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2006/05/08

east timor

O link do título está dirigido ao turismo oficial de Timor-Leste, porque o site governamental (www.gov.east-timor.org) não está acessível no momento desta entrada. Haverá alguma explicação para além da mais eloquente nestes dias de novos e continuados tumultos, desordens e motins em Díli? Apesar das imensas milhas de distância entre nós há, ainda, uma ligação forte e afectiva a esse território, a esse povo, a mais esse símbolo universal da determinação pela libertação, pela liberdade.
Volto a ouvir Robert Wyatt no seu hino a Timor-Leste, feito disco em 1986 com o título «East Timor» e incluído no álbum «Old Rottenhat». São quatro versos imensos que ficam para a eternidade da história dos timorenses. Quatro versos carregados de simbolismos numa canção que o tempo não consome e repetidamente se escuta entre nós:

Timor
East Timor
Who's your fancy friend, Indonesia?
What did Gillespie do to help you?

Talvez a 'amiga' Indonésia ainda não tenha passado definitivamente à história de Timor-Leste; e mesmo que o trompetista negro de jazz, norte-americano, Dizzie Gillespie já tenha morrido em 1993, a última palavra sobre os destinos de Timor e do mundo está hoje nos lábios de um outro homem bem conhecido e bem mais estranho...
E aqui, hoje, nós, nesta Praia Lusitana: what can we do to help you?

2006/04/19

japan: shut up

Em 1984 um amigo ofereceu-me como presente do meu 23º aniversário o álbum de estreia a solo de um belo rapaz (3 anos mais velho do que eu, sei-o hoje) chamado David Sylvian. Eu adorei tudo o que «Brilliant Trees» tinha para me oferecer: a voz, a música, as canções, a poesia, a capa e o belo rapaz que me encantou.
Foi só um par de anos depois que ouvi e descobri finalmente os Japan, o grupo em que Sylvian tinha começado: estava de passagem por Vigo e numa visita em trabalho à Radiocadena Española ouvi uma canção estranha com uma guitarra glamorosa, um set baixo-bateria bastante funk, os sintetizadores com um som disco e uma voz que poderia bem ser a de Marc Bolan mas... não, não era. Era a de David Sylvian, disso já não havia dúvida! Interessei-me e quis ver o disco, que entretanto Emilio Alonso tirava já do prato. O single tinha por título «Adolescent Sex» e uma capa tão improvável que me surpreendeu mais ainda: nela, uma mão a entrar na carcela aberta de um jovem, como se para desencarcerar o que mais dentro se escondia; do lado B a imagem era a mesma (ver acima) e o título «Shut Up» (que informalmente significa "pára de falar").
Passaram-se muitos anos e hoje volta-se a falar dos Japan para aclamar um lote de relançamentos em que se destaca o DVD que junta as canções do período mais rock (1978-80) com as do período mais pop (1980-83). «The Very Best Of Japan», já lançado no Reino Unido pela Virgin mas ainda não chegado às lojas portuguesas (que peca por uma péssima capa, em nada familiar à estética dos Japan), inclui os clipes do grupo e o concerto de 1983 que deu lugar ao muito aclamado álbum duplo «Oil On Canvas». Vai agora ser tempo de olhar para «Life In Tokyo», «Quiet Life», «I Second That Emotion», «Gentlemen Take Polaroids, «Swing», «Visions Of China», «Nightporter» e «Oil On Canvas», bem como para as interpretações ao vivo de «Burning Bridges», «Sons Of Pioneers», «Gentlemen Take Polaroids», «Swing», «Cantonese Boy», «Visions Of China», «Canton», «Ghosts», «Still Life In Mobile Homes», «Methods Of Dance», «The Art Of Parties», «Voices Raised In Welcome» e «Hands Held In Prayer».
Por tudo isto será caso para dizer: shut up for a moment, baby!

