Mostrar mensagens com a etiqueta Casa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Casa. Mostrar todas as mensagens

2007/07/02

práqui a escrevinhar

Estou de férias! Hoje não fui trabalhar! Enganem-se se pensam que vou agarrar-me ao computador e pôr-me práqui a escrevinhar. Enganem-se! Sinto-me livre, um novo homem.
(E dizem que trabalhar faz bem!?...)
Vou fazer o que puder nos próximos dias, que muito tenho para fazer: a casa nova (sempre vai para a frente, temos estado a trabalhar nisso), a casa velha (a da minha mãe, que ando a modernizar, a pensar numa fonte extra de rendimento), a viagem (que não tarda a acontecer, mas da qual só darei detalhes mais interessantes quando voltarmos), as minhas outras actividades (porque há pequenos nadas que umas férias não impedem de acontecer).
Estou de férias! Hoje não vou trabalhar! Enganem-se se pensam que vou agarrar-me ao computador e pôr-me práqui a escrevinhar. Enganem-se!
(Mas farei o que puder...)

Imagem: Jay Diers via GayFeed
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/21

no more lonely nights?

Hoje está previsto irmos ver uma casa. "A" casa, como referia o Gonçalo no quinto ponto das «7 coisas que tem de fazer antes de morrer». A marcação ainda não é definitiva (está sujeita a uma confirmação a meio da tarde) e poderá ser adiada por alguns dias, em função das nossas disponibilidades e da do seu proprietário ou representante.
O momento é importante e eu não estou habituado a ver casas. Falo comigo, em voz alta:
  1. O apartamento actual é um T1 e o que vamos ver é um T3 (o Gonçalo quer que seja pelo menos um T2);
  2. O actual tem uma kitchenette (do que eu me habituei a gostar porque gosto de espaços abertos, de conversar com os convidados enquanto cozinho, da informalidade da situação) e o "novo" deverá ter uma cozinha independente (que também tem as suas vantagens, admito);
  3. O actual não tem lavandaria nem estendal (lavar e secar faz-se numa máquina felizmente muito eficiente), o novo deverá ter (o que seria melhor e mais em conta);
  4. O actual é um prédio muito recente, com acabamentos interessantes e agradáveis, e tem um lugar de estacionamento na garagem colectiva do prédio, enquanto o novo deverá ter mais de uma ou duas décadas de construção e o consequente uso, os acabamentos deverão ser já questionáveis e tem uma garagem individual, ao lado de outras, nas traseiras do prédio;
  5. O actual fica numa rua arborizada com muito tráfego (felizmente tem janelas com vidros duplos) e nas proximidades de bairros sociais problemáticos (com forte consumo de drogas e junkies que por vezes pernoitam abrigados à porta do prédio), o novo fica também numa rua arborizada com pouco tráfego mas bem mais sossegada em termos sociais (falta saber como serão os novos vizinhos) e ambos ficam na mesma zona da cidade, sendo o novo ainda mais perto do local onde eu trabalho e do supermercado onde eu faço as compras;
  6. O actual é sossegado (tirando os vizinhos mais próximos que são simpáticos mas um pouco desrespeitadores dos outros condóminos ou habitantes do prédio: cão no terraço a ladrar o dia todo, ou sacos de lixo à porta do apartamento quase todos os dias das 8 horas e pico da manhã até perto das 9 horas da noite, ou até num dos primeiros dias uns risinhos histéricos à minha passagem) e o novo também deve sê-lo;
  7. O actual é bem servido pela rede de autocarros e tem acessos muito próximos à auto-estrada, o novo tem ainda mais autocarros só que do outro lado do quarteirão (onde num futuro não muito distante poderá vir a passar uma linha do Metro) e também tem acesso próximo à auto-estrada;
  8. Ambos ficam virados a Sul, o que é uma boa orientação solar;
  9. Numa primeira análise, a mudança de apartamento corresponde a um aumento da renda que eu pago em cerca de 16% (o que, dividido pelos dois, daria para mim uma redução dessa despesa em 42%) mas, apesar disso, alguma prudência alerta-me para eventuais dificuldades orçamentais se no futuro um de nós ficar sem emprego;
  10. É um facto que o apartamento actual tem sido acima de tudo o meu apartamento, enquanto que o novo seria o passo que me falta dar para que se viabilize em definitivo e harmoniosamente uma vida que desejamos a dois e sob um mesmo tecto.
Enquanto isto vem-me ao pensamento o refrão de uma canção: «No More Lonely Nights»... Fui ver e era de Paul McCartney. Devo estar mesmo a ficar velho!!!

