2005/12/28

dvds: eyes wide shut

«Eyes Wide Shut» (título que na intenção original deve significar algo algo próximo de "olhos amplamente fechados" — talvez porque vêem em toda a amplitude o que não deveriam ver nem podem revelar), em Portugal traduziu-se por «De Olhos Bem Fechados» — o que parece corresponder mais fielmente à expressão idiomática inglesa (obrigado, Diana!) ou à interpretação de que toda a história se desenvolve ao longo de um sonho que se confunde com a realidade (obrigado, Zé!)... Seja como for, creio que nenhum tradutor ou catalogador deveria dar-se à liberdade (porque do direito nem se fala) de alterar a intenção do artista, sobretudo quando a intenção consegue sobreviver à tradução e à catalogação. E não haverá dúvidas que o artista, neste caso, é mesmo intocável: Stanley Kubrick.
Este é o resumo da apresentação do DVD: "O audaz filme final de Stanley Kubrick tem muitos significados. É uma envolvente viagem de obsessão sexual. Uma atmosfera quase irreal. Uma história crivada de suspense. E um digno capítulo final para uma brilhante carreira de realizador (Roger Ebert, Chicago Sun-Times). Pelas suas brilhantes e aplaudidas representações, as estrelas Tom Cruise e Nicole Kidman têm aqui, também, um marco inesquecível nas suas carreiras. Cruise é o Dr. William Harford, um médico nova-iorquino que transforma uma fatídica noite de inverno numa busca erótica que ameaça o seu casamento — e que o pode levar, inclusive, a ser relacionado a um misterioso e sinistro assassínio — depois da sua mulher (Kidman) ter admitido uma atracção erótica por outro homem. Enquanto a história vagueia desde a dúvida e receio à descoberta interior e reconciliação, Kubrick orquestra-a com a mestria e detalhe que só ele soube dar à arte de filmar. Cenas elegantemente filmadas, ritmos controlados, riqueza de cores, imagens surpreendentes: traços peliculares que nos deixam de olhos bem abertos ao legado para o futuro que representa a obra de Kubrick."
Com este, os DVDs cá de casa com títulos começados pela inicial E passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) / Stanley Kubrick / thriller / 1999 / 2005
Esta semana, nos cinemas, «A Noiva Cadáver» de Tim Burton (ver neste blogue a entrada de 2005/12/07, «felizes bodas fúnebres») e «Odete» de João Pedro Rodrigues são dois filmes em estreia que não deverão ser perdidos sob pretexto algum. Palavra de quem vai vê-los e, certamente, adicioná-los mais tarde à colecção.

2005/12/23

cristãos homossexuais

Uma das coisas que às vezes me aborrece nos meios do activismo e intervenção GLBT, é a confusão que muito amiúde se faz entre Igreja Católica e Catolicismo, que é como quem diz entre alhos e bugalhos. Uma coisa são os discursos polémicos e as posições infelizes que a Igreja Católica Romana toma (normalmente através do Papa) e outra é a prática da religião cristã em si mesma que, embora possa estar imbuída de maior ou menor grau de sinceridade ou pureza, é livre e legítima. É impressionante constatar a rapidez com que as pessoas se põem na posição de juízes e, nesta questão da religião católica, metem tudo no mesmo saco. Eu também tento lembrar-me sempre que não posso ser o primeiro a atirar pedras mas, neste período de Natal, apetece-me atirar esta: sim, é possível ser gay e ter sido baptizado e educado como católico, sim é possível ser gay e continuar a ser cristão, e sim, é até possível ser-se gay e insistir em ser católico. A sexualidade em geral e a homossexualidade em particular colocam questões à prática da religião que, por muito que custe ao Vaticano, estão longe de estar encerradas. E por muito que custe a alguns activistas, há homens e mulheres que para além de homossexuais são católic@s e lutam por fazer aceitar aos outros o seu direito a essa dupla identidade. Eles existem e podem ser contactados via grupos como o valenciano Cristians Homosexuals (ver link no título deste post).