2006/03/28

pop dell'arte na casa da música

Em Janeiro saiu a nova antologia dos Pop Dell'Arte a que, a seu tempo, nos referimos já aqui e que entrou agora (ao contrário do que se poderia antecipar com o melhor dos prognósticos), segundo a sua editora, para o 34º lugar da lista dos discos mais vendidos na passada semana em Portugal.
«POPlastik 1985-2005» é o álbum comemorativo de 20 anos da banda, fazendo uma exposição retrospectiva e actual (com 3 temas inéditos) do que tem sido a actividade criativa do grupo que em 1984 surgiu em Lisboa, no bairro de Campo de Ourique, e se apresentou pela primeira vez com relevância no concurso de música moderna do Rock Rendez-Vous (onde viria a conquistar o Prémio de Originalidade). Em 1986, o grupo contribuiu com o tema «Máscara» para a antologia «Divergências» da editora Ama Romanta, ano em que também vem a perder por morte súbita o muito jovem baterista Luís Saraiva. Reerguendo-se do trauma, no ano seguinte saem finalmente dois dos discos mais importantes da sua carreira: primeiro o maxi-single «Querelle» /«Mai '86» (em Fevereiro) e depois o aclamado álbum de estreia «Sonhos Pop» (em Dezembro).
Nas 2 décadas que passaram, o grupo liderado por João Peste (na foto) sofreu outras alterações, paragens quase fatais, mas também viveu reaparições sempre deslumbrantes, que nunca passaram sem reconhecimento e elogios. Os Pop Dell'Arte conquistaram novos públicos, mantiveram fieis os fãs mais antigos, fizeram a diferença em relação aos demais. A sua música sempre foi acessível e diferente, marcando valiosos pontos com a sua musicalidade pop de travo experimental, com as inspiradas letras arty de cunho literário e, ao mesmo tempo, libertário. Numa abordagem de arte total, as estéticas gráfica e de palco sempre foram pensadas e cuidadas, resultando glamorosas, mesmo quando sobressai um laivo decadente, intencional. Marc Almond, Marc Bolan, Sylvester, Lou Reed, Marlene Dietrich, ou Genet, Burroughs, Ginsberg, Warhol, Fassbinder... Quantos mais destes nomes fazem parte do imaginário que nos é a todos comum e os Pop Dell'Arte remontam?!...
Na sexta-feira do dia 21 de Abril, pelas 23 horas, poderemos vê-los ao vivo num raro concerto na cidade do Porto. Será na Casa da Música (sala 2), com a entrada a custar apenas 10 Euros. Acredito que não haverá muitas ausências, entre os que lhes querem bem...

2006/02/10

balanescu quartet: plays kraftwerk

Nascido na Roménia em 1950, o violinista Alexander Balanescu mudou-se em 1969 para Israel, fugindo à ditadura de Ceaucescu. Num exílio nómada, acabou por fixar-se em Londres onde foi inicialmente requisitado para integrar o Arditti String Quartet. O seu Balanescu Quartet nasceria em 1987, desenvolvendo parcerias tão díspares como com Michael Nyman, Gavin Bryars, David Byrne, John Lurie, Kate Bush e mesmo com os Pet Shop Boys.
Em 1992 começa a sua ligação à editora Mute Records, que lança o álbum «Possessed», onde o quarteto visita a música electrónica do grupo alemão Kraftwerk e faz com que ela tenha uma leitura "séria", se bem que com o sabor doce da música clássica e toda a irreverência da composição contemporânea. As peças «The Robots», «The Model», «Autobahn», «Computer Love» e «Pocket Calculator» são igualadas por Balanescu às composições de grandes figuras da música erudita como Luciano Berio e Karlheinz Stockhausen, mas com "mais poder, graças à sua simplicidade".
Dentro de uma semana, na sexta-feira dia 17, o quarteto apresenta-se ao vivo no Porto, na Casa da Música (sala 2), pelas 23 horas, num concerto único e inevitável. Os dois violinos, a viola e o violoncelo do grupo liderado por Balanescu interpretará Kraftwerk com esse rigor e seriedade. Mas com a modernidade necessária para fazer desse acto uma obra tão importante e deslumbrante quanto o original. Nós estaremos lá!
No dia seguinte o grupo fará uma outra apresentação no mesmo local mas uma hora mais cedo, com um programa que visa promover o seu último álbum «Maria T» e homenagear a actriz e cantora folk romena Maria Tanase (1913-1963). O concerto será complementado pela intervenção em vídeo de Klaus Obermaier.

