2007/04/24

keith haring: a arte é uma arma

1958 foi o ano do nascimento de Keith Haring, a 4 de Maio. Entre 1976 e 78 estudou design gráfico em Pittsburg, notando-se-lhe uma forte disponibilidade para as artes plásticas e para a intervenção, o que se tornaria mais evidente no início dos anos seguintes. É por essa altura que ele parte para a Big Apple de Andy Warhol e Allen Ginsberg, talvez duas das figuras que mais o marcaram e de quem se torna amigo. Nas ruas e nos corredores do metro de Nova Iorque foi deixando os seus graffitis, as suas mensagens sobre sexo e liberdade. Era homossexual e tal facto tomou expressão gráfica na maior parte dos seus trabalhos (ao lado «Glory Hole», de 1980). O Club 57, na East Village, dá-lhe espaço e torna-o reconhecido. Pouco depois é levado a participar em exposições e intervenções em Barcelona, em Paris, Berlim, Amesterdão, S. Paulo ou mesmo Sydney. A deliciosa canção «I'm Not Perfect (But I'm Perfect For You)» foi apresentada em 1986 pela sexy Grace Jones com o corpo pintado por Keith Harring. Este viveu os últimos anos da década de 80 com sida e morreu a 16 de Fevereiro de 1990, pouco tempo depois de se criar a fundação com o seu nome. Tinha 31 anos de idade, 2 a menos do que uma revolução que terá acontecido em Portugal e que se volta agora a recordar.

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2007/04/20

maxim velcovsky

Em Chodovice, na República Checa, a igreja de S. Bartolomeu foi redecorada pelo Qubus Studio de Maxim Velcovsky. Cadeiras desenhadas por Verner Panton nos anos 60 e outros elementos de design industrial deram à igreja barroca um ar de modernidade, de vida. Mais até, quem lá entra sente no ar a profunda e necessária preocupação do seu clero perante as questões espirituais e os valores do mundo actual...

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produtos verdes na muji

Muji deriva do japonês Mujirushi Ryōhin, divisa que em Inglaterra se traduz por "No Brand Quality Goods". A mesma reflecte a preocupação da Muji em fabricar e comercializar produtos sem marca mas com os mais exigentes padrões de qualidade. São produtos simples e geralmente acessíveis às bolsas comuns: móveis, acessórios para a casa, para o escritório, para a vida dentro e fora de portas... Mesmo os produtos mais tecnológicos têm preocupações ecológicas: veja-se ao lado como exemplo umas atractivas colunas portáteis feitas com cartão em vez de plástico. Por isso digo que os seus produtos brancos são verdes e que além de obedecerem ao seus tão exigentes padrões de qualidade são também simples e bonitos de ver... e de ter! No Japão a marca produziu e comercializou já mais de 5.000 artigos diferentes, bons, bonitos e baratos. A simplicidade, o despojamento ou o minimalismo são adjectivos que servem bem para a Muji que actualmente tem 15 estabelecimentos no Reino Unido, 9 dos quais na capital (ver lista abaixo). Contam-se também 6 lojas em Paris e 1 em Milão, além de mais 285 só no Japão. Incontornável?...

Lojas ou balcões (e respectivas estações de Metro): Carnaby Street (Oxford Circus); High Street Kensington (High Street Kensington); House of Fraser (Victoria); King's Road (Sloane Square); Long Acre (Leicester Square ou Covent Garden); Oxford Street (Oxford Circus); Totenham Court Road (Totenham Court Road); Selfridges (Marble Arch ou Bond Street); Whiteleys Center (Bayswater ou Queensway).

2007/04/19

vonn sumner

Vonn Sumner cresceu no norte da Califórnia, numa família de artistas. Licenciou-se em pintura e partiu para a bela e eterna Nova Iorque, cidade das oportunidades e do museu Guggenheim, para o qual trabalhou. Casou e regressou à costa oeste, vivendo e trabalhando em Long Beach. Se o seu trabalho ilustra figuras próximas do absurdo, é um facto que as suas telas nos agarram e nos fascinam...

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o encanto da serpentine

A Serpentine Gallery é uma das galerias de arte mais apreciadas em Londres, devido ao seu trabalho na promoção arrojada de novos valores artísticos britânicos e internacionais. Fica situada na antiga casa de chá de Kensington Gardens, bem no coração do Hyde Park. Defronte está o lago serpenteante que lhe dá o nome e não muito distante a estátua de Peter Pan (a norte) ou o memorial à Princesa Diana (a este). Não longe (a nordeste) encontra-se ainda a famosa Speaker's Corner, onde há constantemente alguém a defender discursivamente os seus ideais... perante quem calha. A galeria existe desde 1970, mas o pavilhão original é de 1934. Quase 750.000 pessoas já a visitaram e nela foram encontrar exposições de artistas de mérito e fama como Man Ray, Henry Moore, Andy Warhol, Bridget Riley, Allan McCollum ou Damien Hirst. A galeria foi concebida pelo Concílio Britânico das Artes e nos primeiros anos de existência apenas se encontrava aberta nos meses de Verão. Em 1986 passou para a direcção de Julia Peyton Jones, que a fez renascer. Hoje, além das exposições temporárias que se podem visitar livremente, a galeria oferece também um pavilhão de Verão, que se contrói nos terrenos anexos sob a direcção de um difrente arquitecto convidado em cada ano: Zaha Hadid, Daniel Libeskind, Oscar Niemeyer, Toyo Ito, Rem Koolhaas, Cecil Balmond ou os portugueses Álvaro Siza e Eduardo Souto de Moura foram alguns dos autores.

