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2007/07/05

dia de orgulho

Sábado, 7 de Julho de 2007, os homossexuais comemoram no Porto o seu dia de orgulho.
É o sexto ano consecutivo em que sob um mesmo símbolo se encontram "todos os Gays, Lésbicas, Bissexuais, Trans e Heterossexuais Descomplexados", nas palavras adequadas da própria organização. O local mítico da concentração, do convívio entre todos os que queiram estar presentes, é o Teatro Sá da Bandeira, em plena baixa da cidade. Este ano com música pelo DJ Nuno Cacho, happenings de Roberta Kinsky, Natasha Semmynova, Ricardo Madonna, Elsa Martinelly, Diana Prince e Lady Slim e, também, uma actuação especial de Nany Petrova. Das 22 horas às 08 da manhã, a 07/07/07, no número 108 da Rua Sá da Bandeira o teatro que tem esse nome está de portas abertas para todos os que queiram e possam associar-se às comemorações na diversidade da nossa existência e do nosso orgulho. O ingresso é apenas vendido à porta, tem o custo simbólico de 10 Euros e dá direito à primeira bebida. E nenhuma cerveja, whisky ou gin sabe tão bem como a primeira que nessa noite se beber ali, com o amigo ou amiga ou amigos que levarmos ou encontrarmos. Sobretudo a quem já tenha participado na 2ª Marcha de Orgulho LGBT no Porto, que às 15h30 sai da Praça da República em direcção à de D. João I.

2007/06/13

al berto, no silêncio

é no silêncio
que melhor ludibrio a morte

não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo

ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir

Nos 10 anos da morte do poeta Al Berto, este excerto do «Regresso às Histórias Simples» foi transcrito da página 53 de «Uma Existência de Papel», editado pela Gota de Água, no Porto, em 1985. Al Berto escrevera-o entre Sines e Lisboa, um ano antes.

Imagem via Mundo Pessoa
Importado do blogue gayFEEL

al berto (10 anos depois)

Al Berto tinha 49 anos de idade quando deixou Lisboa pela última vez, vítima de um tumor dos gânglios linfáticos.
Para nós foi um amigo e um sol na vida de quem queria encontrar um modelo para crescer.
Povoou-nos muitas noites com histórias surpreendentes e encheu-nos de visões que sem ele nunca teriam acontecido.
Os seus dedos derretiam-se em poesia e nós, levados pela emoção da leitura, derretíamos os olhos em cada detalhe dos seus livros, em cada articulação da voz tão bela que a sabia dizer em voz alta, como ninguém.
Era um homem simples que nos fazia feliz.
Nas poucas palavras que as raras oportunidades de encontro deixaram, mas que não esquecemos, nem esqueceremos.
Soubemos um dia que nos deixara órfãos de uma amizade única e de uma escrita sem igual.
É um dos que nos vai fazendo companhia todos os dias, porque o transportamos no coração.
Morreu a 13 de Junho de 1997, faz hoje 10 anos.

2007/05/24

marc almond por matthew stradling

Além de brilhante, o pintor londrino Matthew Stradling (1963) é também, segundo soube, um artista bem simpático. Já que neste ano se comemora o 50º aniversário de Marc Almond (que todos tão bem devem conhecer de um mundo pop a atirar para o vaudeville gay), regresso à arte de Matthew com um retrato do ex-vocalista dos Soft Cell. A tela foi pintada a óleo em 1991 e mede 165x135 cm. Num destes dias, aqui mesmo veremos Marc noutros retratos...

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/22

memorial

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

«Porque» é um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que pode ser lido na página 159 do livro «Antologia» (Círculo de Poesia, Moraes Editores, Lisboa, 1975). Fonte de muitas inspirações, dedico esta singela memória, ilustrada com um quadro de Mark Rothko, ao meu pai (que perdi há quase 11 anos) e à minha mãe (que perdi há apenas 6 meses). Com eterna saudade.

