A nudez é natural? ou normal? É possível olhar um corpo nu e destacar a nudez do peso das referências sexuais ou, se a sexualidade não estiver em causa, da interferência cultural e milenar da vergonha, do embaraço ou do pudor? Algumas décadas atrás, Philippe Halsman fotografou Marilyn Monroe (por ventura o ser humano mais fotogénico que alguma vez existiu) fixando-a suspensa no ar no esforço e na alegria de saltar, a sua teoria era a de que assim, durante um salto, a pessoa se desfazia de máscaras e se revelava na sua verdade. Talvez a nudez — não profissional — revele na vulnerabilidade da exposição do corpo a verdade, ou alguma verdade, da pessoa fotografada. Talvez o nu, mais do que uma imagem em que a roupa e outros adereços apoiem o retratado nas suas máscaras, permitam que o fotógrafo efectivamente retrate. São estas questões e é esta nudez, a das "fotos normales" como lhes chamam, que me fascina na obra da dupla de fotógrafos Paco y Manolo. Antón, o rapaz na banheira, mostra-se ou esconde-se?
2007/03/21
trilogia do nu: 3. paco y manolo
A nudez é natural? ou normal? É possível olhar um corpo nu e destacar a nudez do peso das referências sexuais ou, se a sexualidade não estiver em causa, da interferência cultural e milenar da vergonha, do embaraço ou do pudor? Algumas décadas atrás, Philippe Halsman fotografou Marilyn Monroe (por ventura o ser humano mais fotogénico que alguma vez existiu) fixando-a suspensa no ar no esforço e na alegria de saltar, a sua teoria era a de que assim, durante um salto, a pessoa se desfazia de máscaras e se revelava na sua verdade. Talvez a nudez — não profissional — revele na vulnerabilidade da exposição do corpo a verdade, ou alguma verdade, da pessoa fotografada. Talvez o nu, mais do que uma imagem em que a roupa e outros adereços apoiem o retratado nas suas máscaras, permitam que o fotógrafo efectivamente retrate. São estas questões e é esta nudez, a das "fotos normales" como lhes chamam, que me fascina na obra da dupla de fotógrafos Paco y Manolo. Antón, o rapaz na banheira, mostra-se ou esconde-se?
2007/03/20
paulo césar
A César o que é de César. E este, que é português, tanto se identifica por Paulo Cesar como por Cesar Boneville. O seu universo fotográfico é vasto em temática, mas é nos retratos e especialmente nos nus que eu mais me detenho. «Dói-me a Alma do Lado Esquerdo» é o título da foto escolhida, feita na bela Setúbal. Mas lê-se que ele é do Porto, o que é (para mim) ainda um melhor sinal...Importado do blogue l'avion rose
2007/03/19
otso kupiainen: vale a pena sonhar
Nasceu em Tyrnävä, na costa ocidental da Finlândia e vive e trabalha em Estocolmo. A sua formação em pintura teve a curta duração de dois anos (1986/87), mas logo no início da sua carreira (em 1992) Otso Kupiainen foi apreciado e encorajado através dos visitantes às exposições colectivas que integrou em Caen e Bayeux, em França. A invulgar qualidade do seu trabalho artístico foi admirado e levou-o a novas apresentações: entre 1994 e 98 em diversas mostras individuais na Finlândia e na Suécia, em 1998 e 99 num circuito colectivo pelo Japão e depois de novo na Suécia, em diversos locais e momentos. Os seus quadros - a óleo, técnicas mistas e acrílico - resultam de uma elaboração longa que passa pela observação profunda do mundo, pela reflexão e pela espiritualidade. O trabalho do artista reflecte as suas preocupações, os seus interesses, o seu entendimento, num meio caminho entre o abstraccionismo e o figurativo, integrando cor e textura na tela, criando um suporte rico para receber o tema que geralmente domina a composição, uma figura, uma expressão... A natureza humana é sensível e reencontra-se com a grande natureza, a natureza universal, na pintura de Otso. Viver é sonhar e o seu sonho é bem capaz de valer a pena.Importado do blogue l'avion rose
a poesia é uma arma
Quando na poesia se fala da vida militar, também ela pode ser uma arma:G3: É o teu desejo de mim que te faz ver-me diferente dos outros, / pois eu visto também de verde e empunho a arma da mesma maneira cruel. / Não gosto de piadas de caserna, com o cheiro forte dos pés dos camaradas a enjoarem-me o espírito. / Procurei os teus olhos, vi-os verdes de azuis que são pelo amarelo da cerveja. / Escondi um sorriso com a espuma. / Na porta, olhaste-me tão longamente que me senti nu. / A metralhadora repousa nos meus joelhos. Falo frio desarmado. / A boina mal me esconde a testa de louco. / A farda sabe que mente. / Que não sou soldado. / Que sou? Para que perguntas? / Chamam o nosso pelotão; também me perguntam se eu vou. / E então eu não haveria de ir, contigo?
«Marinheiros - Peixeiras - O Mesmo Cheiro», de Rui Reininho, 1983, em «Sifilis Versus Bilitis» (& etc).