Trajectos (e respectivas estações de Metro): via a Peter Pan Statue (Lancaster Gate), via o Diana Memorial (Hyde Park Corner ou Knightsbridge), via a Speaker's Corner (Marble Arch).

2007/04/16

robert flynt

Esqueçam a hiper-modernidade. Esqueçam o esforço excessivo para estar in e não ficar out. Esqueçam tudo isso e apreciem o estilo de Robert Flynt, fotógrafo de nus masculinos surrealistas. Justapondo as figuras que capta com câmaras sub-aquáticas a elementos de fundo recuperados das memórias do tempo, as suas fotos são frescas e inovadoras, mergulham num mesmo banho o presente e o passado, como se sempre tivessem estado ligados entre si num plano pluridimensional: as fotos de Flynt são de hoje, mas também o são de todo o sempre!...

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2007/04/14

appio cláudio

O autor escreve e pinta. Também faz teatro amador, de vez em quando, e luta política, sempre. Appio Cláudio não é ribatejano, mas vive há muito no vale do Tejo, lá onde a bela lezíria forma ilhas temporárias sempre que as águas voltam a subir e a conquistar as margens. No alto do seu monte, de onde contempla o burgo e quem lá vive ou passa, o autor regressa regularmente aos seus pincéis e telas, às suas paisagens e aos companheiros de cada momento...

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2007/04/13

mais rough trade

Geralmente, trade e rough trade são entendidos como sinónimos. As expressões são assim usadas há muito pela cultura britânica para designar o acordo resultante da atracção vertiginosa de um homem homossexual por um prostituto que se diz interessado no dinheiro e não no sexo, que às vezes se diz heterossexual e que tem um comportamento dominante ou até violento. A loja de discos Rough Trade surgiu em Londres em 1976. Dois anos depois brotou dela a editora Rough Trade Records, berço de bandas como The Smiths, Aztec Camera, The Fall, Cabaret Voltaire e Young Marble Giants, que assinariam alguma da melhor produção musical britânica dos anos 80. Tantos anos depois, depois de tantas experiências e transformações, coexistindo com independência entre si as lojas (uma em Portobello, a outra em Covent Garden), a editora e a distribuidora, a Rough Trade anuncia para Junho a intenção de abrir o seu mais recente espaço de venda em Londres, que ficará situado num estabelecimento de 500 m2 algures na zona de Brick Lane. Que tipo de rough trade será este, não se sabe ainda. Mas para mim será incontornável uma visita ao mais recente templo de quem tanto fez pela música pop independente nas últimas três décadas e me deu o prazer de descobrir músicos e discos que marcaram a minha vida.

Lojas (e respectivas estações de Metro): Talbot Road (Ladbroke Grove ou Notting Hill Gate), Neal's Yard (Covent Garden) e a confirmar no Verão em Brick Lane (Aldgate East).

slava mogutin, o russo de nova iorque

Slava Mogutin (1974) é russo e siberiano de Kemerovo. Na adolescência foi para Moscovo, onde começou uma carreira como jornalista. Ainda apenas com 21 anos era já elogiado por uns e condenado por outros devido aos seus textos libertários que defendiam os homossexuais. Ele foi o primeiro jornalista abertamente gay na imprensa russa, sendo acusado de diversos crimes de "ofensa deliberada às normas morais geralmente aceites", de "provocação e divisão social, nacional e religiosa" e de "propaganda da violência, patologia psíquica e perversão sexual" (chega???). O seu nome corria nos tribunais e no ar pairava a ameaça de uma pena de prisão quase certa, que poderia durar 7 anos. Com a ajuda da Amnistia Internacional e da PEN American fugiu para Nova Iorque, onde se exilou. Aí é hoje considerado como um artista ao nível dos famosos Nan Goldin, Wolfgang Tillmans ou Terry Richardson. Soldados, punks, skaters são parte do objecto da sua escolha que se mistura com sexo, muito sexo, muita acção e sinais de revolta, de contestação, de amplo inconformismo. As fotos de Slava Mogutin são instantes pensados para não fazer concessões. Estão carregadas de dor, de prazer, de inocência, de fatalidade, de entrega, de despojamento. Nas suas imagens há algo de sinistro e de inatingível, que aos poucos vamos entendendo. Há pornografia, e não pouca. Às vezes só mesmo uma suave sugestão, algum erotismo, mas sempre uma enorme entrega que revela a grandeza do seu amor à arte, do seu amor à linguagem dos sentidos. Slava está hoje representado nas galerias mais arrojadas e mais conceituadas e nas melhores revistas de arte e de moda como a i-D, Butt, Visionaire, Honcho, BlackBook, Playgirl e a Stern. Foi capa da revista portuguesa Umbigo (veja-se aqui). Tem 7 livros publicados em russo e traduções para 6 línguas. Em 2005 criou uma parceria artistica com o seu companheiro Brian Kenny: o colectivo Superm.

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2007/04/12

françoise nielly

Ainda não se passou uma semana sobre a Páscoa e parece que ela vai já bem longe. Hoje é assim, o tempo passa demasiado depressa e não só não temos - muitas vezes - tempo para nós próprios como - ainda pior - não o temos para os outros. Ou para todos os outros a quem gostaríamos de dar parte do nosso tempo. As figuras pintadas por Françoise Nielly são coloridas como as amêndoas da Páscoa. Fazem-me regressar a momentos bons. E eu gosto disso!...

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