2007/06/23

orgulho gay

Tom Robinson compôs «Glad To Be Gay» para a marcha do Gay Pride londrino de 1976. Dois anos depois apareceu finalmente em disco, mas a sua passagem na rádio foi recusada pela BBC Radio 1. Teve várias versões, sendo mais considerada a do LP de 1979 que se intitulou «Cabaret '79». A letra era assim:

The British Police are the best in the world
I don't believe one of these stories I've heard
'Bout them raiding our pubs for no reason at all
Lining the customers up by the wall
Picking out people, knocking them down
Resisting arrest as they're kicked on the ground
Searching their houses and calling them queer
I don't believe that sort of thing happens here
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2)

Pictures of naked young women are fun
In Penthouse and Playboy, page three of The Sun
There's no nudes in Gay News our one magazine
But they still find excuses to call it obscene
Read how disgusting we are in the press
In The Evening News and the Sunday Express
Molesters of children, corruptors of youth
It's there in the paper, it must be the truth
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2)

Have you heard the story about Peter Wells
Who one day was arrested and dragged to the cells
For being in love with a man of eighteen
The vicar found out they'd been having a scene
The magistrate send him for trial by the Crown
He even appealed, but they still send him down
He was only mistreated a couple of years
Cos even in prison they... look after the queers
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2)

So sit back and watch as they close all our clubs
Arrest us for meeting and raid all our pubs
Make sure your boyfriend's at least 21
So only your friends and your brothers get done
Lie to your workmates, lie to your folks
Put down the queens and tell anti-queer jokes
Gay Lib's ridiculous, join their laughter
"The buggers are legal now — what more are they after?"
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2).


Possivelmente foi através deste álbum e especialmente desta canção que eu descobri que a homossexualidade poderia ser um motivo de orgulho, não de vergonha. Eu teria 18 anos quando um amigo heterossexual mo ofereceu. Faz parte da minha história, eu próprio sou um reflexo desse orgulho. Por isso me sinto à vontade para evocar a memória e dedicar toda a minha admiração aos que hoje ainda se revêem nesta canção, bem como a todos os que participam nos Gay Prides ou em qualquer outra manifestação de Orgulho Gay.

Via Tom Robinson a canção original (mp3) ou uma versão vídeo (QT)
A ilustração veio via ILGA Portugal
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/21

no more lonely nights?

Hoje está previsto irmos ver uma casa. "A" casa, como referia o Gonçalo no quinto ponto das «7 coisas que tem de fazer antes de morrer». A marcação ainda não é definitiva (está sujeita a uma confirmação a meio da tarde) e poderá ser adiada por alguns dias, em função das nossas disponibilidades e da do seu proprietário ou representante.
O momento é importante e eu não estou habituado a ver casas. Falo comigo, em voz alta:

