A ópera sempre me fascinou, digo-o sem qualquer pretensiosismo — gosto do conceito de 'obra de arte total' e da extrema artificialidade do género que, por isso mesmo, potencia símbolos, significados e mitos. E gosto particularmente de ópera moderna, ou contemporânea, porque acredito que a arte que se faz no tempo das nossas vidas é mais importante (não necessariamente melhor) do que a que fez história. E acho que as óperas, como os bons romances, devem ser um pouco enfadonhas e difíceis ("desconfia do que é fácil") — só há verdadeira fruição da arte com esforço e espaço para o enigma e a interpretação. Mas não é habitual a produção de ópera contemporânea em Portugal: lembro-me só de «O Corvo Branco» de Philip Glass e «Os Dias Levantados» de António Pinho Vargas, para a Expo 98; do «Melodias Estranhas» de António Chagas Rosa, para o Porto 2001 ou do «Punch And Judy» de Harrison Birtwistle no S. João. Por tudo isto é com entusiasmo que descubro que o mais celebrado dos nossos compositores contemporâneos, Emmanuel Nunes, irá estrear a sua primeira ópera em Novembro, no São Carlos. Com libreto do próprio compositor, a partir de um conto de fadas de Goethe intitulado «Das Märchen» (precisamente «O Conto» ou «O Conto de Fadas»), a obra é povoada por uma serpente verde e outras criaturas fabulosas. A direcção fica a cargo de Peter Rundel e a encenação é de Giorgio Barberio Corsetti, com interpretação da Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do TNSC, o Remix Ensemble e a Companhia de Bailado NN. A ópera «Das Märchen», co-produzida pelo São Carlos, a Gulbenkian, o IRCAM e a Casa da Música, parece ter tudo para cantar e encantar.
2006/01/23
das märchen
A ópera sempre me fascinou, digo-o sem qualquer pretensiosismo — gosto do conceito de 'obra de arte total' e da extrema artificialidade do género que, por isso mesmo, potencia símbolos, significados e mitos. E gosto particularmente de ópera moderna, ou contemporânea, porque acredito que a arte que se faz no tempo das nossas vidas é mais importante (não necessariamente melhor) do que a que fez história. E acho que as óperas, como os bons romances, devem ser um pouco enfadonhas e difíceis ("desconfia do que é fácil") — só há verdadeira fruição da arte com esforço e espaço para o enigma e a interpretação. Mas não é habitual a produção de ópera contemporânea em Portugal: lembro-me só de «O Corvo Branco» de Philip Glass e «Os Dias Levantados» de António Pinho Vargas, para a Expo 98; do «Melodias Estranhas» de António Chagas Rosa, para o Porto 2001 ou do «Punch And Judy» de Harrison Birtwistle no S. João. Por tudo isto é com entusiasmo que descubro que o mais celebrado dos nossos compositores contemporâneos, Emmanuel Nunes, irá estrear a sua primeira ópera em Novembro, no São Carlos. Com libreto do próprio compositor, a partir de um conto de fadas de Goethe intitulado «Das Märchen» (precisamente «O Conto» ou «O Conto de Fadas»), a obra é povoada por uma serpente verde e outras criaturas fabulosas. A direcção fica a cargo de Peter Rundel e a encenação é de Giorgio Barberio Corsetti, com interpretação da Orquestra Sinfónica Portuguesa, o Coro do TNSC, o Remix Ensemble e a Companhia de Bailado NN. A ópera «Das Märchen», co-produzida pelo São Carlos, a Gulbenkian, o IRCAM e a Casa da Música, parece ter tudo para cantar e encantar.
2006/01/19
murmúrios da primavera
Poderia escrever sobre a recente resolução comunitária que aconselha os países europeus a combaterem a homofobia; as manifestações em Itália contra a ingerência do Vaticano na legislação sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo; ou sobre os mais recentes sucessos de «Brokeback Mountain». Poderia mostrar os cowboys de mãos dadas no desfile de moda para homem da Valentino e, noutras paragens, Ricky Martin a fazer yoga na praia com um moço todo jeitoso. Ou até podia relatar como o cantor sul-americano confessou em entrevista, com uma casualidade desarmante, que gosta de "golden showers". A colaboração dos Pet Shop Boys com Madonna em «Sorry» também merecia comentário, sobretudo a propósito dos meninos terem perdido a oportunidade e feito um trabalho tão fraquito que parece ser que nem vai ser incluído nos singles. A estreia de «Rome» no dia 30, na RTP 2, também é digna de nota, assim como a polémica que envolve a série norte-americana «The Book Of Daniel», sobre um pastor com uma família menos que funcional, que tem conversas com Jesus. Mas começo a ouvir a Primavera em murmúrios quase imperceptíveis. A vontade de voltar a andar de havaianas é grande, e o novo boy do portal Terra (Luís perdoa-me o devaneio), como se pode ver na imagem e confirmar pelo link no título deste post, também não ajuda à seriedade que o Inverno, em rigor, prefere.