Texto de Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem de Mark Rothko via Guggenheim Museum
Importado do blogue gayFEEL

mark rothko: preto sobre cinzento

Markus Rothkovitz, mais tarde Mark Rothko, (1903-1970) nasceu russo e morreu norte-americano. Estudou em Yale (1921-1923), começando a sua carreira como pintor na Nova Iorque de 1925. Cresce à sombra de influências surrealistas e de pintores como Barnett Newman e Adolph Gottlieb, mas a partir de 1947 o seu estilo procura uma outra luz e dela desabrocha um artista com uma nova abordagem plástica, onde manchas de cor sobre telas de grande dimensões provocam no observador sensações emotivas diversas — quentes, frias, alegres, tristes, intensas, serenas... Esta abordagem estabelece-se como padrão com a passagem dos anos. O lado físico e real que se apresenta sobre a matéria da tela confunde-se cada vez mais com o místico, com o espiritual, com o inatingível. Rothko não era um homem de grandes convicções religiosas. Era um intelectual, um pensador, talvez mesmo um anarquista que se deixou ir ao suicídio. Os seus imensos quadros mostram a sua alma, os seus sentimentos, os seus ditos sem palavras. Como em «Black On Grey», pintura de 1969/70 com 203,8x175,6 cm. Nela sentimos a cor da alma quando a ausência eterna de alguém nos preenche os momentos. Com eterna saudade, dedico esta memória ao meu pai (que perdi há 11 anos) e à minha mãe (que perdi há 6 meses). A memória e a emoção perdurarão pela vida.

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2007/05/18

renasce uma estrela

Sai já a 4 de Junho «Stardom Road», o novo álbum de Marc Almond. A 22 de Junho começará em Glasgow a sua apresentação ao vivo que terá um momento especial quando, depois de passar por Manchester e Bristol, chegar a Londres a 9 de Julho. Aí, o encontro está marcado para o Shepherds Bush Empire, um histórico teatro construído em 1903 e com capacidade máxima para apenas 2000 espectadores, onde todos os presentes irão sem dúvida cantar-lhe as congratulations na noite do espectáculo, que coincide com o seu (já) 50º aniversário.
«Stardom Road», este novo disco gravado para a Sanctuary Records, recolhe as participações de elementos de Antony and the Johnsons e dos Saint Etienne, entre outros, além de uma orquestra com 50 músicos, e incluirá versões de 12 clássicos pop que influenciaram a carreira musical do ex-Soft Cell («Strangers In The Night» ou «I Close My Eyes And Count To Ten» são dois dos títulos mais sonantes). Marc Almond escreveu ainda «Redeem Me (Beauty Will Redeem The World)», o tema que certamente melhor marcará o seu renascimento.

2007/05/17

homophobia

being the true tale of a young gay man who was kicked to death outside a toilet in bradford ... homophobia ... up behind the bus-stop in the toilets off the street / there are traces of a killing on the floor beneath your feet / mixed in with the piss and beer are bloodstains on the floor / from the boy who got his head kicked in a night or two before // homophobia the worst disease / you can't love who you want to love in times like these / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // in the pubs clubs and burgerbars breeding pens for pigs / alcohol testosterone and ignorance and fists / packs of hunting animals roam across the town / they find an easy victim and they punch him to the ground // homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // the siren of the ambulance the deadpan of the cops / chalk to mark the outline where the boy dropped / beware the holy trinity church and state and law / for every death the virus gets more deadly than before / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these.

«Homophobia» é o título de uma canção dos Chumbawamba incluída no álbum «Anarchy», de 1994 (One Little Indian Records). Hoje, 17 de Maio, comemora-se o Dia Internacional Contra a Homofobia.

Texto via Chumbawamba
Imagem via Work Hard Public Relations
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dia internacional contra a homofobia

Todos os anos, a 17 de Maio celebra-se o IDAHO - International Day Against Homophobia. Para assinalar a chegada dessa data, as Panteras Rosa realizaram já ontem uma acção pública defronte do Ministério da Saúde, em Lisboa, alertando e questionando sobre a discriminação exercida sobre os dadores de sangue que se declarem homossexuais. O grupo de manifestantes contava com a presença de médicos e activistas cobrindo todo o espectro das orientações sexuais. Esta acção teve um carácter simbólico, sendo sustentada com base na credibilidade dos argumentos, como bem explicaram as Panteras Rosa nas suas intervenções.
O Dia Internacional Contra a Homofobia teve origem no Quebeque (Canadá) em 2003, tendo sido promovida pelo escritor francês Louis-Georges Tin (autor do «Dictionnaire de l'Homophobie», Presses Universitaires, França) em associação com a ILGA. Também a 18 de Janeiro de 2006, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu subscreveu uma resolução sobre a homofobia na Europa "considerando que são necessárias outras acções tanto a nível da União Europeia como a nível dos Estados-Membros para erradicar a homofobia e promover uma cultura de liberdade, de tolerância e de igualdade entre os cidadãos, assim como no âmbito da sua ordem jurídica" e "insta os Estados-Membros a adoptarem disposições legislativas para pôr fim à discriminação de que são vítimas os parceiros do mesmo sexo em matéria de sucessão, de propriedade, de locação, de pensões, de impostos, de segurança social, etc". Em Portugal continuamos ainda à espera...

