2007/02/27

alto e pára o baile

Via Renas e Veados (o link está lá em cima) convida-se todos os bailantes a subscrever um par de declarações do nosso interesse especial. Passa-se a citar:

1) Uma declaração europeia contra a violência escolar homofóbica, ou "bullying" como é costume dizer-se. Para ser aprovada pelo Parlamento Europeu é preciso que 393 eurodeputados a assinem. A ILGA Europe convida-te por isso a escrever aos teus eurodeputados;

2) Uma declaração pelos valores europeus de tolerância, abertura e diversidade (em oposição a uma declaração chauvinista e discriminatória, engendrada por Angela Merkel e Joseph Ratzinger) para celebrar da melhor maneira os 50 anos do Tratado de Roma. Esta pode ser assinada directamente por ti.

Alguém se opõe a que o baile pare apenas por uns minutos?...

2007/02/22

papoilas, saudade e gustav klimt

Em 1862 nasce na Áustria Gustav Klimt. Tinha 14 anos quando foi estudar desenho ornamental para a Escola de Artes Decorativas de Viena. Aqui mostrei a sua obra e era agora tempo de acrescentar algo mais: a obra de Klimt inclui principalmente óleos, murais e desenho. A Galeria da Secessão (resultante do movimento que ele ajudou a fundar) é um dos locais onde se encontram os seus trabalhos. Também podem ser apreciados nos painéis que fez para a Universidade de Viena em 1883, ou para a casa de Adolphe Stocklet onde experimentou uma mudança de estilo que introduzia a repetição geométrica. Em 1907 mostra o seu lado erótico, ao retratar-se com Emile no imortal «O Beijo». Já o quadro «Dánae» revela uma mulher ruiva adormecida entre moedas de ouro e uma torrente de esperma. O expressionismo chega e apaga o dourado dos quadros de Klimt, que ruma a Paris e conhece Toulouse-Lautrec e o fauvismo. Pinta «O Chapéu de Plumas Negras», «A Virgem», «A Vida e a Morte» e paisagens campestres que são, de todas, as minhas preferidas. Não se afasta do erotismo nem do cubismo, a nova corrente de arte a que não fica de todo alheio. A mãe morre-lhe em 1915 e a sua paleta fica fria e monocromática. Deixa-nos 3 anos depois com duas obras por acabar: «O Retrato de Johanna Staude» e «A Noiva». Para a minha Mãe, que partiu há 3 meses, eu deixo hoje este «Campo de Papoilas» com muita saudade.

Importado do blogue l'avion rose

2007/02/21

odd nerdrum: nas nuvens

«The Black Cloud» é o título deste enorme óleo sobre tela que o pintor norueguês Odd Nerdrum (1944) pintou já em 1986. Eu fui descobri-lo aqui e gostei tanto que decidi um dia dar-lhe destaque também (amanhã faria ainda mais sentido esta minha escolha, mas entretanto já preparo outra). Odd fez um curso de pintura na Academia de Arte de Oslo, a cidade que o viu nascer, e estudou com Joseph Beuys em Nova Iorque. Se o aluno levava consigo uma abordagem clássica e figurativa da pintura, Joseph ensinou-o a ver o mundo de uma outra maneira e a introduzir no seu convencionalismo elementos não convencionais, criativos, ideológicos. Trabalha com pigmentos e telas preparadas por si e com modelos vivos. Põe em discussão as teorias da arte tornando-se, ao mesmo tempo, num artista notado e incómodo, mas também controverso e apreciado. De Hieronymus Bosch a Rembrandt, passando por Caravaggio, há presenças dos velhos senhores da Arte na sua pintura. Mas é nova a forma como ele a faz e ela nos toca. Os seus quadros podem ser vistos em grandes museus do seu país natal e dos Estados Unidos, principalmente. O pintor vive presentemente entre uma propriedade rural da Noruega e a sua casa na Islândia, país que adoptou.

