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2009/05/28
2009/05/12
ver-se-á
«This Is England», o filme de que há muito tinha ouvido falar e que me aguçara o apetite, já tinha chegado ao Porto ― quero dizer, a Vila Nova de Gaia ― e eu ainda não me tinha apercebido. Foi a Adriana que mo recomendou ontem à noite, quando falámos ao telefone, e ainda bem porque estava já nos meus planos. Seguramente não destronará o filme incontornável de 2009 («Milk»), mas prevejo que ficará muito bem colocado na lista dos preferidos do ano. Eu ando cheio de trabalho, mesmo depois das oito horas do emprego, no entando dizem-me que poderá sair de cartaz ainda amanhã (só o saberei na tarde do proprio dia) e eu tenho que dar a volta ao texto... Ver-se-á, sem dúvida!
2009/04/09
beleza adormecida
Segundo fonte julgada bem informada, espera-se para 20 de Julho o primeiro álbum de Riceboy Sleeps, o duo formado por Jónsi (Jón Þór Birgisson, vocalista-guitarrista dos Sigur Rós) e pelo seu namorado Alex Somers (o criativo gráfico dos Sigur Rós e também membro do grupo Parachutes). Alex contou que quando conheceu Jónsi era um rapaz "muito, muito pobre e estava a alimentar-me sobretudo de arroz e a dormir demasiado", e que "um dia Jónsi escreveu uma canção enquanto eu dormia e deu-lhe por título «Riceboy Sleeps»" assim ficando criado o termo que adoptariam para identificar a sua maior parceria artística.Riceboy Sleeps trabalha com imagem, música, vídeo e narrativa literária. O disco não será a sua primeira obra no mercado, já que em 2006 fizeram uma edição artesanal de um livro com tiragem de 1000 exemplares numerados e assinados pelos autores, que foi vendido apenas na Islândia. Já no ano seguinte o duo fazia uma segunda edição convencional e editava dois singles, «All The Big Trees» (ver o vídeo abaixo) e «Daniel In The Sea», revelando uma musica etérea que combina com a imensidão da paisagem islandesa.
O novo trabalho discográfico estará já gravado, segundo as mesmas fontes, e nele foram utilizados exclusivamente instrumentos acústicos. Até Julho fica-nos a curiosidade e o desejo...
2009/03/25
2009/03/17
tecnologia vintage
Em 1984 (faz agora 25 anos), a Macintosh apresentou o seu primeiro computador compacto, o famoso Apple IIc criado por Marc Esslinger. Mas já em 1983 (um ano antes) o filho deste, Marc Esslinger, também revelara um produto inovador e apetecível: o belo Apple Phone. Mais de vinte anos se passaram até que o seu descendente iPhone (o "i" foi usado pela primeira vez nos iMac e vem do termo "internet") passasse a ser um reconhecido ícone da sociedade tecnológica actual.
2009/03/05
pessoas, cães, preservativos
A história começa com pessoas — como nós e todos vós (homossexuais, heterossexuais, bissexuais e todos os demais) — continua com cães e termina ainda com preservativos.
Sobre as pessoas sugiro a leitura de mais uma notícia do Público (ver ligação pelo título da entrada), que tem por título «PSD acusa socialistas de quererem aproximar o regime das uniões de facto ao do casamento» e que não pude deixar de ler, até porque o texto acaba por remeter para o casamento (ou a união de facto) entre pessoas do mesmo sexo. E isso interessa-me! Na altura em que começava a escrever-vos estas palavras, o artigo tinha cinco comentários: o quinto era meu e foi motivado pelo anterior, abaixo mais três e entretanto outros que se seguiram. Foi isto que fez disparar em mim a indignação:
Comentário 05.03.2009 - 09h32 - Anónimo, Lx
Não sejam antiquados, nós temos que nos modernizar, como dizia ontem um senhor numa estação de rádio para a qual pelos vistos faz um programa matinal diario, e defende o sexo entre pessoas e animais e dizia ele que portugal tem de se modernizar e acompanhar os paises mais desenvolvidos da europa criando uma lei que permita esse relacionamento sem qualquer penalização a não ser que se moleste o animal, e ainda afirma o dito cujo que é claro que em portugal existem pessoas que preferem animais a pessoas para ter sexo basta ver que cada vez mais existem animais a viver em apartamentos com eles. Eu como devo ser antiquada por momentos até achei que eram noticias do "Curral de Moinas", e que dei por mim a olhar mais do que o habitual para os vizinhos que passeiam os seus ca~eizinhos ! Bora lá embarcar neste desenvolvimento e modernidade para não perder-mos o comboio da europa!
