2007/05/31

ewoud broeksma: a têmpera da fotografia

O holandês Ewoud Broeksma (1957) começou a fotografar por volta dos seus 30 anos de idade e apenas se tornou conhecido no início dos anos 90 realizando ou dirigindo, de 1994 a 99, uma grande quantidade de fotografias de atletas para jornais e revistas da Holanda. Num estilo que lhe é próprio, sublinhou uma espécie de humor olímpico a cada um dos seus retratados. Mas esse humor está também presente quando os assuntos são outros: o Love Parade de Berlim, o Giro de Itália, ou os belos surfistas de Leça da Palmeira... Melhor ainda só mesmo aquelas fotografias voyeuristas de pessoas ora vestidas (primeiro), ora nuas (depois, como se mostram acima)... Explorem o seu site, porque há nele uma imensidão de belas fotos que vale a pena descobrir. Para os mais entusiasmados há ainda a possibilidade de adquirir uma colecção de fotografias em livro ou avulso, ou mesmo de contratar o fotógrafo. Ah: eu não gosto de Motörhead, mas gosto de ver o Tim nas fotografias. E a culpa é do temperamento do Ewoud... Não concordam?

Importado do blogue l'avion rose

marc almond por matthew stradling (2)

Mais um retrato de Marc Almond com o traço e a cor que tão bem definem a obra do apreciado artista britânico Matthew Stradling. Mais virão...

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2007/05/30

marc almond por val denham

Em 1982, Marc Almond iniciou uma carreira fora dos Soft Cell e «Untitled» foi o seu primeiro álbum assinado como Marc & The Mambas. Val Denham assinou a imagem original que viria a ser transformada na capa do disco. Recentemente foi vendida na eBay por uma quantia bem interessante, que o comprador seguramente não terá ainda chorado...

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2007/05/29

no fear blog award

Não sei se iria achar divertido ou se me sentiria oprimido por tanto tomate à solta, mas a imagem fascinante é da festa que todos os anos se celebra em Buñol no final de Agosto e a que se dá o nome de Tomatina. É um festejo regular em que participam quase 40.000 pessoas, entre as que lá habitam e as que se deslocam a essa pequena povoação mediterrânica próxima de Valência (Espanha). Ano após ano, tem sido um daqueles acontecimentos que me prendem pelos detalhes e me fazem sonhar com uma visita, que um dia acontecerá certamente...
Por cá, os tomates são outros e foi nesta madrugada que eu apanhei com dois que me foram lançados pelo amigo Ric (De Viris Pulchris et Aliis). Neste caso tratou-se de uma nomeação para o Prémio Blogue Com Tomates, que nem sequer conhecia. Eu fiquei da cor mais madura do fruto e lá fui ver do que se tratava. Já esclarecido, não posso deixar de agradecer ao Ric a escolha e de corresponder com a devida boa educação à regra que me leva a replicar. Assim e apesar da dificuldade, pelo conteúdo, pelo desenho ou pela actualidade, com um toque de audácia, da minha lista de blogues regularmente visitados faço cinco novos nomeados para este Prémio Blog Com Tomates (a.k.a. No Fear Blog Award).
(Abro então o envelope e digo) e os nomeados são:

Urban Stage (bonito, fresco, irreverente, só é pena que seja actualizado tão pouco); 2º Hugo Strikes Back! (pelo imaginário muito nipónico do País das Maravilhas); 3º Sound + Vision (um bom sítio para saber da música e do cinema de que gosto); 4º A Outra Face da Cidade Surpreendente (é impossível ficar indiferente a esta outra cidade); 5º Salsa & Pimenta (uma referência antiga, apesar de precisar de alguma outra frescura).

Missão comprida, mas cumprida! Parabéns às vítimas...

