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2007/03/04

a.b.

Assinou como A.B. e é tudo quanto sei. Para abrir uma série de presenças simples mas diárias, sempre que o tempo ou a vontade não dêem para outros desenvolvimentos...

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2007/02/22

papoilas, saudade e gustav klimt

Em 1862 nasce na Áustria Gustav Klimt. Tinha 14 anos quando foi estudar desenho ornamental para a Escola de Artes Decorativas de Viena. Aqui mostrei a sua obra e era agora tempo de acrescentar algo mais: a obra de Klimt inclui principalmente óleos, murais e desenho. A Galeria da Secessão (resultante do movimento que ele ajudou a fundar) é um dos locais onde se encontram os seus trabalhos. Também podem ser apreciados nos painéis que fez para a Universidade de Viena em 1883, ou para a casa de Adolphe Stocklet onde experimentou uma mudança de estilo que introduzia a repetição geométrica. Em 1907 mostra o seu lado erótico, ao retratar-se com Emile no imortal «O Beijo». Já o quadro «Dánae» revela uma mulher ruiva adormecida entre moedas de ouro e uma torrente de esperma. O expressionismo chega e apaga o dourado dos quadros de Klimt, que ruma a Paris e conhece Toulouse-Lautrec e o fauvismo. Pinta «O Chapéu de Plumas Negras», «A Virgem», «A Vida e a Morte» e paisagens campestres que são, de todas, as minhas preferidas. Não se afasta do erotismo nem do cubismo, a nova corrente de arte a que não fica de todo alheio. A mãe morre-lhe em 1915 e a sua paleta fica fria e monocromática. Deixa-nos 3 anos depois com duas obras por acabar: «O Retrato de Johanna Staude» e «A Noiva». Para a minha Mãe, que partiu há 3 meses, eu deixo hoje este «Campo de Papoilas» com muita saudade.

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2007/02/21

odd nerdrum: nas nuvens

«The Black Cloud» é o título deste enorme óleo sobre tela que o pintor norueguês Odd Nerdrum (1944) pintou já em 1986. Eu fui descobri-lo aqui e gostei tanto que decidi um dia dar-lhe destaque também (amanhã faria ainda mais sentido esta minha escolha, mas entretanto já preparo outra). Odd fez um curso de pintura na Academia de Arte de Oslo, a cidade que o viu nascer, e estudou com Joseph Beuys em Nova Iorque. Se o aluno levava consigo uma abordagem clássica e figurativa da pintura, Joseph ensinou-o a ver o mundo de uma outra maneira e a introduzir no seu convencionalismo elementos não convencionais, criativos, ideológicos. Trabalha com pigmentos e telas preparadas por si e com modelos vivos. Põe em discussão as teorias da arte tornando-se, ao mesmo tempo, num artista notado e incómodo, mas também controverso e apreciado. De Hieronymus Bosch a Rembrandt, passando por Caravaggio, há presenças dos velhos senhores da Arte na sua pintura. Mas é nova a forma como ele a faz e ela nos toca. Os seus quadros podem ser vistos em grandes museus do seu país natal e dos Estados Unidos, principalmente. O pintor vive presentemente entre uma propriedade rural da Noruega e a sua casa na Islândia, país que adoptou.

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2007/02/19

é joe oppedisano, ninguém toma a mal

Escolhi Joe Oppedisano para um destaque que já vem programado desde Dezembro. Josef começou há 20 anos a fazer design de moda, trabalhou para a Calvin Klein, Neiman Marcus, L'Uomo Vogue, Vanity Fair, Detour Magazine, Sony Music e para as estrelas do espectáculo. Tinha já 30 anos quando decidiu largar a criação de moda e virar-se exclusivamente para a fotografia, que tanto admirava. Começou como um dos fotógrafos favoritos da revista britânica Q, e os seus novos projectos foram tomando forma. Alguns anos depois tem entre os seus maiores clientes as revistas New York Times, Esquire, Spoon, Instinct e a famosa Butt. A sua fotografia é claramente de autor e a interpretação das suas obras nem sempre é clara ou pacífica. Pode-se ver bem como isso assim é através da foto ao lado, onde um jovem em atitude claramente animalizada domina selvaticamente, com a sua "arma", um sujeito maior, mais velho e mais forte, talvez até muito mais poderoso (o ambiente lembra muito o submundo da máfia). No mercado acabou de aparecer o livro «Testosterone» (Bruno Gmünder, ver aqui), no qual ele dá a conhecer uma selecção de fotos sobre temática erótica masculina. Porque é carnaval e ninguém deverá tomar a mal mostrarmos assim este exemplo "visceral" da arte de Joe Oppedisano.

