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2006/01/27

barbara récital pantin 81

De vez em quando reencontro-me com as mulheres da minha vida. As mulheres da minha vida, em canções e filmes, acompanharam-me as alegrias e as tristezas, mas sobretudo acompanharam e alimentaram os meus sonhos, desmedidos, de criança, de rapaz, de criança, de adolescente, de criança, de adulto... de criança. Quando me reencontro com as mulheres da minha vida, reencontro-me com os sonhos da minha vida — fragmentos só já, às vezes; outras apenas fantasmas. Por alguma estranha razão (o sofrimento talvez, vivido ou antecipado), as mulheres da minha vida são as mulheres da vida de muitos outros homens que com elas comungam. Por alguma outra razão, a maior parte desses homens amam outros homens... Quatro mulheres em quatro concertos, em particular, marcaram indelevelmente os meus sonhos de vida: Judy Garland, e depois Liza Minnelli no Carnegie Hall; Marlene Dietrich no New London Theatre e Barbara no recital Pantin. Estes quatro concertos registam a actuação de artistas maiores, em plena maturidade, em momentos irrepetíveis. O recital «À Pantin» de Barbara, que acabo de reouvir, revela uma cantora que já não depende da voz e, também por isso, com uma capacidade de interpretar e comover muito rara; um repertório de uma beleza intocável e um francês cantado com tal poesia que nos lembra porque é que esta língua educou o mundo. Citando Barbara, "On ne touche pas à Pantin!".

2006/01/11

dvds: depeche mode 101

Primeiro, Vince Clarke e Martin L. Gore formaram o duo French Look, em 1979. Depois mudaram-lhe o nome para Composition of Sound. Finalmente, em 1980, os Depeche Mode nasciam em Basildon, Essex (Reino Unido), com três rapazitos a dar o mais criativo de si: Andy Fletcher (guitarra e voz), Martin L. Gore (guitarra e voz) e Vince Clarke (sintetizadores e voz). O novo nome do grupo só seria firmado no ano seguinte, e retirado da conhecida revista francesa de moda, do mesmo nome. Ainda nesse ano, o trio afastou as guitarras para um segundo plano, tornando-se num grupo quase inteiramente electrónico. As mudanças foram reforçadas com a entrada de um vocalista: Dave Gahan (na foto, o quarteto de 1981, com Fletcher, Gahan, Gore e Clarke).
Mesmo apesar de tanta mudança, este era ainda o princípio. As "demos" em cassete não surtiam qualquer efeito nos meios editoriais da capital inglesa e o grupo mantinha-se quase permanentemente em ensaios privados e no aperfeiçoamento das suas canções pop que puxavam para a dança. Era um grupo estranho para a época, pois as correntes musicais apontavam ora num sentido menos dançável quando se falava de música alternativa, ora em direcção menos alternativa quando se falava de música de dança.
Foi pelo convite de um outro "desenquadrado" que os Depeche Mode tiveram um golpe de sorte: Fad Gadget, que gravava para a Mute Records, actuava em Londres e os "Depeche" foram convidados para fazer a primeira parte. O boss da Mute, Daniel Miller, viu-os pela primeira vez e gostou. O grupo foi contratado, fez alguns singles e um álbum, foi preparando outro, e tudo isto empurrou-o para a estrada e fez vedetas de cada um dos seus músicos. Pequenas ainda, mas vedetas mesmo assim.
Só que daí veio um problema: o principal teclista, Vince Clarke, era um "rato de estúdio". O que ele queria era compor e gravar, não actuar em palco, aqui, ali e além... Como tal, decide sair e formar a sua própria banda (de novo em duo, tal como antes acontecera nos The Assembly e nos Depeche Mode iniciais, agora de novo com os Yazoo, mais tarde com os Erasure, onde se mantém há muitos anos com Andy Bell).
Em 1988, os Depeche Mode procuram a sua afirmação nos Estados Unidos, onde eram já conhecidos e seguidos por uns quantos fãs. A 18 de Junho tocam em Pasadena e esse concerto, talvez o mais memorável da sua carreira longa e bem sucedida, ficou registado para a posteridade. No ano seguinte é editado como LP e CD duplos, sob o título «101», que correspondia à referência do disco na série da editora. Na mesma altura, os duplos áudio têm também edição equivalente numa cassete VHS.
Em 2005 surge finalmente a versão para DVD (o formato do momento), contendo como disco 1 o intitulado «101», ou seja o filme de D.A. Pennebaker, Chris Hegedus e David Dawkins, e como disco 2 o que foi designado por «Live at The Pasadena Rose Bowl June 18th 1988» e que corresponde ao concerto referido atrás. Por comparação com o duplo CD (a versão original, ainda numa elaborada embalagem "digipack") verifica-se a ausência dos temas «Sacred», «Something to Do», «Things You Said», «Shake The Disease», «Nothing», «People Are People», «A Question of Time» e «A Question of Lust». O CD original conta 20 temas e o DVD nº 2 apenas 12. Ficaram de fora, portanto, as 8 que referi, o que faz do duplo CD um formato complementar ao DVD, ou o contrário.
1988 foi há 18 anos atrás e já muito aconteceu no mundo da música e nos Depeche Mode. O grupo (agora de novo em trio, uma vez que Alan Wilder abandonou a formação, onde substituiu Clarke entre 1982 e 1995) mantém-se activo e em forma, actuando de novo em Portugal já a seguir em 8 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico (Lisboa). Um belo concerto será, certamente!
No que respeita aos nossos DVDs, com a chegada dos Depeche Mode os títulos disponíveis começados pela letra D ficam agora a ser (título / autor / género / lançamento / edição):
  • David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
  • Depeche Mode: 101 / Depeche Mode / música / 2005 / 2005
  • Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2003 / 2003