2006/01/11
dvds: depeche mode 101
Primeiro, Vince Clarke e Martin L. Gore formaram o duo French Look, em 1979. Depois mudaram-lhe o nome para Composition of Sound. Finalmente, em 1980, os Depeche Mode nasciam em Basildon, Essex (Reino Unido), com três rapazitos a dar o mais criativo de si: Andy Fletcher (guitarra e voz), Martin L. Gore (guitarra e voz) e Vince Clarke (sintetizadores e voz). O novo nome do grupo só seria firmado no ano seguinte, e retirado da conhecida revista francesa de moda, do mesmo nome. Ainda nesse ano, o trio afastou as guitarras para um segundo plano, tornando-se num grupo quase inteiramente electrónico. As mudanças foram reforçadas com a entrada de um vocalista: Dave Gahan (na foto, o quarteto de 1981, com Fletcher, Gahan, Gore e Clarke).Mesmo apesar de tanta mudança, este era ainda o princípio. As "demos" em cassete não surtiam qualquer efeito nos meios editoriais da capital inglesa e o grupo mantinha-se quase permanentemente em ensaios privados e no aperfeiçoamento das suas canções pop que puxavam para a dança. Era um grupo estranho para a época, pois as correntes musicais apontavam ora num sentido menos dançável quando se falava de música alternativa, ora em direcção menos alternativa quando se falava de música de dança.
Foi pelo convite de um outro "desenquadrado" que os Depeche Mode tiveram um golpe de sorte: Fad Gadget, que gravava para a Mute Records, actuava em Londres e os "Depeche" foram convidados para fazer a primeira parte. O boss da Mute, Daniel Miller, viu-os pela primeira vez e gostou. O grupo foi contratado, fez alguns singles e um álbum, foi preparando outro, e tudo isto empurrou-o para a estrada e fez vedetas de cada um dos seus músicos. Pequenas ainda, mas vedetas mesmo assim.
Só que daí veio um problema: o principal teclista, Vince Clarke, era um "rato de estúdio". O que ele queria era compor e gravar, não actuar em palco, aqui, ali e além... Como tal, decide sair e formar a sua própria banda (de novo em duo, tal como antes acontecera nos The Assembly e nos Depeche Mode iniciais, agora de novo com os Yazoo, mais tarde com os Erasure, onde se mantém há muitos anos com Andy Bell).
Em 1988, os Depeche Mode procuram a sua afirmação nos Estados Unidos, onde eram já conhecidos e seguidos por uns quantos fãs. A 18 de Junho tocam em Pasadena e esse concerto, talvez o mais memorável da sua carreira longa e bem sucedida, ficou registado para a posteridade. No ano seguinte é editado como LP e CD duplos, sob o título «101», que correspondia à referência do disco na série da editora. Na mesma altura, os duplos áudio têm também edição equivalente numa cassete VHS.
Em 2005 surge finalmente a versão para DVD (o formato do momento), contendo como disco 1 o intitulado «101», ou seja o filme de D.A. Pennebaker, Chris Hegedus e David Dawkins, e como disco 2 o que foi designado por «Live at The Pasadena Rose Bowl June 18th 1988» e que corresponde ao concerto referido atrás. Por comparação com o duplo CD (a versão original, ainda numa elaborada embalagem "digipack") verifica-se a ausência dos temas «Sacred», «Something to Do», «Things You Said», «Shake The Disease», «Nothing», «People Are People», «A Question of Time» e «A Question of Lust». O CD original conta 20 temas e o DVD nº 2 apenas 12. Ficaram de fora, portanto, as 8 que referi, o que faz do duplo CD um formato complementar ao DVD, ou o contrário.
1988 foi há 18 anos atrás e já muito aconteceu no mundo da música e nos Depeche Mode. O grupo (agora de novo em trio, uma vez que Alan Wilder abandonou a formação, onde substituiu Clarke entre 1982 e 1995) mantém-se activo e em forma, actuando de novo em Portugal já a seguir em 8 de Fevereiro, no Pavilhão Atlântico (Lisboa). Um belo concerto será, certamente!