  1. O apartamento actual é um T1 e o que vamos ver é um T3 (o Gonçalo quer que seja pelo menos um T2);
  2. O actual tem uma kitchenette (do que eu me habituei a gostar porque gosto de espaços abertos, de conversar com os convidados enquanto cozinho, da informalidade da situação) e o "novo" deverá ter uma cozinha independente (que também tem as suas vantagens, admito);
  3. O actual não tem lavandaria nem estendal (lavar e secar faz-se numa máquina felizmente muito eficiente), o novo deverá ter (o que seria melhor e mais em conta);
  4. O actual é um prédio muito recente, com acabamentos interessantes e agradáveis, e tem um lugar de estacionamento na garagem colectiva do prédio, enquanto o novo deverá ter mais de uma ou duas décadas de construção e o consequente uso, os acabamentos deverão ser já questionáveis e tem uma garagem individual, ao lado de outras, nas traseiras do prédio;
  5. O actual fica numa rua arborizada com muito tráfego (felizmente tem janelas com vidros duplos) e nas proximidades de bairros sociais problemáticos (com forte consumo de drogas e junkies que por vezes pernoitam abrigados à porta do prédio), o novo fica também numa rua arborizada com pouco tráfego mas bem mais sossegada em termos sociais (falta saber como serão os novos vizinhos) e ambos ficam na mesma zona da cidade, sendo o novo ainda mais perto do local onde eu trabalho e do supermercado onde eu faço as compras;
  6. O actual é sossegado (tirando os vizinhos mais próximos que são simpáticos mas um pouco desrespeitadores dos outros condóminos ou habitantes do prédio: cão no terraço a ladrar o dia todo, ou sacos de lixo à porta do apartamento quase todos os dias das 8 horas e pico da manhã até perto das 9 horas da noite, ou até num dos primeiros dias uns risinhos histéricos à minha passagem) e o novo também deve sê-lo;
  7. O actual é bem servido pela rede de autocarros e tem acessos muito próximos à auto-estrada, o novo tem ainda mais autocarros só que do outro lado do quarteirão (onde num futuro não muito distante poderá vir a passar uma linha do Metro) e também tem acesso próximo à auto-estrada;
  8. Ambos ficam virados a Sul, o que é uma boa orientação solar;
  9. Numa primeira análise, a mudança de apartamento corresponde a um aumento da renda que eu pago em cerca de 16% (o que, dividido pelos dois, daria para mim uma redução dessa despesa em 42%) mas, apesar disso, alguma prudência alerta-me para eventuais dificuldades orçamentais se no futuro um de nós ficar sem emprego;
  10. É um facto que o apartamento actual tem sido acima de tudo o meu apartamento, enquanto que o novo seria o passo que me falta dar para que se viabilize em definitivo e harmoniosamente uma vida que desejamos a dois e sob um mesmo tecto.
Enquanto isto vem-me ao pensamento o refrão de uma canção: «No More Lonely Nights»... Fui ver e era de Paul McCartney. Devo estar mesmo a ficar velho!!!

Imagem via Gomez Patchouly
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/20

este s. joão é de caravaggio

Vem a obra a propósito da festa que se avizinha em muitas terras de Portugal e do planeta, e que de forma menos pagã assinala de novo o solstício de Verão no Trópico de Câncer. Mas seria necessário ir a Roma, à Galeria Nacional de Arte Antiga, para admirar o original deste «S. João Baptista», um grande óleo sobre tela pintado pelo mestre Caravaggio (1571-1610). Este belo santo, que nos alegra a alma e o coração nesta versão pintada pelo artista aos 30 e poucos anos de idade, é um excelente apelo à devoção da imagem: pela santidade, pela beldade ou pela excelência pictórica. Michelangelo Merisi da Caravaggio (não confundir com Michelangelo Buonarroti, aquele que reconhecemos quando se fala só de Michelangelo) foi o primeiro grande artista do Barroco e viveu num sucesso quase imediato. Foi uma figura fascinante e também problemática, tendo morto um jovem numa luta em 1606. Fugiu por ter a cabeça a prémio. As pessoas vulgares das ruas eram os seus modelos, que pintava em intensidade de luz sobre um fundo de fechada escuridão. Assim deu uma vida excepcional e mundana aos seus temas e foi assim também que morreu em 1610, possivelmente vencido pelos seus perseguidores.

Importado do blogue l'avion rose

2007/06/18

david hockney e a obra (do) gigante

Vou estar em breve defronte deste imenso quadro de David Hockney (1937), que a Royal Academy of Arts está a mostrar em Londres, em estreia absoluta, desde 11 de Junho. Como bem sabe que já é habitual neste blogue, Hockney é figura máxima da arte pop no Reino Unido, um dos meus artistas predilectos e até um dos pintores mais relevantes da história da arte do século XX. Este seu novo e sensacional quadro foi baptizado como «Bigger Trees Near Warter» ou «Peinture En Plein Air Pour L'Age Post-Photographique» e mede 12,2 metros de largura por 4,6 de altura (o artista aparece à frente para ajudar a dar uma ideia das verdadeiras dimensões). Pintado por secções ao ar livre na povoação de Warter (Yorkshire), no norte de Inglaterra, onde o pintor vive e regularmente trabalha, a gigante pintura vibra de luminosidade e transparência. Quase como na sua fotografia fracturada (feita nos anos 70 e 80 com polaroides organizadas para compor imagens maiores), esta enorme tela é o resultado da combinação (ainda que não de justaposição) de 50 telas menores que foram levadas para o terreno ao longo de várias sessões. A obra ocupa a parede maior do museu, que fica no coração de Londres, onde estará exposto até 19 de Agosto.