2006/01/06

dvds: pink narcissus

Já chegou cá a casa, em formato DVD (que virá certamente substituir a nossa velha cassete de VHS, comprada em Londres há já mais de 15 anos, ela própria um objecto de colecção), a nova edição daquele que é considerado como o maior clássico camp de culto de todos os tempos: o filme «Pink Narcissus», do fotógrafo e cineasta James Bidgood.
Remasterizado digitalmente a partir da mais completa cópia que se conhece, esta nova edição é engrandecida com um documentário especialmente interessante: «The Queer Reveries Of James Bidgood», ou seja, uma tentativa de biografar e apresentar ao mundo o artista quase desconhecido que transformou o belo e jovem actor Bobby Kendall num ícone poético da Nova Iorque gay e criativa dos anos setenta.
O original do filme data de 1971, época em que se usavam os formatos Super-8 e 16mm, que eram os preferidos de James Bidgood. Na versão actual, remasterizada, o grão fotográfico característico desses pequenos filmes amadores da época mantém-se em todo o caso visível. Mas esse é um mal menor porque este é sem a menor dúvida um clássico do cinema underground em geral e gay (ou queer) em especial. Ele tem reminiscências da teatralidade excepcional de Lindsay Kemp e do cinema vertiginoso de Kenneth Anger e, por outro lado, terá mesmo sido uma inspiração provável para artistas da actualidade tão importantes quanto Jean-Daniel Cadinot, Pierre et Gilles, Bruce LaBruce ou mesmo João Pedro Rodrigues.
O "Narciso cor-de-rosa" (assim se poderia traduzir para português) explora uma visão kitsch das fantasias de um jovem prostituto, de uma beleza assombrosa. Pode ser encontrado em DVD na BQHL Éditions ou num delicioso livro-objecto da Taschen. O livro já o tínhamos. Com a chegada do DVD, os títulos disponíveis começados pela letra P ficaram então a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • Pet Shop Boys: Pop Art / Pet Shop Boys / música / 2003 / 2003
  • Pet Shop Boys: Somewhere / Pet Shop Boys / música / 1997 / 2003
  • Phantom of the Paradise / Brian De Palma / musical / 1974 / 2002
  • Pink Narcissus / James Bidgood / erótico / 1971 / 2005
Marcamos uma sessão "rosa-choque"?...