Imagem via Gomez Patchouly
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/03

42 coisas

Para o meu querido Luís, em pensamento rápido, aqui ficam as respostas ao questionário dos "setes", com a consciência de que noutro momento, pelo menos em parte, as respostas seriam outras, e a certeza de que coisas mais importantes ficaram (escondidas talvez pela evidência) de fora. [A imagem que ilustra esta entrada, em alusão a algumas das coisas abaixo referidas, é da peça «disperse» do grupo Ensemble L'Abrupt.]

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:
  1. Casar
  2. Visitar o Japão
  3. Escrever um romance
  4. Assistir a uma tetralogia em Bayreuth
  5. Encontrar "a" casa
  6. Um ménage à trois (ou talvez não, mas às vezes penso que apetecia)
  7. Perdoar-me os erros e aceitar-me os defeitos
7 coisas que mais digo:
  1. Hi!
  2. Sorry
  3. Obrigado
  4. Hum hum
  5. Pois
  6. Sim
  7. Não
7 coisas que eu faço bem:
  1. Massagens (já o disseram)
  2. Cozinhar algumas coisas
  3. Dançar (assim me parece depois de um par de gin tonics)
  4. Intermediar e aconselhar
  5. Caminhar depressa
  6. Desejar
  7. Comprar
7 coisas que eu não faço:
  1. Conduzir
  2. Comer tripas, miolos, chouriços de sangue ou papas de sarrabulho
  3. Magoar intencionalmente seja quem for
  4. Usar insecticidas
  5. Tocar piano
  6. Ouvir um disco antes de o comprar
  7. Demorar-me nos detalhes (embora saiba que Deus está provavelmente neles)
7 coisas que adoro:
  1. Sabonetes
  2. O corpo humano (o masculino em particular e os pés em especial)
  3. A dança
  4. A música
  5. A arte
  6. Pensar nas pessoas que amo
  7. Divas (toda a gente de bem sabe quem elas são)
7 coisas que odeio:
  1. A violência sobre o ser humano, e particularmente (o que para todos deveria ser intolerável) o abuso de crianças
  2. Arrogância
  3. Presunção
  4. Queimas das fitas
  5. Lojas dos "trezentos"
  6. Quase toda a política que nos governa e grande parte da gestão empresarial que por cá se pratica
  7. Desiludir as pessoas (mas, contra a minha vontade, já tem acontecido)

2007/05/28

seis meses

O que decidiste está decido e o que eu disse está dito... Mas não te preocupes demais e goza a 100% esses teus seis meses de renovação. Dir-me-ás depois que homem novo encontraste em ti, em que figura te transformaste...
Já eu, se calhar, serei como ainda sou e até lá ver-te-ei quando muito como ainda te vejo, quando te vejo. E nesse tempo certamente continuarás a ser o meu Belo Adormecido, como em todas essas vezes em que acordei e te encontrei ainda a dormir, ao meu lado. Como ainda hoje...
Há coisas que à primeira nos parecem sempre complicadas. Mais complicadas. Complicadas demais. Mas que importa isso, afinal? O importante é que continues a ter-me no teu coração, como eu te tenho, na presença e na ausência. Acho, porém, que se um dia pudermos viver juntos, se acharmos que é finalmente chegada a hora de viver numa unidade a dois, então tudo mudará. Sinto que serei mais feliz contigo, bem mais feliz do que sou, e que tu terás a oportunidade de ser feliz comigo, 1000 vezes mais feliz.
Sabes bem que eu tudo faria por isso e que quando estes seis meses passarem essa decisão estará quase para ser tomada. O tempo vai passar depressa para nós, tenho a certeza!...

