A Pornografia não é um crime! E mesmo que o fosse, teria certamente muitos mais adeptos do que a Arte, já que essa não é geralmente de apelo imediato, é mais subjectiva que objectiva, é mais inatingível. Juntar a pornografia à arte, ou arte à pornografia, é um conceito novo para muitos mas já por demais experimentado, desde há muito. Da Playboy à Playgirl (passando por muitas outras publicações bem mais radicais na arte de apresentar o nu), o erotismo e a pornografia traçam novas divisões que ajudam muitas vezes a distinguir o soft do hard.Slava Mogutin, modelo, actor porno, escritor, poeta e sobretudo talentoso fotógrafo vem muito a propósito de todas estas considerações. Russo de Moscovo pelo nascimento e norte-americano de Nova Iorque pela escolha, Slava está hoje representado nas melhores revistas de arte e de moda, nas galerias mais arrojadas e mais conceituadas. Soldados, punks, skaters são parte do objecto da sua escolha que se mistura com sexo, muito sexo, muita acção e sinais de revolta, de contestação, de amplo inconformismo.
As fotos de Slava Mogutin são instantes pensados para não fazer concessões. Estão carregadas de dor, de prazer, de inocência, de fatalidade, de entrega, de despojamento. Nas suas imagens há algo de sinistro e de inatingível, que aos poucos vamos entendendo. Há pornografia, muita pornografia. Às vezes só mesmo uma suave sugestão, algum erotismo, mas sempre uma enorme entrega que revela a grandeza do seu amor à arte, do seu amor à linguagem dos sentidos. (No título há um link para o sítio de Slava Mogutin na internet.)








