A Sex foi uma loja dirigida por Malcolm McLaren e Vivienne Westwood, entre 1971 e 1979, no número 430 da Kings Road, em Londres.O seu primeiro nome foi Let It Rock, vendendo acessórios de moda para rockers e teddy boys. Em 1974 Malcolm desloca-se em negócios a Nova Iorque e vem a conhecer a banda New York Dolls, propondo-se para seu agente. O grupo aceita, mas os resultados não são satisfatórios. Malcolm regressa a Londres, levando consigo novas ideias.
A loja muda imediatamente de nome, acabando com o negócio de moda para rockabillies. Dedica-se então ao comércio de roupas de borracha, de uma vasta variedade de acessórios sadomasoquistas, de revistas pornográficas e de fetiches sexuais. E o seu nome não poderia ser mais eloquente: Sex.
O negócio teve o sucesso suficiente para durar até à chegada do movimento punk, para o qual McLaren e Westwood contribuíram preponderantemente. O grande ícone do movimento (os Sex Pistols) teve origem numa banda que frequentava a loja (The Swankers — basicamente Steve Jones e Paul Cook, mais Glenn Matlock que era empregado da Sex), para a qual foi feita uma audição na própria loja, em Agosto de 1975, que resultou na entrada de Johnny Rotten para vocalista.
Por fim, em 1976 a Sex mudava novamente de nome tornando-se na nova Seditionaries, que procurava corresponder às necessidades da cultura punk emergente. Foi a pioneira e alcançou um sucesso inédito e histórico. Mas o movimento crescia e na Kings Road foram surgindo lojas semelhantes, suas concorrentes. O sonho conjunto de Vivienne e Malcolm assim chegava ao fim e a Seditionaries fechava as portas em 1979. Depois, a primeira seguiu o mundo da moda, tornando-se numa grande e conceituada estilista; e o segundo o mundo da música e... da política (em 2000 chegou-se a falar no seu nome para Mayor de Londres).
Em 1977 eu tinha 16 anos e não vivia em Londres. Abril tinha acontecido apenas há 3 e o Porto não ficava no centro do universo cultural português. Tudo isto demorou a chegar cá, a deslumbrar-me. Cresci, vivi outras experiências, mas sempre considerei o movimento punk como o princípio de muita coisa que se tornou importante e preponderante para mim.
Tantos anos passados, reencontrei um objecto de fascínio, de desejo. Hoje talvez maior ainda do que nos seus tempos de novidade: uma T-shirt criada em 1977 pela Seditionaries, a partir de um desenho do ilustrador gay Tom of Finland. Uma fake actual, simplesmente, mas ainda assim tão deliciosamente bela, provocadora e cobiçada quanto naquela época. E agora é... minha!