E eu argumentei:
05.03.2009 - 10h06 - Luís, Porto, Portugal
A senhora que opinou (como Anónimo, Lx) a 05.03.2009, às 09h32, deveria era deixar-se de tanta homofobia e de invenções que só passam pela sua cabeça e, quando muito, pela de meia dúzia de anormais. Tenha vergonha, minha senhora, respeite-se e respeite os outros, especialmente aqueles que querem fazer uma vida tão normal como seria a sua se se deixasse de fantasias assim!
A propósito de fantasias com cães, a nova criação publicitária dos preservativos Durex também merece ser vista (e ouvida), mas pela criatividade, porque cativa as atenções nos meros 30 segundos concebidos pela agência nova-iorquina Süperfad, em que a marca apela mais uma vez ao uso de protecção no sexo de risco:
Sobre as pessoas sugiro a leitura de mais uma notícia do Público (ver ligação pelo título da entrada), que tem por título «PSD acusa socialistas de quererem aproximar o regime das uniões de facto ao do casamento» e que não pude deixar de ler, até porque o texto acaba por remeter para o casamento (ou a união de facto) entre pessoas do mesmo sexo. E isso interessa-me! Na altura em que começava a escrever-vos estas palavras, o artigo tinha cinco comentários: o quinto era meu e foi motivado pelo anterior, abaixo mais três e entretanto outros que se seguiram. Foi isto que fez disparar em mim a indignação:
Comentário 05.03.2009 - 09h32 - Anónimo, Lx
Não sejam antiquados, nós temos que nos modernizar, como dizia ontem um senhor numa estação de rádio para a qual pelos vistos faz um programa matinal diario, e defende o sexo entre pessoas e animais e dizia ele que portugal tem de se modernizar e acompanhar os paises mais desenvolvidos da europa criando uma lei que permita esse relacionamento sem qualquer penalização a não ser que se moleste o animal, e ainda afirma o dito cujo que é claro que em portugal existem pessoas que preferem animais a pessoas para ter sexo basta ver que cada vez mais existem animais a viver em apartamentos com eles. Eu como devo ser antiquada por momentos até achei que eram noticias do "Curral de Moinas", e que dei por mim a olhar mais do que o habitual para os vizinhos que passeiam os seus ca~eizinhos ! Bora lá embarcar neste desenvolvimento e modernidade para não perder-mos o comboio da europa!
E eu argumentei:
05.03.2009 - 10h06 - Luís, Porto, Portugal
A senhora que opinou (como Anónimo, Lx) a 05.03.2009, às 09h32, deveria era deixar-se de tanta homofobia e de invenções que só passam pela sua cabeça e, quando muito, pela de meia dúzia de anormais. Tenha vergonha, minha senhora, respeite-se e respeite os outros, especialmente aqueles que querem fazer uma vida tão normal como seria a sua se se deixasse de fantasias assim!
A propósito de fantasias com cães, a nova criação publicitária dos preservativos Durex também merece ser vista (e ouvida), mas pela criatividade, porque cativa as atenções nos meros 30 segundos concebidos pela agência nova-iorquina Süperfad, em que a marca apela mais uma vez ao uso de protecção no sexo de risco:
2009/02/27
é pena!
Acabo de saber pelo blogue Actas do pequeno almoço que a revista Com'Out acabou! Se fosse outra a origem da informação certamente teria levantado sérias dúvidas mas vinda de Daniel Skråmestø, colaborador recente da revista, fiquei sem saber o que pensar e não sosseguei sem obter a confirmação de mais alguém. Mas infelizmente tive-a de imediato: liguei para a redacção da revista e deram a notícia como verdadeira e disseram-me que do lado de lá não irá haver gente para dar explicações por muito mais tempo.Como escreveu o Daniel e nós repetimos bem alto: é pena!