2006/02/06

d_skin: cd protegido

d_skin® é uma micro-resina que serve para proteger os CDs, DVDs e todos os discos similares dos maus tratos e do desgaste. Basta colocar a d_skin do lado de leitura do disco e prender as pequenas garras à sua volta para que fique a proteger eficientemente e com segurança de situações habituais e indesejadas: marcas e riscos, por exemplo. A protecção permanece no disco enquanto é feita a leitura no equipamento; e mesmo a gravação, em discos graváveis, pode ser efectuada com a protecção colocada. Tal como noutras situações nossas conhecidas, se a d_skin por azar se riscar bastará removê-la e colocar uma nova. Depois é só… continuar.
Que se saiba, a d_skin não é fabricada pela Durex®, como poderia ser suposto... Mas talvez possa também ser adquirida em Portugal. No Reino Unido cada unidade custa desde aproximadamente 0,75€ (em caixas de 100) até 1,50€ (em bolsa de 5 unidades).

2006/02/03

bruno coulais: à mãe dolorosa

Bruno Coulais é um compositor nascido em Paris em 1954, filho de pai francês e de mãe iraquiana.
Especialista em música para cinema, Bruno Coulais também assinou «Microcosmos», «Himalaya», «Les Choristes» e «Le Peuple Migrateur». Mas já fazia música no final dos anos 70 (a banda-sonora da curta-metragem «Nuit Féline» é de 1978) e, no seu longo percurso criativo, também piscou o olho a Cocteau, em 2003, com a música para a versão televisiva de «Les Parents Terribles».
"Procurar o 'sagrado' nas pequenas coisas do quotidiano é a lição que eu recebi do cinema, e é uma ideia que me acompanhou ao longo de toda a escrita deste «Stabat Mater»", disse.
Este título é a abreviação do primeiro verso de um hino católico-romano do século XIII, atribuído a Jacopone de Todi: «Stabat mater dolorosa» ("estava a mãe dolorida"). Coulais inspirou-se nele para, a convite do Festival de Saint-Denis, criar esta obra intensa e de mestiçagem cultural que foi estreada em Junho de 2005, na Basílica de Saint-Denis, em Paris. Tal como no disco que agora nos chega às mãos, os textos cantados por Aïcha Redouane são extraídos de «La Passion de Râbi'a» (poemas sufis de Râbi'a al-Adawiyya, do século VIII).
Para além da cantora berbere, assinale-se ainda um elenco extra de respeito com o jovem mas talentoso violinista Laurent Korcia, a revelação como cantor de Guillaume Depardieu (filho do actor Gérard Depardieu), a voz off de Robert Wyatt (e onde Robert se envolve está sempre um grande trabalho), mas também Marie Kobayashi (meio-soprano), Claire Désert (clavicórdio, piano) e o coro de câmara Mikrokosmos.
Bruno diz-nos ainda: "Neste belo e comovedor texto, eu escolhi dar ênfase à expressão de uma mãe face à morte do seu filho, e não tanto à da lamentação da Virgem face à morte de Cristo."
Acrescenta: "Outra coisa que me vem do cinema, e muito particularmente de «O Evangelho Segundo S. Mateus» de Pasolini, é que o reencontro de universos musicais tão diversos podem conduzir-nos ao 'universal'..."
O disco é muito sedutor, pelo tema, a abordagem, o elenco e toda a envolvência mágica em que a capa (com uma foto do canadiano Larry Towell, da agência Magnum) é a apetitosa cereja que se põe sobre o já delicioso bolo. Mas também porque, inevitavelmente, nos faz pensar nas nossas queridas mães!

