Marrocos, México, Estados Unidos da América e Japão estão interligados em consequência de um incidente com origem no país africano: dois jovens pastores marroquinos atingem a tiro um casal norte-americano em férias, com uma arma automática que havia sido oferecida por um caçador japonês que tem uma filha surda-muda problemática, enquanto os dois filhos do casal estão a cargo de uma auxiliar doméstica mexicana que precisa de resolver e ultrapassar a ausência dos patrões para poder assistir no México ao casamento do seu filho. «Babel» foi distinguido em 2006 com o prémio de encenação do Festival de Cinema de Cannes e vai ser seguramente uma aposta forte nos Óscares de 2007. Realizou-o Alejandre González Iñárritu, o mexicano que esteve também por detrás dos filmes «Amor Cão» e «21 Gramas», em todos os casos com os argumentos assinados por Guillermo Arriaga. Neste, agora em exibição entre nós, Brad Pitt (na foto) e Cate Blanchett estão muito bem nos principais papéis, mais até do que eu próprio esperava. O filme merece ser visto e ouvido (já que também a sua banda-sonora é de grande excelência), sobretudo por quem gosta de ambientes exóticos e de pensar, muito e vertiginosamente, o mais possível. Eu acho que é uma daquelas obras que nos seduz de imediato e ao longo de todo o filme (o que é muito bom), mas que também deixa matéria para continuar a divagar sobre aquilo que nos ficou retido na memória. E não é que, afinal, parece mesmo haver um primeiro, um segundo, um terceiro e até um quarto mundo, diria eu?!...
2007/01/02
babel: uma história em quatro mundos
Marrocos, México, Estados Unidos da América e Japão estão interligados em consequência de um incidente com origem no país africano: dois jovens pastores marroquinos atingem a tiro um casal norte-americano em férias, com uma arma automática que havia sido oferecida por um caçador japonês que tem uma filha surda-muda problemática, enquanto os dois filhos do casal estão a cargo de uma auxiliar doméstica mexicana que precisa de resolver e ultrapassar a ausência dos patrões para poder assistir no México ao casamento do seu filho. «Babel» foi distinguido em 2006 com o prémio de encenação do Festival de Cinema de Cannes e vai ser seguramente uma aposta forte nos Óscares de 2007. Realizou-o Alejandre González Iñárritu, o mexicano que esteve também por detrás dos filmes «Amor Cão» e «21 Gramas», em todos os casos com os argumentos assinados por Guillermo Arriaga. Neste, agora em exibição entre nós, Brad Pitt (na foto) e Cate Blanchett estão muito bem nos principais papéis, mais até do que eu próprio esperava. O filme merece ser visto e ouvido (já que também a sua banda-sonora é de grande excelência), sobretudo por quem gosta de ambientes exóticos e de pensar, muito e vertiginosamente, o mais possível. Eu acho que é uma daquelas obras que nos seduz de imediato e ao longo de todo o filme (o que é muito bom), mas que também deixa matéria para continuar a divagar sobre aquilo que nos ficou retido na memória. E não é que, afinal, parece mesmo haver um primeiro, um segundo, um terceiro e até um quarto mundo, diria eu?!...
2006/12/31
adeus, 2006
Mais um ano e mais um balanço. O possível, de novo feito a dois e do que, como no ano passado, mais nos sensibilizou e marcou ao longo dos dias, das semanas, dos meses, das oportunidades: a cada um de nós em particular ou, quando a convergência o determinou, aos dois em conjunto que é sempre bem melhor. Esta volta a ser uma lista de escolhas discutíveis, mesmo até porque foi a que hoje especificamente nos apeteceu aprovar e divulgar neste gayfield. Não nos preocupou estar in ou estar out dos gostos massificados, nem é nossa intenção demonstrar seja o que for (habituados a estar "out" num país em que o que conta é estar "in" — e em ambos os casos as aspas estão com profundo propósito —, escolhemos o que nos deu mais prazer, mesmo que os outros achem a escolha démodée ou inadequada. Com um propósito bem diferente, inverso e invertido, que nos reencontremos já aqui ou onde nos der mais jeito:- cinema: «O Segredo de Brokeback Mountain» Ang Lee (2=)
- concertos: «Music For 18 Musicians + Daniel Variations» Steve Reich and Musicians & Synergy Vocals (2=)
- discos: «Stabat Mater» Bruno Coulais / «Winterreise» Franz Schubert (Peter Pears / Benjamin Britten)
- dvds: «Pink Narcissus» James Bidgood / «Liza With a Z» Liza Minnelli & Bob Fosse
- figuras: Mãe / Luís
- internet: lavionrose.blogspot.com / www.thecoolhunter.net
- livros: «Butt Book» Butt magazine / «Close Range» Annie Proulx
- lojas: Por Vocação / ECI
- momentos bons: o novo emprego Dele / o meu novo emprego
- projectos: casa nova, vida nova / casa nova