2007/06/14

uma bandeira vermelha

Nas palavras de José Saramago, a esquerda "deixou de ser esquerda". O mais estranho nas recentes afirmações do Nobel da Literatura é, segundo o jornal Público, dizer também que não conhece "nada mais estúpido que a esquerda".
Para Saramago, bem conhecido pelo seu posicionamento histórico como militante do Partido Comunista Português, os governos estão a tornar-se "comissários do poder económico". Explicou que "o mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio". Até "já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder", acrescentou como alusão aos executivos português e italiano.
Estas declarações terão sido proferidas na conferência «Lições e Mestres» que se realizou em Santillana del Mar (não muito longe de Santander, em Espanha) e confrontou as opiniões de Saramago com as de outros pensadores e escritores. "Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda". Para José Saramago é tempo de balanço e insubmissão: "estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo. (...) É altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos".
A notícia pode ser consultada na sua versão integral através do link neste título.

2007/06/13

al berto, no silêncio

é no silêncio
que melhor ludibrio a morte

não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo

ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir

Nos 10 anos da morte do poeta Al Berto, este excerto do «Regresso às Histórias Simples» foi transcrito da página 53 de «Uma Existência de Papel», editado pela Gota de Água, no Porto, em 1985. Al Berto escrevera-o entre Sines e Lisboa, um ano antes.

Imagem via Mundo Pessoa
Importado do blogue gayFEEL

al berto (10 anos depois)

Al Berto tinha 49 anos de idade quando deixou Lisboa pela última vez, vítima de um tumor dos gânglios linfáticos.
Para nós foi um amigo e um sol na vida de quem queria encontrar um modelo para crescer.
Povoou-nos muitas noites com histórias surpreendentes e encheu-nos de visões que sem ele nunca teriam acontecido.
Os seus dedos derretiam-se em poesia e nós, levados pela emoção da leitura, derretíamos os olhos em cada detalhe dos seus livros, em cada articulação da voz tão bela que a sabia dizer em voz alta, como ninguém.
Era um homem simples que nos fazia feliz.
Nas poucas palavras que as raras oportunidades de encontro deixaram, mas que não esquecemos, nem esqueceremos.
Soubemos um dia que nos deixara órfãos de uma amizade única e de uma escrita sem igual.
É um dos que nos vai fazendo companhia todos os dias, porque o transportamos no coração.
Morreu a 13 de Junho de 1997, faz hoje 10 anos.

2007/06/12

hentai: heróis com sex appeal

O Japão sempre foi e continuará a ser uma caixinha de surpresas. Com o Japão sentimos uma identidade que se calhar oferecemos a outros povos quando (dos países não lusófonos) o povo do domo arigato (muito obrigado) é que é o grande espelho da nossa cultura. Se nós chegámos ao Japão no passado e lá deixámos a nossa marca lusitana, hoje também os japoneses chegam a todo lado e por cá nos deixam a sua cultura. É o caso, em França, de Hentai Gay Gratuit (ou Sex Manga Gay), um sítio onde se pode encontrar alguma da melhor pornografia hentai do planeta. O hentai é uma banda-desenhada (manga) erótica ou pornográfica que geralmente apela ao sadismo. Através dela evocam-se todos os nossos fantasmas sexuais, todas as fantasias lhe são possíveis. Há quem a ache demasiado extrema, profundamente violenta e desviante, tendo em conta sobretudo a sua acção sobre um público juvenil. Mas a verdade é que isso sempre esteve presente no Ocidente e que nós próprios alguma vez "sofremos" essa influência. Além de que os heróis da animação asiática de hoje, que nos ocupam a TV, não são menos violentos... Só têm menos sex appeal.