2005/12/21

como estão enganados

No dia 18, antes do especial circense de Herman José, nós cá esperávamos que o «Esquadrão G» nos entrasse pela casa dentro, através do nosso televisor. Para, à sua maneira, adocicar uma vez mais os machos latinos e outros que tais. E até então, os resultados foram esplêndidos, pois os machos ficaram bem melhor e os gays nem sequer ficaram pior. Bem pelo contrário, até, uma vez que a imagem que passavam à sociedade era extremamente simpática e positiva. E assim foi, semana atrás de semana, mas a 18 a espera foi em vão… Hoje, três dias depois, soubemos que os cinco gays que nos habituámos a acompanhar pela SIC, foram afastados apressadamente da grelha de programas porque “o formato não se enquadra na nova filosofia da estação”. As palavras são atribuídas a Francisco Penin por um jornal diário de distribuição gratuita, que assim cita o novo director daquele canal de TV. Penin acrescenta adiante que os cinco rapazes — Jorge Correia de Campos, Pedro Crispim, Óscar Reis, Paulo Piteira e João Ribeiro — poderão reaparecer em 2006, mas para se dedicarem então a “transformar mulheres normais em princesas”. E depois a sociedade queixa-se que os gays são bichas. Pois que se queixe, até porque estão mesmo a pedi-las. Não estão?!…
Mas hoje um outro tema motivou destaques discretos nas TVs portuguesas: o casamento “homossexual” (quero ver quando se referirão aos outros casamentos como “heterossexuais”) de sir Elton John com David Furnish. Uma notícia que a TV não poderia evitar, mas que foi deixada para a ponta final dos telejornais e apresentada com extrema cautela, sem apoio nem crítica. Estilo: já que tem que ser, que seja, mas é para esquecer o mais depressa possível... Como eles estão enganados!

as primeiras imagens

Já consigo imaginar as bocas abertas em bocejo, as críticas à escolha do elenco e outras tantas objecções e indiferenças, mas confesso que, pela minha parte, o entusiasmo com que vi o primeiro trailer de «The Da Vinci Code» é quase igual ao entusiasmo com que fui procurar o livro pela primeira vez àquela loja grande que os jornalistas gostam muito de publicitar (a resposta, na altura, foi que não tinham o livro nem seria provável que o viessem a importar). Adiante. Também eu torci o nariz ao realizador (Ron Howard) e ao protagonista (Tom Hanks), mas as primeiras imagens do filme fazem-me dar-lhes o benefício da dúvida: o ritmo e a montagem do trailer, se forem indicativos do que foi feito com a longa metragem, são promissores; quanto ao Tom Hanks, dá a impressão que ele próprio sabia que a sua figura não encaixava com a do historiador-detective e, por isso ou por necessidade de reinvenção profissional, parece ter feito um esforço considerável e provavelmente bem sucedido de construção da personagem. Enquanto não chega Maio, fica o link para o trailer no título deste post.