No que respeita aos nossos DVDs, com a chegada dos Depeche Mode os títulos disponíveis começados pela letra D ficam agora a ser (título / autor / género / lançamento / edição):
- David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
- Depeche Mode: 101 / Depeche Mode / música / 2005 / 2005
- Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2003 / 2003
2006/01/10
elogio da segunda volta
Há muito ruído em torno das iminentes eleições presidenciais: um candidato a fazer campanha com trunfos que não interessam para o lugar, dois outros a apunhalarem-se nas costas, um que de tanto se dirigir às minorias parece oportunista, outro ainda que passa despercebido, e mais dois ou três que nem percebi quem são. Das mais recentes sondagens se conclui que uma grande parte da população anda à procura de um novo primeiro-ministro, mas o cargo é o da Presidência da República! Será que um economista sem poderes executivos e sem dotes diplomáticos é útil em Belém? E um poeta?... Há muita coisa que se podia discutir mas nem se aborda nesta campanha eleitoral. Começa a parecer provável a eleição do ex-primeiro-ministro social democrata sem esforço nem (diria eu) glória — por isso já me decidi, estou determinado a votar da forma que melhor servir para forçar uma segunda volta. Eu preciso de uma campanha com um mínimo de seriedade e esclarecimento. Dir-me-ão os cavaquistas ferrenhos que assim se arrisca a eleição do seu ídolo, mas eu acredito que ou ele é o candidato certo (ou menos errado) e ganha, ou não é. Será?
2006/01/06
dvds: pink narcissus
Já chegou cá a casa, em formato DVD (que virá certamente substituir a nossa velha cassete de VHS, comprada em Londres há já mais de 15 anos, ela própria um objecto de colecção), a nova edição daquele que é considerado como o maior clássico camp de culto de todos os tempos: o filme «Pink Narcissus», do fotógrafo e cineasta James Bidgood.Remasterizado digitalmente a partir da mais completa cópia que se conhece, esta nova edição é engrandecida com um documentário especialmente interessante: «The Queer Reveries Of James Bidgood», ou seja, uma tentativa de biografar e apresentar ao mundo o artista quase desconhecido que transformou o belo e jovem actor Bobby Kendall num ícone poético da Nova Iorque gay e criativa dos anos setenta.
O original do filme data de 1971, época em que se usavam os formatos Super-8 e 16mm, que eram os preferidos de James Bidgood. Na versão actual, remasterizada, o grão fotográfico característico desses pequenos filmes amadores da época mantém-se em todo o caso visível. Mas esse é um mal menor porque este é sem a menor dúvida um clássico do cinema underground em geral e gay (ou queer) em especial. Ele tem reminiscências da teatralidade excepcional de Lindsay Kemp e do cinema vertiginoso de Kenneth Anger e, por outro lado, terá mesmo sido uma inspiração provável para artistas da actualidade tão importantes quanto Jean-Daniel Cadinot, Pierre et Gilles, Bruce LaBruce ou mesmo João Pedro Rodrigues.
O "Narciso cor-de-rosa" (assim se poderia traduzir para português) explora uma visão kitsch das fantasias de um jovem prostituto, de uma beleza assombrosa. Pode ser encontrado em DVD na BQHL Éditions ou num delicioso livro-objecto da Taschen. O livro já o tínhamos. Com a chegada do DVD, os títulos disponíveis começados pela letra P ficaram então a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
- Pet Shop Boys: Pop Art / Pet Shop Boys / música / 2003 / 2003
- Pet Shop Boys: Somewhere / Pet Shop Boys / música / 1997 / 2003
- Phantom of the Paradise / Brian De Palma / musical / 1974 / 2002
- Pink Narcissus / James Bidgood / erótico / 1971 / 2005
2006/01/04
1 milhão
Pelo menos desde 1948, quando Alfred Kinsey publicou o livro «Sexual Behavior In The Human Male» (mais conhecido como "Relatório Kinsey"), que as estatísticas sobre o número de homossexuais se fazem com alguma regularidade e rigor. Estes estudos, seja pelas dificuldades inerentes à obtenção de respostas a inquéritos sobre a sexualidade, seja pela dificuldade de determinar a partir de que ponto um indivíduo pode ser considerado homossexual, não têm sido abrangentes nem conclusivos, mas parecem apontar com alguma constância para um número entre os 5 e os 10% da população. O Governo Britânico, por razões de ordem financeira (e da importância dos impostos se poderá concluir sobre a intenção de rigor), realizou recentemente um desses estudos, e concluiu que cerca de 6% da população seria homossexual. O blogue Renas e Veados já se entreteve a fazer as contas, extrapolando para a população de Portugal a percentagem inglesa, com a qual se obteriam cerca de 630.000 homossexuais lusitanos. O semanário Expresso anuncia 1 milhão, ou como se constata noutro blogue (desta vez no de Miguel Vale de Almeida), mais do que a população existente no Luxemburgo, na Islândia ou no Mónaco e aproximadamente o mesmo do que a população de Timor-Leste. A mim parece-me que o peso do número (seja ele 630.000 ou 1 milhão), que de resto podia já há algum tempo ser adivinhado ou entrevisto, acaba por ser notícia de menor importância do que o facto do Expresso lhe dar destaque de primeira página, em confronto directo com a opinião que cada um dos candidatos à Presidência da República tem sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. De repente, e finalmente, parece que se começa a acordar...
