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2007/01/04

adalberto libera: beleza mediterrânica

Para quem gosta de casas invulgares, a Casa Malaparte situada na Punta Massullo da ilha italiana de Capri é uma boa escolha: aumentem a imagem e vejam-na, na majestade dos seus 69 anos de idade. Foi concebida por volta de 1937 pelo arquitecto Adalberto Libera (1903-1963). O seu dono original, Curzio Malaparte, foi um jornalista e escritor que documentou as mudanças políticas e culturais da Itália dos anos 1930-50, inicialmente estando com Mussolini e, depois, com os Aliados. A imensa casa que encomendou a Adalbero Libera continua lá e pode ser localizada com ajuda de navegadores geográficos como o Google Maps: é ver em 40°32′44″N e 14°15′37″E. Há nela uma larga escadaria de um vermelho quente, que é marcante. Eleva-se na falésia como se se tratasse de um obelisco deitado. Após a morte do seu proprietário, a villa foi abandonada e negligenciada, sofrendo estragos significativos. Jean-Luc Godard mostra-a num filme em 1963, mas o primeiro restauro aconteceu apenas no final dos anos 80. Hoje é um belo imóvel onde se mantém muito do mobiliário original (ver mais aqui). Quem me dera olhá-la de fora e de longe que fosse, com uma companhia romântica, a partir de um pequeno iate.

Importado do blogue l'avion rose

2006/09/20

as lagoas azuis dos açores

Temos uma amiga que é dos Açores e de quem há um ano recebemos em nossa casa um belo postal enviado de Santa Maria das Flores. Nele tinha uma deslumbrante fotografia da Lagoa Rasa e, no verso, ela simplesmente escrevera "Guess who!". Claro que não foi difícil de adivinhar quem se nos dirigia de lá, de uma pequena ilha entre a Europa e as Américas... Um ano depois, já neste Verão portanto, chegou-nos outro postal enviado a partir de Angra do Heroísmo. A imagem era bem mais provocadora e ousada, tendo um par de touros de lide da Ilha Terceira com os bichos a esfregar entre si os chifres, como se fosse uma entrega carinhosa num namoro de machos: "a prova de que esta é uma terra muito permissiva", dizia-nos. Como que não bastasse a graça da remetente, desafiava-nos ainda: "que tal começarem a pensar nas próximas férias?!" E assim, na altura ainda mal regressados de uma estadia na praia em Sesimbra, os Açores entraram para os destinos possíveis de uma férias em 2007 (até já sabemos que em S. Miguel existe uma casa que acolhe hóspedes de todas as opções sexuais, que é a Casa da Lanterna). Mas as nossas hipóteses actuais para as vacances do próximo ano são vastas e díspares: Paris, Londres, Madrid, Corunha, Sesimbra e, afinal de contas, também os Açores. Com lagoas tão intensamente azuis, já nem os pequenos sustos como a passagem do furacão Gordon, que agora vai longe, nos desmotivarão de um voo futuro até ao arquipélago que está no meio do Atlântico. Beijinhos, queridas...

2006/08/25

eu queria um segway

Informei-me: em Portugal custam a partir de 6.981,70€ (são 1.400 contos em moeda antiga — cerca de metade do preço de um automóvel), e por cá só estão disponíveis os modelos i2 e x2. Do que falo? Do muito atractivo e prático Segway, um veículo eléctrico e inteligente de transporte pessoal que é também um must para quem aprecia design, estilo e alta tecnologia.
O Segway Human Transporter tem vindo a demonstrar, desde que surgiu em 2001, que é uma interessante alternativa ao automóvel e ao autocarro. Mas a sua introdução nos circuitos públicos tem levantado questões e há países onde a sua circulação só pode acontecer em espaços privados. Há países que já adoptaram em pleno estes veículos (a Espanha é um deles e em Portugal notam-se uns quantos a circular), mas outros mostram-se ainda desconfiados (no Reino Unido são considerados impróprios para vias de peões e, pela legislação europeia, também não podem circular em estrada).
Em resumo, este veículo funciona a electricidade, é assistido por um computador integrado, é leve, silencioso, pouco poluente (excluindo as baterias), tem um custo de consumo reduzido e a necessária potência e autonomia. Vai para quase todo o lado, anda de metro (na foto o modelo p133 é usado dessa forma), dentro de edifícios, de elevador, enfim... Eu só queria que eles fossem mais em conta. Para ter um Segway!... (E é tão mariquinhas, não é?)