2008/12/31
adeus, 2008
Outro ano está no fim e (com alguma dificuldade, confessamos) tentámos compor uma lista do que mais nos marcou nestes últimos 366 dias. Apesar das habituais-normais divergências de opinião, nalguns pontos ficámos de acordo como, por exemplo, ao considerar que o nosso melhor momento do ano foi o da viagem à Provença e, já agora, que a loja que mais nos agradou foi a La Cure Gourmande, em Marselha, todo cheiinha de coisas bonitas, raras e doces. Também elegemos em uníssono que o chumbo parlamentar das propostas pela igualdade no casamento civil foi o acontecimento (negativo) do ano enquanto, por outro lado, a leitura que nos marcou 2008 foi a nova e aclamada revista Com'Out. No campo virtual houve um site que foi o mais relevante de todos para nós: a bonita loja online de Thorsten van Elten (de onde vem a foto em destaque).Já nos DVDs adquiridos tivemos alguma discórdia: o Luís foi por «As Canções de Amor» de Christophe Honoré (um belo trabalho desenvolvido a partir de um triângulo amoroso, com Louis Garrel como Ismaël e com Grégoire Leprince-Ringuet como Erwann) e o Gonçalo pela colecção operática «The Copenhagen Ring» de Richard Wagner, produzida por Kasper Bech Holten. No cinema de grande ecrã também divergimos em opinião: o Gonçalo escolheu o filme de Eric Rohmer «Os Amores de Astrea e de Celadon», enquanto já em final do ano o Luís se decidiu pelo «Ensaio Sobre a Cegueira» dirigido por Fernando Meirelles a partir da mesma obra literária de José Saramago. Nos discos estão em destaque as senhoras, já que foi o Luís pelo novo «Hurricane» de Grace Jones e o Gonçalo pelo «Watershed» de K.D. Lang. Quase o mesmo se passou em matéria de concertos: o Gonçalo escolheu o «Sticky & Sweet Tour» de Madonna no Parque da Bela Vista (em Lisboa) e o Luís o dos Young Marble Giants no «Clubbing» da Casa da Música (no Porto). Bem mais difícil é eleger as personalidades do ano que, num plano, poderia ser o senhor Pedro Passos Coelho só per ter defendido a igualdade no casamento durante a sua campanha à presidência do PSD e, num outro, o senhor Barack Obama pelo que significa a sua eleição enquanto reconfiguração completa do perfil do presidente dos Estados Unidos da América.
Projectos para 2009? Votar, votar muito, mas claramente votar apenas em quem dê a voz mais justa às nossas justas reivindicações: casamento civil para todos, com plena igualdade de direitos e de deveres, como em tudo o resto. Em breve estaremos de volta mas, para já, ficam os nossos votos de um novo ano cheio de energia e de muitas alegrias!
2008/12/27
um café com amizade
A capa é do nº 9, mas o texto é de um anúncio da marca BICAFÉ no 10 (número de Dezembro) da revista UmCafé. Saboreiem-no e que nos sirva de reflexão neste final de ano:Um professor diante da sua turma, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que "sim". O professor pegou então numa caixa de fósforos e deitou-a dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "Sim". Logo, o professor pegou numa caixa de areia e despejou-a dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um "Sim" retumbante.
O professor, em seguida, adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco que preencheram todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nessa ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:
"Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes: a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam! São coisas que, mesmo que perdêssemos tudo o resto, manteriam a nossa vida ainda cheia. Os fósforos representam outros elementos importantes da nossa vida tais como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o resto, são as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastarmos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Prestem atenção às coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades e, o resto, é só areia."
Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: "Então e o que representa o café?"
O professor sorriu e disse: "Ainda bem que perguntas! Isso é só para vos mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo".
2008/12/22
natal feliz
Os presépios podem ser um dos mais belos símbolos do Natal. Este, da marca italiana Alessi, é um dos mais interessantes que se encontram de momento no mercado. É bonito, simples, bem proporcionado, e agrada tanto aos graúdos como aos miúdos. É até, certamente, um bom investimento a médio ou longo prazo, desde que se goste dele como algo que queremos junto a nós, ano após ano. «Presepe», desenhado pela L.P.W.K. Design e Massimo Giacon, existe assim com o estábulo em branco, mas também em vermelho. Gostos aqui nem se discutem e ambos nos fascinam. Mede 16x13 cm por 13,5 de altura. Se calhar estão já a pensar que ele é feito de plástico, mas não: é todinho de porcelana, purinha como deveríamos desejar. Encontram-no pela ligação no título, se o quiserem. A todos vós, nós queremos desejar-vos um Natal Feliz e uma novo ano repleto de agradáveis momentos.
