2006/09/11

dvds: a 11 mais doze

Neste 11 de Setembro reparámos que desde Abril (data da lista anterior) já adquirimos mais doze DVDs: «20 Centímetros» (uma compra intuitiva que se impôs por ser uma deliciosa comédia musical sobre um transexual que tudo faz para se livrar de vez de 20cm de carne), «A Felina» (o inigualável novo clássico com Nastassja Kinski ao lado de Malcolm McDowell e a banda sonora de Giorgio Moroder e David Bowie), «Vespertine Live at Royal Opera House» da Björk (acompanhada em concerto pela inventiva harpista Zeena Parkins e pelo duo gay da electrónica experimental Matmos), «Castro» (a peça sobre os amores trágicos de Pedro e Inês, com a assinatura de qualidade de Ricardo Pais), «Live! The Tank, The Swan And The Balloon» dos Erasure (a versão pop e tão intencionalmente ingénua do bailado clássico «O Lago dos Cisnes»), «Excalibur» ("...quem conseguir soltar a espada da rocha leva o reino de prémio", com alguma graciosa exploração do corpo de Lancelot), «Felizes Juntos» (na foto e no link — talvez um dos filmes da vida do meu companheiro —, é sobre a história de amor de um jovem casal gay asiático à procura do seu destino na América do Sul), «The Very Best of...» dos Japan (o melhor do grupo glam-pop de David Sylvian), «The Girlie Show Live Down Under» da Madonna (Madonna!), «A Flauta Mágica» de Mozart (numa versão com cenários do pintor homossexual David Hockney, a última grande figura da pop art), «O Fantasma de Canterville» (versão do delicioso conto de Oscar Wilde) e «Um Cadáver de Sobremesa» (uma intriga policial com os melhores detectives do mundo e a actuação do verdadeiro Truman Capote). A nova listagem (que exclui um par de filmes duros) desta vez ficou assim (título / autor / género / lançamento / edição):
  • 20 Centímetros / Ramón Salazar / drama / 2005 / 2006
  • 24 Hour Party People / Michael Winterbottom / musical / 2002 / 2003
  • A Felina / Paul Schrader / fantasia / 1982 / 2003
  • A Importância de Ser Ernesto / Cliver Parker / romance / 2002 / 2003
  • Antes Que Anoiteça / Julian Schnabel / drama / 2000 / 2002
  • Ao Sabor das Ondas / Guy Ritchie / romance / 2002 / 2002
  • Beckett on Film / Samuel Beckett / teatro / 2001 / 2001
  • Bent / Sean Mathias / drama / 1996 / 2003
  • Björk: Vespertine Live at Royal Opera House / Björk / música / 2002 / 2002
  • Bruscamenete no Verão Passado / Joseph I. Mankiewicz / drama / 1960 / 2002
  • Cabaret (30th Anniversary Special Edition) / Bob Fosse / musical / 1972 / 2002
  • Castro / António Ferreira & Ricardo Pais / teatro / 2006 / 2006
  • Cidade de Deus / Fernando Meirelles / drama / 2002 / 2003
  • David Bowie: Best of Bowie / David Bowie / música / 2002 / 2002
  • Depeche Mode: 101 / Depeche Mode / música / 2003 / 2003
  • Dolls / Takeshi Kitano / drama / 2002 / 2003
  • Erasure: Hits! The Videos / Erasure / música / 2003 / 2003
  • Erasure: Live! The Tank, The Swan And The Balloon / Erasure / música / 2004 / 2004
  • Eurythmics: Sweet Dreams / Eurythmics / música / 1983 / 2003
  • Eva (All About Eve) / Joseph L. Mankiewicz / drama / 1950 / 2002
  • Excalibur / John Boorman / fantasia / 1981 / 2005
  • Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados) / Stanley Kubrick / thriller / 1999 / 2005
  • Fausto 5.0 / La Fura dels Baus / drama / 2002 / 2005