2005/12/28

dvds: eyes wide shut

«Eyes Wide Shut» (título que na intenção original deve significar algo algo próximo de "olhos amplamente fechados" — talvez porque vêem em toda a amplitude o que não deveriam ver nem podem revelar), em Portugal traduziu-se por «De Olhos Bem Fechados» — o que parece corresponder mais fielmente à expressão idiomática inglesa (obrigado, Diana!) ou à interpretação de que toda a história se desenvolve ao longo de um sonho que se confunde com a realidade (obrigado, Zé!)... Seja como for, creio que nenhum tradutor ou catalogador deveria dar-se à liberdade (porque do direito nem se fala) de alterar a intenção do artista, sobretudo quando a intenção consegue sobreviver à tradução e à catalogação. E não haverá dúvidas que o artista, neste caso, é mesmo intocável: Stanley Kubrick.
Este é o resumo da apresentação do DVD: "O audaz filme final de Stanley Kubrick tem muitos significados. É uma envolvente viagem de obsessão sexual. Uma atmosfera quase irreal. Uma história crivada de suspense. E um digno capítulo final para uma brilhante carreira de realizador (Roger Ebert, Chicago Sun-Times). Pelas suas brilhantes e aplaudidas representações, as estrelas Tom Cruise e Nicole Kidman têm aqui, também, um marco inesquecível nas suas carreiras. Cruise é o Dr. William Harford, um médico nova-iorquino que transforma uma fatídica noite de inverno numa busca erótica que ameaça o seu casamento — e que o pode levar, inclusive, a ser relacionado a um misterioso e sinistro assassínio — depois da sua mulher (Kidman) ter admitido uma atracção erótica por outro homem. Enquanto a história vagueia desde a dúvida e receio à descoberta interior e reconciliação, Kubrick orquestra-a com a mestria e detalhe que só ele soube dar à arte de filmar. Cenas elegantemente filmadas, ritmos controlados, riqueza de cores, imagens surpreendentes: traços peliculares que nos deixam de olhos bem abertos ao legado para o futuro que representa a obra de Kubrick."
Com este, os DVDs cá de casa com títulos começados pela inicial E passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) / Stanley Kubrick / thriller / 1999 / 2005
Esta semana, nos cinemas, «A Noiva Cadáver» de Tim Burton (ver neste blogue a entrada de 2005/12/07, «felizes bodas fúnebres») e «Odete» de João Pedro Rodrigues são dois filmes em estreia que não deverão ser perdidos sob pretexto algum. Palavra de quem vai vê-los e, certamente, adicioná-los mais tarde à colecção.

2005/12/21

as primeiras imagens

Já consigo imaginar as bocas abertas em bocejo, as críticas à escolha do elenco e outras tantas objecções e indiferenças, mas confesso que, pela minha parte, o entusiasmo com que vi o primeiro trailer de «The Da Vinci Code» é quase igual ao entusiasmo com que fui procurar o livro pela primeira vez àquela loja grande que os jornalistas gostam muito de publicitar (a resposta, na altura, foi que não tinham o livro nem seria provável que o viessem a importar). Adiante. Também eu torci o nariz ao realizador (Ron Howard) e ao protagonista (Tom Hanks), mas as primeiras imagens do filme fazem-me dar-lhes o benefício da dúvida: o ritmo e a montagem do trailer, se forem indicativos do que foi feito com a longa metragem, são promissores; quanto ao Tom Hanks, dá a impressão que ele próprio sabia que a sua figura não encaixava com a do historiador-detective e, por isso ou por necessidade de reinvenção profissional, parece ter feito um esforço considerável e provavelmente bem sucedido de construção da personagem. Enquanto não chega Maio, fica o link para o trailer no título deste post.