Imagem via Emissiones Nocturnas
Importado do blogue gayFEEL

2007/05/15

1234567

Foi o Special K (de O Melhor Dos Dois Mundos) que me lançou o desafio. Por isso eu aqui vou tentar responder com honestidade e rigor às 7 questões que talvez façam de mim "uma foto em palavras". As 7 vítimas seguintes serão indicadas adiante, completando as 49 respostas que terei de apresentar. Pois seja, então:

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:
  1. Amar mesmo se doer
  2. Aperfeiçoar-me enquanto crescer
  3. Cantar virado para o ar
  4. Descobrir o que estiver para vir
  5. Divertir-me quando puder
  6. Recordar como é bom amar
  7. Viver até morrer
7 coisas que mais digo:
  1. Até amanhã
  2. Beijinhos
  3. Bom dia
  4. Dorme bem
  5. Fofinho
  6. Obrigado
  7. Se faz favor
7 coisas que eu faço bem:
  1. Ser amigo
  2. Ser carinhoso
  3. Ser criativo
  4. Ser cumpridor
  5. Ser paciente
  6. Ser romântico
  7. Ser sonhador
7 coisas que eu não faço:
  1. Ser arrogante
  2. Ser incoerente
  3. Ser infiel
  4. Ser ingrato
  5. Ser intrusivo
  6. Ser malcriado
  7. Ser mentiroso
7 coisas que adoro:
  1. A água
  2. A arte
  3. A literatura
  4. A música
  5. O amor
  6. O calor
  7. Um silêncio brando
7 coisas que odeio:
  1. Animais dentro de casa
  2. O rumo que estamos a dar à nossa democracia
  3. Todas as poluições
  4. Todos os egoísmos
  5. Todos os extremismos
  6. Todos os fundamentalismos
  7. Ver algum amigo a amuar, mesmo que só com uma destas coisas
7 amigos para continuar o jogo:
  1. Actas do Pequeno-Almoço (Daniel)
  2. André Benjamin (André)
  3. Arquipélago do Silêncio (Alexandre)
  4. Diferente Como Eu (DCG)
  5. Gayfield (Gonçalo)
  6. Iluminuras (Lucy)
  7. WhyNotNow (Pinguim)
Cá por mim, aposto que isto não irá muito além daqui...

Imagem via O Melhor Dos Dois Mundos
Importado do blogue gayFEEL

2007/05/06

da lábia e dos narcisos

Uns lábios podem dizer-nos muito, ou simplesmente nada. Ainda que seja falso que o dito e a fala venham dos lábios (na verdade vêm é das cordas vocais), é para eles que olhamos quanto prestamos atenção a quem nos fala. Pelo menos se está à nossa frente. Às vezes, porém, é pelo telefone (fixo ou móvel) que a voz nos chega. E se nessas ocasiões não são uns lábios que temos à nossa frente, já a imaginação nos ajuda a compensar essa ausência. O que é difícil é ter a compensação do silêncio dos amigos, da família, dos que queremos por perto mesmo que seja só em voz e de vez em quando. Penso quanto é estranho que hoje as pessoas se refugiem em silêncios que se poderiam ultrapassar. Para o contrariar, eu ainda pego no telefone, à noite ou aos fins-de-semana, e ligo para umas quantas pessoas (cada vez menos) que quero ouvir. É uma facilidade sem custos adicionais, graças a um plano de preços que subscrevi ainda no tempo em que queria ter todo o tempo do mundo para falar com a minha mãe. A Mãe já cá não está hoje, nem nunca mais, mas o plano mantém-se e o tempo sobra-me. Falo com quem posso, com quem encontro, mas quase nunca alguém tem a iniciativa de falar comigo. Isto é: eu passo a vida a ligar a toda a gente e (quase) ninguém me liga, nem hoje, nem amanhã, nem depois... Haverá uma excepção ou outra, bem sei, e reconheço que o pouco que vou recebendo deve ser reconhecido. É nos outros casos que eu vou ficando cada vez mais distante de quem quero: primeiro porque não me apetece insisitir em conversas com quem já não me procura, depois porque quase sempre fico a pensar que uns quantos não se interessam muito mais por mim para além do mero facto de me terem conhecido ou de me conhecerem. E há os que se desfazem em simpatias e promessas, que nunca concretizam. Mas talvez bem piores sejam mesmo os que só têm lábia para celebrar a sua própria vida, ou aqueles que são tão extraordinariamente narcisistas que só se preocupam com os seus excessos egocentristas, com a celebração da sua existência excepcional, dos seus sucessos ampliados e desmedidos, ou ainda com as explosivas manifestações de afectos dos e para com os seus béu-béus ou miau-miaus... Que tenham dó dos simples e humanos mortais!