Segunda à noite, descansando sobre uma cama de ferro, circundado por paredes mal caiadas e recrutas verdes. Armários perfilados, vozes à solta, gillettes ferrugentas, champôs, odor a urina e suor. / É a minha segunda semana militar, o segundo dia de um novo período de esforços, acrobacias, fardas enlameadas, instruções, botas engraxadas, olhares discretos, formaturas, revistas, ... / Continuo sem entender como fui incorporado, tantos meses decorridos sobre a inspecção: as minhas reacções viris perante esbeltos e excitantes corpos masculinos insistem, quase sistematicamente, em denunciar-me! Mas correu tudo regularmente - agora também -, crendo bem ser já capaz de controlar esses impulsos. / Agora, nada mais me resta do que aproveitar o desfilar inocente de perfis desnudados, circunspectamente apreciando o encanto das suas formas, dos seus tesouros, reconditamente imaginando encontros proibidos de prazer.
«Encontros Proíbidos de Prazer», de Luís Adonísio, 1987, em «O Canto do Rouxinol» (edição de autor).
Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, a 21 de Março, o documentário «Autografia» será exibido pelas 22 horas no Teatro do Campo Alegre, no Porto, com leitura de poemas do grande Mário Cesariny. Um dia antes, mas bastante mais cedo (pelas complicadas 18 horas) vai ser dita poesia sob a direcção de Rui Reininho no átrio da Reitoria da Universidade do Porto. Estas coisas não se deveriam perder...
Textos de Rui Reininho e Luís Adonísio
Imagem de Robert Nettarp! via Gayya Kusysu
Importado do blogue gayFEEL
2007/03/16
nam june paik
Coreano nascido em 1932 em Seul, Nam June Paik fugiu à guerra com a família e foi parar a Nova Iorque em 1964, depois de passar por Hong Kong e pelo Japão. Foi o pioneiro da vídeo-arte e figura preponderante no movimento Fluxus, um dos mais importantes na arte do século XX. Compositores como Stockhausen e Cage, músicos como Laurie Anderson e Yoko Ono, ou artistas plásticos como Joseph Beuys e Salvador Dalí sempre estiveram por perto. Ao lado é «TV Rodin», uma deliciosa homenagem ao escultor francês...Importado do blogue l'avion rose
educação para a alegria
É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas misérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil felicidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mesmo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria miserável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama nada se possa sentir feliz.Texto de Jean-Jacques Rousseau via Citador
Imagem de Caspar David Friedrich via Wikipédia
Importado do blogue gayFEEL
2007/03/15
mariette lydis
Pensa-se que viveu e trabalhou em Paris entre 1930 e 1955. Mariette Lydis (também conhecida pelo nome de Suzanne Ballivet) foi ilustradora de obras de autores malditos mas consagrados, como o poeta francês Pierre Louÿs. O tema é quase sempre a iniciação sexual. A solo, em duo, trio ou com múltiplos parceiros. Foi uma das raras mulheres a fazer ilustração erótica na primeira metade do século XX...Importado do blogue l'avion rose
2007/03/14
lindsay lozon
Lindsay Lozon é fotógrafo comercial há 25 anos. A moda, a música, o teatro e a política têm sido o alvo da sua objectiva. Mas não só, e ainda bem: são-no também os rapazes meio despidos que ele apresenta em álbuns com os títulos de «The Boys» e «Boys Uncovered» (a Bruno Gmünder, sua editora, está uma vez mais de parabéns)...Importado do blogue l'avion rose
2007/03/13
kelly grider
Este «Abraço Alado Nº 1» do fotógrafo Kelly Grider já me cativou há uns quantos anos. É uma bela foto de 1994, de um norte-americano do Alabama que tinha então 31 anos e que hoje vive dividido entre Nova Iorque e San Francisco. Paisagens, figura e cor são os seus temas. Mitologia, sexualidade e sensualidade estão lá, numa sensibilidade e detalhe que faz pensar no barroco...Importado do blogue l'avion rose
2007/03/12
jack balas, onde as artes se cruzam
Gosto deste quadro de Jack Balas e também de muitos mais. No Illinois fez a sua formação em arquitectura e design, passando por um estágio na Áustria em 1976 antes de voltar à sua terra no coração dos Estados Unidos, onde foi acabar a formação universitária. Hoje pinta, fotografa, escreve e faz escultura, mas é da pintura que eu mais gosto. Há nela uma forte modernidade que eu aprecio e que a torna ainda mais especial para mim do que as artes que parecem apenas vir por derivação... Jack mistura na sua obra várias técnicas, expressões artísticas, métodos de criação, que vale a pena examinar, tentar entender, relacionar... De Washington recebeu em 1995 o apoio do National Endowment for the Arts norte-americano. É em San Francisco que está representado na colecção de arte de Kent Logan, exposta a público no MoMA (Museum of Modern Art). Nova Iorque dedicou-lhe uma retrospectiva no número 120 de The Paris Review, concedendo-lhe o enigmático mas lúcido título «Today I Drove Along The Rio Grande». A aguarela que se mostra é de 2005 e intitula-se simplesmente «The True Cross». Uma escolha por mim próprio questionável, porque tantas outras haveria como possíveis — uns concordarão comigo, mas outros talvez não!Importado do blogue l'avion rose
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