  • Feliz Natal Mr. Lawrence / Nagisa Oshima / drama / 1983 / 2003
  • Felizes Juntos / Wong Kar-Wai / romance / 1997 / 2006
  • Japan: The Very Best of... / Japan / música / 2006 / 2006
  • Ken Park — Quem és tu? / Larry Clark / drama / 2002 / 2004
  • Là où je Dors / Isabel Barros / dança / 2005 / 2005
  • Laranja Mecânica / Stanley Kubrick / ficção-científica / 1971 / 2003
  • Lisboa Reloaded / vários / música / 2005 / 2005
  • Madonna: Drowned World Tour / Madonna / música / 2001 / 2001
  • Madonna: Music / Madonna / música / 2000 / 2000
  • Madonna: The Girlie Show Live Down Under / Madonna / música / 1999 / 1999
  • Madonna: The Immaculate Collection / Madonna / música / 1991 / 1999
  • Madonna: The Video Collection 93:99 / Madonna / música / 1999 / 1999
  • Marlene Dietrich: An Evening with Marlene Dietrich / Marlene Dietrich / música / 1972 / 2003
  • Morrissey: Hulmerist / Morrissey & The Smiths / música / 2004 / 2004
  • Mozart: A Flauta Mágica / Mozart & David Hockney / música / 1992 / 2006
  • Mulholland Drive / David Lynch / drama / 2001 / 2002
  • My Beautiful Laundrette / Stephen Frears / drama / 1985 / 2001
  • No Fly Zone / Né Barros / dança / 2005 / 2005
  • Nossa Senhora dos Matadores / Barbet Schroeder / drama / 2000 / 2004
  • O Estranho Mundo de Jack (Edição Especial) / Tim Burton / animação / 1993 / 1999
  • O Fantasma / João Pedro Rodrigues / drama / 2000 / 2004
  • O Fantasma de Canterville / Crispin Reece / fantasia / 1997 / 2005
  • Os Pássaros / Alfred Hitchcock / thriller / 1963 / 2001
  • Os Sonhadores / Bernardo Bertolucci / romance / 2004 / 2004
  • Papillon / Franklin J. Schaffner / drama / 1973 / 2002
  • Pet Shop Boys: Pop Art — The Videos / Pet Shop Boys / música / 2003 / 2003
  • Pet Shop Boys: Somewhere / Pet Shop Boys / música / 1997 / 2003
  • Phantom of The Paradise / Brian De Palma / musical / 1974 / 2002
  • Pink Narcissus / James Bidgood / erótico / 1971 / 2005
  • Sex Pistols — o Filme (The Filth And The Fury) / Julien Temple / documentário / 2000 / 2005
  • Sinais de Fogo / Luís Filipe Rocha / drama / 1995 / 2003
  • Smiths: The Complete Picture / The Smiths / música / 1992 / 2000
  • The Cook, The Thief, His Wife And Her Lover / Peter Greenaway / drama / 1990 / 2003
  • The Pillow Book / Peter Greenaway / drama / 1995 / 2003
  • Tudo Sobre a Minha Mãe / Pedro Almodóvar / drama / 1998 / 2001
  • Ubus / Alfred Jarry & Ricardo Pais / teatro / 2005 / 2005
  • Um Cadáver de Sobremesa /Robert Moore / policial / 1976 / 2003
  • Um Coração Selvagem / David Lynch / drama / 1990 / 2003
  • Um Hamlet a Mais / William Shakespeare & Ricardo Pais / teatro / 2004 / 2004
  • Vaga / Né Barros / dança / 2005 / 2005
  • Velvet Goldmine / Todd Haynes / musical / 1998 / 2003
  • Violência e Paixão / Luchino Visconti /drama / 1974 / 2002
  • World Shut Your Mouth /vários / música / 2002 / 2002
Esta listagem era inicialmente bastante pequena e começou a ser colocada no nosso blogue por ser fácil fazê-lo. Os livros e os discos ficaram de fora porque era muito mais complicado. Agora, parece-me, a lista dos DVDs começa a ficar também um pouco longa de mais e isso vai levar-nos daqui para a frente a fazer apenas actualizações das entradas mais significativas. Talvez então faça sentido dar uma outra atenção a alguns livros, a alguns discos de música, ao que mais calhar. A seguir...

