2006/12/14

underground art de paul middlewick

A arte underground de Paul Middlewick a que me refiro é literalmente arte dos subterrâneos, porque se encontra relacionada com o Metro de Londres (ou London Underground, na designação original). Foi em 1933 que Harry Beck criou o mapa do Metro que viria a tornar-se num ícone do design gráfico. Esse mapa foi actualizado ao longo dos anos, devido ao crescimento da rede londrina de metropolitano, mas ainda hoje mantém o seu traço original e com ele continua a servir os viajantes dos quatro cantos do mundo que utilizam a rede ferroviária urbana da capital britânica. Foi apenas há 17 anos atrás (praticamente ontem, tendo em conta que os mapas existem há já mais de 70) que o artista Paul Middlewick descobriu, ao programar uma viagem no Metro, que de um conjunto de linhas, estações e junções se obtinha o imprevisto desenho de um elefante. Como um desvendador de enigmas foi descobrindo ao longo dos anos mais e mais animais. Daí surgiu o projecto Animal On The Underground, que pode ser conhecido aqui. A imagem que escolhi para ilustrar esta entrada é de um veado, não de uma rena de S. Nicolau, apesar de o poder parecer. Quem possa que a procure no mapa do underground de Londres, que deve estar num frenesim, por esta época do ano.

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2006/12/13

a morte segundo jacques-louis david

Em 1793 o pintor Jacques-Louis David (1748-1825, nasceu em Paris e morreu em Bruxelas) assinava o quadro «La Mort de Marat» (ou «Marat Assassiné»), que hoje se encontra na capital belga, exposto no Museu de Arte Moderna dos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica. O retratado é Jean-Paul Marat, um jornalista revolucionário francês assassinado na sua própria casa por Charlotte Corday, uma jovem monárquica. Este óleo sobre tela de 165x128 cm é um dos meus eleitos entre toda a pintura universal. Nele é muito perturbante a forma nobre mas desprotegida como a vítima se volta na direcção do observador (homicida, pintor, espectador). Há uma morte quente, ainda, que se depreende da postura descontraída, dos objectos suspensos, da pena numa mão e do bilhete escrito na outra. E o verde do fundo que vai sendo tomado pelo negro profundo que cresce à sua volta. Há também o sangue que escorre, a faca ensanguentada, abandonada, e a mensagem do pintor sobre o naco de madeira: "À MARAT / DAVID / L'AN-DEUX". Os detalhes sobre o quadro estão aqui. Da Morte sabe-se menos, muito menos, e está-se sempre a aprender.

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20061213

2006 Dezembro 13, dia de festa. Porque ele existe e eu o amo. Muito. Porque faz anos, hoje. O meu menino desta vida comum desde há 20 anos. Porque ele é o centro da minha vida. Porque o adoro. Porque ainda não aprendi a viver sozinho. Sem ele. Porque o desejo comigo todos os dias, para que o possa sentir e amar mais e mais. Para o amar mais e mais ser amado. Para que cada dia seja partilhado o mais intensamente possível, vezes sem conta, como que nunca tenham fim. Para comemorarmos juntos, muitas vezes, os trezes de dezembro(s). Para que o mundo seja melhor, porque o mundo connosco juntos só pode ser melhor. Para eu estar presente, tu estares presente, mais presentes. Para se ser presente. Para se dar presentes, como um que tenho para ti e que te darei mais logo. Eu espero que o tempo passe, que o dia passe. Que seja feliz, que sejas feliz. Muito. Parabéns, meu querido! (A imagem é da fotógrafa turca Bennu Gerede.)

2006/12/12

amor e sexo por daniel j. skråmestø

Gostava de saber se o português Daniel J. Skråmestø (1973) é mais conhecido pelos seus quadros ou pela sua escrita. Mas tal não é também tão importante assim... Três anos já passados sobre a sua primeira impressão comercial, o livro «Olhos de Cão» editado pela D. Quixote em 2003, «Pequenas Histórias de Amor e Sexo» vem à luz do dia neste final de 2006. Desta vez em edição de autor, convém dizê-lo para o tornar mais especial, mas que se pode encontrar à venda no site Lulu.com em três versões ao gosto do freguês: para download (US$ 2.50), em formato impresso ilustrado a preto-e-branco (US$ 9.11) ou, numa variante acabada de surgir, a versão alargada e ilustrada a cores, que visa servir os apreciadores mais entusiastas das fotografias que o escritor também pinta (US$ 32.28). A pintura de Daniel J. Skråmestø é já uma referência internacional nos meios dedicados à arte gay, e mesmo a sua escrita começa a ultrapassar as nossas fronteiras. O autor vive em Lisboa e o seu novo livro contém sete contos e alguns poemas. Aqui poderão recolher mais alguma informação pela voz do autor, que é também responsável pelo blogue O Mal dos Livros.

