2007/03/30

virtual boxon

Imaginem fotografias tiradas num bordel de há 100 anos. Onde tudo é possível, onde tudo é estranho, onde tudo é quase cómico. São retratos anónimos da última década do século XIX, do início da Belle Époque recolhidos e exibidos pelo site Virtual Boxon. Bons retratos, porém, no esplendor do sépia natural e da imaginação dos intervenientes. De homens e de mulheres. De elas com eles e de elas com elas, ainda que na foto de exemplo não seja bem o caso, até porque ficou por determinar com clareza se é ela que quer ser ele, ou se ele é que quer ser ela...

Importado do blogue l'avion rose

2007/03/29

ukrainito

Com formação artística académica e um nome inspirado no pintor espanhol Jusepe de Ribera (também conhecido por El Españoleto ou Lo Spagnoletto), Ukrainito é um artista plástico ucraniano. Ao lado de Ermanito, o seu companheiro desde há 2 anos, constrói um templo de amor e de arte a que deram o nome de The BK Family. Fotografia, desenho e arte digital são as técnicas usadas. Num país em democratização e aos 30 anos de idade, este jovem espera paciente pelos dias prometidos...

Importado do blogue l'avion rose

you talkin'to me?

No filme «Taxi Driver», realizado por Martin Scorsese em 1976, a personagem representada pelo actor Robert DeNiro diz uma frase que ficaria para a história do cinema: enfrentando o espelho com uma arma na mão, Travis Bickle enfrenta-se também a si próprio e insinua sem temor "You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talkin' to? You talkin' to me? Well I'm the only one here". A cultura popular (ou pop, como se diz nos anglo-saxónicos) não ignora esta frase tão marcante e carregada de simbolismos, de leituras. E é esta uma das que tantas vezes nos deveria trazer à realidade, num mundo em que sonhamos de olhos abertos. Não poucas vezes perguntámo-nos aonde nos dirigimos, adonde levamos a nossa vida. Essa, sim essa, que é bem mais limitada do que geralmente queremos admitir. Ouvia ontem num documentário da TV que "todos nascemos, crescemos e morremos" e essa é a verdade, pelo menos no nascer e no morrer. Porque o crescimento pode ser maior ou menor, mais curto ou mais longo, ou quase nem existir. Existindo, poderá sê-lo de muitas maneiras. E no fundo assim se entende que crescer é viver, como viver é crescer. Ou estagnar, ficar inerte, entre o cá e o lá, entre o ontem e o amanhã, entre o princípio e o fim... Pergunto-me por vezes, quando vejo o espelho, se eu sei quem tenho por diante. Se o devo aceitar ou se o devo provocar... O certo é que do lado de lá do vidro não está ninguém, só eu daqui... E por mais que eu espere companhia, por mais que eu dê de mim a essoutro, nada mais tenho observado do que uma imagem desfocada da companhia que tanto anseio. Como diria novamente DeNiro, "well I'm the only one here"...

Texto de Paul Schrader via Wikipedia
Imagem de Martin Scorsese via Wikipedia
Importado do blogue gayFEEL

2007/03/28

tony patrioli: um corpo mediterrânico

Tony Patrioli nasceu em Manerbio, Itália, em 1941. Tinha 24 anos quando começou a sua carreira fotográfica tendo por objecto o nu masculino, em especial o dos seus jovens amantes. Patrioli tinha a particularidade de se dirigir a um público gay, ao contrário dos vulgares fotógrafos de então, mesmo quando a nudez masculina era o tema da fotografia. Assumiu a sua sexualidade em 1970 e foi nesse ano que se inscreveu em Milão na escola de fotografia publicitária, onde se formou em 1977. Mas na época não se editavam livros de tal tema e só nas revistas eróticas é que essas fotos tinham lugar. Wilhelm von Gloeden, pioneiro da fotografia de nu masculino, foi a sua principal inspiração. Primeiro porque era tolerado pelas autoridades italianas da época e depois pela falta de afinidade estética com a fotografia americana ou de outras origens. Nos retratos de Patrioli há um corpo mediterrânico que se exibe, com simplicidade e orgulho (veja-se aqui). Os modelos que contratava eram simples jovens heterossexuais que se deixavam levar com curiosidade e prazer pelo jogo narcisista e erótico da exibição da uma sexualidade não satisfeita. Ele hoje é um homem que observa a partir do seu retiro, em Milão, onde se dedica à fotografia por exclusivo prazer pessoal.