Prémio do Blog Com Tomates via De Viris Pulchris et Aliis
Imagem da Tomatina via 20minutos.es
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2007/05/28

seis meses

O que decidiste está decido e o que eu disse está dito... Mas não te preocupes demais e goza a 100% esses teus seis meses de renovação. Dir-me-ás depois que homem novo encontraste em ti, em que figura te transformaste...
Já eu, se calhar, serei como ainda sou e até lá ver-te-ei quando muito como ainda te vejo, quando te vejo. E nesse tempo certamente continuarás a ser o meu Belo Adormecido, como em todas essas vezes em que acordei e te encontrei ainda a dormir, ao meu lado. Como ainda hoje...
Há coisas que à primeira nos parecem sempre complicadas. Mais complicadas. Complicadas demais. Mas que importa isso, afinal? O importante é que continues a ter-me no teu coração, como eu te tenho, na presença e na ausência. Acho, porém, que se um dia pudermos viver juntos, se acharmos que é finalmente chegada a hora de viver numa unidade a dois, então tudo mudará. Sinto que serei mais feliz contigo, bem mais feliz do que sou, e que tu terás a oportunidade de ser feliz comigo, 1000 vezes mais feliz.
Sabes bem que eu tudo faria por isso e que quando estes seis meses passarem essa decisão estará quase para ser tomada. O tempo vai passar depressa para nós, tenho a certeza!...

Imagem via Emissiones Nocturnas
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2007/05/26

wyatting com robert wyatt

Robert Wyatt assinou há dias um novo contrato de edição com a Domino. «Comicopera» é o título provisório do novo álbum deste músico e cantor excepcional, que já foi o baterista dos Henry Cow, Matching Mole, Soft Machine e Wilde Flowers. A solo iniciou-se em 1970 com «The End of an Ear» e o seu último disco de originais foi «Cuckooland», lançado em 2003 pela Hannibal, que incluia colaborações de velhos amigos como Phil Manzanera, Brian Eno, David Gilmour, Karen Mantler e Annie Whitehead.
Recentemente Robert Wyatt serviu para baptizar uma nova expressão que define a acção de escolher e pôr a tocar em público, numa jukebox, discos ou temas que perturbem os outros frequentadores do mesmo espaço. A expressão criada foi "wyatting", tendo sido lançada por Carl Neville, um professor londrino de Inglês, de 36 anos de idade, e já por várias vezes foi usada em blogues e em revistas de música. O jornal The Guardian perguntou a Robert Wyatt o que achava disso e o músico disse simplesmente que "I think it's really funny" mas "I'm very honoured at the idea of becoming a verb". A Robert nunca faltou sentido de humor, nem vontade de trabalhar, e «Comicopera» deverá sair já em Setembro para igualmente nos surpreender e deliciar.

Imagem via Domino Recording Company
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marc almond por pierre et gilles

Como o prometido é devido, aqui estão mais dois retratos de Marc Almond. Estes foram assinados pela dupla Pierre et Gilles que passa a figurar entre os nomes mais referidos no l'avion rose. E não é difícil de entender porquê, pois não?!...

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2007/05/25

estudo sobre o casamento gay na europa

«Casamento e Outras Formas de Vida em Comum Entre Pessoas do Mesmo Sexo» é o título de um estudo da Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar, da Assembleia da República, soube-se hoje pela Associação ILGA Portugal.
O estudo foi preparado por Lisete Gravito e Maria Leitão, com a colaboração de Rosário Campos, para corresponder aos pedidos efectuados à Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar, com alguma regularidade, de legislação estrangeira sobre este assunto. Para isso terá sido enviado um questionário a onze países europeus: a Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido e Suécia.
Como introdução diz que "a legislação sobre o casamento e as uniões ou parcerias civis entre casais do mesmo sexo, apresenta soluções diferentes na Europa. Por um lado, temos a Bélgica, a Espanha e a Holanda que permitem o casamento entre casais do mesmo sexo atribuindo-lhes direitos e obrigações idênticos aos dos casais heterossexuais. Por outro, temos as parcerias civis que atribuem parte dos direitos e deveres dos casais heterossexuais, encontrando-se neste caso, a França. Outros países, como a Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Reino Unido e Suécia, ainda que não permitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo, consagram as parcerias de vida registada com grande parte dos direitos e deveres do casamento. Em Portugal, a união de facto é a única forma de vida em comum para duas pessoas independentemente do sexo, sendo-lhes atribuídos pela lei alguns direitos e deveres. Por último, a Grécia e a Itália não reconhecem qualquer forma de união entre casais do mesmo sexo".
Assim se depreende que em toda a Europa se estão a dar respostas às exigências legítimas dos cidadãos no sentido de permitir e regulamentar uniões legais equiparadas ao casamento, entre pessoas do mesmo sexo. Numa sociedade democrática e assente no princípio da igualdade e do respeito dos direitos e das obrigações dos cidadãos, é de esperar que também os portugueses possam ver contempladas com toda a brevidade as suas exigências.
O documento tem 83 páginas e pode ser descarregado através do link no título desta entrada.