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2006/12/11

alison jackson: o principezinho vai nu

Nasceu em 1960. Alison Jackson, a fotógrafa inglesa conhecida pelos seus falsos instantâneos detalhadamente elaborados. Não a conhecem? São famosas as suas fotografias da rainha Elisabeth II, do primeiro-ministro Tony Blair, do principezinho William, da super-princesa Diana (de boa memória), ou do presidente George W. Bush (o mesmo não se dirá). Começou como escultora e foi mesmo premiada como tal pelo Chelsea College of Art. Só depois se virou para os banhos de prata (refiro-me aos banhos da fotografia) ingressando no também londrino Royal College of Art. A sua popularidade atingiu um pico em 1999 com a exposição de "retratos de família" da princesa Diana e Dodi Al-Fayed. A fotógrafa usou para tal sócias das personalidades visadas, compondo imagens convincentes mas altamente improváveis, como era já seu costume. A artista, de origem aristocrática, vive actualmente numa sumptuosa mansão de uma das ruas mais faustosas do bairro de Chelsea. Faz TV desde 2001 (primeiro para a BBC e agora para o Channel 4) e tem um livro editado em 2004 pela Penguin. Encontram-no aqui e, mesmo que não chegue a tempo deste Natal, a compra vale sempre a pena. Até porque, afinal, o principezinho vai nu.

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2006/12/08

na barbearia de marc da cunha lopes

Há uma década atrás comprei uma máquina de cortar cabelo, para que o passasse a cortar em casa. Só muito recentemente é que consegui convencer o meu companheiro a fazê-lo também. Nestes dez anos que passaram poupei dinheiro que deu para pagar a máquina e, se o amealhasse, teria dado também para umas pequenas férias e, agora que somos dois a fazê-lo, a poupança duplicou. Mas esse nem é sequer o lado melhor da opção. Cortar o cabelo, um ao outro, tornou-se num fétiche sexual que faz com que as nossas cabeças andem sempre bem aparadas. Também Marc da Cunha Lopes encontrou nos cortes de cabelo um tema apelativo para as suas belas fotografias. Criativo como fotógrafo de arte, moda e publicidade, trabalhou para nomes famosos como a Sony Playstation, a Pink TV, ou as revistas Wich, Anthem e PrefMag (que pode ser apreciada aqui). Cunha Lopes é inequivocamente um artista de origem lusófona que vive em França, como se pode ver pelo contacto do seu site. Sobre ele esperamos no futuro poder acrescentar algo mais. Por cá teremos novo corte de cabelo neste fim-de-semana e, para além das actividades habituais, talvez aproveitemos a inspiração para também fazer fotografia.

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a sagração

Tenho um interesse especial pela música contemporânea que, como acontece com as artes plásticas, parece despertar em muita gente a mais viva desconfiança. E porque carga de água haveria eu de me interessar por um Alban Berg (que, diga-se de passagem é já um clássico) quando o Verdi me passa ao lado? Há gente maliciosa que acredita que é por pretensão mas, tal como a água benta, digo em minha defesa que dela tomo muito pouco. Fascina-me a dissonância, talvez, um certo espírito de defesa da diferença e a ambiguidade implícita na dicotomia clássico/contemporâneo. Por uma qualquer razão que desconheço, as pessoas parecem aceitar melhor, apesar de tudo, a contemporaneidade na arte (plástica) do que na música, mas as razões para isso, das neurológicas às culturais, são demasiado complexas para aqui e para mim. Há duas peças fundadoras em particular que me apaixonaram e introduziram no mundo da música moderna: o «Pierrot Lunaire» de Schoenberg (que a Sociedade Porto 2001 não deixou que eu visse o Pierre Boulez a dirigir) e a «Sagração da Primavera» de Stravinsky. Esta última, obra prima incontestada da música do século XX, que enfureceu o público na sua estreia, vai ser apresentada em concerto na Casa da Música pela Orquestra Nacional do Porto, no dia 16 às 21h00, em conjunto com obras de Richard Strauss e Sofia Gubaidulina. Recomendo (passo a pretensão) vivamente a compra de um bilhete, e se a música não for motivação suficiente, há ainda a razão filantrópica de última hora, porque a Casa da Música resolveu oferecer o concerto à Abraço.

