A ideia de que o voto é secreto serve mais para silenciar as nossas discordâncias democráticas do que para promover a democracia. Todos temos o direito de manter secretas as nossas opções pessoais, incluindo o voto, mas também temos o direito (e às vezes o dever) de o tornar "público".
Eu não sou um eleitor fiel a nenhum partido e sempre procuro escolher na boca das urnas aquele que mais se aproximou dos meus interesses, das minhas preocupações, dos meus projectos e das minhas convicções. Mas não vejo essa avaliação só numa perspectiva de proximidade, mas também na perspectiva da viabilidade.
Com isto diria que, neste ponto da situação, o meu voto das próximas legislativas só poderia ser concedido a um de dois "partidos": ou o Bloco de Esquerda (que propôs — e muito bem — o casamento e a adopção de forma igual para todos, independentemente da sua orientação sexual) ou o Partido Socialista (que deixou cair o projecto do Bloco, em votação na Assembleia da República, mas o incluiu entretanto e de forma objectiva no seu actual programa eleitoral).
Também diria que o meu voto não poderia ser dado nas próximas eleições à Coligação Democrática Unitária (a CDU ainda não entendeu que não há nenhuma razão para que os futuros casais do mesmo sexo não possam adoptar crianças), ao Partido Social Democrata (Ferreira Leite e Cavaco Silva juntos são obscurantismo demasiado para mim e para o País), ao Partido Popular ou a qualquer outro.
Como a escolha dos portugueses parece estar definitivamente comprometida entre o PS e o PSD, não creio que o voto no BE seja uma opção que sirva os meus interesses. Nas Europeias votei no BE, para dar vitalidade e sangue fresco à construção da Europa e também um sinal de atenção ao Primeiro-Ministro de Portugal, mas agora votar no BE é dar a vitória a Ferreira Leite! E isso não, nunca!
Não sou pessoa de preparar e enviar textos, filmes ou caricaturas sobre os políticos de que não gosto. Ainda que algumas vezes tenha recebido algumas, ridículas, de pessoas que deveriam ter mais um palmo de testa do que efectivamente têm... e eu tenho muita pena dessas pessoas. Se não tenho a iniciativa de as atingir com provocações engraçadas (que há muitas, é só escolher no catálogo do mau gosto, da
piroseira pura), pelo menos essas pessoas têm contado com a minha resposta para saber que há quem pense diferente delas, quem também tenha ambição e outras perspectivas, mas não usa sistematicamente esses mesmos recursos. Hoje faço-o excepcionalmente com uma brilhante ilustração que parece ser do caricaturista António e que eu uso por via do blogue com ligação no título.
Talvez assim seja possível fazer avançar Portugal um pouquinho mais. E talvez também tu possas ajudar, porque isto diz-nos respeito a todos: a mim, talvez a ti ou até a um filho ou a um neto que possa um dia querer viver e crescer num país mais justo e onde também ele possa ser um cidadão verdadeiramente livre e não discriminado!...