2007/04/30

20 anos de amor

Há 20 anos partimos do cais da estação para a nossa primeira noite de muitas noites que se seguiriam e seguirão. Do Porto a Braga foi um instante mas mesmo assim a noite não chegava e tudo acontecia lentamente como se fizesse parte de uma história encantada que tem que se contar devagar, que tem que se ouvir devagar, com vagar, para que se entenda e encante. Nela, tu e eu éramos os únicos heróis: tu, o meu e eu, seguramente, o teu. Assim não fosse, não nos teríamos perdido nos braços um do outro, nos lábios um do outro, no corpo um do outro, no mundo um do outro e não teríamos feito dessa noite a noite mais feliz das nossas vidas. Pode dizer-se que te afogaste no meu corpo, mas eu também me afoguei no teu. E na doçura dos nossos vinte anos fizemos todas as juras de amor que podem ser feitas. Ainda cá estamos e aqui pouco mais posso acrescentar do que um grande beijo para o meu querido amor! Até logo...

Imagem de Pierre et Gilles via MarkRobot
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2007/04/24

keith haring: a arte é uma arma

1958 foi o ano do nascimento de Keith Haring, a 4 de Maio. Entre 1976 e 78 estudou design gráfico em Pittsburg, notando-se-lhe uma forte disponibilidade para as artes plásticas e para a intervenção, o que se tornaria mais evidente no início dos anos seguintes. É por essa altura que ele parte para a Big Apple de Andy Warhol e Allen Ginsberg, talvez duas das figuras que mais o marcaram e de quem se torna amigo. Nas ruas e nos corredores do metro de Nova Iorque foi deixando os seus graffitis, as suas mensagens sobre sexo e liberdade. Era homossexual e tal facto tomou expressão gráfica na maior parte dos seus trabalhos (ao lado «Glory Hole», de 1980). O Club 57, na East Village, dá-lhe espaço e torna-o reconhecido. Pouco depois é levado a participar em exposições e intervenções em Barcelona, em Paris, Berlim, Amesterdão, S. Paulo ou mesmo Sydney. A deliciosa canção «I'm Not Perfect (But I'm Perfect For You)» foi apresentada em 1986 pela sexy Grace Jones com o corpo pintado por Keith Harring. Este viveu os últimos anos da década de 80 com sida e morreu a 16 de Fevereiro de 1990, pouco tempo depois de se criar a fundação com o seu nome. Tinha 31 anos de idade, 2 a menos do que uma revolução que terá acontecido em Portugal e que se volta agora a recordar.

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2007/03/21

canção em forma de poema

No Dia Mundial da Poesia também é tempo para ler um poema ou ouvir uma canção. Como esta:

Good times for a change / See, the luck I've had / would can make a good man / turn bad. / So please please please / let me, let me, let me / let me get what I want / this time. / Haven't had a dream in a long time / See, the life I've had / would can make a good man bad. / So for once in my life / let me get what I want / Lord knows it would be the first time / Lord knows it would be the first time.

«Please, Please, Please, Let me Get What I Want», de Morrissey (The Smiths), 1984, em «Hatful of Hollow» (Rough Trade Records).

Texto de Morrissey, via Passions Just Like Mine
Imagem de Joe Oppedisano via Les Ombres
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2007/03/19

a poesia é uma arma

Quando na poesia se fala da vida militar, também ela pode ser uma arma:

G3: É o teu desejo de mim que te faz ver-me diferente dos outros, / pois eu visto também de verde e empunho a arma da mesma maneira cruel. / Não gosto de piadas de caserna, com o cheiro forte dos pés dos camaradas a enjoarem-me o espírito. / Procurei os teus olhos, vi-os verdes de azuis que são pelo amarelo da cerveja. / Escondi um sorriso com a espuma. / Na porta, olhaste-me tão longamente que me senti nu. / A metralhadora repousa nos meus joelhos. Falo frio desarmado. / A boina mal me esconde a testa de louco. / A farda sabe que mente. / Que não sou soldado. / Que sou? Para que perguntas? / Chamam o nosso pelotão; também me perguntam se eu vou. / E então eu não haveria de ir, contigo?

«Marinheiros - Peixeiras - O Mesmo Cheiro», de Rui Reininho, 1983, em «Sifilis Versus Bilitis» (& etc).