Imagem via GayFeed
Importado do blogue gayFEEL

2007/04/10

contigo ou sem ti

Sou feliz quando estou contigo. Acontece assim desde aquele dia que não esqueci e a que tantas vezes regressamos. Gosto de ti, como és e como tens sido ao longo do tempo. Gosto do teu carinho, do teu calor, do teu cheiro, da tua pele e dos teus beijos que tantas vezes me deixaram sem respiração. Gosto da forma como me encontras, como nos encontramos, de ser recebido entre os teus braços, entregue ao teu abraço. Mas quando não te vejo quase enlouqueço, fico sem norte, perco as estribeiras. Deverias saber como é difícil ultrapassar o silêncio, sobretudo quando se vive rodeado de ninguém. Quando ficámos sós porque os outros se esqueceram de nós ou simplesmente porque queremos ficar na solidão dos nossos pensamentos, das nossas recordações. É este o mundo com que me deparo nos dias de hoje, e tu deverias sabê-lo. Talvez te apercebesses que quase ninguém ainda precisa de mim, que todos os elos parecem ser frágeis, efémeros, condicionados. Mas eu reconheço que preciso de ti, muito, que preciso do teu amor, sempre, na saúde e na doença blá-blá... Preciso do teu braço, da tua boca, do teu aconchego, do teu corpo, da tua sabedoria e da tua sensibilidade. Preciso de ti, ente único e querido, com as tuas virtudes, com os teus defeitos, com a tua capacidade excepcional de me aceitar nos meus defeitos e de reconhecer em mim virtudes que mais ninguém conhece. Sem ti sinto-me esvaziado, demasiado só, vazio. Contigo sou feliz!

Contigo ou Sem Ti («With or Without You») é o título de uma canção dos U2 incluída no álbum «The Joshua Tree», de 1987 (Island Records).

Imagem via Emisiones Nocturnas
Importado do blogue gayFEEL

2007/04/09

joel meyerowitz

«Fallen Man» é de 1967, mas eu já passei também por isto, num outro dia... Comigo foi uma quebra súbita de tensão e parecia que o chão subia vertiginosamente em direcção à minha cabeça; durou 10 segundos e logo depois tudo estava bem. Hoje descobri aqui o seu autor: Joel Meyerowitz (nascido em 1938), fotógrafo de vertigens, de quedas, de fracturas e de escombros, mas também do inverso, do reencontro, da reconstrução. Vale por tudo isso!...

Importado do blogue l'avion rose

poema de amigo

Conversas recentes e, que mais não fosse, os pensamentos que me ocupam a cabeça, levam-me a questionar incessantemente as minhas qualidades e a destapar os meus defeitos. Com o passar dos anos a confiança nas virtudes vai dando lugar a uma mais realista aceitação das falhas e à consciência de que, apesar de tudo, sou menos, muito menos do que pensava ser. E penso nos meus amigos, nas pessoas, enfim, que eu amo — porque de amor faço também a amizade — e em como sou ausente. E há algumas semanas atrás encontrei um poema de José Tolentino Mendonça que tive logo a vontade de dar aos meus amigos, mas que, porque sou menos que perfeito, só agora mostro. Aqui vai então «A Estrada Branca», com fotografia de Joel Meyerowitz, como um poema de amor para os meus amigos, para o meu amigo:

Atravessei contigo a minuciosa tarde
deste-me a tua mão, a vida parecia
difícil de estabelecer
acima do muro alto

folhas tremiam
ao invisível peso mais forte

Podia morrer por uma só dessas coisas
que trazemos sem que possam ser ditas:
astros cruzam-se numa velocidade que apavora
inamovíveis glaciares por fim se deslocam
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate

2007/04/06

a cama está vazia

É noite longa e a cama ainda está vazia. Sobre ela só papéis, uma caneta, o telefone já frio e o silêncio. Um silêncio de paz, mas sem ninguém. Se alguém repousasse sobre esta cama, hoje e todas as noites, serias tu, nenhum outro. Mas sou eu só, apenas, e o silêncio que sobre ela se deitam. Talvez amanhã, ou um outro dia, surja de novo essa alegria, esse sorriso e esse calor que andam longe daqui, por agora. Talvez amanhã, ou noutro dia, eu te tenha outra e outra vez por companhia, para amansar esta revolta de solidão, de silêncio, de quase amor em vão. É noite longa, aos poucos cada vez mais, e nem mesmo tu vais ouvir estes ais, estes queixumes lentos e longos e negros das minhas noites, dos meus dias, dos meus meses e anos. Comigo só, hoje a cama está vazia.