2007/05/24

marc almond por matthew stradling

Além de brilhante, o pintor londrino Matthew Stradling (1963) é também, segundo soube, um artista bem simpático. Já que neste ano se comemora o 50º aniversário de Marc Almond (que todos tão bem devem conhecer de um mundo pop a atirar para o vaudeville gay), regresso à arte de Matthew com um retrato do ex-vocalista dos Soft Cell. A tela foi pintada a óleo em 1991 e mede 165x135 cm. Num destes dias, aqui mesmo veremos Marc noutros retratos...

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2007/05/22

memorial

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

«Porque» é um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que pode ser lido na página 159 do livro «Antologia» (Círculo de Poesia, Moraes Editores, Lisboa, 1975). Fonte de muitas inspirações, dedico esta singela memória, ilustrada com um quadro de Mark Rothko, ao meu pai (que perdi há quase 11 anos) e à minha mãe (que perdi há apenas 6 meses). Com eterna saudade.

Texto de Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem de Mark Rothko via Guggenheim Museum
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mark rothko: preto sobre cinzento

Markus Rothkovitz, mais tarde Mark Rothko, (1903-1970) nasceu russo e morreu norte-americano. Estudou em Yale (1921-1923), começando a sua carreira como pintor na Nova Iorque de 1925. Cresce à sombra de influências surrealistas e de pintores como Barnett Newman e Adolph Gottlieb, mas a partir de 1947 o seu estilo procura uma outra luz e dela desabrocha um artista com uma nova abordagem plástica, onde manchas de cor sobre telas de grande dimensões provocam no observador sensações emotivas diversas — quentes, frias, alegres, tristes, intensas, serenas... Esta abordagem estabelece-se como padrão com a passagem dos anos. O lado físico e real que se apresenta sobre a matéria da tela confunde-se cada vez mais com o místico, com o espiritual, com o inatingível. Rothko não era um homem de grandes convicções religiosas. Era um intelectual, um pensador, talvez mesmo um anarquista que se deixou ir ao suicídio. Os seus imensos quadros mostram a sua alma, os seus sentimentos, os seus ditos sem palavras. Como em «Black On Grey», pintura de 1969/70 com 203,8x175,6 cm. Nela sentimos a cor da alma quando a ausência eterna de alguém nos preenche os momentos. Com eterna saudade, dedico esta memória ao meu pai (que perdi há 11 anos) e à minha mãe (que perdi há 6 meses). A memória e a emoção perdurarão pela vida.

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2007/05/21

felix d'eon

For a friend: Felix d'Eon...

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2007/05/18

renasce uma estrela

Sai já a 4 de Junho «Stardom Road», o novo álbum de Marc Almond. A 22 de Junho começará em Glasgow a sua apresentação ao vivo que terá um momento especial quando, depois de passar por Manchester e Bristol, chegar a Londres a 9 de Julho. Aí, o encontro está marcado para o Shepherds Bush Empire, um histórico teatro construído em 1903 e com capacidade máxima para apenas 2000 espectadores, onde todos os presentes irão sem dúvida cantar-lhe as congratulations na noite do espectáculo, que coincide com o seu (já) 50º aniversário.
«Stardom Road», este novo disco gravado para a Sanctuary Records, recolhe as participações de elementos de Antony and the Johnsons e dos Saint Etienne, entre outros, além de uma orquestra com 50 músicos, e incluirá versões de 12 clássicos pop que influenciaram a carreira musical do ex-Soft Cell («Strangers In The Night» ou «I Close My Eyes And Count To Ten» são dois dos títulos mais sonantes). Marc Almond escreveu ainda «Redeem Me (Beauty Will Redeem The World)», o tema que certamente melhor marcará o seu renascimento.

ron grisworld

De um plano de voo: Ron Grisworld.

