
Há meia dúzia de anos atrás fui surpreendido pela campanha que lançava um novo perfume para homem: numa fotografia belíssima, a preto e branco, de Richard Avedon, um rapaz de tronco nu, escanzelado, sarapintado de sinais e com uns lábios opulentos que contradiziam a restante austeridade da imagem, anunciava o espírito novo de «Higher», a
eau de toilette, e de Hedi Slimane, o novo director artístico da Dior Homme. De então para cá sucederam-se as colecções de fatos estreitos, corte agudo e acessórios ambíguos que tinham como referência o David Bowie dos anos 70, os estojos de luxo para o iPod, o falso
mohawk, as colaborações com bandas de rock estreantes, o relançamento de «Fahrenheit» (com um filme de David Lynch), o revivalismo
gourmand de «Dior Homme» ou o recente
reprise branco, em canto de cisne, de «Fahrenheit 32». Hedi Slimane, o gerador da energia criativa que deu alento à
maison nemesis da Chanel não renovou o contrato, abrindo passo ao seu assistente, Kris Van Assche, que acaba de ser anunciado como seu sucessor. O rapaz esguio que ditou novos padrões de beleza masculina, vagueia agora noutros corredores — fala-se na Yves Saint Laurent, mas eu queria-o na Chanel... Homme.