Importado do blogue l'avion rose

2007/02/20

decade

I've got a million things to say but I forgot. I could write a book but I lost my pen. I'd walk the line for you. I'd waste my time for you. He's lonely. He takes a pill. A special affection for you, a new direction for we two. Has the destination disappeared or is it the will to travel? The sky is blue and I am falling. The weather's fine and I am falling. The idea that it's all a capitalist plot, Gorbi siding up to the West spawning so called 'freedom movements' around the globe. I suppose that's one of the attractions, your name and his are the same. I looked up in the sky and I saw Jean Cocteau. MI FACHO FUORI E COSI IL MIO SPIRITO SARA DA TE IN UN MINUTO, said Roberto on the jammed autostrada. I was lamenting the passing of the 80's, the decade I had claimed in a way it was my whole life, until now... so I thought. The bus driver's going down to meet her mate in Napoli. Willy Loman with his flemish Reader's Digest. The older English gent chatting up the younger, first class. And Sashas' new play «How a Being Choose to Become a Woman». They say we're going forward, but all I can say is, "Now that the commies are gone they're after the artist and the gays". The 'environmental president' says "Let's go to Mars". That's pretty good timing. But I think the rest of us should try to keep this planet together. That's pretty good timing.

O belíssimo «Decade» (uma espécie de poema-canção) está incluído no CD «Half Out», gravado em 1991 por Steven Brown. Em 1977, Steven Brown tinha participado em S. Francisco na criação do grupo rock de vanguarda Tuxedomoon. Vive na Europa desde os anos 80 e passou por Portugal por diversas vezes, a última das quais em 2006, com a nova encarnação da sua banda de sempre.

2007/02/19

é joe oppedisano, ninguém toma a mal

Escolhi Joe Oppedisano para um destaque que já vem programado desde Dezembro. Josef começou há 20 anos a fazer design de moda, trabalhou para a Calvin Klein, Neiman Marcus, L'Uomo Vogue, Vanity Fair, Detour Magazine, Sony Music e para as estrelas do espectáculo. Tinha já 30 anos quando decidiu largar a criação de moda e virar-se exclusivamente para a fotografia, que tanto admirava. Começou como um dos fotógrafos favoritos da revista britânica Q, e os seus novos projectos foram tomando forma. Alguns anos depois tem entre os seus maiores clientes as revistas New York Times, Esquire, Spoon, Instinct e a famosa Butt. A sua fotografia é claramente de autor e a interpretação das suas obras nem sempre é clara ou pacífica. Pode-se ver bem como isso assim é através da foto ao lado, onde um jovem em atitude claramente animalizada domina selvaticamente, com a sua "arma", um sujeito maior, mais velho e mais forte, talvez até muito mais poderoso (o ambiente lembra muito o submundo da máfia). No mercado acabou de aparecer o livro «Testosterone» (Bruno Gmünder, ver aqui), no qual ele dá a conhecer uma selecção de fotos sobre temática erótica masculina. Porque é carnaval e ninguém deverá tomar a mal mostrarmos assim este exemplo "visceral" da arte de Joe Oppedisano.

Importado do blogue l'avion rose

2007/02/18

pelos direitos, liberdades e garantias

Há um novo comunicado da Associação ILGA Portugal, que nos parece merecer transcrição integral e alguma reflexão:

Há um ano atrás, a Associação ILGA Portugal entregou ao Presidente da Assembleia da República a Petição pela Igualdade no Acesso ao Casamento Civil. Com mais de 7000 assinaturas, a Petição pretende o fim da discriminação na lei e a alteração do Código Civil para que casais de pessoas do mesmo sexo possam ter acesso ao casamento civil. Um ano depois, a Petição aguarda a todo o momento o relatório da 1ª Comissão (Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias) necessário para a respectiva discussão em plenário. Mas existem já na Assembleia da República dois projectos de lei (dos Grupos Parlamentares do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista «Os Verdes») e um ante-projecto de lei (da autoria de deputad@s da Juventude Socialista que integram o Grupo Parlamentar do Partido Socialista) que propõem a alteração do Código Civil no sentido de acabar com a exclusão de gays e lésbicas no acesso ao casamento civil. A Juventude Socialista já reafirmou também o seu compromisso de transformar o seu ante-projecto em projecto no decurso de 2007. 2007 é o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos (AEIOT) e a luta contra a homofobia é uma das suas vertentes explícitas. Na Conferência de Abertura deste Ano Europeu, o Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, enfatizou a necessidade de políticas pró-activas em prol da igualdade e afirmou que o objectivo do Ano exige assegurar a não-discriminação através de legislação e inclusivamente de medidas positivas que garantam a igualdade na sociedade. Ora, o recente Eurobarómetro que pretendeu avaliar a percepção da discriminação nos vários países da União Europeia (enquadrado no AEIOT) demonstra que em Portugal a discriminação com base na orientação sexual é a mais gritante : 67% das pessoas inquiridas afirma que esta discriminação é generalizada, pelo que é fundamental combatê-la sem hesitações. Trata-se, aliás, do cumprimento de princípios constitucionais da República Portuguesa. Após a revisão de 2004, Portugal passou a ser o único país europeu cuja Constituição proíbe explicitamente a discriminação com base na orientação sexual. Foi com base numa disposição constitucional semelhante que a África do Sul eliminou recentemente a discriminação no acesso ao casamento para gays e lésbicas. Ora, no Programa do actual Governo, lê-se que «[o] Governo assume integralmente as disposições constitucionais e as orientações da União Europeia em matéria de não discriminação com base na orientação sexual.». Assumindo Portugal a Presidência da União Europeia no 2º semestre do Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, o fim da discriminação legal que legitima a homofobia tem que ser uma prioridade do actual Governo – e é esta a oportunidade de demonstrar face aos restantes membros da União Europeia um verdadeiro compromisso na luta contra a discriminação. Urge, por isso, que o Governo e a actual maioria parlamentar compreendam que têm a responsabilidade de contribuir para "uma sociedade decente" que, nas palavras de Zapatero, "é aquela que não humilha os seus membros". O Programa do Governo promete o cumprimento integral da Constituição da República Portuguesa no que diz respeito à proibição da discriminação com base na orientação sexual. A Associação ILGA Portugal vem assim reclamar o cumprimento integral desta componente do programa do Governo em 2007: o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Tod@s que é também, em Portugal, a oportunidade da igualdade no acesso ao casamento civil. A Direcção e o Grupo de Intervenção Política da Associação ILGA Portugal.

Este comunicado por ser lido também na página a que o link do título conduz. Já a imagem vem de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Lá – como cá e em todo o mundo – os homossexuais lutam pela uniformização dos direitos, liberdades e garantias civis. Essa é também, hoje e aqui, a nossa luta!

2007/02/14

chocolatagem

O ChocoTelegram foi ontem notícia na TV e veio muito a calhar para este Dia dos Namorados. A marca define-se assim, no seu site português: "ChocoTelegram é a possibilidade de enviar ou oferecer directamente a alguém uma mensagem personalizada, em jeito de telegrama, de forma absolutamente original – em chocolate. Enviamos o seu ChocoTelegram a quem pretender, onde quer que esteja. Sempre de forma surpreendente, pessoal e… muito doce! E, em qualquer altura do ano, sempre em embalagem apropriada, através dos CTT Correios. Cada quadrado é uma letra, número ou símbolo. Os quadrados com letras ou outros caracteres são feitos com o mais delicioso chocolate de leite. Os quadrados sem nada inscrito, sobretudo para separar palavras, são em chocolate branco. ChocoTelegram é feito com o melhor chocolate belga, absolutamente irresistível… numa cremosidade e intensidade únicas que, aliadas à emoção do com ele se poder escrever, fazem desta, uma oferta sempre muito, muito, especial…". Sem dúvida, seja para dizer "Boa sorte!", "Vale a pena começar de novo" ou "Que bom ser teu amigo!". E que tal encomendar algo do género "Gay love!" e mandar ainda hoje a esse especial!? Será que alguém quer ser mais criativo e contribuir com outras sugestões?...

2007/02/13

my funny valentine

O compositor Richard Rodgers e o letrista Lorenz Hart estiveram por detrás do sucesso original que imortalizou a canção «My Funny Valentine» estreada a público em 1937, na comédia «Babes in Arms». A cantora, actriz e modelo alemã Nico, que Andy Warhol juntou aos seus Velvet Underground, deu-lhe outra alma em 1985, no álbum «Camera Obscura», de forma que eu acho ainda a mais bela de todas. Como o retrato, que lhe foi feito pelo poeta, fotógrafo e cineasta Gerard Malanga em 1966, nos anos de ouro de Nova Iorque. Tenho o prazer de relembrar a canção e as figuras que lhe associo nesta passagem de mais um dia 14 de Fevereiro. O de S. Valentim, o dos namorados, o dos amantes, o de todos os valentins. O tempo assim convida...