2006/01/02
amizade e amor: dean e o imoralismo de gide
O escritor francês André Gide (1869-1951) foi galardoado em 1947 com o Nobel da Literatura. O seu legado literário valorizou sempre a honestidade intelectual, tendo por vértices o desagrado das duas Grandes Guerras e o advento do anticolonialismo.Os valores da sua fervorosa religiosidade (como austero e refinado protestante), da sua experiência de vida (em particular o casamento sexualmente não consumado com uma prima, em 1895) e, em especial, de uma sexualidade ainda menos comum (como a hoje bem conhecida relação pederástica que teve em 1916 com Marc Allégret), também marcaram fortemente a sua obra.
«O Imoralista», escrito em 1901, é um desses legados. Nele, Gide narra de forma quase autobiográfica uma história passada no norte de África, quando o arqueólogo Michel se vê atraído por um criado árabe, o belo e jovem Bachir.
Mesmo passados 50 anos sobre a sua primeira publicação, em 1952 o Vaticano colocou «O Imoralista» no índex dos livros proibidos e, curiosamente, dois anos depois ele é adaptado ao teatro e representado na Broadway com o ainda desconhecido James Dean (na foto) no papel do elegante criado africano. A obra sobreviveu à proibição da Igreja e graças também ao jovem actor estreante, alcançou o sucesso maior junto do público e da crítica, recebendo então o prémio de revelação do ano. Elia Kazan, o grande realizador da época, não dormia de olhos fechados, e arrastou Dean para o cinema, onde viria a tornar-se definitivamente famoso. Mas essa história ficará eventualmente para uma outra entrada...
Na história escrita por Gide, o arqueólogo europeu que se apaixonou pelo criado africano viu morrer de tuberculose a sua mulher Marceline e, confrontado com as suas obsessões e tabus, chama a si — apelando a um velho pacto académico — os seus amigos do tempo de estudante. Confronta-os com a sua história, o seu mundo, os seus sentimentos, as suas dúvidas e as suas certezas, sem esperar ouvir uma palavra de aprovação ou censura. Apenas esperando ser ouvido... (Um livro para ler.)
2005/12/31
adeus, 2005
Um balanço possível, feito a dois, que resume o que mais nos marcou no decurso de 2005 (não confundir com outras listagens que se vão encontrando por todo o lado e que se referem quase sem excepção aos lançamentos, estreias e afins apenas do ano que é encerrado). Neste nosso registo das marcas mais positivas, numa retrospectiva pessoal e difícil de resumir, está aquilo que nos "tocou" em 2005, a cada um de nós ou aos dois em conjunto. Que seja assim, portanto:- cinema: «Os Edukadores» Hans Weingartner (na imagem e no link do título) / «A Noiva Cadáver» Tim Burton
- concertos: «Le Marteau Sans Maître» Ensemble InterContemporain (2=)
- discos: «Amigos em Portugal» Durutti Column / «Confessions On a Dance Floor» Madonna
- dvds: «O Fantasma» João Pedro Rodrigues / «Dolls» Takeshi Kitano
- figuras: David Hockney / José Luis Rodríguez Zapatero
- internet: www.blogger.com / www.havaianas.com.br
- livros: «António Botto: Real e Imaginário» A. Augusto Sales / «Kafka On the Shore» Haruki Murakami
- lojas: Habitat-Area / iTunes Music Store
- momentos bons: as férias no Meco (2=)
2005/12/28
amizade e amor: manipulações axiomáticas
De origem portuguesa, Alfredo Costa Monteiro terminou os seus estudos de Belas Artes em Paris, no ano de 1992, com especialização em escultura e multimédia. Nesse ano parte para Barcelona, onde vive e trabalha desde então.Para além do seu trabalho como artista plástico e professor de línguas, em 1995 começa a envolver-se cada vez mais com a nova música de Barcelona, primeiro com o grupo Surperelvis e, no seguimento, numa carreira mais ou menos a solo dentro dos géneros experimental e improvisado. Toca acordeão, guitarra eléctrica e faz manipulação sonora com gira-discos. A sua música é basicamente de pesquisa, ficando entre os domínios das artes plásticas, poesia do som ou som da poesia e som-visual.