2006/02/01

morrissey: o feiticeiro do moz

Morrissey, o ex-vocalista de The Smiths (também conhecido por Moz), vai ter em breve um novo álbum, que se sucede ao excelente «You Are The Quarry», de 2004.
Anunciado para 3 de Abril, «Ringleader Of The Tormentors» foi gravado em Roma e produzido por Tony Visconti, em Agosto do ano passado. Tony Visconti é uma estrela acessória mas incontornável, pois foi ele o mentor de alguns discos históricos de David Bowie, T. Rex ou mesmo The Stranglers. A propósito de «Ringleader Of The Tormentors» disse que "todos os dias trabalhámos a música, para a fazer cada vez melhor. As vocalizações de Morrissey são apaixonadas e confidentes e este é um dos melhores álbuns em que eu trabalhei. Tanto mais que o compositor de bandas-sonoras Ennio Morricone e um coro de crianças italianas estiveram por muito perto". Mesmo assim, a revista americana Billboard, que já teve acesso às gravações, diz tratar-se de um álbum denso e com um som muito orientado para o rock. Em que ficamos?...
Este é o alinhamento: «I Will See You In Far-Off Places», «Dear God Please Help Me», «You Have Killed Me» (que será o primeiro single, a lançar a 27 de Março), «The Youngest Was The Most Loved», «In The Future When All's Well», «The Father Who Must Be Killed», «Life Is A Pigsty», «I'll Never Be Anybody's Hero Now», «On The Streets I Ran», «To Me You Are A Work Of Art», «I Just Want To See The Boy Happy» e finalmente «At Last I Am Born».
Para já só mesmo a excelente capa de «Ringleader Of The Tormentors», que nos deixa sonhar e esperar por um novo álbum mágico que não lhe fique atrás!

2006/01/11

dvds: depeche mode 101

Primeiro, Vince Clarke e Martin L. Gore formaram o duo French Look, em 1979. Depois mudaram-lhe o nome para Composition of Sound. Finalmente, em 1980, os Depeche Mode nasciam em Basildon, Essex (Reino Unido), com três rapazitos a dar o mais criativo de si: Andy Fletcher (guitarra e voz), Martin L. Gore (guitarra e voz) e Vince Clarke (sintetizadores e voz). O novo nome do grupo só seria firmado no ano seguinte, e retirado da conhecida revista francesa de moda, do mesmo nome. Ainda nesse ano, o trio afastou as guitarras para um segundo plano, tornando-se num grupo quase inteiramente electrónico. As mudanças foram reforçadas com a entrada de um vocalista: Dave Gahan (na foto, o quarteto de 1981, com Fletcher, Gahan, Gore e Clarke).
Mesmo apesar de tanta mudança, este era ainda o princípio. As "demos" em cassete não surtiam qualquer efeito nos meios editoriais da capital inglesa e o grupo mantinha-se quase permanentemente em ensaios privados e no aperfeiçoamento das suas canções pop que puxavam para a dança. Era um grupo estranho para a época, pois as correntes musicais apontavam ora num sentido menos dançável quando se falava de música alternativa, ora em direcção menos alternativa quando se falava de música de dança.
Foi pelo convite de um outro "desenquadrado" que os Depeche Mode tiveram um golpe de sorte: Fad Gadget, que gravava para a Mute Records, actuava em Londres e os "Depeche" foram convidados para fazer a primeira parte. O boss da Mute, Daniel Miller, viu-os pela primeira vez e gostou. O grupo foi contratado, fez alguns singles e um álbum, foi preparando outro, e tudo isto empurrou-o para a estrada e fez vedetas de cada um dos seus músicos. Pequenas ainda, mas vedetas mesmo assim.
Só que daí veio um problema: o principal teclista, Vince Clarke, era um "rato de estúdio". O que ele queria era compor e gravar, não actuar em palco, aqui, ali e além... Como tal, decide sair e formar a sua própria banda (de novo em duo, tal como antes acontecera nos The Assembly e nos Depeche Mode iniciais, agora de novo com os Yazoo, mais tarde com os Erasure, onde se mantém há muitos anos com Andy Bell).
Em 1988, os Depeche Mode procuram a sua afirmação nos Estados Unidos, onde eram já conhecidos e seguidos por uns quantos fãs. A 18 de Junho tocam em Pasadena e esse concerto, talvez o mais memorável da sua carreira longa e bem sucedida, ficou registado para a posteridade. No ano seguinte é editado como LP e CD duplos, sob o título «101», que correspondia à referência do disco na série da editora. Na mesma altura, os duplos áudio têm também edição equivalente numa cassete VHS.
Em 2005 surge finalmente a versão para DVD (o formato do momento), contendo como disco 1 o intitulado «101», ou seja o filme de D.A. Pennebaker, Chris Hegedus e David Dawkins, e como disco 2 o que foi designado por «Live at The Pasadena Rose Bowl June 18th 1988» e que corresponde ao concerto referido atrás. Por comparação com o duplo CD (a versão original, ainda numa elaborada embalagem "digipack") verifica-se a ausência dos temas «Sacred», «Something to Do», «Things You Said», «Shake The Disease», «Nothing», «People Are People», «A Question of Time» e «A Question of Lust». O CD original conta 20 temas e o DVD nº 2 apenas 12. Ficaram de fora, portanto, as 8 que referi, o que faz do duplo CD um formato complementar ao DVD, ou o contrário.
1988 foi há 18 anos atrás e já muito aconteceu no mundo da música e nos Depeche Mode. O grupo (agora de novo em trio, uma vez que Alan Wilder abandonou a formação, onde substituiu Clarke entre 1982 e 1995) mantém-se activo e em forma, actuando de novo em Portugal já a seguir em 8 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico (Lisboa). Um belo concerto será, certamente!
No que respeita aos nossos DVDs, com a chegada dos Depeche Mode os títulos disponíveis começados pela letra D ficam agora a ser (título / autor / género / lançamento / edição):
  • David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
  • Depeche Mode: 101 / Depeche Mode / música / 2005 / 2005
  • Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2003 / 2003