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2007/05/17

homophobia

being the true tale of a young gay man who was kicked to death outside a toilet in bradford ... homophobia ... up behind the bus-stop in the toilets off the street / there are traces of a killing on the floor beneath your feet / mixed in with the piss and beer are bloodstains on the floor / from the boy who got his head kicked in a night or two before // homophobia the worst disease / you can't love who you want to love in times like these / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // in the pubs clubs and burgerbars breeding pens for pigs / alcohol testosterone and ignorance and fists / packs of hunting animals roam across the town / they find an easy victim and they punch him to the ground // homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // the siren of the ambulance the deadpan of the cops / chalk to mark the outline where the boy dropped / beware the holy trinity church and state and law / for every death the virus gets more deadly than before / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these.

«Homophobia» é o título de uma canção dos Chumbawamba incluída no álbum «Anarchy», de 1994 (One Little Indian Records). Hoje, 17 de Maio, comemora-se o Dia Internacional Contra a Homofobia.

Texto via Chumbawamba
Imagem via Work Hard Public Relations
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bruce labruce

Conheci Bruce LaBruce (1964) pelo seu fanzine queerpunk J.D. e, depois, através da importação de um exemplar (ainda em VHS) do seu filme de culto «No Skin Off My Ass», um must have do cinema homossexual. Escritor, actor, fotógrafo, realizador, este canadiano nascido Justin Stewart é uma referência verdadeiramente excepcional no mundo da arte gay mais marginal. Se isto lhe diz alguma coisa, o melhor é mesmo estar atento e não o perder de vista...

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dia internacional contra a homofobia

Todos os anos, a 17 de Maio celebra-se o IDAHO - International Day Against Homophobia. Para assinalar a chegada dessa data, as Panteras Rosa realizaram já ontem uma acção pública defronte do Ministério da Saúde, em Lisboa, alertando e questionando sobre a discriminação exercida sobre os dadores de sangue que se declarem homossexuais. O grupo de manifestantes contava com a presença de médicos e activistas cobrindo todo o espectro das orientações sexuais. Esta acção teve um carácter simbólico, sendo sustentada com base na credibilidade dos argumentos, como bem explicaram as Panteras Rosa nas suas intervenções.
O Dia Internacional Contra a Homofobia teve origem no Quebeque (Canadá) em 2003, tendo sido promovida pelo escritor francês Louis-Georges Tin (autor do «Dictionnaire de l'Homophobie», Presses Universitaires, França) em associação com a ILGA. Também a 18 de Janeiro de 2006, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu subscreveu uma resolução sobre a homofobia na Europa "considerando que são necessárias outras acções tanto a nível da União Europeia como a nível dos Estados-Membros para erradicar a homofobia e promover uma cultura de liberdade, de tolerância e de igualdade entre os cidadãos, assim como no âmbito da sua ordem jurídica" e "insta os Estados-Membros a adoptarem disposições legislativas para pôr fim à discriminação de que são vítimas os parceiros do mesmo sexo em matéria de sucessão, de propriedade, de locação, de pensões, de impostos, de segurança social, etc". Em Portugal continuamos ainda à espera...

2007/05/15

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Foi o Special K (de O Melhor Dos Dois Mundos) que me lançou o desafio. Por isso eu aqui vou tentar responder com honestidade e rigor às 7 questões que talvez façam de mim "uma foto em palavras". As 7 vítimas seguintes serão indicadas adiante, completando as 49 respostas que terei de apresentar. Pois seja, então:

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:

  1. Amar mesmo se doer
  2. Aperfeiçoar-me enquanto crescer
  3. Cantar virado para o ar
  4. Descobrir o que estiver para vir
  5. Divertir-me quando puder
  6. Recordar como é bom amar
  7. Viver até morrer
7 coisas que mais digo:
  1. Até amanhã
  2. Beijinhos
  3. Bom dia
  4. Dorme bem
  5. Fofinho
  6. Obrigado
  7. Se faz favor
7 coisas que eu faço bem:
  1. Ser amigo
  2. Ser carinhoso
  3. Ser criativo
  4. Ser cumpridor
  5. Ser paciente
  6. Ser romântico
  7. Ser sonhador
7 coisas que eu não faço:
  1. Ser arrogante
  2. Ser incoerente
  3. Ser infiel
  4. Ser ingrato
  5. Ser intrusivo
  6. Ser malcriado
  7. Ser mentiroso
7 coisas que adoro:
  1. A água
  2. A arte
  3. A literatura
  4. A música
  5. O amor
  6. O calor
  7. Um silêncio brando
7 coisas que odeio:
  1. Animais dentro de casa
  2. O rumo que estamos a dar à nossa democracia
  3. Todas as poluições
  4. Todos os egoísmos
  5. Todos os extremismos
  6. Todos os fundamentalismos
  7. Ver algum amigo a amuar, mesmo que só com uma destas coisas
7 amigos para continuar o jogo:
  1. Actas do Pequeno-Almoço (Daniel)
  2. André Benjamin (André)
  3. Arquipélago do Silêncio (Alexandre)
  4. Diferente Como Eu (DCG)
  5. Gayfield (Gonçalo)
  6. Iluminuras (Lucy)
  7. WhyNotNow (Pinguim)
Cá por mim, aposto que isto não irá muito além daqui...