As suas incursões paralelas e frequentes na escrita são igualmente plausíveis e «Axiomáticas» (editado em 2005 pela Fundación 30km/s) é uma obra retrospectiva de poesia concreta (feita de retalhos ou do retalho de textos existentes). Nele verifica-se que Alfredo Costa Monteiro trabalha a escrita de várias e diferentes maneiras. Que se lê de várias formas diferentes o que o autor escreve. Ou reescreve. «Axiomaticas» é o livro que fala por escrito do que Alfredo Costa Monteiro pensa. E sobre a amizade e o amor, que é o tema de mais esta entrada, encontrámos estes interessantes textos, nas formas originais e nas versões finais manipuladas, para uma interpretação à medida de cada um dos leitores:
AMISTAD f. Relación afectiva y desinteresada entre dos o más personas. || Gracia, merced. || pl. Personas con quien se tiene amistad. || fam. Influencias. (ou) f. Relación afectada e interesada entre dos o más personas. || Trampa merecida. || pl. Personas con quien se finge amistad. || fam. Incongruencias.
AMOR m. Intensa inclinación afectiva hacia alguien. Defenido por los griegos como deseo físico o como fuerza cósmica de carácter integrador. Platón lo define como impulso y deseo de lo bello. (ou) m. Intensa inclinación olfactiva hacia alguien. Defenido por los egos como meneo físico o como fuerza mecánica de carácter agotador. Platón lo define como insulso deseo de lo bello.
dvds: eyes wide shut
«Eyes Wide Shut» (título que na intenção original deve significar algo algo próximo de "olhos amplamente fechados" — talvez porque vêem em toda a amplitude o que não deveriam ver nem podem revelar), em Portugal traduziu-se por «De Olhos Bem Fechados» — o que parece corresponder mais fielmente à expressão idiomática inglesa (obrigado, Diana!) ou à interpretação de que toda a história se desenvolve ao longo de um sonho que se confunde com a realidade (obrigado, Zé!)... Seja como for, creio que nenhum tradutor ou catalogador deveria dar-se à liberdade (porque do direito nem se fala) de alterar a intenção do artista, sobretudo quando a intenção consegue sobreviver à tradução e à catalogação. E não haverá dúvidas que o artista, neste caso, é mesmo intocável: Stanley Kubrick.Este é o resumo da apresentação do DVD: "O audaz filme final de Stanley Kubrick tem muitos significados. É uma envolvente viagem de obsessão sexual. Uma atmosfera quase irreal. Uma história crivada de suspense. E um digno capítulo final para uma brilhante carreira de realizador (Roger Ebert, Chicago Sun-Times). Pelas suas brilhantes e aplaudidas representações, as estrelas Tom Cruise e Nicole Kidman têm aqui, também, um marco inesquecível nas suas carreiras. Cruise é o Dr. William Harford, um médico nova-iorquino que transforma uma fatídica noite de inverno numa busca erótica que ameaça o seu casamento — e que o pode levar, inclusive, a ser relacionado a um misterioso e sinistro assassínio — depois da sua mulher (Kidman) ter admitido uma atracção erótica por outro homem. Enquanto a história vagueia desde a dúvida e receio à descoberta interior e reconciliação, Kubrick orquestra-a com a mestria e detalhe que só ele soube dar à arte de filmar. Cenas elegantemente filmadas, ritmos controlados, riqueza de cores, imagens surpreendentes: traços peliculares que nos deixam de olhos bem abertos ao legado para o futuro que representa a obra de Kubrick."
Com este, os DVDs cá de casa com títulos começados pela inicial E passam a ser os seguintes (título / autor / género / lançamento / edição):
- Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
- Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
- Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
- Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) / Stanley Kubrick / thriller / 1999 / 2005
Subscrever:
Mensagens (Atom)