Segunda à noite, descansando sobre uma cama de ferro, circundado por paredes mal caiadas e recrutas verdes. Armários perfilados, vozes à solta, gillettes ferrugentas, champôs, odor a urina e suor. / É a minha segunda semana militar, o segundo dia de um novo período de esforços, acrobacias, fardas enlameadas, instruções, botas engraxadas, olhares discretos, formaturas, revistas, ... / Continuo sem entender como fui incorporado, tantos meses decorridos sobre a inspecção: as minhas reacções viris perante esbeltos e excitantes corpos masculinos insistem, quase sistematicamente, em denunciar-me! Mas correu tudo regularmente - agora também -, crendo bem ser já capaz de controlar esses impulsos. / Agora, nada mais me resta do que aproveitar o desfilar inocente de perfis desnudados, circunspectamente apreciando o encanto das suas formas, dos seus tesouros, reconditamente imaginando encontros proibidos de prazer.

«Encontros Proíbidos de Prazer», de Luís Adonísio, 1987, em «O Canto do Rouxinol» (edição de autor).

Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, a 21 de Março, o documentário «Autografia» será exibido pelas 22 horas no Teatro do Campo Alegre, no Porto, com leitura de poemas do grande Mário Cesariny. Um dia antes, mas bastante mais cedo (pelas complicadas 18 horas) vai ser dita poesia sob a direcção de Rui Reininho no átrio da Reitoria da Universidade do Porto. Estas coisas não se deveriam perder...

Textos de Rui Reininho e Luís Adonísio
Imagem de Robert Nettarp! via Gayya Kusysu
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2007/03/08

andy

É um génio. Foi-o. Ele, que não é ela. Ou ela, aqui, que foi quase sempre ele, lá, no seu atelier todo pintado de prateado. Este (ou esta) foi um Warhola que se tornou famoso sem o a no fim, mas com Andy como primeiro nome e muitas beldades por perto (o Joe Dallesandro, ahh!!!). Eram os anos 60 de Nova Iorque onde a arte nunca teria sido alguma vez tão popular, sem ele. Também o mundo não o teria sido sem Ela, essa figura omnipresente e essencial que é a Mulher. E, porque hoje é o Dia Internacional da Mulher, aqui fica a ilustrar o elogio uma mera imitação feliz. Mas nada mais do que isso, porque homens são homens e mulheres são mulheres, salvo excepção, para nosso contentamento. Desta figura há mais variações para ver pelo link do título: são auto-retratos de 1981, que estão compilados num livro que merece atenção. Como todas as mulheres deste mundo...

2007/02/22

papoilas, saudade e gustav klimt

Em 1862 nasce na Áustria Gustav Klimt. Tinha 14 anos quando foi estudar desenho ornamental para a Escola de Artes Decorativas de Viena. Aqui mostrei a sua obra e era agora tempo de acrescentar algo mais: a obra de Klimt inclui principalmente óleos, murais e desenho. A Galeria da Secessão (resultante do movimento que ele ajudou a fundar) é um dos locais onde se encontram os seus trabalhos. Também podem ser apreciados nos painéis que fez para a Universidade de Viena em 1883, ou para a casa de Adolphe Stocklet onde experimentou uma mudança de estilo que introduzia a repetição geométrica. Em 1907 mostra o seu lado erótico, ao retratar-se com Emile no imortal «O Beijo». Já o quadro «Dánae» revela uma mulher ruiva adormecida entre moedas de ouro e uma torrente de esperma. O expressionismo chega e apaga o dourado dos quadros de Klimt, que ruma a Paris e conhece Toulouse-Lautrec e o fauvismo. Pinta «O Chapéu de Plumas Negras», «A Virgem», «A Vida e a Morte» e paisagens campestres que são, de todas, as minhas preferidas. Não se afasta do erotismo nem do cubismo, a nova corrente de arte a que não fica de todo alheio. A mãe morre-lhe em 1915 e a sua paleta fica fria e monocromática. Deixa-nos 3 anos depois com duas obras por acabar: «O Retrato de Johanna Staude» e «A Noiva». Para a minha Mãe, que partiu há 3 meses, eu deixo hoje este «Campo de Papoilas» com muita saudade.

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2007/02/13

my funny valentine

O compositor Richard Rodgers e o letrista Lorenz Hart estiveram por detrás do sucesso original que imortalizou a canção «My Funny Valentine» estreada a público em 1937, na comédia «Babes in Arms». A cantora, actriz e modelo alemã Nico, que Andy Warhol juntou aos seus Velvet Underground, deu-lhe outra alma em 1985, no álbum «Camera Obscura», de forma que eu acho ainda a mais bela de todas. Como o retrato, que lhe foi feito pelo poeta, fotógrafo e cineasta Gerard Malanga em 1966, nos anos de ouro de Nova Iorque. Tenho o prazer de relembrar a canção e as figuras que lhe associo nesta passagem de mais um dia 14 de Fevereiro. O de S. Valentim, o dos namorados, o dos amantes, o de todos os valentins. O tempo assim convida...