2008/08/28
se a nivea o faz...
Sempre fui um fã da Nivea. É uma daquelas marcas clássicas que não desapontam e que sobrevivem graças à capacidade de manter a qualidade ao longo das décadas, conservando o que nos produtos há a conservar e desenvolvendo onde tal se impõe. A Nivea foi, para além do mais, uma das marcas pioneiras na comercialização de produtos de higiene específicos para homem, contribuindo para desfazer a ideia de que os cuidados cosméticos são só para as mulheres, logo, convidando os homens a alterar os seus hábitos e acabando com preconceitos sobre o que é masculino. E depois há a publicidade, que constrói imagens muito atraentes de saúde e beleza, num contexto que explora o quotidiano mais do que o glamour. E é com este ponto que agora justifico esta entrada — Aos senhores responsáveis de marca que não arriscam anunciar na Com'Out: apesar de uma evidente imagem de tradição a defender, a Nivea não recuou perante o interesse de publicitar em revistas gay, inclusive alterando os detalhes necessários para que um determinado anúncio melhor se adaptasse a essa função (no caso que a imagem ilustra, substituindo um rosto feminino por uma simbólica bola de espelhos). Se a Nivea o faz, porquê não podem vocês?...
2008/08/19
já o número 2
Já está nas bancas a edição de Agosto da Com'Out. Na capa, Madonna, a propósito do 50º aniversário (já aqui celebrado com hino e tudo) e do concerto de dia 14 de Setembro (o último a chegar é heterossexual :-) Este número inclui ainda entrevista a Richard Zimler; reportagem sobre os jovens e a saída do armário; fins-de-semana coloridos no Algarve; a Sparkling Party e o Labyrinto. No editorial comenta-se a economia associada ao 'euro cor-de-rosa', chamando a atenção para o caso espanhol e para o facto do volume do consumo dos gays e lésbicas vizinhos ter feito pesar a balança política a seu favor. Mas, mais importante, a equipa da Com'Out denuncia a hipocrisia de empresas portuguesas que, apesar de terem uma grande parte dos seus lucros a provir do consumo do público glbt, estão relutantes em anunciar os seus produtos na revista. É pena que em Portugal não exista um movimento associativo capaz de gerar boicotes às marcas homófobas. Mas, como de facto não existe, para já o melhor que podemos fazer é continuar a comprar a revista e, dessa forma, fazer pesar a balança a nosso favor.
2008/07/30
saída do armário
Finalmente apareceu nas bancas uma revista portuguesa mainstream dirigida a um público glbt. Eu digo "finalmente" porque, pela minha parte, era algo há muito aguardado. Não é só pela informação que a revista em si possa fazer chegar à comunidade a que se destina, mas pelo simples facto de existir e estar presente nas bancas. Pode haver as mais diversas opiniões sobre este tipo de publicações, pode-se criticar a sua vertente de incentivo ao consumo e a exploração que faz de um determinado tipo ou imagem do indivíduo homossexual, mas certo é que esse tipo de lógica aplica-se também a quase todo o universo de revistas presentes no mercado: das revistas de moda às revistas de música, passando pela culinária, as viagens e um sem número de outras variantes temáticas e respectivos públicos-alvo. Por isso, o primeiro feito da Com'Out é existir, contribuindo para normalizar a percepção que a sociedade tem dos temas glbt e dos homens e mulheres homossexuais. A revista inclui artigos de discussão sobre os gay pride; reportagem sobre a marcha de Lisboa; dossier sobre o estado do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo nos vários países da Europa; entrevista com o Guilherme de Melo e a Solange F.; guia de viagem à Croácia, e muitos outros artigos, colunas, destaques e propostas. Entre os colaboradores deste primeiro número estão o Miguel Vale de Almeida e o Paulo Côrte-Real. Não identifico os outros nomes ou a equipa que faz a revista, sei que estão de parabéns por terem levado avante este projecto, e que desejo sinceramente que vá sempre evoluindo e melhorando, e que permaneça por muitos anos. Para isso são necessários leitores. A maior parte de nós, acho, compra e lê com mais ou menos regularidade as congéneres estrangeiras Zero, Têtu, Gay Times ou Advocate — citando um artista plástico que há uns anos atrás assim brincava com os estereótipos: o good gay guy é, agora, aquele que compra e lê a Com'Out.