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2007/02/13

coxworthy, o do valentim engraçado

Tem 24 anos de idade e vive algures nos Estados Unidos da América. Foi aqui que descobri Coxworthy, o ainda jovem artista que gosta de namorar e de ouvir música. Nas artes plásticas prefere os lápis de cor, ou os pincéis tingidos com os acrílicos e os óleos, mas não consegue estar muito tempo longe do computador, onde a sua obra ganha um atractivo esplendor graças a uma cuidada e criativa intervenção que passa pelo uso das ferramentas digitais da Adobe. À esquerda temos a imagem que ele intitulou de «Valentine» a propósito do mito feliz de S. Valentim, o mártir católico da Roma Imperial que sempre se recorda a 14 de Fevereiro como padroeiro do amor romântico. O artista sabe-o e deixa-nos as suas próprias palavras sobre a obra e a data: "Hope everyone had a good valentine! And that cupid got ya! :D". É escancarado e engraçado o sorriso. «My Funny Valentine, sweet comic Valentine...» faz especial sentido, mais uma vez!

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2007/02/07

george cayford, o mestre do desenho

Nasceu em 1931, George Cayford. Foi educado no Royal College of Art (ver aqui). Trabalhou inicialmente como ilustrador e designer gráfico na sua própria empresa e, mais tarde, para o London College of Printing onde instruiu sobre as artes da ilustração e do design. A sua ambição profissional e a sua vida pessoal nem sempre se relacionaram da melhor forma. E ser filho de um político socialista não lhe minimizava as fricções sociais nem fazia dele um artista mais tolerado. Apesar das suas aptidões e da excelência do seu trabalho como professor e mestre de desenho, eram os seus retratos de belos nus masculinos incomodavam quem dele se aproximava. No papel ficavam as poses originais e espontâneas dos seus modelos, registadas a carvão e pastel em traços rápidos e precisos. George Cayford sublinhava isso na explicação das suas técnicas preferidas: a velocidade do esboço é importante para definir de imediato a imagem no papel, captando prontamente a frescura e espontaneidade do momento. «Drowing For Pleasure», «Drowing With Mix Media», «Drowing Figures And Portraits», «The Encyclopedia of Pastel Techniques», «The Encyclopedia of Drowing Techniques» e «Life Drawings Class» são alguns dos livros escritos ou participados pelo artista.

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2007/02/05

richard gerstl e os seus enigmas

Richard Gerstl (1883-1908) entrou aos 15 anos para a Academia de Belas-Artes de Viena. Ele tinha um espírito divergente da corrente artística dominante (a Secessão Austríaca) dirigida por Gustav Klimt. Só após 1900, estudando já com Simon Hollósy, se libertou definitivamente dessa opressão (o auto-retrato ao lado é de 1901). Em 1904-05 teve um primeiro estúdio com o colega Victor Hammer. Admirava o mundo da música e procura aproximar-se do compositor Gustav Mahler. Estabelece-se no seu próprio estúdio em 1906 e conhece Alexander Zemlinsky e Arnold Schoenberg (ver aqui). Tinha 23 anos e Schoenberg 32, mas o trabalho de cada um seduziu o outro desenvolvendo-se uma ligação mútua. Schoenberg pede-lhe um retrato e, mais tarde, também da mulher Mathilde e da filha. Gerstl e Mathilde tornam-se cada vez mais chegados e aparecem amiúde nos saraus musicais. A família e o artista passam juntos as férias de Verão de 1907 e 1908, e nesse ano fica terminado o primeiro retrato de Schoenberg. Mas o compositor surpreende-os num acto imoral e Gerstl sai de Viena. Mathilde segue-o, Schoenberg vai atrás e regressa com a esposa. A 4 de Novembro Gerstl enforca-se defronte ao espelho. O seu trabalho fica-nos como referência preponderante do expressionismo modernista.