My funny valentine
Sweet comic valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet youre my favourite work of art.

Is your figure less than greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But dont change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine stay
Each day is valentines day.

Is your figure less than greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But dont you change one hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine stay
Each day is valentines day.

Feliz dia de S. Valentim, amor querido!

coxworthy, o do valentim engraçado

Tem 24 anos de idade e vive algures nos Estados Unidos da América. Foi aqui que descobri Coxworthy, o ainda jovem artista que gosta de namorar e de ouvir música. Nas artes plásticas prefere os lápis de cor, ou os pincéis tingidos com os acrílicos e os óleos, mas não consegue estar muito tempo longe do computador, onde a sua obra ganha um atractivo esplendor graças a uma cuidada e criativa intervenção que passa pelo uso das ferramentas digitais da Adobe. À esquerda temos a imagem que ele intitulou de «Valentine» a propósito do mito feliz de S. Valentim, o mártir católico da Roma Imperial que sempre se recorda a 14 de Fevereiro como padroeiro do amor romântico. O artista sabe-o e deixa-nos as suas próprias palavras sobre a obra e a data: "Hope everyone had a good valentine! And that cupid got ya! :D". É escancarado e engraçado o sorriso. «My Funny Valentine, sweet comic Valentine...» faz especial sentido, mais uma vez!

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2006/12/28

hergé, tintim por tintim

Poucos sabem quem foi Georges Rémi (1907-1983), mas já Hergé (correspondente a RG, as iniciais de "Rémi, Georges") não estará longe de associação imediata ao nome de Tintim, o jovem aventureiro que nos roubou muitas horas de sono com as suas reportagens pelos quatro cantos do mundo. Georges nasceu na Bélgica, mas foi do seu irmão Paul que veio a inspiração para a figura de Tintim, que seria vista pela primeira vez em 1929. Apesar de as aventuras de Tintim se terem popularizado com edições dos seus livros em mais de 40 línguas, Hergé esteve por detrás da criação de outras histórias em quadradinhos com figuras como Quike, Flupke, Jo, Zette e Jocko. Foi elogiado como um Walt Disney europeu e influenciou os mais importantes ilustradores, notadamente nas figuras de Asterix, Lucky Luke, ou Blake e Mortimer. Aos 50 anos de Tintim até Andy Warhol, na Nova Iorque de 1979, lhe realiza uma série de retratos-homenagem. Em 2007 vão completar-se os 100 anos sobre o nascimento do artista e o Centro Pompidou, em Paris, presta-lhe uma nova homenagem que vai até 19 de Fevereiro (ver aqui). Considerado sem discussão como um dos maiores artistas do século XX, o exterior do belo edifício desenhado pelos arquitectos Renzo Piano e Richard Rogers é agora adornado com uma tela gigante de 40 metros que convida a viajar no foguetão das fantasias de RG.

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2006/12/23

boas festas



o natal com oliviero toscani

Mesmo quem não conhece o fotógrafo italiano Oliviero Toscani (1942) não pode dizer que não observou já uma ou duas das suas polémicas imagens publicitárias, pelo menos. Toscani fundou com o designer norte-americano Tibor Kalman, ainda nos anos 90, a revista Colors (que pode ser consultada aqui) e notabilizou-se como autor de muitas das mais famosas fotografias ligadas à marca Benetton (lembram-se da imagem do jovem sacerdote e da cândida freira que se beijavam apaixonadamente nos lábios; ou dos preservativos coloridos, ao tom das United Colors of Benetton; ou até dos três corações dissecados e identificados "white / black / yellow"?). Nos anos mais recentes foram as fotos que fez para a marca de moda Ra-Re (ao lado está uma delas) que mais se evidenciaram. Como no poema do Gedeão, também a discussão faz (ou deveria fazer) o mundo avançar e o trabalho deste fotógrafo promove-a a todo o instante. E eu creio que não é inocente a utilização neste período de Natal da composição exemplificada: por mais uma vez (e de forma não pouco polémica) a discussão do conceito de família volta a ter lugar. Para mim serve-me: este e o tradicional. Por isso também, umas Boas Festas para todos vós!

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