Importado do blogue l'avion rose

the word is gay

A livraria londrina Gay's The Word, a única especializada em literatura homossexual em toda a Inglaterra, corre o risco de fechar as portas. O escritor norte-americano Edmund White, autor de «Um Belo Quarto Vazio» e «A Vida Privada de um Rapaz» (ambos por cá na Dom Quixote), expressou a sua preocupação e solidariedade: "a Gay's The Word é a única livraria que expõe e vende a maior parte da literatura homossexual da história. Seria muito lamentável se fechasse." Também outros escritores, intelectuais e activistas dos direitos civis lançaram uma campanha no Reino Unido para salvar a livraria que abriu as suas portas em 1979, no bairro literário de Bloomsbury, e que em 1984 foi mesmo acusada pelas autoridades aduaneiras de importar "literatura indecorosa". Só que as razões para a preocupação actual são outras: por um lado o elevado custo do arrendamento do espaço e, por outro, a grande concorrência comercial com a venda de literatura light pela internet. O valor pago mensalmente pelo espaço ronda já 0s 2.500 Euros (cerca de 500 contos, em moeda antiga) e os livros que importam vendem-se cada vez menos. "A perda da livraria seria uma grande perda política, cultural, comunitária e humana", afirmou por sua vez a popular escritora britânica Ali Smith. Ali à mão, bem no coração de Londres, ainda está a Gay's The Word Lesbian And Gay Bookshop, uma velha jóia que não se esquece com facilidade. E que espero muito em breve reencontrar...

Estações de Metro: Russell Square, Euston ou King Cross.

2007/03/23

steve walker

No início de 2004 foi-me entregue o apartamento que haveria de ser a nossa casa... Foi esta imagem - «The Painters», 2001 - de Steve Walker a que escolhemos para anunciar aos amigos, num pequeno cartão, a renovação, a mudança... A obra do artista nunca está terminada e os seus quadros são sempre belos, emotivos e encantadores. Levantam questões, de forma simples. Vivem do multiplicar das energias. É isso que mais lhe admiro, é isso que ainda me inspira...

2007/03/22

uma velha história

Haverá alguém que não conheça esta velha história que sempre se repete? Alguém que não conheça ainda somente a sensação ou a canção?

People everywhere / A sense of expectation hanging in the air / Giving out a spark / 'Cross the room your eyes are glowing in the dark. / And here we go again, we know the start, we know the end / Masters of the scene / We've done it all before and now we're back to get some more / You know what I mean. / Voulez-vous? / Take it now or leave it / Now is all we get / Nothing promised, no regrets / Voulez-vous? / Ain't no big decision / You know what to do / La question c'est voulez-vous? / Voulez-vous? / I know what you think / The girl means business, so I'll offer her a drink / Feeling mighty proud / See you leave your table, pushing through the crowd. / I'm really glad you came, you know the rules, you know the game / Master of the scene / We've done it all before and now we're back to get some more / You know what I mean. / Voulez-vous? / Take it now or leave it / Now is all we get / Nothing promised, no regrets. / Voulez-vous? / Ain't no big decision / You know what to do / La question c'est voulez-vous? / I'm really glad you came, you know the rules, you know the game / Master of the scene / We've done it all before and now we're back to get some more / You know what I mean. / Voulez-vous? / Take it now or leave it / Now is all we get / Nothing promised, no regrets / Voulez-vous? / Ain't no big decision / You know what to do / La question c'est voulez-vous? / Voulez-vous?

«Voulez-Vous», de Benny Andersson e Bjorn Ulvaeus (Abba), 1979, em «Voulez-Vous» (Polar Music). Foi revisto pelos Erasure, 1992, em «Abba-esque» (Mute Records).

Texto de B. Andersson e B. Ulvaeus (Abba) via Erasure
Imagem de via L'Homme Est un Concept
Importado do blogue gayFEEL

richard baxter

Pintura figurativa contemporânea e fotografia são as variantes da arte do australiano Richard Baxter, nascido em 1966 em Angaston. É «Anton's Moth», um óleo de 150x150 cm terminado em 2003, que se vê ao lado. Um interessante trabalho...

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2007/03/21

qiu jiongjiong

Nasceu em 1977 em Leshan, na província chinesa de Sichuan. Ele, Qiu Jiongjiong, diz desejar que os seus quadros sejam um justo equilíbrio entre imagens e palavras. Dos seus retratos pintados espera que se retirem narrativas sobre uma sociedade nova, invulgar e viva: a China de hoje...

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canção em forma de poema

No Dia Mundial da Poesia também é tempo para ler um poema ou ouvir uma canção. Como esta:

Good times for a change / See, the luck I've had / would can make a good man / turn bad. / So please please please / let me, let me, let me / let me get what I want / this time. / Haven't had a dream in a long time / See, the life I've had / would can make a good man bad. / So for once in my life / let me get what I want / Lord knows it would be the first time / Lord knows it would be the first time.

«Please, Please, Please, Let me Get What I Want», de Morrissey (The Smiths), 1984, em «Hatful of Hollow» (Rough Trade Records).

Texto de Morrissey, via Passions Just Like Mine
Imagem de Joe Oppedisano via Les Ombres
Importado do blogue gayFEEL