2006/08/18

no cavalo marinho

De 10 a 17 de Julho estivemos ausentes, para férias: foi a nossa anunciada Semana de Férias! Pelo segundo ano consecutivo o nosso destino voltou a ser a Casa do Cavalo Marinho, que queremos recomendar a todos que nos são mais próximos.
A Casa do Cavalo Marinho é uma moradia particular de dois pisos, situada na península de Setúbal a poucos minutos da pitoresca vila de Sesimbra e, noutra direcção, da famosa Praia do Meco, conhecida pelo seu extenso areal e pela prática livre e legal do naturismo. Da casa à praia são pouco mais que uns 10 minutos de automóvel (indispensável para as deslocações) e, uma vez chegados, são mais 10 minutos sobre a areia a partir do parque de estacionamento. O ambiente é silencioso, pouco populoso, descontraído e estimulante. Sem vento. O mar é geralmente calmo e as águas tépidas, muito aprazíveis. Na volta vai-se fazendo programa para a noite, que se pode passar por casa, em Sesimbra ou ainda, não muito longe, em Lisboa ou Setúbal (este ano fomos todos numa noite ao Mr. Gay, na Costa da Caparica). A região do Parque Natural da Arrábida, onde se situa a Casa do Cavalo Marinho, é toda ela interessante para promenades, com destaque para as belezas naturais em toda a costa e em particular do Portinho da Arrábida e da sua procurada praia, ou então no Cabo Espichel para o deslumbrante Santuário da Nossa Senhora da Pedra Mua que merece uma visita atenta aos detalhes.
No Cavalo Marinho, a casa tem dois quartos duplos destinados aos hóspedes (o azul, onde sempre ficámos, e o rosa), que são servidos por uma casa de banho comum mas privativa. Nos quartos existe televisão e ar condicionado e um deles tem varanda com vista sobre o jardim e piscina. O ambiente é aberto e amigável, independentemente da orientação sexual de cada um. O Carlos, o Pedro, o Nuno e todos os anfitriões que por lá vão passando e connosco convivendo são especialmente simpáticos, e por isso queremos também deixar claro o nosso agradecimento. A casa é ainda habitada pelas spaniels Laika, Susana e Sissi, que por vezes recebem a visita do amigo boxer Francisco... Bom, o melhor é visitar o site para mais detalhes, até porque ele acabou de ser renovado, e depois estabelecer contacto. Só é pena mesmo que o Carlos ainda não tenha inscrito a casa no guia gay Spartacus. Melhor para nós, assim, afinal!

2006/07/06

sitges romântica

O modernismo marcou a Catalunha do início do século XX através das artes, onde a arquitectura teve um papel preponderante e Antoni Gaudí um expoente reconhecido em todo o mundo. Mas não é da Casa Milà ou da Sagrada Família ou mesmo do Park Güell — as obras maiores de Gaudí — que venho aqui falar, antes de outras obras, de outras edificações, que não ficam muito longe da capital catalã.
Com muito calor à porta e férias no horizonte, o meu destaque de hoje vai todo para a pequena localidade de Sitges, situada a uns 40 quilómetros ao sul de Barcelona (sudoeste, para ser mais rigoroso), onde no Verão de 2001 estivemos instalados alguns dias. Inicialmente, arrastados pela Drowned World Tour da Madonna (o meu companheiro é fã, já todos sabem, e eu vou atrás), escolhemos o Hotel Romàntic (na foto e no link) para ficar. Mas já era tarde demais, o hotel estava já cheio para as datas que nos convinham e acabamos num outro a uns 250 metros da praia, o Hotel Montserrat, agradável também mas bem mais modesto e convencional.
Já o mesmo não se pode dizer de Sitges: nos anos 60 foi o principal pólo da contracultura ao regime ditatorial de Francisco Franco; com a democracia desenvolveu-se e tornou-se num grande centro turístico do Mediterrâneo e, para nosso gozo, uma das maiores atracções gay de todo o mundo. Para quem ainda não conhece, Sitges é sol, praia, gente, gente bonita, muita gente, gastronomia, paisagem, discotecas, afectos, vício para quem o procura. Sitges é romântica e é obrigatória. É para ver e para rever. Para estar e para voltar. Bem acompanhado. Com tempo. Com antecipação.
Sitges é para se viver e recordar!