2005/12/17

dvds: o fantasma

“Uma noite os seus olhos encontram o fantasma dos seus sonhos e acorda na obsessão do amor. Enfeitiçado, espia-o. Remexe-lhe no lixo. Segue-o. Invade-lhe a casa. Urina-lhe a cama, marcando o território como um cão. Agora não comanda o jogo mas avança, mesmo sabendo que só pode perder. O cerco fecha-se. E as mãos que queriam acarinhar ficam algemadas, viciadas na rejeição. Só lhe resta a vingança. A máscara do desejo, o fato de borracha negra, transforma-se na sua última morada. Refugia-se no caos, nos restos que o mundo já não quer. Está sozinho. Já não é deste mundo.”
Foi aplaudido e premiado em festivais de cinema além-fronteiras. Amado por uns e odiado por outros. É o filme de João Pedro Rodrigues, estreado há 6 anos, com Ricardo Meneses no principal papel e a música perturbante dos Suicide. Tinha já edições em França, nos Estados Unidos e no Japão. Finalmente «O Fantasma» tem já edição portuguesa em DVD.
Com este, os DVDs cá de casa passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • 24 Hour Party People / Michael Winterbottom / musical / 2002 / 2003
  • A Importância de Ser Ernesto / Cliver Parker / romance / 2002 / 2003
  • Antes que Anoiteça / Julian Schnabel / drama / 2000 / 2002
  • Ao Sabor das Ondas / Guy Ritchie / romance / 2002 / 2003
  • Bent / Sean Mathias / drama / 1996 / 2003
  • Cabaret (30th Anniversary Special Edition) / Bob Fosse / musical / 1972 / 2002
  • Cidade de Deus / Fernando Meirelles / drama / 2002 / 2003
  • David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
  • Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2003 / 2003
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Fausto 5.0 / La Fura dels Baus / drama / 2001 / 2005
  • Feliz Natal Mr. Lawrence / Nagisa Oshima / drama / 1983 / 2004
  • Kaija Saariaho: L'Amour de Loin / Kaija Saariaho / ópera / 2005 / 2005
  • Ken Park — Quem És Tu? / Larry Clark / drama / 2002 / 2004
  • Laranja Mecânica / Stanley Kubrick / ficção-científica / 1971 / 2002
  • Lisboa Reloaded / vários / música / 2005 / 2005
  • Madonna: Drowned World Tour / Madonna / música / 2001 / 2001
  • Madonna: Music / Madonna / música / 2000 / 2000
  • Madonna: The Immaculate Collection / Madonna / música / 1991 / 1999
  • Madonna: The Video Collection 93:99 / Madonna / música / 1999 / 1999
  • Marlene Dietrich: An Evening with Marlene Dietrich / Marlene Dietrich / música / 1972 / 2003
  • Morrissey: Hulmerist / Morrissey & The Smiths / música / 1990 / 2004
  • Mulholland Drive / David Lynch / drama / 2002 / 2002
  • My Beautiful Laundrette / Stephen Frears / drama / 1985 / 2001
  • Nossa Senhora dos Matadores / Barbet Schroeder / drama / 2000 / 2004
  • O Estranho Mundo de Jack (Edição Especial) / Tim Burton / animação / 1993 / 1999
  • O Fantasma / João Pedro Rodrigues / drama / 2000 / 2004
  • Os Pássaros / Alfred Hitchcock / thriller / 1963 / 2001
  • Os Sonhadores / Bernardo Bertolucci / romance / 2004 / 2004
  • Pet Shop Boys: Pop Art / Pet Shop Boys / música / 2003 / 2003
  • Pet Shop Boys: Somewhere / Pet Shop Boys / música / 1997 / 2003
  • Phantom of the Paradise / Brian De Palma / musical / 1974 / 2002
  • Samuel Beckett: Beckett on Film / Samuel Beckett / teatro / 2002 / 2003
  • Sex Pistols — O Filme (The Filth and the Fury) / Julien Temple / documentário / 2000 / 2005
  • Sinais de Fogo / Luís Filipe Rocha / drama / 1995 / 2003
  • Smiths: The Complete Picture / The Smiths / música / 1992 / 2003
  • The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover / Peter Greenaway / drama / 1990 / 2003
  • The Pillow Book / Peter Greenaway / drama / 1996 / 2003
  • Tudo Sobre a Minha Mãe / Pedro Almodóvar / drama / 1998 / 2001
  • Ubus / Alfred Jarry & Ricardo Pais / teatro / 2005 / 2005
  • Um Coração Selvagem / David Lynch / drama / 1990 / 2003
  • Um Hamlet a Mais / William Shakespeare & Ricardo Pais / teatro / 2004 / 2004
  • Velvet Goldmine / Todd Haynes / musical / 1998 / 2003
  • Violência e Paixão / Luchino Visconti / drama / 1974 / 2002
  • World Shut Your Mouth / vários / música / 2002 / 2002
Em breve haverá mais!...

