2006/01/02

amizade e amor: dean e o imoralismo de gide

O escritor francês André Gide (1869-1951) foi galardoado em 1947 com o Nobel da Literatura. O seu legado literário valorizou sempre a honestidade intelectual, tendo por vértices o desagrado das duas Grandes Guerras e o advento do anticolonialismo.
Os valores da sua fervorosa religiosidade (como austero e refinado protestante), da sua experiência de vida (em particular o casamento sexualmente não consumado com uma prima, em 1895) e, em especial, de uma sexualidade ainda menos comum (como a hoje bem conhecida relação pederástica que teve em 1916 com Marc Allégret), também marcaram fortemente a sua obra.
«O Imoralista», escrito em 1901, é um desses legados. Nele, Gide narra de forma quase autobiográfica uma história passada no norte de África, quando o arqueólogo Michel se vê atraído por um criado árabe, o belo e jovem Bachir.
Mesmo passados 50 anos sobre a sua primeira publicação, em 1952 o Vaticano colocou «O Imoralista» no índex dos livros proibidos e, curiosamente, dois anos depois ele é adaptado ao teatro e representado na Broadway com o ainda desconhecido James Dean (na foto) no papel do elegante criado africano. A obra sobreviveu à proibição da Igreja e graças também ao jovem actor estreante, alcançou o sucesso maior junto do público e da crítica, recebendo então o prémio de revelação do ano. Elia Kazan, o grande realizador da época, não dormia de olhos fechados, e arrastou Dean para o cinema, onde viria a tornar-se definitivamente famoso. Mas essa história ficará eventualmente para uma outra entrada...
Na história escrita por Gide, o arqueólogo europeu que se apaixonou pelo criado africano viu morrer de tuberculose a sua mulher Marceline e, confrontado com as suas obsessões e tabus, chama a si — apelando a um velho pacto académico — os seus amigos do tempo de estudante. Confronta-os com a sua história, o seu mundo, os seus sentimentos, as suas dúvidas e as suas certezas, sem esperar ouvir uma palavra de aprovação ou censura. Apenas esperando ser ouvido... (Um livro para ler.)

2005/12/31

adeus, 2005

Um balanço possível, feito a dois, que resume o que mais nos marcou no decurso de 2005 (não confundir com outras listagens que se vão encontrando por todo o lado e que se referem quase sem excepção aos lançamentos, estreias e afins apenas do ano que é encerrado). Neste nosso registo das marcas mais positivas, numa retrospectiva pessoal e difícil de resumir, está aquilo que nos "tocou" em 2005, a cada um de nós ou aos dois em conjunto. Que seja assim, portanto:
  • cinema: «Os Edukadores» Hans Weingartner (na imagem e no link do título) / «A Noiva Cadáver» Tim Burton
  • concertos: «Le Marteau Sans Maître» Ensemble InterContemporain (2=)
  • discos: «Amigos em Portugal» Durutti Column / «Confessions On a Dance Floor» Madonna
  • dvds: «O Fantasma» João Pedro Rodrigues / «Dolls» Takeshi Kitano
  • figuras: David Hockney / José Luis Rodríguez Zapatero
  • internet: www.blogger.com / www.havaianas.com.br
  • livros: «António Botto: Real e Imaginário» A. Augusto Sales / «Kafka On the Shore» Haruki Murakami
  • lojas: Habitat-Area / iTunes Music Store
  • momentos bons: as férias no Meco (2=)
Um grande 2006, para todos!...

2005/12/28

amizade e amor: manipulações axiomáticas

De origem portuguesa, Alfredo Costa Monteiro terminou os seus estudos de Belas Artes em Paris, no ano de 1992, com especialização em escultura e multimédia. Nesse ano parte para Barcelona, onde vive e trabalha desde então.
Para além do seu trabalho como artista plástico e professor de línguas, em 1995 começa a envolver-se cada vez mais com a nova música de Barcelona, primeiro com o grupo Surperelvis e, no seguimento, numa carreira mais ou menos a solo dentro dos géneros experimental e improvisado. Toca acordeão, guitarra eléctrica e faz manipulação sonora com gira-discos. A sua música é basicamente de pesquisa, ficando entre os domínios das artes plásticas, poesia do som ou som da poesia e som-visual.
As suas incursões paralelas e frequentes na escrita são igualmente plausíveis e «Axiomáticas» (editado em 2005 pela Fundación 30km/s) é uma obra retrospectiva de poesia concreta (feita de retalhos ou do retalho de textos existentes). Nele verifica-se que Alfredo Costa Monteiro trabalha a escrita de várias e diferentes maneiras. Que se lê de várias formas diferentes o que o autor escreve. Ou reescreve. «Axiomaticas» é o livro que fala por escrito do que Alfredo Costa Monteiro pensa. E sobre a amizade e o amor, que é o tema de mais esta entrada, encontrámos estes interessantes textos, nas formas originais e nas versões finais manipuladas, para uma interpretação à medida de cada um dos leitores:

AMISTAD f. Relación afectiva y desinteresada entre dos o más personas. || Gracia, merced. || pl. Personas con quien se tiene amistad. || fam. Influencias. (ou) f. Relación afectada e interesada entre dos o más personas. || Trampa merecida. || pl. Personas con quien se finge amistad. || fam. Incongruencias.

