marchar ou não marchar
Chegou a temporada das marchas e das festas: na fotografia de Zsolt Szigetváry (que descobri através do feliz Paulo), dois homens vítimas de ataque homofóbico durante a marcha do orgulho realizada no ano passado na Hungria, aguardam assistência médica. A fotografia valeu ao autor o segundo prémio da World Press Photo na categoria Contemporary Issues, mas entretanto, de lá para cá, de então para agora, pouca coisa terá mudado. Não me sinto à vontade para dar a cara em marchas, não marcho, porque temo a presença de câmaras que divulguem a minha identidade sexual a quem eu não a quero revelar. Mas tenho vergonha, cada vez tenho mais vergonha de não participar, quando há outros que o fazem por mim, às vezes sob pena de serem espancados por pessoas que nos odeiam. Acredito que é importante ir para a rua, acredito que isso ajuda a mudar mentalidades, acredito que isso foi importante para que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja hoje uma realidade em Espanha e noutros países (mais recentemente na Noruega). Não engulo os argumentos de que as marchas são contraproducentes, esse parece-me ser um argumento de quem, como eu, tem medo de dar a cara, mas não o admite. Portanto participem, hoje 28 de Junho em Lisboa, no dia 12 de Julho no Porto — não deixem de ir, pelos que lá estão e pelos que não vão.


