2007/03/21

qiu jiongjiong

Nasceu em 1977 em Leshan, na província chinesa de Sichuan. Ele, Qiu Jiongjiong, diz desejar que os seus quadros sejam um justo equilíbrio entre imagens e palavras. Dos seus retratos pintados espera que se retirem narrativas sobre uma sociedade nova, invulgar e viva: a China de hoje...

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canção em forma de poema

No Dia Mundial da Poesia também é tempo para ler um poema ou ouvir uma canção. Como esta:

Good times for a change / See, the luck I've had / would can make a good man / turn bad. / So please please please / let me, let me, let me / let me get what I want / this time. / Haven't had a dream in a long time / See, the life I've had / would can make a good man bad. / So for once in my life / let me get what I want / Lord knows it would be the first time / Lord knows it would be the first time.

«Please, Please, Please, Let me Get What I Want», de Morrissey (The Smiths), 1984, em «Hatful of Hollow» (Rough Trade Records).

Texto de Morrissey, via Passions Just Like Mine
Imagem de Joe Oppedisano via Les Ombres
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trilogia do nu: 3. paco y manolo

A nudez é natural? ou normal? É possível olhar um corpo nu e destacar a nudez do peso das referências sexuais ou, se a sexualidade não estiver em causa, da interferência cultural e milenar da vergonha, do embaraço ou do pudor? Algumas décadas atrás, Philippe Halsman fotografou Marilyn Monroe (por ventura o ser humano mais fotogénico que alguma vez existiu) fixando-a suspensa no ar no esforço e na alegria de saltar, a sua teoria era a de que assim, durante um salto, a pessoa se desfazia de máscaras e se revelava na sua verdade. Talvez a nudez — não profissional — revele na vulnerabilidade da exposição do corpo a verdade, ou alguma verdade, da pessoa fotografada. Talvez o nu, mais do que uma imagem em que a roupa e outros adereços apoiem o retratado nas suas máscaras, permitam que o fotógrafo efectivamente retrate. São estas questões e é esta nudez, a das "fotos normales" como lhes chamam, que me fascina na obra da dupla de fotógrafos Paco y Manolo. Antón, o rapaz na banheira, mostra-se ou esconde-se?

2007/03/20

paulo césar

A César o que é de César. E este, que é português, tanto se identifica por Paulo Cesar como por Cesar Boneville. O seu universo fotográfico é vasto em temática, mas é nos retratos e especialmente nos nus que eu mais me detenho. «Dói-me a Alma do Lado Esquerdo» é o título da foto escolhida, feita na bela Setúbal. Mas lê-se que ele é do Porto, o que é (para mim) ainda um melhor sinal...

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2007/03/19

otso kupiainen: vale a pena sonhar

Nasceu em Tyrnävä, na costa ocidental da Finlândia e vive e trabalha em Estocolmo. A sua formação em pintura teve a curta duração de dois anos (1986/87), mas logo no início da sua carreira (em 1992) Otso Kupiainen foi apreciado e encorajado através dos visitantes às exposições colectivas que integrou em Caen e Bayeux, em França. A invulgar qualidade do seu trabalho artístico foi admirado e levou-o a novas apresentações: entre 1994 e 98 em diversas mostras individuais na Finlândia e na Suécia, em 1998 e 99 num circuito colectivo pelo Japão e depois de novo na Suécia, em diversos locais e momentos. Os seus quadros - a óleo, técnicas mistas e acrílico - resultam de uma elaboração longa que passa pela observação profunda do mundo, pela reflexão e pela espiritualidade. O trabalho do artista reflecte as suas preocupações, os seus interesses, o seu entendimento, num meio caminho entre o abstraccionismo e o figurativo, integrando cor e textura na tela, criando um suporte rico para receber o tema que geralmente domina a composição, uma figura, uma expressão... A natureza humana é sensível e reencontra-se com a grande natureza, a natureza universal, na pintura de Otso. Viver é sonhar e o seu sonho é bem capaz de valer a pena.