2006/12/07

flipbooks ao estilo de scott blake

Scott Blake nasceu em 1976 em Tampa, na Florida, vivendo actualmente em Omaha, no Nebraska. Ao aproximar-se a chegada do ano 2000 anunciava-se por todo o lado a iminência de um ímpar problema informático, um Apocalipse digno das melhores novelas de ficção científica. Na jovialidade e criatividade dos seus 24 anos, ele lembrou-se de recorrer ao programa Photoshop e começar a conceber uma imagem nunca imaginada de Jesus. O Cristo da salvação era assim convocado à problemática da passagem do milénio, compondo o retrato apenas com vulgares códigos de barras produzidos no seu próprio computador. O bug está hoje mais que ultrapassado e esquecido, mas a obra deste artista inovador continua a ser produzida e lembrada. Por todo o mundo o seu trabalho tem merecido admiração, sendo exibido em galerias de arte, vendido em lojas ou por via postal e disponibilizado na internet. Entre as suas mais recentes criações está um flipbook sobre o 11 de Setembro. E um kit para produzir em computador livros com pequenas sequências animadas (flipbooks) ao gosto de cada um: encontram-no aqui, à disposição de todos, propiciando aos mais habilidosos e criativos um interessante presente de Natal, ou uma experiência invulgar.

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stonewall over the rainbow

«Over The Rainbow» está intimamente ligada à discoteca Stonewall (na foto), de Nova Iorque. A sua clientela era maioritariamente gay e underground. Estávamos em 1969 em Greenwich Village e, lá dentro, na noite que antecedeu a madrugada de 28 de Junho, «Somewhere Over The Rainbow» ouvia-se pela voz da diva Judy Garland. Todo esse tipo de figuras que povoa o celulóide de Andy Warhol e Paul Morrissey dançava, bebia, beijava e convivia. Uma rusga policial entrou pelo estabelecimento dentro, fechou as saídas e deteve homens e mulheres identificados como homossexuais, bissexuais ou transexuais. Um quarto de hora depois a polícia anunciava que deixaria sair quem tivesse consigo identificação pessoal. Detidos ainda ficaram, no entanto, não só os que não puderam identificar-se como também todos os transexuais. Apesar disso, os clientes revoltaram-se contra a autoridade e alguns conseguiram mesmo escapar-se para o exterior. Ao longo da madrugada, a polícia foi libertando alguns dos detidos, que depois se juntavam à crescente multidão que se juntava no exterior. A situação acabou por explodir e fazer de Stonewall a primeira batalha política pela igualdade nos direitos entre todos, indistintamente do género sexual. LGTB é a sigla que nos dias de hoje abarca os géneros não heterossexuais que lutam pela igualdade e universalidade dos direitos civis. Stonewall sobrevive na memória histórica do século XX, «Somewhere Over The Rainbow» continua a ser o seu hino e, talvez por isso mesmo, o artista Gilbert Baker fez no ano seguinte, com esse mesmo arco-íris, a bandeira que foi usada pela primeira vez no Gay Pride de San Francisco e sob a qual hoje todos desfilamos quando ousamos reivindicar os nossos direitos.

2006/12/06

lonsam, artista erótico japonês

A arte erótica deve ser encarada como o resultado da conjunção harmoniosa de um par de valores: o erotismo e a arte. Quer um, quer outra, apelam de diferentes maneiras a cada um dos observadores: para uns a arte tem que obedecer a determinados padrões, mas para outros não; para uns o erotismo deve circunscrever-se a determinados limites, outros preferem que os limites sejam infringidos e alargados. Descobri-o aqui e o seu trabalho pareceu-me suficientemente interessante para que fosse divulgado, mesmo quando quase nada se sabe do seu autor. Como muitos outros artistas, felizmente, LonSam é um desses criadores obscuros que nos arrebatam de alguma maneira. O seu trabalho reflecte as fantasias (homo) sexuais de um japonês entregue à cultura do seu país. Foram poucas mais que 30 as imagens de LonSam que descobrimos mas por elas podemos ver que é um artista preocupado com um ideal de perfeição e com o detalhe. O resultado são essas belas ilustrações muito explícitas e provocantes, elaboradas sobre fotografias da sua própria autoria, que em pleno exaltam um erotismo menos convencional. Também por isso esperamos mais, num destes dias.

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