Importado do blogue l'avion rose

2007/06/09

um cadavre exquis

Para mim começou com um desafio de O Melhor Dos Dois Mundos, que aceitei e estendi a mais 7 vítimas:

  1. Actas do Pequeno-Almoço (Daniel)
  2. André Benjamin (André)
  3. Arquipélago do Silêncio (Alexandre)
  4. Diferente Como Eu (DCG)
  5. Gayfield (Gonçalo)
  6. Iluminuras (Lucy)
  7. WhyNotNow (Pinguim)
Eu até pensava que ninguém iria participar mas, apesar da demora, há resultados finais. Com eles decidi fazer um cadavre exquis em que as respostas escolhidas têm que corresponder necessariamente às posições (1ª, 2ª, ..., 7ª) originais das respostas de cada participante. Evitando repetições e escolhendo (quando a indecisão subsistia) segundo os meus valores. Para nosso divertimento, eis o que me ficou como obra (in)acabada:

7 coisas que teríamos de fazer antes de morrer:
  1. Casar (Gonçalo)
  2. Viajar até Tóquio, Nova Iorque e Sidney (DCG)
  3. Escrever um romance (Gonçalo)
  4. Descobrir o que estiver para vir (eu)
  5. Fazer novos amigos e continuar a conviver com os velhos (Special K)
  6. Um ménage à trois (ou talvez não, mas às vezes penso que apetecia) (Gonçalo)
  7. Ser feliz um dia inteirinho (Lucy)
7 coisas que mais diríamos:
  1. Humhum (Daniel)
  2. Beijinhos (eu)
  3. Bom dia (eu)
  4. Dorme bem (Lucy)
  5. Fofinho (eu)
  6. Tá bem (Daniel)
  7. Obrigado (Special K)
7 coisas que nós faríamos bem:
  1. Ouvir (Lucy)
  2. Ser carinhoso (eu)
  3. Ser criativo (eu)
  4. Ser cumpridor (eu)
  5. Ser paciente (eu)
  6. Ignorar a estupidez alheia (Daniel)
  7. Sonhar (Special K)
7 coisas que nós não faríamos:
  1. Não fumo (Lucy)
  2. Comer tripas, miolos, chouriços de sangue ou papas de sarrabulho (Gonçalo)
  3. Ser arrogante (Special K)
  4. Ser ingrato (eu)
  5. Ser intrusivo (eu)
  6. Ser malcriado (eu)
  7. Não rezo (Lucy)
7 coisas que adoraríamos:
  1. O amor (Special K)
  2. Sexo (Special K)
  3. Pessoas meigas e carinhosas (Special K)
  4. Dormir (DCG)
  5. A Arte (Gonçalo)
  6. Música (DCG)
  7. Um silêncio brando (eu)
7 coisas que odiaríamos:
  1. Animais dentro de casa (eu)
  2. Violência (Special K)
  3. Todas as poluições (eu)
  4. Queimas das fitas (Gonçalo)
  5. Arrogância (Daniel)
  6. Quase toda a política que nos governa e grande parte da gestão empresarial que por cá se pratica (Gonçalo)
  7. Preconceito (Lucy)
Não imaginava chegar aqui mas entenda-se que este é o resultado composto das participações do Special K, do Daniel, do André (cuja reduzida participação foi acolhida com carinho, mas não chegou a ser muito útil), do Alexandre (que me mandou um e-mail particular com meia dúzia de respostas privadas, que eu não usei), do DCG, do Gonçalo, da Lucy, do Pinguim (que ficou completamente de fora) e minha. Este resultado não reflecte as opiniões pessoais de nenhum dos participantes, nem sequer as opiniões consensuais. É apenas o desafio levado mais longe, na boa tradição dos cadavre exquis. Obrigado a todos os que participaram de alguma maneira...