Imagem via Le Mâle Absolu
Importado do blogue gayFEEL

2007/03/29

you talkin'to me?

No filme «Taxi Driver», realizado por Martin Scorsese em 1976, a personagem representada pelo actor Robert DeNiro diz uma frase que ficaria para a história do cinema: enfrentando o espelho com uma arma na mão, Travis Bickle enfrenta-se também a si próprio e insinua sem temor "You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talkin' to? You talkin' to me? Well I'm the only one here". A cultura popular (ou pop, como se diz nos anglo-saxónicos) não ignora esta frase tão marcante e carregada de simbolismos, de leituras. E é esta uma das que tantas vezes nos deveria trazer à realidade, num mundo em que sonhamos de olhos abertos. Não poucas vezes perguntámo-nos aonde nos dirigimos, adonde levamos a nossa vida. Essa, sim essa, que é bem mais limitada do que geralmente queremos admitir. Ouvia ontem num documentário da TV que "todos nascemos, crescemos e morremos" e essa é a verdade, pelo menos no nascer e no morrer. Porque o crescimento pode ser maior ou menor, mais curto ou mais longo, ou quase nem existir. Existindo, poderá sê-lo de muitas maneiras. E no fundo assim se entende que crescer é viver, como viver é crescer. Ou estagnar, ficar inerte, entre o cá e o lá, entre o ontem e o amanhã, entre o princípio e o fim... Pergunto-me por vezes, quando vejo o espelho, se eu sei quem tenho por diante. Se o devo aceitar ou se o devo provocar... O certo é que do lado de lá do vidro não está ninguém, só eu daqui... E por mais que eu espere companhia, por mais que eu dê de mim a essoutro, nada mais tenho observado do que uma imagem desfocada da companhia que tanto anseio. Como diria novamente DeNiro, "well I'm the only one here"...

Texto de Paul Schrader via Wikipedia
Imagem de Martin Scorsese via Wikipedia
Importado do blogue gayFEEL

2007/03/23

steve walker

No início de 2004 foi-me entregue o apartamento que haveria de ser a nossa casa... Foi esta imagem - «The Painters», 2001 - de Steve Walker a que escolhemos para anunciar aos amigos, num pequeno cartão, a renovação, a mudança... A obra do artista nunca está terminada e os seus quadros são sempre belos, emotivos e encantadores. Levantam questões, de forma simples. Vivem do multiplicar das energias. É isso que mais lhe admiro, é isso que ainda me inspira...

2007/03/05

trilogia do nu: 1. rob monroe

Recentemente, andava eu nas minhas navegações de trabalho pela internet fora, quando me deparo com o meu querido Rob Monroe. Conheci o Rob há cerca de 25 anos atrás, num dia em que, depois de respirar fundo e me encher de coragem, me dirigi ao quiosque que existia na paragem de eléctrico ao pé da minha casa, peguei numa revista Playgirl e, com a cara vermelha como um tomate, estou certo, a entreguei no balcão para pagar. Depois terá seguido entre os meus cadernos de escola ou muito provavelmente, e a jogar pelo seguro, dentro da camisa, até casa e, passado o perigo de um encontro à entrada com os pais ou algum irmão que tudo descobrisse, até ao meu quarto. Nessa altura teria 13 anos e a excitação de ter nas mãos uma revista com homens nus, numa altura em que a consciência da minha homossexualidade era ainda nova e confusa, não pode ser comparada à de um rapaz heterossexual que nas suas mãos tem a primeira Playboy. Nesse dia, como noutros que pequenos acontecimentos marcaram, comecei a aceitar a minha diferença e — obrigado Rob — a desfrutá-la.

