Foram dois os filmes que vimos já este ano no cinema: «Odete» e «O Segredo de Brokeback Mountain».«Odete», o novo de João Pedro Rodrigues, era esperado como algo que, no mínimo, deveria ser tão extraordinário quanto o precedente «O Fantasma», que considero um verdadeiro filme de culto. O novo filme conta uma história também extraordinária, absorvente, quiçá sobrenatural, mas no fim fica-se com uma sensação de que algo ficou inatingido. Ou inexplicado, se calhar. Por isso, ou se sai da sala com uma ligeira insatisfação ("cabecinha pensadora") ou se dá ares de que se percebeu tudo e de que o filme era apenas uma comédia, largando-se muitas gargalhadas pelo meio. Os mais "alegres" certamente optarão por essa postura, sobretudo se acharem que se devem rir de tudo que tenha a ver com o que não entendem... «Odete» é um excelente filme, com uma história invulgar, a tocar o sobrenatural, e uma excelente fotografia, cuidados planos, belos actores. Creio que deve ser visto e, talvez, adquirido também mais tarde em formato doméstico.
O mais recente «O Segredo de Brokeback Mountain», de Ang Lee, filme de que tanto se falou antes da estreia devido à sua nomeação múltipla para os Óscares de Hollywood entre outros prémios já conquistados, conta uma história rara de dois cowboys enamorados, mas tal não deveria já surpreender quem o visse. Afinal estava tudo previsto, tudo anunciado, tudo tão perfeito quanto só os americanos sabem (e embora o realizador seja um chinês de Taiwan, é americana a sua cultura de adopção e a autora do livro que deu lugar ao filme, E. Annie Proulx). Mesmo assim, o filme ultrapassou o que dele eu esperava. Mexeu com os meus sentimentos. Pôs-me a lágrima no canto do olho e a diversos espectadores também. E teve também a grande virtude de fazer pensar no número de lados que pode ter um triângulo e nas formas que podem resultar da sua transformação. «Brokeback Mountain» merece todos os Óscares de Hollywood. E, custe o que custar, terá que constar também da nossa videoteca. A imagem escolhida representa bem o subtítulo do cartaz: «O amor é uma força da natureza». Pelo link pode visitar-se o site oficial do filme.