Imagem do Cadavre Exquis de Chris Buzelli
Importado do blogue gayFEEL

rankin: visto e revisto

A diversidade de técnicas no trabalho do fotógrafo e cineasta britânico Rankin não permite classificá-lo de forma simples e universal. Os seus retratos tanto cobrem a reportagem de moda, como a sua interpretação do íntimo masculino ou feminino, da sensualidade, ou da nudez. Observando que a nudez feminina se tornou normal, com «Male Nudes» o fotógrafo tentou de alguma forma compensar essa diferença. O projecto tornou-se num livro apresentado em 2001 pela Universe Publishing, onde se pode ver o resultado de uma invulgar procura de modelos através dos anúncios pessoais da revista Time Out. Dessa forma, o fotógrafo chamou a si os modelos e com eles procurou um comum acordo para encontrar as poses ideais, os cenários, os acessórios que fariam a boa fotografia. Na diversidade e na banalidade das figuras, esses homens revelaram-se muito para além do seu universo, permitindo obter resultados divertidos, sensuais, arrojados e surpreendentes — como é afinal o normal nas fotografias de Rankin. A sua vida como fotógrafo começou nos anos 90 e na revista de artes Dazed & Confused, mas hoje ele é um dos artistas mais sonantes da fotografia britânica.

Importado do blogue l'avion rose

2007/06/06

de volta a ion e ao meatcute

Do blogue Meatcute (ver aqui), que o l'avion rose nomeou para o No Fear Blog Award (Prémio Blog Com Tomates - ver na entrada anterior), uma transcrição:

- What? You think I'm afraid to show you that? I ain't skeared! And I've got the nomination to prove it, I just recently found out I was nomimated for The "No Fear Blog Award" at l'Avion rose. Now, I'm not exactly sure what that means, or even what the blog says (it's in Portuguese - I think), but I'm happy that my lack of "fear" is getting someone's attention. I just sincerely hope it has nothing to with those "No Fear" stickers that Poseurs were putting on the back of their trucks when I was a kid.

Se alguém puder ir lá acrescentar alguma coisa, uma tradução e um comentário por exemplo, l'avion rose agradece. Aqui, a ilustração usada veio do Meatcute e é mais um belo desenho de IoN, artista plástico pouco conhecido a quem em Março já cá dedicámos uma breve introdução.

Importado do blogue l'avion rose

2007/06/04

we're just as excited as you

Bolbo, do Lat. bulbu, cebola
s. m., órgão especializado de reprodução vegetativa, constituído por um caule subterrâneo dilatado, de pequenas dimensões, contendo reservas nutritivas armazenadas, cujo tipo mais conhecido é a cebola;
Anat., dilatação de um órgão ou de qualquer região de um órgão; reservatório para o líquido de um termómetro; invólucro de vidro de uma lâmpada eléctrica.
- piloso: parte dilatada da secção intradérmica de um pêlo;
- raquidiano: parte posterior do encéfalo onde fica situado o 4º ventrículo e através da qual estabelecem contacto as porções raquidiana e craniana do sistema nervoso central.

Parece que o anúncio é verdadeiro, que foi usado, e não só uma fantasia criativa... Como tenho um amigo que é um defensor dos volvos com unhas e dentes, cá vai isto para ele e para todos os que possam achar piada, como eu achei.

Texto do Dicionário de Língua Portuguesa On-Line Priberam
Imagem da Volvo via L'Homme Est un Concept e Commercial Closet
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/03

42 coisas

Para o meu querido Luís, em pensamento rápido, aqui ficam as respostas ao questionário dos "setes", com a consciência de que noutro momento, pelo menos em parte, as respostas seriam outras, e a certeza de que coisas mais importantes ficaram (escondidas talvez pela evidência) de fora. [A imagem que ilustra esta entrada, em alusão a algumas das coisas abaixo referidas, é da peça «disperse» do grupo Ensemble L'Abrupt.]