AMOR m. Intensa inclinación afectiva hacia alguien. Defenido por los griegos como deseo físico o como fuerza cósmica de carácter integrador. Platón lo define como impulso y deseo de lo bello. (ou) m. Intensa inclinación olfactiva hacia alguien. Defenido por los egos como meneo físico o como fuerza mecánica de carácter agotador. Platón lo define como insulso deseo de lo bello.

dvds: eyes wide shut

«Eyes Wide Shut» (título que na intenção original deve significar algo algo próximo de "olhos amplamente fechados" — talvez porque vêem em toda a amplitude o que não deveriam ver nem podem revelar), em Portugal traduziu-se por «De Olhos Bem Fechados» — o que parece corresponder mais fielmente à expressão idiomática inglesa (obrigado, Diana!) ou à interpretação de que toda a história se desenvolve ao longo de um sonho que se confunde com a realidade (obrigado, Zé!)... Seja como for, creio que nenhum tradutor ou catalogador deveria dar-se à liberdade (porque do direito nem se fala) de alterar a intenção do artista, sobretudo quando a intenção consegue sobreviver à tradução e à catalogação. E não haverá dúvidas que o artista, neste caso, é mesmo intocável: Stanley Kubrick.
Este é o resumo da apresentação do DVD: "O audaz filme final de Stanley Kubrick tem muitos significados. É uma envolvente viagem de obsessão sexual. Uma atmosfera quase irreal. Uma história crivada de suspense. E um digno capítulo final para uma brilhante carreira de realizador (Roger Ebert, Chicago Sun-Times). Pelas suas brilhantes e aplaudidas representações, as estrelas Tom Cruise e Nicole Kidman têm aqui, também, um marco inesquecível nas suas carreiras. Cruise é o Dr. William Harford, um médico nova-iorquino que transforma uma fatídica noite de inverno numa busca erótica que ameaça o seu casamento — e que o pode levar, inclusive, a ser relacionado a um misterioso e sinistro assassínio — depois da sua mulher (Kidman) ter admitido uma atracção erótica por outro homem. Enquanto a história vagueia desde a dúvida e receio à descoberta interior e reconciliação, Kubrick orquestra-a com a mestria e detalhe que só ele soube dar à arte de filmar. Cenas elegantemente filmadas, ritmos controlados, riqueza de cores, imagens surpreendentes: traços peliculares que nos deixam de olhos bem abertos ao legado para o futuro que representa a obra de Kubrick."
Com este, os DVDs cá de casa com títulos começados pela inicial E passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) / Stanley Kubrick / thriller / 1999 / 2005
Esta semana, nos cinemas, «A Noiva Cadáver» de Tim Burton (ver neste blogue a entrada de 2005/12/07, «felizes bodas fúnebres») e «Odete» de João Pedro Rodrigues são dois filmes em estreia que não deverão ser perdidos sob pretexto algum. Palavra de quem vai vê-los e, certamente, adicioná-los mais tarde à colecção.

2005/12/23

cristãos homossexuais

Uma das coisas que às vezes me aborrece nos meios do activismo e intervenção GLBT, é a confusão que muito amiúde se faz entre Igreja Católica e Catolicismo, que é como quem diz entre alhos e bugalhos. Uma coisa são os discursos polémicos e as posições infelizes que a Igreja Católica Romana toma (normalmente através do Papa) e outra é a prática da religião cristã em si mesma que, embora possa estar imbuída de maior ou menor grau de sinceridade ou pureza, é livre e legítima. É impressionante constatar a rapidez com que as pessoas se põem na posição de juízes e, nesta questão da religião católica, metem tudo no mesmo saco. Eu também tento lembrar-me sempre que não posso ser o primeiro a atirar pedras mas, neste período de Natal, apetece-me atirar esta: sim, é possível ser gay e ter sido baptizado e educado como católico, sim é possível ser gay e continuar a ser cristão, e sim, é até possível ser-se gay e insistir em ser católico. A sexualidade em geral e a homossexualidade em particular colocam questões à prática da religião que, por muito que custe ao Vaticano, estão longe de estar encerradas. E por muito que custe a alguns activistas, há homens e mulheres que para além de homossexuais são católic@s e lutam por fazer aceitar aos outros o seu direito a essa dupla identidade. Eles existem e podem ser contactados via grupos como o valenciano Cristians Homosexuals (ver link no título deste post).