Imagem via O Melhor Dos Dois Mundos
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2007/05/12

um café com história

A primeira vez que estive em Londres foi nos anos 80 e já nessa altura a capital britânica era uma cidade muito mais aberta do que eu poderia prever. Ido de um Portugal defensor da democracia e da liberdade, as diferenças só poderiam mostrar-me que por cá vivemos quase só de ilusões e de pouca convicção. Por lá, nas ruas dizia-se não e não e não à Cláusula 28, nome por que era conhecida a nova lei sobre a idade do consentimento sexual. Lá, nesse mesmo ano de 1986, um café-bar saía do armário e adoptava como nome First Out. Era o primeiro espaço do género na grande Londres e era por isso notícia. Soube dele assim, por uma revista, e fui à sua procura no nº 52 de St. Giles High Street, no West End. As duas mesas no exterior davam-lhe um ar de serena normalidade. Lá dentro havia um balcão-frigorífico com atractivos bolos e clientes num vai-e-vem entre o balcão e as mesas, num ambiente decorado ao estilo continental, com música suave, intimista e agradável. Descendo as escadas que se nos ofereciam adiante, o ambiente mudava para algo mais britânico e mais cool, de iluminação mais ténue, música mais alta e algum fumo de clientes que se faziam ouvir em conversas soltas. Se no piso de cima (usado como café) predominava um consumo light à base de doces e saladas, de chá, café ou refrigerantes, já no de baixo (usado como bar) se bebia sobretudo álcool. Sobressaiam estes dois ambientes num só espaço partilhado por rapazes e raparigas (talvez com a predominância destas), claramente gays mas diversos nas suas maneiras de ser e de estar. Pelas paredes mostravam-se quadros de novos artistas. Quanto aos preços, enfim, não é de esperar pechinchas na capital britânica, mas com um pouco de sorte e de sabedoria há sempre alguma possibilidade mais conveniente. O First Out Café Bar deverá ser um ponto de paragem para quem, como nós, passe ao lado e não escape à atracção da história.

Estações de Metro: Tottemham Court Road, Covent Garden ou Leicester Square.

2007/05/11

pop dell'arte: querelle em versão 2007

"Querelle", o primeiro máxi dos Pop Dell' Arte vai ser editado numa nova versão misturada pelos Glimmers e apresentado no Lux dia 11 de Maio (...). A primeira vez que ouvi o "Querelle" foi um ou dois anos após a sua edição. A Nini tinha o maxi-single que trazia no Lado B o "Mai 86". Na altura andávamos no liceu, uma altura muito engraçada nas nossas vidas, lol. Foi o início de tudo. No teledisco apareciam as pessoas que víamos nos locais que começávamos a frequentar à noite, os freaks, as aves raras, os noctívagos frequentadores do Bairro Alto dos finais dos 80.

Nova parceria (com os belgas que antes se chamavam The Glimmer Twins), novo disco, novo concerto... Pop Dell'Arte hoje no Lux (em Lisboa), pelas 22h00. E em disco, em breve por aí... Hoje, se pudesse, estaria lá!

Imagem via Pop Dell'Arte
Texto de ZEP via Fruta e Verdura
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2007/05/09

benoît prévot

Nas imagens de Benoît Prévot há um quê de glamour fora de moda. São imagens de l'amour, mas sendo de hoje parecem pertencer a uma época clássica, que já passou no tempo dos nossos pais, dos nossos avós. Há nestas imagens uma virilidade e uma delicadeza raras, mas tão verdadeiras como se não fossem a mais pura ficção. Há encanto e beleza, num traço firme e experiente de quem faz do desenho a sua profissão...