2005/12/17

dvds: o fantasma

“Uma noite os seus olhos encontram o fantasma dos seus sonhos e acorda na obsessão do amor. Enfeitiçado, espia-o. Remexe-lhe no lixo. Segue-o. Invade-lhe a casa. Urina-lhe a cama, marcando o território como um cão. Agora não comanda o jogo mas avança, mesmo sabendo que só pode perder. O cerco fecha-se. E as mãos que queriam acarinhar ficam algemadas, viciadas na rejeição. Só lhe resta a vingança. A máscara do desejo, o fato de borracha negra, transforma-se na sua última morada. Refugia-se no caos, nos restos que o mundo já não quer. Está sozinho. Já não é deste mundo.”
Foi aplaudido e premiado em festivais de cinema além-fronteiras. Amado por uns e odiado por outros. É o filme de João Pedro Rodrigues, estreado há 6 anos, com Ricardo Meneses no principal papel e a música perturbante dos Suicide. Tinha já edições em França, nos Estados Unidos e no Japão. Finalmente «O Fantasma» tem já edição portuguesa em DVD.
Com este, os DVDs cá de casa passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • 24 Hour Party People / Michael Winterbottom / musical / 2002 / 2003
  • A Importância de Ser Ernesto / Cliver Parker / romance / 2002 / 2003
  • Antes que Anoiteça / Julian Schnabel / drama / 2000 / 2002
  • Ao Sabor das Ondas / Guy Ritchie / romance / 2002 / 2003
  • Bent / Sean Mathias / drama / 1996 / 2003
  • Cabaret (30th Anniversary Special Edition) / Bob Fosse / musical / 1972 / 2002
  • Cidade de Deus / Fernando Meirelles / drama / 2002 / 2003
  • David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
  • Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2003 / 2003
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Fausto 5.0 / La Fura dels Baus / drama / 2001 / 2005
  • Feliz Natal Mr. Lawrence / Nagisa Oshima / drama / 1983 / 2004
  • Kaija Saariaho: L'Amour de Loin / Kaija Saariaho / ópera / 2005 / 2005
  • Ken Park — Quem És Tu? / Larry Clark / drama / 2002 / 2004
  • Laranja Mecânica / Stanley Kubrick / ficção-científica / 1971 / 2002
  • Lisboa Reloaded / vários / música / 2005 / 2005
  • Madonna: Drowned World Tour / Madonna / música / 2001 / 2001
  • Madonna: Music / Madonna / música / 2000 / 2000
  • Madonna: The Immaculate Collection / Madonna / música / 1991 / 1999
  • Madonna: The Video Collection 93:99 / Madonna / música / 1999 / 1999
  • Marlene Dietrich: An Evening with Marlene Dietrich / Marlene Dietrich / música / 1972 / 2003
  • Morrissey: Hulmerist / Morrissey & The Smiths / música / 1990 / 2004
  • Mulholland Drive / David Lynch / drama / 2002 / 2002
  • My Beautiful Laundrette / Stephen Frears / drama / 1985 / 2001
  • Nossa Senhora dos Matadores / Barbet Schroeder / drama / 2000 / 2004
  • O Estranho Mundo de Jack (Edição Especial) / Tim Burton / animação / 1993 / 1999
  • O Fantasma / João Pedro Rodrigues / drama / 2000 / 2004
  • Os Pássaros / Alfred Hitchcock / thriller / 1963 / 2001
  • Os Sonhadores / Bernardo Bertolucci / romance / 2004 / 2004
  • Pet Shop Boys: Pop Art / Pet Shop Boys / música / 2003 / 2003
  • Pet Shop Boys: Somewhere / Pet Shop Boys / música / 1997 / 2003
  • Phantom of the Paradise / Brian De Palma / musical / 1974 / 2002
  • Samuel Beckett: Beckett on Film / Samuel Beckett / teatro / 2002 / 2003
  • Sex Pistols — O Filme (The Filth and the Fury) / Julien Temple / documentário / 2000 / 2005
  • Sinais de Fogo / Luís Filipe Rocha / drama / 1995 / 2003
  • Smiths: The Complete Picture / The Smiths / música / 1992 / 2003
  • The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover / Peter Greenaway / drama / 1990 / 2003
  • The Pillow Book / Peter Greenaway / drama / 1996 / 2003
  • Tudo Sobre a Minha Mãe / Pedro Almodóvar / drama / 1998 / 2001
  • Ubus / Alfred Jarry & Ricardo Pais / teatro / 2005 / 2005
  • Um Coração Selvagem / David Lynch / drama / 1990 / 2003
  • Um Hamlet a Mais / William Shakespeare & Ricardo Pais / teatro / 2004 / 2004
  • Velvet Goldmine / Todd Haynes / musical / 1998 / 2003
  • Violência e Paixão / Luchino Visconti / drama / 1974 / 2002
  • World Shut Your Mouth / vários / música / 2002 / 2002
Em breve haverá mais!...

2005/12/08

amizade e amor: viva john lennon!