2007/02/01

riichi yamaguchi: odes à natureza

Riichi Yamaguchi é de Tóquio e é fotógrafo. As suas imagens retratam - em grande parte - elaboradas e harmoniosas composições com figuras humanas, femininas e masculinas como se vê ao lado. São retratos a cores ou a preto-e-branco - que tanto faz - de grupos maiores ou menores, ou mesmo de um só indivíduo, que me lembram as naturezas mortas constituídas por ponderadas combinações de elementos do mundo animal e vegetal, desprovidos de vida ou simplesmente inanimados. Daí vem a expressão - essa, a da natureza - que desde pequeninos conhecemos. Frutas, animais, objectos combinam-se e recombinam-se entre si, ao longo dos séculos, para nos dar sempre uma nova variação da morte que já muito bem conhecíamos... Diante da peça de arte voltamos a sentir essa solidão que sempre esteve patente, em todas elas. Na fotografia que Riichi Yamaguchi faz (há mais aqui) criam-se odes novas à Natureza, que nos provocam ainda essa sensação estranha e conhecida de esvaziamento, de perda, de inquietação. Os homens e mulheres deste mundo congeminado pelo fotógrafo japonês mostram-se-nos tal como são. Tal como somos ou seremos um dia, também. Para o Pedro - que hoje perdeu a mãe - um abraço bem forte, de coragem e muita amizade.

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2007/01/19

imagens de eric van galen

Gostava de estar longe, bem longe, lá pelo norte, bem a norte, na terra das auroras... Contento-me por estar nos próximos dias mais longe do computador, numa curta pausa para férias. Se há pouco mais de 2 meses punha a hipótese de as fazer mais cá para baixo, talvez em Londres ou em Paris - ou mesmo simplesmente por aí, à deriva pelas belas e remotas paisagens de Portugal -, uma série de obrigações prendem-me no entanto à cidade. A esta cidade de onde escrevo... E da fantasia de então resta já muito pouca. É o frio, a chuva, a alma... São as feridas recentes que o tempo me ajudará a curar. Neste final de Janeiro farei, faremos, o que o acaso determinar. Descansaremos, estaremos juntos, passearemos. O mais possível. Ou então entregar-me-ei aos livros, à música, à pintura, que as paisagens estão na alma... A partir de 1 de Fevereiro deverei estar de volta com a regularidade habitual. E depois se verá. O passeio pelas paisagens que Eric van Galen fotografou ficará para outra altura, se a alma estiver mais disponível para se deslumbrar. Do fotógrafo pouco sei e, para quebrar a regra, pouco direi para além de que gosto muito destas imagens. A dele próprio podem vê-la aqui.

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2007/01/17

derek jarman: arquitecto de emoções

Morreu cego e com sida em 1994, mas quis deixar bem presente a sua despedida do mundo através de um documento sonoro e visual: o filme «Blue», de onde se tirou esta imagem. Michael Derek Elworthy Jarman notabilizou-se como realizador de cinema, mas também foi como escritor, cenógrafo, actor, artista plástico e arquitecto paisagista que nos deixou belas memórias. Nasceu em 1942 em Northwood (Inglaterra) e estudou em Londres a partir de 1960. Primeiro no King's College e depois na Slade School of Art. Como realizador começou com a curta-metragem «Electric Fairy» (1971), entretanto perdida, fez filmes musicais com os Sex Pistols, Marianne Faithfull, Marc Almond, The Smiths e Pet Shop Boys (para referir apenas alguns) e nunca mais parou. Assinou as longas-metragens «Sebastiane» (1975), «Jubilee» (1977) «The Tempest» (1979), «The Angelic Conversation» (1985), «Caravaggio» (1986), «The Last of England» (1987), «War Requiem» (1988), «The Garden» (1990), «Edward II» (1991), «Wittgenstein» (1992), «Blue» (1993) e finalmente «Glitterbug» (1994). «Song For Derek Jarman» é uma homenagem do grupo gay-punk-disco Chumbawamba (ver aqui). Ao Derek Jarman que foi um arquitecto de emoções!