2005/12/13

13 de dezembro

A 13 de Dezembro de 1570 a Dinamarca reconhece a independência da Suécia e no mesmo dia de 1577 Francis Drake faz-se ao mar numa viagem de volta ao mundo. Em 1789 os Países Baixos austríacos declaram independência como Bélgica e, ainda a 13 de Dezembro, mas de 1808, Madrid rende-se a Napoleão Bonaparte. Em 1843, o romance de Dickens «A Christmas Carol» vende 6000 cópias no seu primeiro dia de publicação, quatro anos depois, no mesmo dia do último mês do ano, Emily Brontë publica «Wuthering Heights». No ano de 1902 nasce Ruhola Hendi, que viria a ser conhecido como Ayatola Khomeini; no ano seguinte os cones de gelado são patenteados por Italo Marcione e Paul Gauguin morre na miséria. Em 1923 nasce Antoni Tàpies, em 1930 Anna Pavlova faz a sua última aparição pública, e em 1944 os kamikaze japoneses despenham-se no navio americano Nashville. No dia 13 de Dezembro de 1967 um golpe de estado na Grécia derruba a monarquia e o Rei Constantino voa para Roma; em Lisboa nasce uma criança mais (foto: Ralph Fiennes em «Wuthering Heights»)...

o amor de longe

«L'Amour de Loin» , o DVD descoberto quase por acaso no escaparate de uma loja de discos, assinalará o nosso dia 13 de Dezembro...
A ver em breve, a dois, este é o registo da estreia em 2000 da primeira e aclamada ópera da compositora finlandesa Kaija Saariaho, baseada no mesmo texto de Amin Maalouf, um libanês que há 30 anos se tornou habitante de Paris e já teve livros traduzidos para 26 línguas.
Da música não haverá certamente muito que dizer porque Kaija é já uma figura de grande prestígio entre os compositores contemporâneos mais inovadores e a sua obra é já nossa conhecida, particularmente a que se inscreve no domínio da música electroacústica, na linha de Pierre Boulez.
Do texto pode dizer-se que é colorido e inspirado na vida de um jovem príncipe que foi um dos maiores trovadores do século XII. Jaufré Rudel (o príncipe-trovador) decidiu abandonar a vida desregrada que levava e dedicar-se à procura do amor da sua vida, um amor diferente dos que conhecera, especial, sublime. Sem o encontrar, vai constantemente compondo canções em seu louvor, num canto de esperança infinda. Os seus companheiros, em coro, rodeiam-no e tentam demonstrar-lhe que tal amor é impossível, que não existe, que não pode ter lugar. Mas Jaufré não perde nunca a esperança e vive do seu sonho de amor imaginado.
É um peregrino regressado das terras cristianizadas de além-mar que, um dia, traz a boa nova, descrevendo uma mulher fantástica que encontrou em Tripoli e que se deixou enamorar pela descrição do príncipe que lhe escrevia canções de amor.
Impulsivamente, o príncipe lança-se ao mar, à descoberta do seu "amor de longe", mas de tanta precipitação e falta de preparo para a viagem, acaba por adoecer no trajecto e chega já moribundo ao seu destino. Desesperado, o fiel peregrino que o acompanha vai ao encontro da mulher amada, a condessa Clémance, avisando-a da chegada do príncipe, que se encontra doente e quase já sem vida, pedindo-lhe que o receba imediatamente na cidadela. É por fim na presença da sua amada que Jaufré retoma aos poucos a consciência. E nos braços um do outro, prometem mutuamente que se amarão para todo o sempre.
Mas Jaufré morre e Clémance revolta-se contra os céus e contra si própria, por se considerar a responsável por tão trágico fim. Retira-se então para um convento e a última cena da ópera revela-a como religiosa, em oração. As palavras não são suficientemente perceptíveis para que possamos entender se na sua prece se dirige a um longínquo deus ou ao seu "amor de longe".
Uma nota extra para o colorido intenso e o forte impacto visual da mis-en-scéne, apesar do seu despojamento e simplicidade...
Muitos parabéns!