2008/05/03
com flor de laranjeira
Fez num dia desta semana 21 anos que ao fim da tarde tomámos o comboio para Braga como dois bons amigos que pretendem passar juntos um bom fim-de-semana e regressámos mais juntos ainda com a promessa mútua de que ficaríamos juntos para o resto das nossas vidas.A data nunca nos esquece e é sempre mais um pretexto para as nossas comemorações de amor, algumas raras vezes partilhadas por um grupo de amigos muito próximos que se juntam a nós.
Mas não foi bem o que aconteceu desta vez: a semana estava a decorrer cheia de afazeres e foi com um simples jantar a dois — pela primeira vez (nesta data) na nossa própria casa —, que procurámos recordar e reavivar detalhes do acontecimento que sempre nos trás a estas comemorações.
Ao fim de um dia de trabalho, o jantar não foi muito diferente dos outros de todos os dias, mas para o tornar algo mais diferente tivemos um pequeno bijou que nos acompanhou no café e adoçou o fecho da refeição: uma caixinha de 24 pétalas de chocolate negro aromatizado com flor de laranjeira, belga e com muito bom aspecto!
O dia seguinte passámo-lo só nós dois, em casa, entretidos entre beijos e a execução de tarefas adiadas, como a viagem próxima a Provença que nos tomou algumas horas em pesquisas na internet. Haverá quem nos censure?...
2008/04/15
boas atitudes
Pedro Castro, 31 anos, desenvolveu a ideia de criar uma rede de hotéis vocacionada para o turista homossexual. Ele próprio, como viajante, já estava "cansado das decepções e das dificuldades em encontrar as boas moradas gay", verificando mesmo que muitos hotéis se promoviam como gay-friendly, mas que tal não era "verdadeiramente vivido". A Attitude Hotels, que tem sede em Zurique, nasce dessas questões e da procura de respostas para elas. Para já integra 28 unidades hoteleiras "concebidas, imaginadas e desenvolvidas para satisfazer os turistas gays e lésbicas", mas espera chegar às 100 unidades até ao final do ano. Em Portugal há já há quatro unidades hoteleiras aderentes: duas em Lisboa, que são a residência My Rainbow Rooms e o Palacete Chafariz d'El Rei (que abrirá já em Julho) e mais duas no Algarve, a saber a Casa Marhaba (no Carvoeiro) e a Casa Charneca (próximo de Faro). Pela Europa fora há uma grande variedade de opções por Espanha, França, Itália, Reino Unido e, até, muito mais longe. Como nos Estados Unidos, do outro lado do Atlântico. O nome Attitude Hotels é para fixar, disso parece-nos não haver dúvidas, porque é já tempo de ter mais hotéis com... boas atitudes!
2008/03/19
cincocentos
O "meu" velhinho Fiat 500 (desenhado por Dante Giacosa a partir do modelo Topolino e produzido até 1977) foi sempre uma daquelas paixões para a vida. Era um carrinho que me prendia a atenção, lindo de morrer, mas que nunca cheguei a conduzir e ainda menos a possuir. Fui vendo-os até ao princípio dos anos 90 mas de repente sumiram-se todos. Depois apareceram os pouco entusiasmantes Cinquecento (fabricados até 1998) e desde então quase foram esquecidos. Finalmente em Julho de 2007 a Fiat relançou o seu Nuova 500 que hoje pude ver numa das ruas do Porto. Fiquei de novo apaixonado, se calhar como da primeira vez: para a vida!O novo 500 mede 3,55m de comprimento por 1,63m de largura, com 1,49m de altura — pequeno, sem dúvida. A sua forma é suavemente arredondada, com a frente a evocar detalhes do 500 de Dante Giacosa, mas integrando-os no estilo actual da gama Fiat. Oferece segurança reforçada para o condutor e passageiros, graças a um anel de protecção que envolve todo o habitáculo, as cores possíveis são doze, harmonizando-se com qualquer das opções que venham a ser escolhidas para o interior, podendo-se também escolher entre os 4 acabamentos de base diferentes, os 3 motores e um quase ilimitado número de extras que acentuam o conforto, o estilo ou o carácter desportivo do automóvel. Segundo a Fiat são possíveis mais de 500.000 combinações, o que permite "fazer" o modelo mais-que-perfeito para o gosto e prazer de cada um. O carrinho transporta confortavelmente até quatro pessoas e eu bem gostaria que nós fôssemos duas delas.