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2007/05/08

dennis cooper: crónicas de amor e sexo

Como escritor, Dennis Cooper (1953) seguiu os modelos de Rimbaud, Verlaine, De Sade ou Baudelaire. Ainda jovem escreveu poesia que expunha a sua vida emotiva e sexual entre os punks e os jovens artistas libertários da sua época, que nele viam um líder. Deixou a sua Califórnia e os States em 1976 e foi ao encontro de Londres, no velho Reino em revolução punk e anarquista. Chegou, viu e venceu, envolvendo-se nos movimentos mais contestatários de então. Criou a editora Little Caesar e a revista com o mesmo nome. Progrediu, mas em 1979 voltou à Califórnia e lá dirigiu iniciativas artísticas com figuras tão relevantes como Gerard Malanga, o poeta, fotógrafo e realizador que ombreou regularmente com Warhol. Em 1982 edita a sua primeira novela, de título «Wrong». Dois anos depois parte para Nova Iorque e em 87 para Amesterdão, na Holanda. Aí acaba de escrever o seu primeiro grande romance, «Closer», enquanto faz algum dinheiro como correspondente de diversas revistas norte-americanas (a Village Voice e outras). Regressa a NY onde inicia colaborações com a revista ArtForum. Segue-se «Frisk» em 1991, novela nova, e depois «The Dream Police: Selected Poems '69-93», «Jerk» e «Try» (em 1994), «Horror Hospital Unplugged», «All Ears» e «Guide» (em 1997), «Period» (2000), «My Loose Thread» (2002), «The Sluts» (2004) e «God Jr.» (2005). Para ler (em livro), ver (em vídeo) ou ouvir (em disco, como na sua colaboração com John Zorn ou Kathy Acker), porque a arte e a homossexualidade sempre estiveram presentes nas suas crónicas... de amor e sexo.

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2007/05/06

da lábia e dos narcisos

Uns lábios podem dizer-nos muito, ou simplesmente nada. Ainda que seja falso que o dito e a fala venham dos lábios (na verdade vêm é das cordas vocais), é para eles que olhamos quanto prestamos atenção a quem nos fala. Pelo menos se está à nossa frente. Às vezes, porém, é pelo telefone (fixo ou móvel) que a voz nos chega. E se nessas ocasiões não são uns lábios que temos à nossa frente, já a imaginação nos ajuda a compensar essa ausência. O que é difícil é ter a compensação do silêncio dos amigos, da família, dos que queremos por perto mesmo que seja só em voz e de vez em quando. Penso quanto é estranho que hoje as pessoas se refugiem em silêncios que se poderiam ultrapassar. Para o contrariar, eu ainda pego no telefone, à noite ou aos fins-de-semana, e ligo para umas quantas pessoas (cada vez menos) que quero ouvir. É uma facilidade sem custos adicionais, graças a um plano de preços que subscrevi ainda no tempo em que queria ter todo o tempo do mundo para falar com a minha mãe. A Mãe já cá não está hoje, nem nunca mais, mas o plano mantém-se e o tempo sobra-me. Falo com quem posso, com quem encontro, mas quase nunca alguém tem a iniciativa de falar comigo. Isto é: eu passo a vida a ligar a toda a gente e (quase) ninguém me liga, nem hoje, nem amanhã, nem depois... Haverá uma excepção ou outra, bem sei, e reconheço que o pouco que vou recebendo deve ser reconhecido. É nos outros casos que eu vou ficando cada vez mais distante de quem quero: primeiro porque não me apetece insisitir em conversas com quem já não me procura, depois porque quase sempre fico a pensar que uns quantos não se interessam muito mais por mim para além do mero facto de me terem conhecido ou de me conhecerem. E há os que se desfazem em simpatias e promessas, que nunca concretizam. Mas talvez bem piores sejam mesmo os que só têm lábia para celebrar a sua própria vida, ou aqueles que são tão extraordinariamente narcisistas que só se preocupam com os seus excessos egocentristas, com a celebração da sua existência excepcional, dos seus sucessos ampliados e desmedidos, ou ainda com as explosivas manifestações de afectos dos e para com os seus béu-béus ou miau-miaus... Que tenham dó dos simples e humanos mortais!