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a poesia é uma arma

Quando na poesia se fala da vida militar, também ela pode ser uma arma:

G3: É o teu desejo de mim que te faz ver-me diferente dos outros, / pois eu visto também de verde e empunho a arma da mesma maneira cruel. / Não gosto de piadas de caserna, com o cheiro forte dos pés dos camaradas a enjoarem-me o espírito. / Procurei os teus olhos, vi-os verdes de azuis que são pelo amarelo da cerveja. / Escondi um sorriso com a espuma. / Na porta, olhaste-me tão longamente que me senti nu. / A metralhadora repousa nos meus joelhos. Falo frio desarmado. / A boina mal me esconde a testa de louco. / A farda sabe que mente. / Que não sou soldado. / Que sou? Para que perguntas? / Chamam o nosso pelotão; também me perguntam se eu vou. / E então eu não haveria de ir, contigo?

«Marinheiros - Peixeiras - O Mesmo Cheiro», de Rui Reininho, 1983, em «Sifilis Versus Bilitis» (& etc).

Segunda à noite, descansando sobre uma cama de ferro, circundado por paredes mal caiadas e recrutas verdes. Armários perfilados, vozes à solta, gillettes ferrugentas, champôs, odor a urina e suor. / É a minha segunda semana militar, o segundo dia de um novo período de esforços, acrobacias, fardas enlameadas, instruções, botas engraxadas, olhares discretos, formaturas, revistas, ... / Continuo sem entender como fui incorporado, tantos meses decorridos sobre a inspecção: as minhas reacções viris perante esbeltos e excitantes corpos masculinos insistem, quase sistematicamente, em denunciar-me! Mas correu tudo regularmente - agora também -, crendo bem ser já capaz de controlar esses impulsos. / Agora, nada mais me resta do que aproveitar o desfilar inocente de perfis desnudados, circunspectamente apreciando o encanto das suas formas, dos seus tesouros, reconditamente imaginando encontros proibidos de prazer.

«Encontros Proíbidos de Prazer», de Luís Adonísio, 1987, em «O Canto do Rouxinol» (edição de autor).

Para comemorar o Dia Mundial da Poesia, a 21 de Março, o documentário «Autografia» será exibido pelas 22 horas no Teatro do Campo Alegre, no Porto, com leitura de poemas do grande Mário Cesariny. Um dia antes, mas bastante mais cedo (pelas complicadas 18 horas) vai ser dita poesia sob a direcção de Rui Reininho no átrio da Reitoria da Universidade do Porto. Estas coisas não se deveriam perder...

Textos de Rui Reininho e Luís Adonísio
Imagem de Robert Nettarp! via Gayya Kusysu
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2007/03/16

nam june paik

Coreano nascido em 1932 em Seul, Nam June Paik fugiu à guerra com a família e foi parar a Nova Iorque em 1964, depois de passar por Hong Kong e pelo Japão. Foi o pioneiro da vídeo-arte e figura preponderante no movimento Fluxus, um dos mais importantes na arte do século XX. Compositores como Stockhausen e Cage, músicos como Laurie Anderson e Yoko Ono, ou artistas plásticos como Joseph Beuys e Salvador Dalí sempre estiveram por perto. Ao lado é «TV Rodin», uma deliciosa homenagem ao escultor francês...

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educação para a alegria

É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas mi­sérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil fe­licidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mes­mo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria mi­serável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama na­da se possa sentir feliz.

Texto de Jean-Jacques Rousseau via Citador
Imagem de Caspar David Friedrich via Wikipédia
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2007/03/15

mariette lydis

Pensa-se que viveu e trabalhou em Paris entre 1930 e 1955. Mariette Lydis (também conhecida pelo nome de Suzanne Ballivet) foi ilustradora de obras de autores malditos mas consagrados, como o poeta francês Pierre Louÿs. O tema é quase sempre a iniciação sexual. A solo, em duo, trio ou com múltiplos parceiros. Foi uma das raras mulheres a fazer ilustração erótica na primeira metade do século XX...

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2007/03/14

lindsay lozon

Lindsay Lozon é fotógrafo comercial há 25 anos. A moda, a música, o teatro e a política têm sido o alvo da sua objectiva. Mas não só, e ainda bem: são-no também os rapazes meio despidos que ele apresenta em álbuns com os títulos de «The Boys» e «Boys Uncovered» (a Bruno Gmünder, sua editora, está uma vez mais de parabéns)...

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