2006/09/08

d. quixote às cores

"maria mãe do filho de deus
pela minha janela com persianas japonesas, eu vejo um mundo um pouco confuso, meio tracejado, como uma pintura do münch. mas bem em frente à janela tem uma antena parabólica (que eu sei que é porque já olhei pra ela sem a persiana entre nós), e todas as vezes em que olho pra ela por detrás da persiana, tenho a mesma sensação: parece uma imagem da nossa senhora prestes a se jogar do prédio ao lado. claro, pra isso eu tive que antes ver a cena por detrás das persianas, e depois de pensar "o que diabos aquela santa está fazendo ali?" resolvi checar e percebi que era uma antena, de lado. mas é impressionante, sempre penso isso, quase todos os dias ao acordar. "isso diz muito sobre a sua fé, não é?", diriam os especialistas. i couldn't agree more."

Pronto, assim está como deve ser e é uma citação de parte de uma entrada que, em finais do mês passado, a nossa amiga Lucy F publicou no seu blogue Iluminuras (ilumi.blogspot.com). Achei muito curiosa a situação — esta de confundir antenas com imagens santificadas — e, mais ainda, a singular forma como Lucy a descreveu. Em troca ofereci-lhe o poema «Impressão Digital», do António Gedeão:

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns vêem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos.
Onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

O texto é de 1956 e faz parte da primeira colecção de poesia que o cientista e escritor português Rómulo de Carvalho publicou sob o título «Movimento Perpétuo», usando como pseudónimo António Gedeão. Desde menino que ele é um dos meus poetas preferidos e só tenho pena agora de não poder transcrever de relance tantos outros poemas dele que também me maravilharam e maravilham. Depois procurei uma imagem para o ilustrar e D. Quixote com o seu fiel escudeiro pareceu-me a melhor solução para pesquisa. Deles, com moinhos poucas vi e com gigantes menos ainda. Vi um desenho, porém, do mesmo ano de 1956 em que D. Quixote está semi-despido, sem pudor, aos pulos defronte do seu fiel companheiro Sancho Pança. A ilustração pertence ao ilustre artista brasileiro Cândido Portinari — há uma ligação directa no título, para se saber e ver mais.
Eu sei também que a Lucy já me tinha prometido uma entrada no Iluminuras a propósito do poema do Gedeão, mas esta já estava começada e eu decidi na mesma acabá-la. Só que agora fico ainda mais curioso e à espera de uma nova surpresa. E eu conto com ela...

2006/09/05

individual de gilbert & george

No início de 2007, a londrina Tate Modern fará uma grande retrospectiva da obra de Gilbert and George. Gilbert Proesch nasceu a 11 de Setembro de 1943 em Itália e George Passmore a 8 de Janeiro de 1942 em Inglaterra. "Temos mais de artistas contemporâneos do que de britânicos, mas o espaço (da Tate Modern) é o mais adequado para a nossa exposição", disse George neste fim-de-semana ao diário britânico The Independent. E Gilbert sublinhou o caricato de serem considerados artistas britânicos, quando ele não o é, mas sim italiano.
Gilbert e George conhecem-se desde 25 de Setembro de 1967 e praticamente toda a sua carreira artística foi desenvolvida de forma unipessoal, uma vez que é difícil destrinçar o trabalho de um do trabalho do outro. A sua obra plástica envolve geralmente fotografia, pintura, escultura e colagem, por vezes com a utilização de materiais menos convencionais como os fluidos humanos. A nudez e sexualidade masculinas são os temas mais recorrentes, num trabalho que é sempre surpreendente, invulgar e belo. Mas há mais notas de invulgaridade, extravagância ou excesso na vida deste casal de artistas gay: George esteve heterossexualmente casado entre 1967 e 1972 e desse casamento tem dois filhos; já nos anos 90, George e Gilbert adquiriram um pequeno café nas proximidades da sua casa e ambos se encontraram por diversas vezes a servir clientes ao balcão; o par possui hoje uma dos maiores e mais avançados computadores gráficos do Reino Unido, com vista à realização das suas próprias obras.
A exposição que a Tate Modern apresentará no próximo ano será, pelo que o próprio museu diz, a maior mostra "individual" do trabalho deste duo tão impressionante e influente na arte contemporânea. A mostra irá ocupar em simultâneo dois pisos do museu, o que pela primeira vez acontecerá com a obra de artistas vivos. O Tate Modern acrescenta que a obra de Gilbert & George é "subversiva, incisiva e atractiva, com foco e inspiração no relacionamento urbano do mundo ocidental", concluindo que "esta exposição é uma oportunidade imperdível para se conhecer mais destes artistas altamente respeitados, mas permanentemente provocadores".