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:

  1. Casar
  2. Visitar o Japão
  3. Escrever um romance
  4. Assistir a uma tetralogia em Bayreuth
  5. Encontrar "a" casa
  6. Um ménage à trois (ou talvez não, mas às vezes penso que apetecia)
  7. Perdoar-me os erros e aceitar-me os defeitos
7 coisas que mais digo:
  1. Hi!
  2. Sorry
  3. Obrigado
  4. Hum hum
  5. Pois
  6. Sim
  7. Não
7 coisas que eu faço bem:
  1. Massagens (já o disseram)
  2. Cozinhar algumas coisas
  3. Dançar (assim me parece depois de um par de gin tonics)
  4. Intermediar e aconselhar
  5. Caminhar depressa
  6. Desejar
  7. Comprar
7 coisas que eu não faço:
  1. Conduzir
  2. Comer tripas, miolos, chouriços de sangue ou papas de sarrabulho
  3. Magoar intencionalmente seja quem for
  4. Usar insecticidas
  5. Tocar piano
  6. Ouvir um disco antes de o comprar
  7. Demorar-me nos detalhes (embora saiba que Deus está provavelmente neles)
7 coisas que adoro:
  1. Sabonetes
  2. O corpo humano (o masculino em particular e os pés em especial)
  3. A dança
  4. A música
  5. A arte
  6. Pensar nas pessoas que amo
  7. Divas (toda a gente de bem sabe quem elas são)
7 coisas que odeio:
  1. A violência sobre o ser humano, e particularmente (o que para todos deveria ser intolerável) o abuso de crianças
  2. Arrogância
  3. Presunção
  4. Queimas das fitas
  5. Lojas dos "trezentos"
  6. Quase toda a política que nos governa e grande parte da gestão empresarial que por cá se pratica
  7. Desiludir as pessoas (mas, contra a minha vontade, já tem acontecido)

2007/06/02

marc almond e o anjo da morte

Março de 1988. Em Londres, a Gay Men's Press — uma editora dedicada às artes e à cultura gay — publicava na sua colecção Gay Verse From GMP o seu sexto título de poesia. Marc Almond, bem conhecido desde o início da década como vocalista e alma do duo techno-pop Soft Cell, era o autor. Marc estava já muito perto dos seus 30 anos (vai fazer agora 50), mas era ainda um jovem que vivia num inconformismo puro e cheio de ambições.
Nesse final da década olhava-se para ele e não se sabia ainda bem em que naipe de cartas o colocar: junto com um Nick Cave, ou com um Leonard Cohen? Ao lado de um Morrissey, ou de um David Bowie? De um Bob Dylan, ou de um Marc Bolan?... O futuro nunca nos terá dito e talvez nunca o diga, pois Marc tem sido sempre uma figura ágil e inteligente, que se renova a cada passo.
Com a ingenuidade desculpável desse tempo, do seu livro de poesia que eu trouxe da minha primeira viagem a Londres no ano da sua edição, o poema «The Adonis»:

No Adonis
In the Adonis Lounge
Only the terminal
Only the lonely
They come
They go
They shuffle
They stalk
They loiter
They jerk
They sit in the toilet cubicles with the door open,
They sleep
Creep
Look shifty, act crazy.
They wipe their hands on the weed green velvet curtains
(But I never see them wash them)

Poema de Marc Almond
Capa da Gay Men's Press a partir de um desenho de Red Hot Johnny
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/01

andy warhol: e não são só tomates

Andy Warhol (1928-1987) começou a pintar nos anos 50 e a fazer cinema em 63 (estrando-se com «Blow Job»). Em 67 saía o primeiro LP dos Velvet Underground a quem impôs a presença da modelo-cantora Nico. Uma das pinturas que o imortalizou foi o acrílico de 68 «Campbell's Soup Can I», o retrato de uma lata de sopa de tomate...

O prémio Blog Com Tomates, para o qual o L'Avion Rose foi agora nomeado "pela regular promoção do 'Belo' alternativo", é onde me leva esta introdução. Agradeço ao nomeante (o Maurice) e, embaraçado, correspondo com 5 novas nomeações. E desta vez os nomeados são:
Gayya Kuyusu (porque daqui surgiu a inspiração para L'Avion Rose); 2º O Século Prodigioso (é uma rica colecção viva da arte do nosso tempo); 3º Meatcute (quer parecer menos comercial do que é, mas os trabalhos valem as visitas); 4º Analizarte (um blogue semi-profissional para melhor se entender a arte); 5º Rita Carmo Fotografia (porque gosto das fotografias que têm uma vida própria, algo de revelação). Parabéns!

Importado do blogue l'avion rose