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2007/01/11

gritos de edvard munch

O Munch-Museet, de Oslo, classificou de irreparáveis os danos causados pelos ladrões ao quadro «O Grito», de Edvard Munch (1863-1944). A obra representa um vulto num momento de desespero e de angústia profunda. De fundo vê-se a doca de Oslo à luz de um entardecer alaranjado num turbilhão com o azul frio das águas do fiorde, sendo uma obra maior do movimento expressionista, uma referência excelsa na pintura universal. Exposta pela primeira vez em 1893, integrava um lote de 6 quadros que representavam fases do amor. «Skrik» (o título original de «O Grito») representava o fim, a perda. "Arte demente" foi como a perturbada crítica classificou todo o conjunto. Mas o público adorou e Munch teve que pintar mais gritos, para satisfazer encomendas: o primeiro (91x73,5 cm) foi a óleo e pastel sobre cartão, e está no Nasjonhalmuseet, o museu nacional de arte da Noruega; o segundo (83,5x66 cm) foi feito em têmpera sobre cartão, está no Munch-Museet, bem como o terceiro; o quarto ficou na posse de um particular e o quinto mais não é do que uma simples litografia executada em 1895, para impressão nos jornais e revistas da época. Sobre os danos no quadro desaparecido entre 2004 e 2006, veja-se aqui um pouco mais.

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2007/01/08

os punks de roberta bayley

Roberta Bayley fotografou os punks que nos anos 70 emergiam em Nova Iorque. Fez fotografia para capas de discos (dos Ramones e Richard Hell, por exemplo), mas também para páginas de fanzines e de revistas. Esbarrei com o trabalho dela onde menos o poderia imaginar - a Playgirl - e com uma foto assaz rara e surpreendente: a de Sid Vicious descendo as calças e mostrando toda a sua virilidade (que não é muita e à qual a autora do texto prefere chamar-lhe junk, mas isso são só detalhes). Apesar de ser contemporânea de Robert Mapplethorpe, outro famoso artista que fotografou Patti Smith, os Television, Philip Glass e em larga escala a nova cultura musical emergente em Nova Iorque, Bayley dedicou-se mais a esvaziar as suas fotos de individualismos (centrando-se no todo do movimento - o punk) enquanto Mapplethorpe apontou as câmaras ao indivíduo (mesmo quando se pode integrá-lo nalgum movimento - o gay ou o pop). Roberta nasceu em Pasadena, frequentando a universidade de San Francisco entre 1968 e 71. Adoptou Nova Iorque para residir e aí efectuou a sua primeira exposição individual em 1993. «The Downtown Show» (aqui) é um bom local para descobrir um pouco mais sobre Roberta e os movimentos que a envolveram.

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2007/01/06

de cruzeiro seixas e cesariny

Cruzeiro Seixas é uma das figuras maiores da pintura portuguesa do nosso tempo. Nasceu em 1920, na Amadora, e cresceu com o expressionismo e o neo-realismo. Foi "amigo de peito" de Mário Cesariny (são os dois, na foto). "Tirei apenas o 5º ano de desenho da Escola António Arroio, mas com os professores nunca aprendi nada. Nunca gostei de aprender, a não ser comigo mesmo" - disse-o. E continuou: "Conheci o Mário Cesariny na escola António Arroio. Era um rapazinho lindo. Engatei-o! Nem tínhamos bem conhecimento do que era a homossexualidade. Nessa altura era tida como uma doença. A mim interessava-me fazer amor, não vício, isso nunca fiz. Namorados? Eu e o Mário?... Não, era coisa de garotos, que passou!... (...) Líamos muito o Régio. O Casais Monteiro menos, o António Botto depois. Estrangeiros, claro, havia o Oscar Wilde da «Balada do Cárcere de Reading»..." (mais aqui). É com Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa e Mário-Henrique Leiria que que a partir de 1948 desenvolve actividade surrealista, assinando desenho e pintura, mas também objectos e poesia. A sua obra mostra-nos figuras híbridas, planos que valorizam a perspectiva e a profundidade de campo, contrastes luminosos, nuances de cor, surrealismo de uma espécie fantástica que deriva das propostas de Breton e Di Chirico.

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2007/01/04

adalberto libera: beleza mediterrânica

Para quem gosta de casas invulgares, a Casa Malaparte situada na Punta Massullo da ilha italiana de Capri é uma boa escolha: aumentem a imagem e vejam-na, na majestade dos seus 69 anos de idade. Foi concebida por volta de 1937 pelo arquitecto Adalberto Libera (1903-1963). O seu dono original, Curzio Malaparte, foi um jornalista e escritor que documentou as mudanças políticas e culturais da Itália dos anos 1930-50, inicialmente estando com Mussolini e, depois, com os Aliados. A imensa casa que encomendou a Adalbero Libera continua lá e pode ser localizada com ajuda de navegadores geográficos como o Google Maps: é ver em 40°32′44″N e 14°15′37″E. Há nela uma larga escadaria de um vermelho quente, que é marcante. Eleva-se na falésia como se se tratasse de um obelisco deitado. Após a morte do seu proprietário, a villa foi abandonada e negligenciada, sofrendo estragos significativos. Jean-Luc Godard mostra-a num filme em 1963, mas o primeiro restauro aconteceu apenas no final dos anos 80. Hoje é um belo imóvel onde se mantém muito do mobiliário original (ver mais aqui). Quem me dera olhá-la de fora e de longe que fosse, com uma companhia romântica, a partir de um pequeno iate.