2006/04/26

um fim-de-semana longo

O fim-de-semana foi longo.
Para além das nossas habituais rotinas, neste fomos de novo ao cinema para ver Harrison Ford a contracenar com o jovem Paul Bettany (o mesmo de «Dogville» e «The Da Vinci Code»), em «Firewall». Um filme que valeu por aquilo que esperávamos dele e que, portanto, não desiludiu e entreteve. Muitos parabéns para o "velho" Harrison, que continua com toda a energia que associamos à figura de um Indiana Jones, como já foi.
Com um dia de trabalho pelo meio (a segunda-feira de 24) foi preciso esperar para nos darmos conta da quase chegada do Verão. Foi essa a sensação com que ficámos ontem (25), ao regressarmos à praia das nossas rotinas de banhos, de Junho a Agosto habitualmente. Já o meio da tarde se aproximava quando nos metemos à estrada, na direcção do sul, de Gaia. E era muito, o trânsito. Mais do que nos recordamos de viagens anteriores, no ano passado, ou mesmo há dois... Gente, muita gente, sobretudo a passear (a pé e de carro) ao longo da costa. Casais gay quase não vimos, mesmo com os bares cheios e poucas mesas disponíveis. Parámos no da "nossa" praia e deixámo-nos deliciar com a paisagem quase esquecida e com uma cerveja (uma Super Bock Abadia, à terceira escolha, para cada um de nós). Na direcção do mar via-se, ali e além, um par, três, quatro ou cinco pessoas em grupo a banhos que ainda não de água, aproveitando simplesmente o calor do sol e da areia. Um pouco mais adiante, já de regresso ao carro, demo-nos conta da presença dos surfistas nas águas do mar. Quase sem ondas, juntavam-se em grupo de muitos, a boiar semi-submersos com o apoio das suas pranchas. Eram como uma imensa ninhada de pequenos patos negros, uma vez que essa era a cor dada pelos seus fatos de surf. Abriram-nos o apetite e regressámos ao Porto, com vontade de fazer um bom jantar.
Acabámos à mesa de um restaurante a comer dois bifes tenros e saborosos.

2006/04/19

japan: shut up

Em 1984 um amigo ofereceu-me como presente do meu 23º aniversário o álbum de estreia a solo de um belo rapaz (3 anos mais velho do que eu, sei-o hoje) chamado David Sylvian. Eu adorei tudo o que «Brilliant Trees» tinha para me oferecer: a voz, a música, as canções, a poesia, a capa e o belo rapaz que me encantou.
Foi só um par de anos depois que ouvi e descobri finalmente os Japan, o grupo em que Sylvian tinha começado: estava de passagem por Vigo e numa visita em trabalho à Radiocadena Española ouvi uma canção estranha com uma guitarra glamorosa, um set baixo-bateria bastante funk, os sintetizadores com um som disco e uma voz que poderia bem ser a de Marc Bolan mas... não, não era. Era a de David Sylvian, disso já não havia dúvida! Interessei-me e quis ver o disco, que entretanto Emilio Alonso tirava já do prato. O single tinha por título «Adolescent Sex» e uma capa tão improvável que me surpreendeu mais ainda: nela, uma mão a entrar na carcela aberta de um jovem, como se para desencarcerar o que mais dentro se escondia; do lado B a imagem era a mesma (ver acima) e o título «Shut Up» (que informalmente significa "pára de falar").
Passaram-se muitos anos e hoje volta-se a falar dos Japan para aclamar um lote de relançamentos em que se destaca o DVD que junta as canções do período mais rock (1978-80) com as do período mais pop (1980-83). «The Very Best Of Japan», já lançado no Reino Unido pela Virgin mas ainda não chegado às lojas portuguesas (que peca por uma péssima capa, em nada familiar à estética dos Japan), inclui os clipes do grupo e o concerto de 1983 que deu lugar ao muito aclamado álbum duplo «Oil On Canvas». Vai agora ser tempo de olhar para «Life In Tokyo», «Quiet Life», «I Second That Emotion», «Gentlemen Take Polaroids, «Swing», «Visions Of China», «Nightporter» e «Oil On Canvas», bem como para as interpretações ao vivo de «Burning Bridges», «Sons Of Pioneers», «Gentlemen Take Polaroids», «Swing», «Cantonese Boy», «Visions Of China», «Canton», «Ghosts», «Still Life In Mobile Homes», «Methods Of Dance», «The Art Of Parties», «Voices Raised In Welcome» e «Hands Held In Prayer».
Por tudo isto será caso para dizer: shut up for a moment, baby!

2005/12/31

adeus, 2005

Um balanço possível, feito a dois, que resume o que mais nos marcou no decurso de 2005 (não confundir com outras listagens que se vão encontrando por todo o lado e que se referem quase sem excepção aos lançamentos, estreias e afins apenas do ano que é encerrado). Neste nosso registo das marcas mais positivas, numa retrospectiva pessoal e difícil de resumir, está aquilo que nos "tocou" em 2005, a cada um de nós ou aos dois em conjunto. Que seja assim, portanto:
  • cinema: «Os Edukadores» Hans Weingartner (na imagem e no link do título) / «A Noiva Cadáver» Tim Burton
  • concertos: «Le Marteau Sans Maître» Ensemble InterContemporain (2=)
  • discos: «Amigos em Portugal» Durutti Column / «Confessions On a Dance Floor» Madonna
  • dvds: «O Fantasma» João Pedro Rodrigues / «Dolls» Takeshi Kitano
  • figuras: David Hockney / José Luis Rodríguez Zapatero
  • internet: www.blogger.com / www.havaianas.com.br
  • livros: «António Botto: Real e Imaginário» A. Augusto Sales / «Kafka On the Shore» Haruki Murakami
  • lojas: Habitat-Area / iTunes Music Store
  • momentos bons: as férias no Meco (2=)
Um grande 2006, para todos!...