2006/09/01

a voz

Eu aprendi a gostar da voz de Frank Sinatra pela mão de alguém que gostava muito, também, de Edith Piaf (e não era o Gonçalo que, embora goste muito de Piaf, não vai por aí além com o estilo do Frank). Mas foi Francis Albert Sinatra que ficou conhecido, em 1946, pela elogiosa alcunha de The Voice, tudo porque nesse ano ele teve um álbum com o título «The Voice of Frank Sinatra».
Outra voz famosa e que fez história é conhecida por cá como A Voz do Dono. Nesta, a história é ainda mais antiga: tudo começa em 1901, ano em que nascia a Victor Talking Machine Company, empresa que viria a ser uma das maiores do mundo no fabrico de fonógrafos e dos respectivos discos. Durou até 1929, ano em que a Radio Corporation of America, então a maior companhia norte-americana de telecomunicações, adquire a primeira e funde as duas como RCA Victor. Mas esta fusão de empresas passa também pela renovação da entidade comercial e, para tal, a nova companhia recorre à imagem já antes experimentada pela Victor: a de um pequeno cachorro (o Nipper) que se concentra obedientemente num gramofone de onde sai a voz do dono (His Master's Voice). A memória do pequeno Nipper continua viva hoje ainda no logótipo das lojas HMV, como a que sempre visitamos em Oxford Street, nas viagens a Londres.
Já na presente ilustração usei um outro cão e um outro dono. Desconheço o autor da fotografia, o nome do jovem ou do feliz bicho que o acompanha no instante perpetuado. Nem percebi bem se, com tanta movimentação do... dono, é de facto a sua voz que lhe chama a atenção... Enquanto penso na metáfora que me saiu feliz, vou ouvindo a Edith Piaf num disco que o Gonçalo me ofereceu no fim-de-semana passado: «Le Bel Indifférent», peça em um acto de 1940, escrita por Jean Cocteau para a voz da diva francesa, que é mais uma obra de arte a que o tempo não roubou a capacidade de nos deslumbrar. Até já...

2006/08/29

elmgreen & dragset

Por coincidência, dois dos projectos artísticos que mais me interessaram recentemente — a ópera «Faustus, The Last Night» de Pascal Dusapin e o monumento berlinense aos homossexuais vitimados pelo regime nazi (na foto) — tinham em comum a dupla Elmgreen e Dragset, um casal de artistas residente em Berlim. Michael Elmgreen, um dinamarquês nascido em 1961 e Ingar Dragset, um norueguês nascido em 1969, têm vindo a desenvolver, desde 1995, uma obra centrada nas relações entre arte, arquitectura e design, e construída com base na manipulação dos conceitos de 'espaço contentor' e 'objecto contido'. Para a ópera desenharam os cenários: o mostrador gigante de um relógio, cujos ponteiros ameaçam, na representação do tempo que se escoa e limita, a ambição de um Fausto megalómano que desejaria submeter o mundo ao absoluto da sua vontade (um DVD com o registo do resultado deverá estar disponível na Naïve lá mais para o final do ano). Para o monumento conceberam um bloco paralelepípedo em betão, implantado no solo em inquietante desequilíbrio, com uma pequena fresta aberta num vértice, que permite espreitar no seu interior o vídeo de um beijo homossexual em loop ininterrupto. O monumento, que ganhou o concurso lançado pelo governo alemão, deverá ser construído na proximidade do memorial ao Holocausto de Peter Eisenmann. Tal como aparece nas montagens digitais que simulam a obra instalada, o monumento convoca imagens de túmulo e sarcófago, mas também de prisão, bunker e, por associação, de ghetto. E o que contém o receptáculo simbolizado em todas estas variantes de significado? Apenas um beijo, que, como diz a canção, é apenas o que um beijo é.