2007/12/31
adeus, 2007
Pelo terceiro ano consecutivo fazemos aqui (para nossa memória e para vossa) a lista difícil e possível de alguns dos melhores acontecimentos deste ano de 2007 que hoje termina. As escolhas são sempre difíceis, muito difíceis, e de fora ficam belos filmes, concertos, discos, DVDs, livros e tudo o mais que nos pareceu excepcional e quase esteve para ser escolhido. As opiniões são para respeitar e cá em casa, neste ano, apenas escolhemos em comum acordo os momentos bons. Naquilo em que as escolhas não coincidiram não houve, porém, um verdadeiro desacordo... E para o ano esperamos encontrar muitas coisas mais, que se calhar ainda serão mais fantásticas do que as que agora assim resumimos, a duas vozes:- cinema: «Babel», de Alejandre González Iñárritu / «Inland Empire», de David Lynch
- concertos: «Stardom Road», de Marc Almond (no Shepherds Bush Empire, Londres) / «O Castelo do Duque Barba Azul», de Béla Bartók (na Casa da Música, Porto)
- discos: «Comicopera», de Robert Wyatt / «Rufus Does Judy at Carnegie Hall», de Rufus Wainwright
- dvds: «Heima», dos Sigur Rós / «O Grande Silêncio», de Philip Gröning
- figuras: Luís Filipe Rocha, realizador de «A Outra Margem» / Philip Glass, nos seus 70 anos de vida
- internet: www.bocadolobo.com / www.deutschegrammophon.com
- livros: «Pequenas Histórias de Amor e Sexo», de Daniel J. Skråmestø / «Skin Lane», de Neil Bartlett
- lojas: Muji / L'Occitane en Provence
- momentos bons: o do bolo (imaginário) dos nossos 20 anos de amor, que teve uma casinha (bem real) no topo (2=)
- projectos: agora que temos casa, algo que se pareça ainda mais com casar / Stockholm Europride 2008
2007/12/12
okay, o civismo não deveria ser legislado
Li ontem num jornal um artigo de opinião sobre o consumo de tabaco a que não pude evitar este meu comentário. Começava por dizer nele Luísa Castel-Branco que "O tabaco faz mal. O tabaco mata." E prosseguia com comparações que eu até acho bem pouco relacionadas, como as gorduras em excesso, o sal em excesso, o álcool, a droga, a violência nas escolas, na noite, em casa... Mas até entendo aonde queria chegar. Afirmava ainda que "como fumadora, tenho consciência de que não se fuma num ambiente com pouco ar e com crianças, ou outras pessoas a quem o tabaco incomode", mas recusava-se "a aceitar este politicamente correcto importado..." e acrescentava que "talvez o Estado devesse olhar também para os fumadores como pessoas que necessitam de salas de chuto em vez de criminosos!"Pois bem, nós até somos ex-fumadores. Nós até toleramos os fumadores e os fumadores reparam nisso. Nós até trabalhamos com patrões fumadores que simplesmente abusam porque são patrões. Nós até chegamos a casa a cheirar a tabaco, não porque o desejássemos. Nós até abrimos o guarda-fatos no dia seguinte e sentimos ainda e intensamente o cheiro do charuto do patrão do dia anterior. Nós até gostamos de tabaco, pois não deixámos de fumar porque não gostássemos de o fazer. Deixámos de fumar porque nos fazia mal, porque nos dava cabo do orçamento, porque fazia mal aos que estavam junto de nós. Deixámos por querermos e insistirmos nessa decisão, em não voltar a fumar. Okay que o civismo não deveria ser legislado. Okay, mas parece-me que é necessário. E duvido que seja suficiente. O que é pena, como noutras coisas também! Terei sido claro?...