sexualidade precoce em anthony goicolea
O artista plástico nova-iorquino de descendência cubana Anthony Goicolea nasceu em 1971. A fotografia, desenho, vídeo e instalação são os géneros principais em que se exprime artisticamente este homossexual que se formou pela Universidade da Geórgia. Androgenia e (homo) sexualidade precoce são constantes nos seus trabalhos que podem ser vistos regularmente nas galerias Postmasters (Nova Iorque) e Aurel Scheibler (Berlim). A alemã BMW atribuiu-lhe em 2005 o seu prémio de fotografia, o que mostra que a arte de Goicolea não está assim tão longe da dita normalidade. O seu trabalho desafia os padrões morais por introduzir um erotismo questionável, mas o seu grau de elaboração (que passa pela astuta escolha dos modelos, do vestuário, caracterização e pós-produção informática) obriga a uma apreciação positiva: muitos dos seus retratos são de si próprio, muito jovem em aparência apesar dos seus 35 anos de idade. A artista Cindy Sherman (ver aqui), com quem chegou a fazer várias exposições conjuntas, foi influenciada pelo trabalho de Goicolea, especialmente ao nível do uso extensivo de ferramentas de tratamento de imagem, do auto-retrato e da narrativa de temática sexual. Mas essa será talvez motivo para uma entrada em 2007. Um bom ano!Importado do blogue l'avion rose
2006/12/29
barahona possollo pós-expressionista
O pintor e desenhador Barahona Possollo é português e nasceu em Lisboa no ano de 1967. Foi licenciado pela Faculdade de Belas Artes dessa cidade, com a classificação de 18 valores, e entre 86 e 89 também frequentou o curso de arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Em 1988 participou pela primeira vez numa colectiva e em 1992 fez a sua primeira individual. Em 1995 leccionou como assistente convidado nas Belas Artes e colaborou pela primeira vez com os Correios de Portugal na produção de originais para a emissão de selos. Essa colaboração prolongou-se através dos anos, destacando-se a série de estampilhas comemorativa dos 500 anos da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Aqui soubemos que a sua arte, onde se nota alguma influência expressionista, está a ser mostrada no Museu Nacional de História Natural (antigo edifício da Faculdade de Ciências, na Rua da Escola Politécnica nº 58, Lisboa) e "só perde quem não pode mesmo fazer outra coisa senão perder". Ao lado está o óleo sobre tela que tem por título «D. Sebastião». É de 1992 e mede 140x140 cm.Importado do blogue l'avion rose
2006/12/28
hergé, tintim por tintim
Poucos sabem quem foi Georges Rémi (1907-1983), mas já Hergé (correspondente a RG, as iniciais de "Rémi, Georges") não estará longe de associação imediata ao nome de Tintim, o jovem aventureiro que nos roubou muitas horas de sono com as suas reportagens pelos quatro cantos do mundo. Georges nasceu na Bélgica, mas foi do seu irmão Paul que veio a inspiração para a figura de Tintim, que seria vista pela primeira vez em 1929. Apesar de as aventuras de Tintim se terem popularizado com edições dos seus livros em mais de 40 línguas, Hergé esteve por detrás da criação de outras histórias em quadradinhos com figuras como Quike, Flupke, Jo, Zette e Jocko. Foi elogiado como um Walt Disney europeu e influenciou os mais importantes ilustradores, notadamente nas figuras de Asterix, Lucky Luke, ou Blake e Mortimer. Aos 50 anos de Tintim até Andy Warhol, na Nova Iorque de 1979, lhe realiza uma série de retratos-homenagem. Em 2007 vão completar-se os 100 anos sobre o nascimento do artista e o Centro Pompidou, em Paris, presta-lhe uma nova homenagem que vai até 19 de Fevereiro (ver aqui). Considerado sem discussão como um dos maiores artistas do século XX, o exterior do belo edifício desenhado pelos arquitectos Renzo Piano e Richard Rogers é agora adornado com uma tela gigante de 40 metros que convida a viajar no foguetão das fantasias de RG.Importado do blogue l'avion rose
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2006/12/23
o natal com oliviero toscani
Mesmo quem não conhece o fotógrafo italiano Oliviero Toscani (1942) não pode dizer que não observou já uma ou duas das suas polémicas imagens publicitárias, pelo menos. Toscani fundou com o designer norte-americano Tibor Kalman, ainda nos anos 90, a revista Colors (que pode ser consultada aqui) e notabilizou-se como autor de muitas das mais famosas fotografias ligadas à marca Benetton (lembram-se da imagem do jovem sacerdote e da cândida freira que se beijavam apaixonadamente nos lábios; ou dos preservativos coloridos, ao tom das United Colors of Benetton; ou até dos três corações dissecados e identificados "white / black / yellow"?). Nos anos mais recentes foram as fotos que fez para a marca de moda Ra-Re (ao lado está uma delas) que mais se evidenciaram. Como no poema do Gedeão, também a discussão faz (ou deveria fazer) o mundo avançar e o trabalho deste fotógrafo promove-a a todo o instante. E eu creio que não é inocente a utilização neste período de Natal da composição exemplificada: por mais uma vez (e de forma não pouco polémica) a discussão do conceito de família volta a ter lugar. Para mim serve-me: este e o tradicional. Por isso também, umas Boas Festas para todos vós!Importado do blogue l'avion rose