2005/12/31

adeus, 2005

Um balanço possível, feito a dois, que resume o que mais nos marcou no decurso de 2005 (não confundir com outras listagens que se vão encontrando por todo o lado e que se referem quase sem excepção aos lançamentos, estreias e afins apenas do ano que é encerrado). Neste nosso registo das marcas mais positivas, numa retrospectiva pessoal e difícil de resumir, está aquilo que nos "tocou" em 2005, a cada um de nós ou aos dois em conjunto. Que seja assim, portanto:
  • cinema: «Os Edukadores» Hans Weingartner (na imagem e no link do título) / «A Noiva Cadáver» Tim Burton
  • concertos: «Le Marteau Sans Maître» Ensemble InterContemporain (2=)
  • discos: «Amigos em Portugal» Durutti Column / «Confessions On a Dance Floor» Madonna
  • dvds: «O Fantasma» João Pedro Rodrigues / «Dolls» Takeshi Kitano
  • figuras: David Hockney / José Luis Rodríguez Zapatero
  • internet: www.blogger.com / www.havaianas.com.br
  • livros: «António Botto: Real e Imaginário» A. Augusto Sales / «Kafka On the Shore» Haruki Murakami
  • lojas: Habitat-Area / iTunes Music Store
  • momentos bons: as férias no Meco (2=)
Um grande 2006, para todos!...

2005/12/08

amizade e amor: viva john lennon!

8 de Dezembro assinala mais um aniversário do desaparecimento de John Lennon, o ex-Beatle que teria agora 65 anos, se fosse ainda vivo. Figura proeminente da cultura musical do século XX, o seu nome ficou para sempre associado ao de Yoko Ono, a dedicada esposa japonesa que muitos "acusaram" de ser a causa da separação dos fab four de Liverpool.
O primeiro casamento de John foi com Cynthia Powell (mãe de Julian Lennon), em 1962. Yoko só entraria na vida de John em 1966, quando se conheceram na sua apresentação artística em Londres, na galeria Indica. O romance iniciar-se-ia em 1968, coincidindo com o divórcio de Cynthia, e o casamento teve lugar em 69 (deste nascendo Sean Lennon, em 1975). Como é sabido, John e Yoko foram talvez o casal mais mediático dos anos 70 e êxitos discográficos como «Woman» são incontornáveis retratos da imensurável paixão que os uniu.
Mas conta-se que um outro amor — para além de Cynthia e Yoko — teria marcado também a sua vida: Brian Epstein, o agente dos Beatles (6 anos mais velho que Lennon) que, segundo especulações, teria romanceado durante uma "escapadela" dos dois a Barcelona, em Abril de 1963. Por essa altura Lennon, casado com Cynthia, teria 22 anos e Brian 28 (este viria a falecer apenas 3 anos depois, em 67, de overdose).
É certo que Lennon sempre negou esse alegado romance, mas diz-se ainda hoje que a sua canção «You've Got to Hide Your Love Away» seria inspirada nas emoções da época: "Here I stand head in hand § Turn my face to the wall § If she´s gone I can't go on § Feelin' two-foot small. § Everywhere people stare § Each and every day § I can see them laugh at me § And I hear them say: § Hey you've got to hide your love away. § How could I even try § I can never win § Hearing them, seeing them § In the state I'm in. § How could she say to me § Love will find a way § Gather round all you clowns § Let me hear you say: § Hey you've got to hide your love away." Se a letra da canção não explica tudo de forma evidente, a narrativa ficcionada explorada no filme «The Hours And Times», de Christopher Münch (link para o filme no título), parece fazer luz sobre a viagem a Barcelona e poderá servir para esclarecer os mais interessados.
A exactidão do que se terá passado na famosa jornada à Catalunha talvez não seja hoje o mais importante. De facto vale a pena recordar hoje, também aqui e ainda a propósito do tema amizade e amor, um dos maiores amadores das últimas décadas: John Lennon!