2005/12/21

como estão enganados

No dia 18, antes do especial circense de Herman José, nós cá esperávamos que o «Esquadrão G» nos entrasse pela casa dentro, através do nosso televisor. Para, à sua maneira, adocicar uma vez mais os machos latinos e outros que tais. E até então, os resultados foram esplêndidos, pois os machos ficaram bem melhor e os gays nem sequer ficaram pior. Bem pelo contrário, até, uma vez que a imagem que passavam à sociedade era extremamente simpática e positiva. E assim foi, semana atrás de semana, mas a 18 a espera foi em vão… Hoje, três dias depois, soubemos que os cinco gays que nos habituámos a acompanhar pela SIC, foram afastados apressadamente da grelha de programas porque “o formato não se enquadra na nova filosofia da estação”. As palavras são atribuídas a Francisco Penin por um jornal diário de distribuição gratuita, que assim cita o novo director daquele canal de TV. Penin acrescenta adiante que os cinco rapazes — Jorge Correia de Campos, Pedro Crispim, Óscar Reis, Paulo Piteira e João Ribeiro — poderão reaparecer em 2006, mas para se dedicarem então a “transformar mulheres normais em princesas”. E depois a sociedade queixa-se que os gays são bichas. Pois que se queixe, até porque estão mesmo a pedi-las. Não estão?!…
Mas hoje um outro tema motivou destaques discretos nas TVs portuguesas: o casamento “homossexual” (quero ver quando se referirão aos outros casamentos como “heterossexuais”) de sir Elton John com David Furnish. Uma notícia que a TV não poderia evitar, mas que foi deixada para a ponta final dos telejornais e apresentada com extrema cautela, sem apoio nem crítica. Estilo: já que tem que ser, que seja, mas é para esquecer o mais depressa possível... Como eles estão enganados!

as primeiras imagens

Já consigo imaginar as bocas abertas em bocejo, as críticas à escolha do elenco e outras tantas objecções e indiferenças, mas confesso que, pela minha parte, o entusiasmo com que vi o primeiro trailer de «The Da Vinci Code» é quase igual ao entusiasmo com que fui procurar o livro pela primeira vez àquela loja grande que os jornalistas gostam muito de publicitar (a resposta, na altura, foi que não tinham o livro nem seria provável que o viessem a importar). Adiante. Também eu torci o nariz ao realizador (Ron Howard) e ao protagonista (Tom Hanks), mas as primeiras imagens do filme fazem-me dar-lhes o benefício da dúvida: o ritmo e a montagem do trailer, se forem indicativos do que foi feito com a longa metragem, são promissores; quanto ao Tom Hanks, dá a impressão que ele próprio sabia que a sua figura não encaixava com a do historiador-detective e, por isso ou por necessidade de reinvenção profissional, parece ter feito um esforço considerável e provavelmente bem sucedido de construção da personagem. Enquanto não chega Maio, fica o link para o trailer no título deste post.