2005/12/08

amizade e amor: viva john lennon!

8 de Dezembro assinala mais um aniversário do desaparecimento de John Lennon, o ex-Beatle que teria agora 65 anos, se fosse ainda vivo. Figura proeminente da cultura musical do século XX, o seu nome ficou para sempre associado ao de Yoko Ono, a dedicada esposa japonesa que muitos "acusaram" de ser a causa da separação dos fab four de Liverpool.
O primeiro casamento de John foi com Cynthia Powell (mãe de Julian Lennon), em 1962. Yoko só entraria na vida de John em 1966, quando se conheceram na sua apresentação artística em Londres, na galeria Indica. O romance iniciar-se-ia em 1968, coincidindo com o divórcio de Cynthia, e o casamento teve lugar em 69 (deste nascendo Sean Lennon, em 1975). Como é sabido, John e Yoko foram talvez o casal mais mediático dos anos 70 e êxitos discográficos como «Woman» são incontornáveis retratos da imensurável paixão que os uniu.
Mas conta-se que um outro amor — para além de Cynthia e Yoko — teria marcado também a sua vida: Brian Epstein, o agente dos Beatles (6 anos mais velho que Lennon) que, segundo especulações, teria romanceado durante uma "escapadela" dos dois a Barcelona, em Abril de 1963. Por essa altura Lennon, casado com Cynthia, teria 22 anos e Brian 28 (este viria a falecer apenas 3 anos depois, em 67, de overdose).
É certo que Lennon sempre negou esse alegado romance, mas diz-se ainda hoje que a sua canção «You've Got to Hide Your Love Away» seria inspirada nas emoções da época: "Here I stand head in hand § Turn my face to the wall § If she´s gone I can't go on § Feelin' two-foot small. § Everywhere people stare § Each and every day § I can see them laugh at me § And I hear them say: § Hey you've got to hide your love away. § How could I even try § I can never win § Hearing them, seeing them § In the state I'm in. § How could she say to me § Love will find a way § Gather round all you clowns § Let me hear you say: § Hey you've got to hide your love away." Se a letra da canção não explica tudo de forma evidente, a narrativa ficcionada explorada no filme «The Hours And Times», de Christopher Münch (link para o filme no título), parece fazer luz sobre a viagem a Barcelona e poderá servir para esclarecer os mais interessados.
A exactidão do que se terá passado na famosa jornada à Catalunha talvez não seja hoje o mais importante. De facto vale a pena recordar hoje, também aqui e ainda a propósito do tema amizade e amor, um dos maiores amadores das últimas décadas: John Lennon!

2005/12/07

felizes bodas fúnebres

Com toda a alegria que nos vai na alma a propósito dos "casamentos homossexuais" em Inglaterra, os projectos para "os" da África do Sul e os avanços "nos" da Bélgica, não podemos esquecer-nos das bodas fúnebres do dia 22 de Dezembro: a estreia de «Corpse Bride» de Tim Burton nas salas de cinema portuguesas. E a vanguarda aqui, embora de outro tipo, é tão entusiasmante como a outra de que temos vindo a falar. O novo filme do génio do gótico pós-moderno, construído a partir de um antigo conto russo, utiliza uma vez mais (depois de «Vincent» e «The Nightmare Before Christmas») a técnica do "stop-motion" — os bonecos que se manipulam milimetricamente para depois serem fotografados e montados em filme num processo à velocidade de caracol. Desta vez, no entanto, a precisão da imagem faz parecer que a animação é gerada por computador e não pela paciência; mas afinal é só o artesanato a saltar para o século XXI, com câmaras digitais a substituir o filme e o Final Cut Pro da Apple a dar uma mãozinha. E o resto, não tenho dúvidas, será poesia.