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2006/12/31

sexualidade precoce em anthony goicolea

O artista plástico nova-iorquino de descendência cubana Anthony Goicolea nasceu em 1971. A fotografia, desenho, vídeo e instalação são os géneros principais em que se exprime artisticamente este homossexual que se formou pela Universidade da Geórgia. Androgenia e (homo) sexualidade precoce são constantes nos seus trabalhos que podem ser vistos regularmente nas galerias Postmasters (Nova Iorque) e Aurel Scheibler (Berlim). A alemã BMW atribuiu-lhe em 2005 o seu prémio de fotografia, o que mostra que a arte de Goicolea não está assim tão longe da dita normalidade. O seu trabalho desafia os padrões morais por introduzir um erotismo questionável, mas o seu grau de elaboração (que passa pela astuta escolha dos modelos, do vestuário, caracterização e pós-produção informática) obriga a uma apreciação positiva: muitos dos seus retratos são de si próprio, muito jovem em aparência apesar dos seus 35 anos de idade. A artista Cindy Sherman (ver aqui), com quem chegou a fazer várias exposições conjuntas, foi influenciada pelo trabalho de Goicolea, especialmente ao nível do uso extensivo de ferramentas de tratamento de imagem, do auto-retrato e da narrativa de temática sexual. Mas essa será talvez motivo para uma entrada em 2007. Um bom ano!

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2006/12/29

barahona possollo pós-expressionista

O pintor e desenhador Barahona Possollo é português e nasceu em Lisboa no ano de 1967. Foi licenciado pela Faculdade de Belas Artes dessa cidade, com a classificação de 18 valores, e entre 86 e 89 também frequentou o curso de arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Em 1988 participou pela primeira vez numa colectiva e em 1992 fez a sua primeira individual. Em 1995 leccionou como assistente convidado nas Belas Artes e colaborou pela primeira vez com os Correios de Portugal na produção de originais para a emissão de selos. Essa colaboração prolongou-se através dos anos, destacando-se a série de estampilhas comemorativa dos 500 anos da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Aqui soubemos que a sua arte, onde se nota alguma influência expressionista, está a ser mostrada no Museu Nacional de História Natural (antigo edifício da Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica nº 58, Lisboa) e "só perde quem não pode mesmo fazer outra coisa senão perder". Ao lado está o óleo sobre tela que tem por título «D. Sebastião». É de 1992 e mede 140x140 cm.

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2006/12/28

hergé, tintim por tintim

Poucos sabem quem foi Georges Rémi (1907-1983), mas já Hergé (correspondente a RG, as iniciais de "Rémi, Georges") não estará longe de associação imediata ao nome de Tintim, o jovem aventureiro que nos roubou muitas horas de sono com as suas reportagens pelos quatro cantos do mundo. Georges nasceu na Bélgica, mas foi do seu irmão Paul que veio a inspiração para a figura de Tintim, que seria vista pela primeira vez em 1929. Apesar de as aventuras de Tintim se terem popularizado com edições dos seus livros em mais de 40 línguas, Hergé esteve por detrás da criação de outras histórias em quadradinhos com figuras como Quike, Flupke, Jo, Zette e Jocko. Foi elogiado como um Walt Disney europeu e influenciou os mais importantes ilustradores, notadamente nas figuras de Asterix, Lucky Luke, ou Blake e Mortimer. Aos 50 anos de Tintim até Andy Warhol, na Nova Iorque de 1979, lhe realiza uma série de retratos-homenagem. Em 2007 vão completar-se os 100 anos sobre o nascimento do artista e o Centro Pompidou, em Paris, presta-lhe uma nova homenagem que vai até 19 de Fevereiro (ver aqui). Considerado sem discussão como um dos maiores artistas do século XX, o exterior do belo edifício desenhado pelos arquitectos Renzo Piano e Richard Rogers é agora adornado com uma tela gigante de 40 metros que convida a viajar no foguetão das fantasias de RG.