Imagem via GayFeed
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brandon herman

Brandon Herman (1983) é novo na fotografia, tendo feito a sua estreia em exposição individual no início de 2007, na galeria Wessel + O'Connor, de Brooklyn. «Schooldayz» mostrava os seus amigos e amigas, amantes e colegas de liceu, numa explosão de sexualidade que chegava a apelar à lascívia mas também, e sobretudo, à admiração estética. Brandon formou-se na Rhode Island School of Design, vivendo e trabalhando em Nova Iorque.

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estranha coincidência

Citando um artigo de jornal, a Associação ILGA Portugal fez saber que o porta-voz da direcção nacional do Partido Socialista, Vitalino Canas, admitiu ser uma "ideia interessante" celebrar-se em 2010 o centenário da instauração da República Portuguesa com "ideias fortes". Segundo a mesma fonte, a Comissão de Projectos para as Comemorações do Centenário da República, presidida por Vital Moreira, propôs ao Governo um programa legislativo que inclua, "no campo das relações sociais", uma "revisão do Código Civil em matéria de relações familiares" e que tenha "em conta as novas relações sociais", ou seja, que porventura abra a legislação portuguesa ao casamento homossexual e às equivalências que daí advêm. O mesmo porta-voz do PS, mas já apenas na qualidade de jurista, acrescentou que no seu entender é altura de se "mudar" o velho Código Civil que ficou "desactualizado" face às "novas realidades" sociais e familiares. Sobre isto, pela voz de Paulo Côrte-Real, a secção portuguesa da ILGA (International Lesbian and Gay Association) recordou que foram já entregues na Assembleia da República, há mais de um ano, projectos do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista Os Verdes que defendiam a autorização legal dos casamentos homossexuais em Portugal, à semelhança aliás de outros exemplos concretizados noutros países da União Europeia, nomeadamente no Reino Unido e em Espanha. "Não se deve esperar por 2010, deve-se sim actuar desde já", defendeu ainda a ILGA Portugal. E disso não há dúvida: já estamos cansados de esperar por algo que era esperado nesta legislatura sob a governação socialista. Só que se no passado o PS terá piscado o olho aos homossexuais, agora parece ter medo de perder votos e eleições e aposta antes na estabilidade heterossexual. Em 2010 parece que sim, que haverá a intenção de legislar. Só que 2010 é depois das próximas eleições. Eu só votarei em quem me apoiar e talvez todos os homossexuais portugueses devessem fazer o mesmo...
No quadro de Paula Rego «Pietà», que se vê ao topo, parece haver um prognóstico ao futuro de José Sócrates como Primeiro-Ministro. Estranha coincidência!...

2007/05/04

matthew stradling

«The Weeping Flesh» é o título deste óleo sobre tela de 150x118 cm pintado pelo artista britânico Matthew Stradling. Nasceu em Hertfordshire, no sudeste da ilha, mas actualmente vive e trabalha na zona norte de Londres. De fama feita, tem obras presentes em colecções públicas e privadas de todos os continentes, com destaque para a Europa, América e Ásia. É bela e universal a linguagem da carne...

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2007/05/03

slim man

Há meia dúzia de anos atrás fui surpreendido pela campanha que lançava um novo perfume para homem: numa fotografia belíssima, a preto e branco, de Richard Avedon, um rapaz de tronco nu, escanzelado, sarapintado de sinais e com uns lábios opulentos que contradiziam a restante austeridade da imagem, anunciava o espírito novo de «Higher», a eau de toilette, e de Hedi Slimane, o novo director artístico da Dior Homme. De então para cá sucederam-se as colecções de fatos estreitos, corte agudo e acessórios ambíguos que tinham como referência o David Bowie dos anos 70, os estojos de luxo para o iPod, o falso mohawk, as colaborações com bandas de rock estreantes, o relançamento de «Fahrenheit» (com um filme de David Lynch), o revivalismo gourmand de «Dior Homme» ou o recente reprise branco, em canto de cisne, de «Fahrenheit 32». Hedi Slimane, o gerador da energia criativa que deu alento à maison nemesis da Chanel não renovou o contrato, abrindo passo ao seu assistente, Kris Van Assche, que acaba de ser anunciado como seu sucessor. O rapaz esguio que ditou novos padrões de beleza masculina, vagueia agora noutros corredores — fala-se na Yves Saint Laurent, mas eu queria-o na Chanel... Homme.