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2006/12/22
os nus de david romero
Há uns 2 anos, a altura em que começámos a decorar a nossa casa, procurámos investir em alguma boa arte que conseguíssemos adquirir. O trabalho de David Gremard Romero, homossexual mestiço de raças mexicana e norte-americana, foi alvo da nossa atenção. Ele nasceu na Califórnia e instalou-se em San Francisco, em 1996, com grandes ambições. Devido à sua raça e sexualidade cita o escritor negro e homossexual James Baldwin: "I feel like I've hit the jackpot". Diplomado com honra pelo Art Institute of San Francisco, a grande cidade gay encorajou David Romero, sem dúvida: a sua obra retrata sempre os seus amigos, os seus amantes, a si próprio. São imagens das suas relações pessoais, quotidianas, onde procura exprimir todas as experiências emocionais da sua vida. Para ele, um desenho ou uma pintura são "an object of intimacy far superior to any photograph" pois quando olha um desenho recorda sempre todos os detalhes do que lhe está ligado: o tempo, a conversa que decorria, a forma como sentia quem retratava, o seu próprio estado de espírito - "in an almost visceral way". Ao entrar no nosso quarto encontram-se na parede do fundo, ao lado da janela, dois belos nus de David Romero, ao estilo dos que se podem ver aqui.Importado do blogue l'avion rose
2006/12/21
maravilhas capitais para a new 7 wonders
Vamos eleger as Novas 7 Maravilhas do mundo, revendo as escolhidas na Antiguidade: as pirâmides de Gizé, os jardins suspensos da Babilónia, a estátua de Zeus em Olímpia, o templo de Ártemis em Éfeso, o mausoléu de Halicarnasso, o colosso de Rodes e o farol de Alexandria. A primeira referência a esta escolha é feita num poema bimilenário de Antípatro de Sídon. No 3º milénio, a New 7 Wonders propõe-nos 21 maravilhas capitais: a acrópole de Atenas, na Grécia (1), Alhambra, em Espanha (2), as ruínas de Angkor, no Camboja (3), a basílica de Santa Sofia, na Turquia (4), o castelo de Neuschwanstein, na Alemanha (5), a pirâmide de Chichén Itzá, no México (6), o coliseu de Roma, em Itália, (7), o Cristo Redentor, no Brasil (8), a estátua da Liberdade, nos EUA (9), as estátuas da Ilha de Páscoa, no Chile (10), a Grande Muralha, na China (11), o Kremlin e a Praça Vermelha, na Rússia (12), Machu Picchu, no Peru (13), a Ópera de Sidney, na Austrália (14), Petra, na Jordânia (15), as pirâmides de Gizé, no Egipto (16), Stonehenge, no Reino Unido (17), o Taj Mahal, na Índia (18), o templo de Kiyomizu, no Japão (19), Tombouctou, no Mali (20) e a Torre Eiffel, em França (21). Vote-se aqui e depois veja-se a proclamação em Lisboa. "As maravilhas da Antiguidade pertencem ao passado e, à excepção das pirâmides do Egipto, nenhuma delas continua a existir", justificam. Eu votaria na Torre Eiffel!Importado do blogue l'avion rose
2006/12/20
a originalidade em ruth gwily
A israelita Ruth Gwily (Telavive, 1974) merece ser conhecida entre nós. Estudou na academia de arte e design Bezalel (Jerusalém) e, concluída a sua formação, trabalhou como ilustradora para diversos jornais e revistas. O seu estilo gráfico é simples e suave, rico em detalhe e imaginação, muito teatral nas suas próprias palavras, e é assim mesmo que ela se relaciona também com o mundo da banda desenhada e com o da pintura (a aguarela), onde podemos descobrir alguns dos seus mais brilhantes trabalhos (ao lado reproduz-se «Criminal Kids Practise Creative Writing, as Therapy», obra de 2006). É fascinante ainda a sua escolha da cor, desses tons esbatidos ou envelhecidos, muito bem integrados no desenho. Diz gostar do trabalho de Henry Darger, David Hockney, Frida Khalo e de outros artistas. Sobre a Arte, ou o futuro da arte, Ruth cita o designer David Carson, director gráfico da revista Ray Gun, e diz "everything has been done before, you are the only original thing you can offer to this world". No blogue Foggy Grizzly (aqui) pode ler-se uma entrevista com o seu depoimento.Importado do blogue l'avion rose
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