2007/01/19

imagens de eric van galen

Gostava de estar longe, bem longe, lá pelo norte, bem a norte, na terra das auroras... Contento-me por estar nos próximos dias mais longe do computador, numa curta pausa para férias. Se há pouco mais de 2 meses punha a hipótese de as fazer mais cá para baixo, talvez em Londres ou em Paris - ou mesmo simplesmente por aí, à deriva pelas belas e remotas paisagens de Portugal -, uma série de obrigações prendem-me no entanto à cidade. A esta cidade de onde escrevo... E da fantasia de então resta já muito pouca. É o frio, a chuva, a alma... São as feridas recentes que o tempo me ajudará a curar. Neste final de Janeiro farei, faremos, o que o acaso determinar. Descansaremos, estaremos juntos, passearemos. O mais possível. Ou então entregar-me-ei aos livros, à música, à pintura, que as paisagens estão na alma... A partir de 1 de Fevereiro deverei estar de volta com a regularidade habitual. E depois se verá. O passeio pelas paisagens que Eric van Galen fotografou ficará para outra altura, se a alma estiver mais disponível para se deslumbrar. Do fotógrafo pouco sei e, para quebrar a regra, pouco direi para além de que gosto muito destas imagens. A dele próprio podem vê-la aqui.

Importado do blogue l'avion rose

as paisagens estão na alma

Nos próximos dias vou estar mais longe do computador, porque vou tirar umas curtas férias. Vamos os dois. Se há pouco mais de 2 meses púnhamos a hipótese de as fazer em Londres ou Paris, ou mesmo simplesmente por aí, à deriva pelas belas e remotas paisagens de Portugal, uma série de obrigações prendem-nos no entanto à cidade. Já nem mesmo, até, permanece ainda alguma da fantasia desse tempo. Há feridas recentes... Feridas que só o tempo me ajudará a curar. Faremos o que o acaso determinar. Descansaremos, estaremos juntos, passearemos. O mais possível. Que as paisagens estão na alma ou em qualquer outro lugar. A partir de 1 de Fevereiro deverei estar de volta com a regularidade habitual. Até lá se verá ainda. Para outra altura fica o passeio pelas paisagens que Eric van Galen fotografou. Saibam quais pelo link do título.

2007/01/10

sempre que nós dizemos adeus

As noites continuam a ser longas e por vezes frias. Pergunto-me porquê, ainda... Porque é que a sorte sempre bate à porta dos outros, e poucas vezes à minha, à nossa?... Sou como um velho rouxinol (lembras-te?) que sempre andou por aí, por perto. Sempre muito perto de ti e muito longe... A canção, essa, é já antiga e de amor eterno, desse amor que só tu conheces... Quando te vejo o meu coração sente-se compensado das ausências, das distâncias. Mas depois fica só, novamente, e há sempre um pouco de mim que vai morrendo. Sempre que nós dizemos adeus... Na foto que vem do filme «Edward II», de Derek Jarman (há um excerto no link do título), é Annie Lennox. «Every Time We Said Goodbye», a canção que nele ela canta, foi escrita por Cole Porter e também o disco «Red Hot + Blue» a inclui. A letra é assim:

Every time we say goodbye, I die a little
Every time we say goodbye, I wonder why a little
Why the gods above me, who must be in the know
Think so little of me that they allow you to go.

When your near there's such an air of Spring about it
I can hear a lark somewhere begin to sing about it
There's no love song finer but how strange
The change from major to minor

Every time we say goodbye...

2006/12/31

adeus, 2006

Mais um ano e mais um balanço. O possível, de novo feito a dois e do que, como no ano passado, mais nos sensibilizou e marcou ao longo dos dias, das semanas, dos meses, das oportunidades: a cada um de nós em particular ou, quando a convergência o determinou, aos dois em conjunto que é sempre bem melhor. Esta volta a ser uma lista de escolhas discutíveis, mesmo até porque foi a que hoje especificamente nos apeteceu aprovar e divulgar neste gayfield. Não nos preocupou estar in ou estar out dos gostos massificados, nem é nossa intenção demonstrar seja o que for (habituados a estar "out" num país em que o que conta é estar "in" — e em ambos os casos as aspas estão com profundo propósito —, escolhemos o que nos deu mais prazer, mesmo que os outros achem a escolha démodée ou inadequada. Com um propósito bem diferente, inverso e invertido, que nos reencontremos já aqui ou onde nos der mais jeito:
  • cinema: «O Segredo de Brokeback Mountain» Ang Lee (2=)
  • concertos: «Music For 18 Musicians + Daniel Variations» Steve Reich and Musicians & Synergy Vocals (2=)
  • discos: «Stabat Mater» Bruno Coulais / «Winterreise» Franz Schubert (Peter Pears / Benjamin Britten)
  • dvds: «Pink Narcissus» James Bidgood / «Liza With a Z» Liza Minnelli & Bob Fosse
  • figuras: Mãe / Luís
  • internet: lavionrose.blogspot.com / www.thecoolhunter.net
  • livros: «Butt Book» Butt magazine / «Close Range» Annie Proulx
  • lojas: Por Vocação / ECI
  • momentos bons: o novo emprego Dele / o meu novo emprego
  • projectos: casa nova, vida nova / casa nova
Um grande 2007, para todos!...