8 de Dezembro assinala mais um aniversário do desaparecimento de John Lennon, o ex-Beatle que teria agora 65 anos, se fosse ainda vivo. Figura proeminente da cultura musical do século XX, o seu nome ficou para sempre associado ao de Yoko Ono, a dedicada esposa japonesa que muitos "acusaram" de ser a causa da separação dos fab four de Liverpool.
O primeiro casamento de John foi com Cynthia Powell (mãe de Julian Lennon), em 1962. Yoko só entraria na vida de John em 1966, quando se conheceram na sua apresentação artística em Londres, na galeria Indica. O romance iniciar-se-ia em 1968, coincidindo com o divórcio de Cynthia, e o casamento teve lugar em 69 (deste nascendo Sean Lennon, em 1975). Como é sabido, John e Yoko foram talvez o casal mais mediático dos anos 70 e êxitos discográficos como «Woman» são incontornáveis retratos da imensurável paixão que os uniu.
Mas conta-se que um outro amor — para além de Cynthia e Yoko — teria marcado também a sua vida: Brian Epstein, o agente dos Beatles (6 anos mais velho que Lennon) que, segundo especulações, teria romanceado durante uma "escapadela" dos dois a Barcelona, em Abril de 1963. Por essa altura Lennon, casado com Cynthia, teria 22 anos e Brian 28 (este viria a falecer apenas 3 anos depois, em 67, de overdose).
É certo que Lennon sempre negou esse alegado romance, mas diz-se ainda hoje que a sua canção «You've Got to Hide Your Love Away» seria inspirada nas emoções da época: "Here I stand head in hand § Turn my face to the wall § If she´s gone I can't go on § Feelin' two-foot small. § Everywhere people stare § Each and every day § I can see them laugh at me § And I hear them say: § Hey you've got to hide your love away. § How could I even try § I can never win § Hearing them, seeing them § In the state I'm in. § How could she say to me § Love will find a way § Gather round all you clowns § Let me hear you say: § Hey you've got to hide your love away." Se a letra da canção não explica tudo de forma evidente, a narrativa ficcionada explorada no filme «The Hours And Times», de Christopher Münch (link para o filme no título), parece fazer luz sobre a viagem a Barcelona e poderá servir para esclarecer os mais interessados.
A exactidão do que se terá passado na famosa jornada à Catalunha talvez não seja hoje o mais importante. De facto vale a pena recordar hoje, também aqui e ainda a propósito do tema amizade e amor, um dos maiores amadores das últimas décadas: John Lennon!

2005/12/07

felizes bodas fúnebres

Com toda a alegria que nos vai na alma a propósito dos "casamentos homossexuais" em Inglaterra, os projectos para "os" da África do Sul e os avanços "nos" da Bélgica, não podemos esquecer-nos das bodas fúnebres do dia 22 de Dezembro: a estreia de «Corpse Bride» de Tim Burton nas salas de cinema portuguesas. E a vanguarda aqui, embora de outro tipo, é tão entusiasmante como a outra de que temos vindo a falar. O novo filme do génio do gótico pós-moderno, construído a partir de um antigo conto russo, utiliza uma vez mais (depois de «Vincent» e «The Nightmare Before Christmas») a técnica do "stop-motion" — os bonecos que se manipulam milimetricamente para depois serem fotografados e montados em filme num processo à velocidade de caracol. Desta vez, no entanto, a precisão da imagem faz parecer que a animação é gerada por computador e não pela paciência; mas afinal é só o artesanato a saltar para o século XXI, com câmaras digitais a substituir o filme e o Final Cut Pro da Apple a dar uma mãozinha. E o resto, não tenho dúvidas, será poesia.

2005/11/24

brokeback mountain na internet

Enquanto o filme não chega (e em Portugal só estreia em Fevereiro de 2006), o site de «Brokeback Mountain» acaba de inaugurar conteúdos (link no título deste post). Para quem ainda não sabe, «Brokeback Mountain» é o novo filme de Ang Lee («Crouching Tiger, Hidden Dragon»), que venceu o Festival de Veneza depois de ser rejeitado em Cannes, que é um dos fortes candidatos aos Oscars, e que conta a história da amizade entre dois cowboys — do companheirismo até à intimidade e o amor. O conto de Annie Proulx que está na base do argumento, originalmente publicado na revista The New Yorker em 1997, acabou por resultar no que todos esperamos ser a primeira grande produção cinematográfica tendo por figura central explícita um par romântico masculino — Heath Ledger e Jake Gyllenhaal a caminho do estrelato e, eu arriscaria mesmo, da lenda. No site oficial pode encontrar-se informação sobre o filme, os actores e a equipa técnica; visita aos bastidores; os indispensáveis wallpapers e screensavers, mais a pré-escuta da banda-sonora, que inclui uma canção de Rufus Wainwright. A não perder, em compasso de espera.