2006/08/28

flexi felix e companhia

A masturbação, disse-o sabiamente Woody Allen, é sexo com uma pessoa que amamos. Mas, para mal dos nossos pecados, as brincadeiras com o nosso corpo estão envoltas num manto de preconceitos, tabus e proibições. Nem umas tantas décadas de emancipação sexual conseguiram eliminar o fantasma da patologia associado à masturbação. Certo, já se aceita que todos o fazemos, e que é saudável e natural que os jovens descubram a sexualidade a brincar com os seus próprios corpos, mas já não é tão pacífico que um adulto com uma vida sexual activa o faça, e se a masturbação envolve acessórios então o caldo está entornado (passe-se o lado gráfico da expressão). Não é simplesmente tolerável que uma pessoa equilibrada na plena posse das suas faculdades use objectos para se masturbar. Talvez parte do problema venha da sordidez associada às sex-shops, ou do realismo um tanto vulgar e bestial dos objectos em questão. Mas a revolução está aí, a nova geração de brinquedos e acessórios sexuais faz pelo sexo o que a Alessi fez pela cozinha. A Fun Factory, na vanguarda desta indústria, oferece diversas linhas de brinquedos de alta qualidade, tecnologicamente avançados e de design inovador, que dão uma imagem nova à expressão 'masturbação mecanicamente assistida'. Os modelos, que têm nomes como Dolly Dolphin, Patchy Paul, Dinky Digger, Engelbert Evil, Mary Mermaid, Paddy Penguin ou o encantador Flexi Felix (na foto), são simpáticas criaturas que em vez de acender fogões, dispensarem açúcar ou espremerem citrinos, servem um outro tipo de funcionalidade a partir de um outro tipo de ergonomia. Quem tem medo do lobo mau?

2006/08/25

eu queria um segway

Informei-me: em Portugal custam a partir de 6.981,70€ (são 1.400 contos em moeda antiga — cerca de metade do preço de um automóvel), e por cá só estão disponíveis os modelos i2 e x2. Do que falo? Do muito atractivo e prático Segway, um veículo eléctrico e inteligente de transporte pessoal que é também um must para quem aprecia design, estilo e alta tecnologia.
O Segway Human Transporter tem vindo a demonstrar, desde que surgiu em 2001, que é uma interessante alternativa ao automóvel e ao autocarro. Mas a sua introdução nos circuitos públicos tem levantado questões e há países onde a sua circulação só pode acontecer em espaços privados. Há países que já adoptaram em pleno estes veículos (a Espanha é um deles e em Portugal notam-se uns quantos a circular), mas outros mostram-se ainda desconfiados (no Reino Unido são considerados impróprios para vias de peões e, pela legislação europeia, também não podem circular em estrada).
Em resumo, este veículo funciona a electricidade, é assistido por um computador integrado, é leve, silencioso, pouco poluente (excluindo as baterias), tem um custo de consumo reduzido e a necessária potência e autonomia. Vai para quase todo o lado, anda de metro (na foto o modelo p133 é usado dessa forma), dentro de edifícios, de elevador, enfim... Eu só queria que eles fossem mais em conta. Para ter um Segway!... (E é tão mariquinhas, não é?)

2006/08/24

god save the princes

O jornal mais vendido no Reino Unido — The Sun — voltou a ter que se desculpar por uma notícia menos verdadeira que a 15 de Agosto uniu num reboliço de espanto o populo e o status britânico: dizia o tablóide ter fotografias impróprias dos príncipes William e Harry, feitas neste Verão numa discoteca londrina, e colocou 5 delas com claras intenções de escandaleira na edição desse dia.
Na que mostramos ao lado, a senhora que aparece nos braços de Harry é a apresentadora de televisão Natalie Pinkham e embora se tenha vindo a apurar que as fotos de The Sun foram tiradas no Boujis Club London, de South Kensington, não eram afinal actuais mas sim de há 3 anos, altura em que o jovem conquistador teria longe de si a sua preferida.
O certo é que os retratos não favorecem em nada a Harry nem tão pouco ao casto William. Se eu fosse músico no reino de Elizabeth II, hoje mesmo tentaria fazer um hit com o título «God Save The Princes». Está tudo dito, ou não está? Vá lá, rapazes, portem-se bem!

2006/08/22

amizade e amor: feminina

Na Quinta do Marquês, em Oeiras, concentram-se estátuas dos grandes poetas (e prosadores) portugueses e, entre elas, uma de Mário de Sá-Carneiro (da autoria do escultor Francisco Simões) em bela pose que a imagem perfeitamente documenta.
O Mário nasceu a 19 de Maio de 1890 no 3º andar do número 93 da Rua da Conceição, em Lisboa, e morreu em 1916, com apenas 26 anos de idade. Foi íntimo e colaborador do grande Fernando Pessoa, mas a sua obra foi distinta e autónoma, pautada pelo desencanto, pela solidão, pela obsessão e pela doença... do corpo e da alma, como se costuma dizer. Suicidou-se a 26 de Abril em Paris, no seu quarto do Hotel de Nice (hoje chamado Hotel Ninon), situado ao nº 29 da Rue Victor Masse.
90 anos depois da sua morte, a obra de Sá-Carneiro continua ainda hoje aberta a interpretações, mas parece mais que óbvio e quase universal que nela explorou também e insistentemente a (sua própria?) vertigem sexual, como parece incontroverso no caso da novela «A Confissão de Lúcio», centrada nos relacionamentos amorosos entre Lúcio, Marta e Ricardo de Loureiro. O mesmo se passa com «Feminina», um poema escrito em Paris no mês de Fevereiro do ano do suicídio, onde uma outra sexualidade — uma outra identidade sexual — é conjecturada como uma vontade bem sua:

Eu queria ser mulher para me poder estender
Ao lado dos meus amigos, nas banquettes dos cafés.
Eu queria ser mulher para puder estender
Pó-de-arroz pelo meu rosto, diante de todos, nos cafés.

Eu queria ser mulher para não ter que pensar na vida
E conhecer muitos velhos a quem pedisse dinheiro —
Eu queria ser mulher para passar o dia inteiro
A falar de modas e a fazer potins — muito entretida.

Eu queria ser mulher para mexer nos meus seios
e aguçá-los ao espelho, antes de me deitar —
Eu queria ser mulher para que me fossem bem estes enleios,
que num homem, francamente, não se podem desculpar.

Eu queria ser mulher para ter muitos amantes
e enganá-los a todos — mesmo ao predilecto —
Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto,
com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes...

Eu queria ser mulher para excitar quem me olhasse,
Eu queria ser mulher para me puder recusar...

São curiosas a ilações que surgem do verso com que Mário de Sá-Carneiro termina, ao dizer-nos querer ser mulher para (na condição feminina) se puder recusar a si próprio (ao ser masculino universal, no fim de contas). No título desta entrada há a ligação a um pdf com 188 páginas da monografia sobre o autor realizada pela Biblioteca Nacional em 1990.

2006/08/18

no cavalo marinho

De 10 a 17 de Julho estivemos ausentes, para férias: foi a nossa anunciada Semana de Férias! Pelo segundo ano consecutivo o nosso destino voltou a ser a Casa do Cavalo Marinho, que queremos recomendar a todos que nos são mais próximos.
A Casa do Cavalo Marinho é uma moradia particular de dois pisos, situada na península de Setúbal a poucos minutos da pitoresca vila de Sesimbra e, noutra direcção, da famosa Praia do Meco, conhecida pelo seu extenso areal e pela prática livre e legal do naturismo. Da casa à praia são pouco mais que uns 10 minutos de automóvel (indispensável para as deslocações) e, uma vez chegados, são mais 10 minutos sobre a areia a partir do parque de estacionamento. O ambiente é silencioso, pouco populoso, descontraído e estimulante. Sem vento. O mar é geralmente calmo e as águas tépidas, muito aprazíveis. Na volta vai-se fazendo programa para a noite, que se pode passar por casa, em Sesimbra ou ainda, não muito longe, em Lisboa ou Setúbal (este ano fomos todos numa noite ao Mr. Gay, na Costa da Caparica). A região do Parque Natural da Arrábida, onde se situa a Casa do Cavalo Marinho, é toda ela interessante para promenades, com destaque para as belezas naturais em toda a costa e em particular do Portinho da Arrábida e da sua procurada praia, ou então no Cabo Espichel para o deslumbrante Santuário da Nossa Senhora da Pedra Mua que merece uma visita atenta aos detalhes.
No Cavalo Marinho, a casa tem dois quartos duplos destinados aos hóspedes (o azul, onde sempre ficámos, e o rosa), que são servidos por uma casa de banho comum mas privativa. Nos quartos existe televisão e ar condicionado e um deles tem varanda com vista sobre o jardim e piscina. O ambiente é aberto e amigável, independentemente da orientação sexual de cada um. O Carlos, o Pedro, o Nuno e todos os anfitriões que por lá vão passando e connosco convivendo são especialmente simpáticos, e por isso queremos também deixar claro o nosso agradecimento. A casa é ainda habitada pelas spaniels Laika, Susana e Sissi, que por vezes recebem a visita do amigo boxer Francisco... Bom, o melhor é visitar o site para mais detalhes, até porque ele acabou de ser renovado, e depois estabelecer contacto. Só é pena mesmo que o Carlos ainda não tenha inscrito a casa no guia gay Spartacus. Melhor para nós, assim, afinal!