A 5 de Agosto de 1986 o Diário de Notícias incluía no seu suplemento DN Jovem um texto do leitor Raul Moreno, então com 20 anos, estudante universitário de Coimbra. Recortei-o e guardei-o como algo de raro e precioso. Tantos anos passados, o recorte de escassos 8x8 cm permanece comigo, amarelado mas tão belo e intenso quanto antes. Este texto quase anónimo merecia divulgação, mais não fosse a propósito das minhas entradas sobre a amizade e o amor que regularmente vou aqui colocando. Do seu autor nunca nada soube, nada sei. Quanto ao texto de há 20 anos ei-lo, sem mais palavras, para que alguém o imprima e o faça reviver de novo, nem que seja só daqui a mais duas décadas:Johnny, sabes o que é que faço se não sais dessa mudez? Agarro em todas as cartas que nunca me escreveste e publico-as, mesmo antes de (não) vires a ser famoso. Agarro em todas essas palavras que nunca me dirigiste, e que guardo amarradas por uma fita roxa na gaveta dos amores — onde moram sozinhas, portanto — e exponho-as, num suplemento literário qualquer, à mistura com outros poemas e crónicas de vidas anónimas. Isto tudo a ver se ao menos uma fala de raiva és capaz de me conceder.
Raul
(A foto do topo e o link são de Howard Roffman, um fotógrafo com um trabalho excepcionalmente sóbrio e brilhante.)