2006/12/22

os nus de david romero

Há uns 2 anos, a altura em que começámos a decorar a nossa casa, procurámos investir em alguma boa arte que conseguíssemos adquirir. O trabalho de David Gremard Romero, homossexual mestiço de raças mexicana e norte-americana, foi alvo da nossa atenção. Ele nasceu na Califórnia e instalou-se em San Francisco, em 1996, com grandes ambições. Devido à sua raça e sexualidade cita o escritor negro e homossexual James Baldwin: "I feel like I've hit the jackpot". Diplomado com honra pelo Art Institute of San Francisco, a grande cidade gay encorajou David Romero, sem dúvida: a sua obra retrata sempre os seus amigos, os seus amantes, a si próprio. São imagens das suas relações pessoais, quotidianas, onde procura exprimir todas as experiências emocionais da sua vida. Para ele, um desenho ou uma pintura são "an object of intimacy far superior to any photograph" pois quando olha um desenho recorda sempre todos os detalhes do que lhe está ligado: o tempo, a conversa que decorria, a forma como sentia quem retratava, o seu próprio estado de espírito - "in an almost visceral way". Ao entrar no nosso quarto encontram-se na parede do fundo, ao lado da janela, dois belos nus de David Romero, ao estilo dos que se podem ver aqui.

Importado do blogue l'avion rose

2006/12/13

20061213

2006 Dezembro 13, dia de festa. Porque ele existe e eu o amo. Muito. Porque faz anos, hoje. O meu menino desta vida comum desde há 20 anos. Porque ele é o centro da minha vida. Porque o adoro. Porque ainda não aprendi a viver sozinho. Sem ele. Porque o desejo comigo todos os dias, para que o possa sentir e amar mais e mais. Para o amar mais e mais ser amado. Para que cada dia seja partilhado o mais intensamente possível, vezes sem conta, como que nunca tenham fim. Para comemorarmos juntos, muitas vezes, os trezes de dezembro(s). Para que o mundo seja melhor, porque o mundo connosco juntos só pode ser melhor. Para eu estar presente, tu estares presente, mais presentes. Para se ser presente. Para se dar presentes, como um que tenho para ti e que te darei mais logo. Eu espero que o tempo passe, que o dia passe. Que seja feliz, que sejas feliz. Muito. Parabéns, meu querido! (A imagem é da fotógrafa turca Bennu Gerede.)

2006/12/08

na barbearia de marc da cunha lopes

Há uma década atrás comprei uma máquina de cortar cabelo, para que o passasse a cortar em casa. Só muito recentemente é que consegui convencer o meu companheiro a fazê-lo também. Nestes dez anos que passaram poupei dinheiro que deu para pagar a máquina e, se o amealhasse, teria dado também para umas pequenas férias e, agora que somos dois a fazê-lo, a poupança duplicou. Mas esse nem é sequer o lado melhor da opção. Cortar o cabelo, um ao outro, tornou-se num fétiche sexual que faz com que as nossas cabeças andem sempre bem aparadas. Também Marc da Cunha Lopes encontrou nos cortes de cabelo um tema apelativo para as suas belas fotografias. Criativo como fotógrafo de arte, moda e publicidade, trabalhou para nomes famosos como a Sony Playstation, a Pink TV, ou as revistas Wich, Anthem e PrefMag (que pode ser apreciada aqui). Cunha Lopes é inequivocamente um artista de origem lusófona que vive em França, como se pode ver pelo contacto do seu site. Sobre ele esperamos no futuro poder acrescentar algo mais. Por cá teremos novo corte de cabelo neste fim-de-semana e, para além das actividades habituais, talvez aproveitemos a inspiração para também fazer fotografia.

Importado do blogue l'avion rose