2007/11/30
um natal diferente
Este ano vou passar um Natal diferente: até aqui sempre o passei com os meus pais excepto (no que eu chamaria um momento de transição) no passado ano em que já não tinha nenhum dos meus ascendentes directos vivos e nós (o que restava do grupo familiar que se juntava pelo Natal) fomos celebrá-lo fora da cidade. Mas essa excepção justificada muito racionalmente indiciava que vinha para ficar. Eu senti-o já então e há um par de semanas antecipei-me e anunciei que receberia a família em minha casa ou que cumpriria a tradição aceitando juntar-me a todos como noutros anos, mas só se não saíssemos da cidade, se nos ficássemos por cá... E a minha previsão estava certa: ou saio do Porto e faço um Natal como no passado ano, ou fico por minha conta, na minha casa, com o meu companheiro, com quem quisermos. Assim o faremos, juntando-nos certamente aos parentes próximos que temos por cá, talvez até a alguns amigos... Para já, certamente mais logo (bem mais logo, já depois da meia-noite) faremos a nossa primeira árvore de Natal no novo apartamento. Há uma semana fomos comprar tudo o que julgámos adequado (não foi nada fácil) e agora haverá que ser criativos... Curiosamente por esta altura deveremos receber o cabide do Alexander Taylor que no início de Agosto tivemos a intenção de comprar (ver entrada do L'Avion Rose), mas que afinal estava esgotado. Já que a sua forma evoca as galhadas de um alce vamos fazer de conta que serão as renas que nos entram pela casa dentro... Por outro lado, no local de trabalho é um mero wallpaper que dá a cor do Natal ao meu computador. É esse que mostro aqui mesmo, mas há mais que podem ir buscar pelo link que liga ao site nipónico do criador de moda britânico Paul Smith. De quem eu gosto, como gosto do seu trabalho. Admirem-no!
2007/10/27
seu
Há muitos anos fiz um amigo que era uns 10 anos mais velho do que eu. A amizade surgiu porque comprávamos discos na mesma loja e havia muitas coincidências na música que nos interessava, quando essa música ainda interessava a pouca gente. Em termos temporais decorriam os anos 80, já lá para o final, e um dos grupos que eu descobri por sua conta foi o que tinha por nome Henry Cow (de tão estranho, o nome foi-me repetido e até traduzido — Vaca Henrique, clarificou ele! — e foi mais uma das descobertas que ainda hoje permanece fonte do meu interesse). Mas com o passar dos anos, apesar da amizade se ir reforçando e alargando também ao meu companheiro, as diferenças foram cavando um fosso cada vez mais largo e intransponível. Se, por um lado, abertamente me perguntou um dia se eu e o Gonçalo éramos namorados (respondi-lhe que sim, e ele passou a tratar-nos como tal), por outro (ao contrário de mim), tinha uma repulsa profunda por tudo quanto fosse música de origem brasileira (Caetano Veloso, Ambitious Lovers, Tom Zé e toda a música Made in Brazil era como se tivesse sido criada por algum demónio). À medida que fomos ficando mais velhos, a diferença de idades foi-se esbatendo, mas o resto não e há bem pouco tempo até nos cruzámos sem nos cumprimentarmos, por sinal à entrada para um concerto.Não espero, por isso, vir a encontrar o Zé (é o seu primeiro nome, se bem que zés haja muitos) no início de Novembro, quando o brasileiro Seu Jorge se apresentar em concerto na cidade do Porto. Jorge Mário da Silva é um bonito homem de 36 anos de idade, magro e de tez escura. Descobri-o com o disco «Cru», que me atraiu pela capa mas não me levou a dar o passo da compra. Reencontrei-o em «The Life Aquatic Studio Sessions», banda-sonora da aventura oceanográfica que em 2004 Wes Anderson filmou — em português com o título «Um Peixe Fora de Água» — e onde o músico faz o papel de Pelé dos Santos. O disco mostra a peça composta por Seu Jorge para o filme («Team Zissou») e treze versões acústicas traduzidas de clássicos de David Bowie («Rebel Rebel», «Life on Mars?», «Ziggy Stardust», etc). O próprio Bowie elogiou o trabalho dizendo que "had Seu Jorge not recorded my songs acoustically in Portuguese I would never have heard this new level of beauty which he has imbued them with", fazendo do disco um must have absoluto! É deste Seu Jorge que que eu gosto, ou mesmo do Mané Galinha que ele interpretou no filme de Fernando Meirelles «Cidade de Deus». Ele que, nos anos 90, foi um dos sem-abrigo das ruas do Rio de Janeiro, vai agora estar em Portugal para nos deslumbrar em vários concertos, que passarão por Portalegre, Guimarães, Estarreja, Lisboa e Porto. Nesta cidade recebe-o a Casa da Música já a 1 e 7 de Novembro. Nós estaremos por lá, mas será que o Zé estará?...
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