My funny valentine
Sweet comic valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet youre my favourite work of art.

Is your figure less than greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But dont change a hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine stay
Each day is valentines day.

Is your figure less than greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But dont you change one hair for me
Not if you care for me
Stay little valentine stay
Each day is valentines day.

Feliz dia de S. Valentim, amor querido!

coxworthy, o do valentim engraçado

Tem 24 anos de idade e vive algures nos Estados Unidos da América. Foi aqui que descobri Coxworthy, o ainda jovem artista que gosta de namorar e de ouvir música. Nas artes plásticas prefere os lápis de cor, ou os pincéis tingidos com os acrílicos e os óleos, mas não consegue estar muito tempo longe do computador, onde a sua obra ganha um atractivo esplendor graças a uma cuidada e criativa intervenção que passa pelo uso das ferramentas digitais da Adobe. À esquerda temos a imagem que ele intitulou de «Valentine» a propósito do mito feliz de S. Valentim, o mártir católico da Roma Imperial que sempre se recorda a 14 de Fevereiro como padroeiro do amor romântico. O artista sabe-o e deixa-nos as suas próprias palavras sobre a obra e a data: "Hope everyone had a good valentine! And that cupid got ya! :D". É escancarado e engraçado o sorriso. «My Funny Valentine, sweet comic Valentine...» faz especial sentido, mais uma vez!

Importado do blogue l'avion rose

2007/02/12

crónica de uma esperança adiada

Esta bela imagem é do ilustrador James Jean, que podem conhecer melhor pelo link no título. Mas é sobre o referendo de ontem que aproveito para escrever um pouco. "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?" foi a questão que uma vez mais me levou a pronunciar-me. O que não foi nada fácil. Primeiro por me refugiar numa indecisão que de forma alguma conseguia ultrapassar. Depois porque a chuva diluviana do final da tarde quase exigia que nos demitíssemos do dever. Dizem que a esperança é a última a morrer e como cresci com a democracia, lá fui eu mais esta vez dar mostras de defensor e de praticante. Entrei na sala que já bem conhecia e só então soube o que fazer com aquele papel. Se concordo com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, eu diria que não talvez, que a penalização deveria existir mas ser sábia e ponderada em função das razões, da repetição, da banalização, e que deveria beneficiar a sociedade em vez de colocar os sentenciados na prisão; se pode ser realizada por opção da mulher, já eu discordo absolutamente porque uma gravidez é o resultado de dois progenitores e só em situações extremas como a de uma violação é que uma interrupção voluntária da gravidez deveria poder ser tomada unilateralmente, por opção da mulher ou do homem consoante qual deles tenha sido o violador ou o violado (pois!); se, por fim, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado, nesse caso concerteza que sim mas — se temos tanta falta de verbas e equipamentos para os cuidados mais essenciais de saúde e não só — de onde virá o dinheiro necessário para tal?... Eu fiquei com estas dúvidas e isso foi suficiente para não subscrever só pela intuição algo que é demasiado definitivo para o que está em causa. Além de que me preocupa bastante a possibilidade de, nestas circunstâncias, num futuro ainda próximo se tornar possível a qualquer mulher rejeitar antes das 10 semanas qualquer possibilidade a um bebé com olhos, ou cabelos, ou qualquer outra particularidade que os médicos antecipem e seja menos do seu agrado. Será aí que isto nos leva também?... Poderá ser isto uma inocente repetição da história?... Deixem-me a vossa opinião contando que no meu silêncio excepcional eu ficarei a seguir os vossos generosos comentários. Por outro lado, se antes me falarem de podermos ser todos cidadãos a 100%, de podermos ter todos direitos e deveres equiparados, força que aí não me restam dúvidas pois não vejo os direitos de ninguém a serem postos em causa. A espera vai já longa, muito, e essa sim será a grande questão que o Governo e a Assembleia da República, ou os Portugueses, terão que equacionar quanto antes. Nesta legislatura e não na próxima porque a espera vai muito longa e de esperanças adiadas já basta!