2005/12/02

super pop dell'arte

João Peste e os seus Pop Dell’Arte merecem os parabéns antecipados, pois terão editado, já a 9 de Janeiro próximo, uma nova antologia que revisita a matéria apresentada sem que, mesmo assim, seja motivo de redundância e desmotivação dos fãs.
Esta nova colecção de pérolas musicais (e poéticas, leia-se bem) olha ao para trás 20 anos completos de carreira e reescreve, como vem sendo hábito, o muito que ainda há-de vir na vida dos Pop Dell'Arte.
«POPlastik 1985-2005» incluirá 20 temas como os clássicos «Querelle», «Sonhos Pop», «My Funny Ana Lana», «Avanti Marinaio», «Poppa Mundi», «Mrs. Tyler», «2002», «So Goodnight» e «Illogik Plastic», mas também incluirá 3 temas inéditos e recentes: «(J'ai Oublié) All My Life», «Stranger Than Summertime» e «No Way Back». O disco terá por capa um pequeno anjo ferido por flechas, lembrando o martírio de S. Sebastião, que é um ícone do imaginário gay.
A antecipar o lançamento do álbum, os super Pop Dell’Arte vão estar em concerto no Lux (Lisboa), a 29 de Dezembro.

2005/11/16

confissões na pista de dança

Um novo álbum de Madonna, cá em casa, é sempre um acontecimento para regozijar, e este não é excepção. Do injustiçado «American Life» para «Confessions On a Dance Floor» a mudança operada tem sido descrita como a de uma reorientação da cabeça para os pés. O álbum é todo para dançar e dançar é o que faremos (sim, Madonna pode dar-se ao luxo dessa arrogância e nós só podemos submeter-nos)... E, no entanto, sob a capa barroca de excesso pop aparentemente superficial, é surpreendente descobrir a generosidade da entrega. Do inicial «Hung Up», passando por «Get Together» e «Isaac», até «Push» (estaria mais próximo da verdade enumerando as 12 faixas), a qualidade da energia é irrepreensível. Eu já comprei o nosso, e posso garantir que fazê-la mais rica faz parte do gozo — vá lá, a pobre criatura tem dois filhos para alimentar.

2005/10/25

super 19 anos

Há 19 anos, a 25 de Outubro, o Pavilhão Infante de Sagres recebia no Porto duas ou três bandas espanholas, das quais destaco os galegos Siniestro Total, que foram uma das minhas preferidas entre todas as que descobri e admirei de essa época para cá.
Dessa época é o LP «Menos Mal Que Nos Queda Portugal», um disco tão inteligente quanto irreverente, que vivamente recordo e recomendo.
Nessa noite, os Siniestro vieram, actuaram e partiram. Nós — um grupo de amigos que se juntara para o concerto — decidimos no final divertir-nos pela noite dentro e, de passagem, fomos recolher a casa o Gonçalo (foi assim que nos conhecemos e a partir daí que nos reencontrámos uma vez e outra e outra e outra).
Nessa primeira noite, cada qual para o seu lado, demos uns passos de dança, no Underground (a discoteca que existia onde o Lá-Lá-Lá viria a surgir meses depois), ao som dos hits menos comerciais dos anos 80.
Obrigado portanto, amigo Alberto, pela ideia de ir buscar o Gonçalo. Obrigado, Gonçalo querido, por essa noite em que a tua simples presença me incendiou o coração e fez de mim um amante com aparentes super-poderes.