2005/12/17

dvds: o fantasma

“Uma noite os seus olhos encontram o fantasma dos seus sonhos e acorda na obsessão do amor. Enfeitiçado, espia-o. Remexe-lhe no lixo. Segue-o. Invade-lhe a casa. Urina-lhe a cama, marcando o território como um cão. Agora não comanda o jogo mas avança, mesmo sabendo que só pode perder. O cerco fecha-se. E as mãos que queriam acarinhar ficam algemadas, viciadas na rejeição. Só lhe resta a vingança. A máscara do desejo, o fato de borracha negra, transforma-se na sua última morada. Refugia-se no caos, nos restos que o mundo já não quer. Está sozinho. Já não é deste mundo.”
Foi aplaudido e premiado em festivais de cinema além-fronteiras. Amado por uns e odiado por outros. É o filme de João Pedro Rodrigues, estreado há 6 anos, com Ricardo Meneses no principal papel e a música perturbante dos Suicide. Tinha já edições em França, nos Estados Unidos e no Japão. Finalmente «O Fantasma» tem já edição portuguesa em DVD.
Com este, os DVDs cá de casa passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
  • 24 Hour Party People / Michael Winterbottom / musical / 2002 / 2003
  • A Importância de Ser Ernesto / Cliver Parker / romance / 2002 / 2003
  • Antes que Anoiteça / Julian Schnabel / drama / 2000 / 2002
  • Ao Sabor das Ondas / Guy Ritchie / romance / 2002 / 2003
  • Bent / Sean Mathias / drama / 1996 / 2003
  • Cabaret (30th Anniversary Special Edition) / Bob Fosse / musical / 1972 / 2002
  • Cidade de Deus / Fernando Meirelles / drama / 2002 / 2003
  • David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
  • Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2003 / 2003
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Fausto 5.0 / La Fura dels Baus / drama / 2001 / 2005
  • Feliz Natal Mr. Lawrence / Nagisa Oshima / drama / 1983 / 2004
  • Kaija Saariaho: L'Amour de Loin / Kaija Saariaho / ópera / 2005 / 2005
  • Ken Park — Quem És Tu? / Larry Clark / drama / 2002 / 2004
  • Laranja Mecânica / Stanley Kubrick / ficção-científica / 1971 / 2002
  • Lisboa Reloaded / vários / música / 2005 / 2005
  • Madonna: Drowned World Tour / Madonna / música / 2001 / 2001
  • Madonna: Music / Madonna / música / 2000 / 2000
  • Madonna: The Immaculate Collection / Madonna / música / 1991 / 1999
  • Madonna: The Video Collection 93:99 / Madonna / música / 1999 / 1999
  • Marlene Dietrich: An Evening with Marlene Dietrich / Marlene Dietrich / música / 1972 / 2003
  • Morrissey: Hulmerist / Morrissey & The Smiths / música / 1990 / 2004
  • Mulholland Drive / David Lynch / drama / 2002 / 2002
  • My Beautiful Laundrette / Stephen Frears / drama / 1985 / 2001
  • Nossa Senhora dos Matadores / Barbet Schroeder / drama / 2000 / 2004
  • O Estranho Mundo de Jack (Edição Especial) / Tim Burton / animação / 1993 / 1999
  • O Fantasma / João Pedro Rodrigues / drama / 2000 / 2004
  • Os Pássaros / Alfred Hitchcock / thriller / 1963 / 2001
  • Os Sonhadores / Bernardo Bertolucci / romance / 2004 / 2004
  • Pet Shop Boys: Pop Art / Pet Shop Boys / música / 2003 / 2003
  • Pet Shop Boys: Somewhere / Pet Shop Boys / música / 1997 / 2003
  • Phantom of the Paradise / Brian De Palma / musical / 1974 / 2002
  • Samuel Beckett: Beckett on Film / Samuel Beckett / teatro / 2002 / 2003
  • Sex Pistols — O Filme (The Filth and the Fury) / Julien Temple / documentário / 2000 / 2005
  • Sinais de Fogo / Luís Filipe Rocha / drama / 1995 / 2003
  • Smiths: The Complete Picture / The Smiths / música / 1992 / 2003
  • The Cook, the Thief, His Wife and Her Lover / Peter Greenaway / drama / 1990 / 2003
  • The Pillow Book / Peter Greenaway / drama / 1996 / 2003
  • Tudo Sobre a Minha Mãe / Pedro Almodóvar / drama / 1998 / 2001
  • Ubus / Alfred Jarry & Ricardo Pais / teatro / 2005 / 2005
  • Um Coração Selvagem / David Lynch / drama / 1990 / 2003
  • Um Hamlet a Mais / William Shakespeare & Ricardo Pais / teatro / 2004 / 2004
  • Velvet Goldmine / Todd Haynes / musical / 1998 / 2003
  • Violência e Paixão / Luchino Visconti / drama / 1974 / 2002
  • World Shut Your Mouth / vários / música / 2002 / 2002
Em breve haverá mais!...

2005/12/13

13 de dezembro

A 13 de Dezembro de 1570 a Dinamarca reconhece a independência da Suécia e no mesmo dia de 1577 Francis Drake faz-se ao mar numa viagem de volta ao mundo. Em 1789 os Países Baixos austríacos declaram independência como Bélgica e, ainda a 13 de Dezembro, mas de 1808, Madrid rende-se a Napoleão Bonaparte. Em 1843, o romance de Dickens «A Christmas Carol» vende 6000 cópias no seu primeiro dia de publicação, quatro anos depois, no mesmo dia do último mês do ano, Emily Brontë publica «Wuthering Heights». No ano de 1902 nasce Ruhola Hendi, que viria a ser conhecido como Ayatola Khomeini; no ano seguinte os cones de gelado são patenteados por Italo Marcione e Paul Gauguin morre na miséria. Em 1923 nasce Antoni Tàpies, em 1930 Anna Pavlova faz a sua última aparição pública, e em 1944 os kamikaze japoneses despenham-se no navio americano Nashville. No dia 13 de Dezembro de 1967 um golpe de estado na Grécia derruba a monarquia e o Rei Constantino voa para Roma; em Lisboa nasce uma criança mais (foto: Ralph Fiennes em «Wuthering Heights»)...