyerowitz, como um poema de amor para os meus amigos, para o meu amigo:

Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto

folhas tremiam
ao invisível peso mais forte

Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate

2007/04/06

a cama está vazia

É noite longa e a cama ainda está vazia. Sobre ela só papéis, uma caneta, o telefone já frio e o silêncio. Um silêncio de paz, mas sem ninguém. Se alguém repousasse sobre esta cama, hoje e todas as noites, serias tu, nenhum outro. Mas sou eu só, apenas, e o silêncio que sobre ela se deitam. Talvez amanhã, ou um outro dia, surja de novo essa alegria, esse sorriso e esse calor que andam longe daqui, por agora. Talvez amanhã, ou noutro dia, eu te tenha outra e outra vez por companhia, para amansar esta revolta de solidão, de silêncio, de quase amor em vão. É noite longa, aos poucos cada vez mais, e nem mesmo tu vais ouvir estes ais, estes queixumes lentos e longos e negros das minhas noites, dos meus dias, dos meus meses e anos. Comigo só, hoje a cama está vazia.

Imagem via Le Mâle Absolu
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elisabeth ohlson wallin

A pequena Elisabeth Ohlson Wallin (1961) desejava ser agricultora ou arqueologista, mas foi como fotógrafa que começou a trabalhar em 1980, para um jornal regional da Suécia. Em 88 deu asas à sua veia artística e ficou conhecida por capturar eficientemente a essência dos seus modelos. Fotografou personalidades raras, minorias sexuais, rebeldes com ou sem causa, mas foi notada sobretudo com a série de 12 fotos «Ecce Homo» que retratavam a vida de Jesus Cristo num contexto actual (ao lado vê-se Jesus a morrer de sida no braços de Maria). Trazer Cristo de volta à vida é o sonho de um bom Cristão, e Elisabeth Ohlson (à sua maneira) conseguiu-o também...

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2007/04/05

zhao yannian

A China é um universo de surpresas e Zhao Yannian (1924) uma das suas maiores estrelas. Este artista foi seguidor ideológico de Lu Xun, o pai da revolução chinesa, e influenciado por artistas europeus como Käthe Kollwitz e Frans Masereel. As suas xilografias são obras de intervenção, documentando ou criticando momentos sociais e políticos marcantes no seu país. «Pesadelo Nº 2» faz parte da sua reflexão sobre a Revolução Cultural...

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2007/04/04

youssef nabil, quase perdido no deserto

Fotógrafo de origem egípcia, nascido em 1972, Youssef Nabil deixou-se perder pelo deserto mas também levar pela magnitude do cinema, pelo dramatismo sentimental hollywoodesco, pela elegância que se pode encontrar no diverso mundo das paixões. Ainda miúdo sentia-se atraído pelas velhas fotografias a preto e branco que os modernistas se apressavam a colorir. Por isso, as suas primeiras fotos eram feitas por esse método e o velho e clássico tema da nudez era o assunto. Só que os seus haréns estavam cheios de viris homens, dos seus amigos, dos seus amantes. Quase perdido no deserto, Nabil concretizou a transformação da gente ainda marcada por uma vida difícil, em belos modelos que poderiam ter sido estrelas de Hollywood. Em 1993 tornou-se assistente, em Nova Iorque, de David LaChapelle, depois praticou ao lado de Mario Testino, que acompanhou por Paris em 1997. Conquistou o troféu Seydou Keita na Bienal de Fotografia Africana de Bamako, em 2003, e diversos outros prémios. As suas obras foram exibidas por todo o lado: em França, Holanda, Estados Unidos, Espanha, México, África do Sul, Egipto, Emirados Árabes Unidos, etc. Depois de uma residência estável na Cidade Luz, o fotógrafo mudou-se para Nova Iorque.

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2007/04/03

xerxex

Parece que XerXeX terá começado a pintar há bem pouco tempo e apenas por prazer pessoal. Mas a existência das obras acabou por pedir alguma visibilidade e a colecção «Iberica» saiu para a rua, mostrando uma energia intensa, claramente pornográfica, bela e criativa, com movida... A imagem ao lado, sem título, é um bom exemplo do que faz, mas «Circulo de Pasion» é talvez a minha aguarela preferida. Descubram-na!...

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2007/04/02

wolfgang tillmans

Alemanha, 1968, nasce Wolfgang Tillmans, futuro fotógrafo de arte e de moda. Viveu em Hamburgo antes de estudar e viver em Inglaterra. É conhecido por uma obra simplicista e espontânea. Aparentemente, como se os seus momentos preparados fossem simples e felizes instantâneos de jovens, de músicos (Arto Lindsay, Moby e Damon Albarn dos Blur, p.e.), de noctívagos, de gays, de desprotegidos... Alguns nus arrojados com masturbação à mistura não o impediram de conquistar o Turner Prize de 2000. Gosto de gajos, assim!...

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