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2006/12/23

o natal com oliviero toscani

Mesmo quem não conhece o fotógrafo italiano Oliviero Toscani (1942) não pode dizer que não observou já uma ou duas das suas polémicas imagens publicitárias, pelo menos. Toscani fundou com o designer norte-americano Tibor Kalman, ainda nos anos 90, a revista Colors (que pode ser consultada aqui) e notabilizou-se como autor de muitas das mais famosas fotografias ligadas à marca Benetton (lembram-se da imagem do jovem sacerdote e da cândida freira que se beijavam apaixonadamente nos lábios; ou dos preservativos coloridos, ao tom das United Colors of Benetton; ou até dos três corações dissecados e identificados "white / black / yellow"?). Nos anos mais recentes foram as fotos que fez para a marca de moda Ra-Re (ao lado está uma delas) que mais se evidenciaram. Como no poema do Gedeão, também a discussão faz (ou deveria fazer) o mundo avançar e o trabalho deste fotógrafo promove-a a todo o instante. E eu creio que não é inocente a utilização neste período de Natal da composição exemplificada: por mais uma vez (e de forma não pouco polémica) a discussão do conceito de família volta a ter lugar. Para mim serve-me: este e o tradicional. Por isso também, umas Boas Festas para todos vós!

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2006/12/22

os nus de david romero

Há uns 2 anos, a altura em que começámos a decorar a nossa casa, procurámos investir em alguma boa arte que conseguíssemos adquirir. O trabalho de David Gremard Romero, homossexual mestiço de raças mexicana e norte-americana, foi alvo da nossa atenção. Ele nasceu na Califórnia e instalou-se em San Francisco, em 1996, com grandes ambições. Devido à sua raça e sexualidade cita o escritor negro e homossexual James Baldwin: "I feel like I've hit the jackpot". Diplomado com honra pelo Art Institute of San Francisco, a grande cidade gay encorajou David Romero, sem dúvida: a sua obra retrata sempre os seus amigos, os seus amantes, a si próprio. São imagens das suas relações pessoais, quotidianas, onde procura exprimir todas as experiências emocionais da sua vida. Para ele, um desenho ou uma pintura são "an object of intimacy far superior to any photograph" pois quando olha um desenho recorda sempre todos os detalhes do que lhe está ligado: o tempo, a conversa que decorria, a forma como sentia quem retratava, o seu próprio estado de espírito - "in an almost visceral way". Ao entrar no nosso quarto encontram-se na parede do fundo, ao lado da janela, dois belos nus de David Romero, ao estilo dos que se podem ver aqui.

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2006/12/21

maravilhas capitais para a new 7 wonders

Vamos eleger as Novas 7 Maravilhas do mundo, revendo as escolhidas na Antiguidade: as pirâmides de Gizé, os jardins suspensos da Babilónia, a estátua de Zeus em Olímpia, o templo de Ártemis em Éfeso, o mausoléu de Halicarnasso, o colosso de Rodes e o farol de Alexandria. A primeira referência a esta escolha é feita num poema bimilenário de Antípatro de Sídon. No 3º milénio, a New 7 Wonders propõe-nos 21 maravilhas capitais: a acrópole de Atenas, na Grécia (1), Alhambra, em Espanha (2), as ruínas de Angkor, no Camboja (3), a basílica de Santa Sofia, na Turquia (4), o castelo de Neuschwanstein, na Alemanha (5), a pirâmide de Chichén Itzá, no México (6), o coliseu de Roma, em Itália, (7), o Cristo Redentor, no Brasil (8), a estátua da Liberdade, nos EUA (9), as estátuas da Ilha de Páscoa, no Chile (10), a Grande Muralha, na China (11), o Kremlin e a Praça Vermelha, na Rússia (12), Machu Picchu, no Peru (13), a Ópera de Sidney, na Austrália (14), Petra, na Jordânia (15), as pirâmides de Gizé, no Egipto (16), Stonehenge, no Reino Unido (17), o Taj Mahal, na Índia (18), o templo de Kiyomizu, no Japão (19), Tombouctou, no Mali (20) e a Torre Eiffel, em França (21). Vote-se aqui e depois veja-se a proclamação em Lisboa. "As maravilhas da Antiguidade pertencem ao passado e, à excepção das pirâmides do Egipto, nenhuma delas continua a existir", justificam. Eu votaria na Torre Eiffel!

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