2007/05/09

benoît prévot

Nas imagens de Benoît Prévot há um quê de glamour fora de moda. São imagens de l'amour, mas sendo de hoje parecem pertencer a uma época clássica, que já passou no tempo dos nossos pais, dos nossos avós. Há nestas imagens uma virilidade e uma delicadeza raras, mas tão verdadeiras como se não fossem a mais pura ficção. Há encanto e beleza, num traço firme e experiente de quem faz do desenho a sua profissão...

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/08

dennis cooper: crónicas de amor e sexo

Como escritor, Dennis Cooper (1953) seguiu os modelos de Rimbaud, Verlaine, De Sade ou Baudelaire. Ainda jovem escreveu poesia que expunha a sua vida emotiva e sexual entre os punks e os jovens artistas libertários da sua época, que nele viam um líder. Deixou a sua Califórnia e os States em 1976 e foi ao encontro de Londres, no velho Reino em revolução punk e anarquista. Chegou, viu e venceu, envolvendo-se nos movimentos mais contestatários de então. Criou a editora Little Caesar e a revista com o mesmo nome. Progrediu, mas em 1979 voltou à Califórnia e lá dirigiu iniciativas artísticas com figuras tão relevantes como Gerard Malanga, o poeta, fotógrafo e realizador que ombreou regularmente com Warhol. Em 1982 edita a sua primeira novela, de título «Wrong». Dois anos depois parte para Nova Iorque e em 87 para Amesterdão, na Holanda. Aí acaba de escrever o seu primeiro grande romance, «Closer», enquanto faz algum dinheiro como correspondente de diversas revistas norte-americanas (a Village Voice e outras). Regressa a NY onde inicia colaborações com a revista ArtForum. Segue-se «Frisk» em 1991, novela nova, e depois «The Dream Police: Selected Poems '69-93», «Jerk» e «Try» (em 1994), «Horror Hospital Unplugged», «All Ears» e «Guide» (em 1997), «Period» (2000), «My Loose Thread» (2002), «The Sluts» (2004) e «God Jr.» (2005). Para ler (em livro), ver (em vídeo) ou ouvir (em disco, como na sua colaboração com John Zorn ou Kathy Acker), porque a arte e a homossexualidade sempre estiveram presentes nas suas crónicas... de amor e sexo.

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/06

da lábia e dos narcisos

Uns lábios podem dizer-nos muito, ou simplesmente nada. Ainda que seja falso que o dito e a fala venham dos lábios (na verdade vêm é das cordas vocais), é para eles que olhamos quanto prestamos atenção a quem nos fala. Pelo menos se está à nossa frente. Às vezes, porém, é pelo telefone (fixo ou móvel) que a voz nos chega. E se nessas ocasiões não são uns lábios que temos à nossa frente, já a imaginação nos ajuda a compensar essa ausência. O que é difícil é ter a compensação do silêncio dos amigos, da família, dos que queremos por perto mesmo que seja só em voz e de vez em quando. Penso quanto é estranho que hoje as pessoas se refugiem em silêncios que se poderiam ultrapassar. Para o contrariar, eu ainda pego no telefone, à noite ou aos fins-de-semana, e ligo para umas quantas pessoas (cada vez menos) que quero ouvir. É uma facilidade sem custos adicionais, graças a um plano de preços que subscrevi ainda no tempo em que queria ter todo o tempo do mundo para falar com a minha mãe. A Mãe já cá não está hoje, nem nunca mais, mas o plano mantém-se e o tempo sobra-me. Falo com quem posso, com quem encontro, mas quase nunca alguém tem a iniciativa de falar comigo. Isto é: eu passo a vida a ligar a toda a gente e (quase) ninguém me liga, nem hoje, nem amanhã, nem depois... Haverá uma excepção ou outra, bem sei, e reconheço que o pouco que vou recebendo deve ser reconhecido. É nos outros casos que eu vou ficando cada vez mais distante de quem quero: primeiro porque não me apetece insisitir em conversas com quem já não me procura, depois porque quase sempre fico a pensar que uns quantos não se interessam muito mais por mim para além do mero facto de me terem conhecido ou de me conhecerem. E há os que se desfazem em simpatias e promessas, que nunca concretizam. Mas talvez bem piores sejam mesmo os que só têm lábia para celebrar a sua própria vida, ou aqueles que são tão extraordinariamente narcisistas que só se preocupam com os seus excessos egocentristas, com a celebração da sua existência excepcional, dos seus sucessos ampliados e desmedidos, ou ainda com as explosivas manifestações de afectos dos e para com os seus béu-béus ou miau-miaus... Que tenham dó dos simples e humanos mortais!

Imagem via GayFeed
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brandon herman

Brandon Herman (1983) é novo na fotografia, tendo feito a sua estreia em exposição individual no início de 2007, na galeria Wessel + O'Connor, de Brooklyn. «Schooldayz» mostrava os seus amigos e amigas, amantes e colegas de liceu, numa explosão de sexualidade que chegava a apelar à lascívia mas também, e sobretudo, à admiração estética. Brandon formou-se na Rhode Island School of Design, vivendo e trabalhando em Nova Iorque.

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estranha coincidência

Citando um artigo de jornal, a Associação ILGA Portugal fez saber que o porta-voz da direcção nacional do Partido Socialista, Vitalino Canas, admitiu ser uma "ideia interessante" celebrar-se em 2010 o centenário da instauração da República Portuguesa com "ideias fortes". Segundo a mesma fonte, a Comissão de Projectos para as Comemorações do Centenário da República, presidida por Vital Moreira, propôs ao Governo um programa legislativo que inclua, "no campo das relações sociais", uma "revisão do Código Civil em matéria de relações familiares" e que tenha "em conta as novas relações sociais", ou seja, que porventura abra a legislação portuguesa ao casamento homossexual e às equivalências que daí advêm. O mesmo porta-voz do PS, mas já apenas na qualidade de jurista, acrescentou que no seu entender é altura de se "mudar" o velho Código Civil que ficou "desactualizado" face às "novas realidades" sociais e familiares. Sobre isto, pela voz de Paulo Côrte-Real, a secção portuguesa da ILGA (International Lesbian and Gay Association) recordou que foram já entregues na Assembleia da República, há mais de um ano, projectos do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista Os Verdes que defendiam a autorização legal dos casamentos homossexuais em Portugal, à semelhança aliás de outros exemplos concretizados noutros países da União Europeia, nomeadamente no Reino Unido e em Espanha. "Não se deve esperar por 2010, deve-se sim actuar desde já", defendeu ainda a ILGA Portugal. E disso não há dúvida: já estamos cansados de esperar por algo que era esperado nesta legislatura sob a governação socialista. Só que se no passado o PS terá piscado o olho aos homossexuais, agora parece ter medo de perder votos e eleições e aposta antes na estabilidade heterossexual. Em 2010 parece que sim, que haverá a intenção de legislar. Só que 2010 é depois das próximas eleições. Eu só votarei em quem me apoiar e talvez todos os homossexuais portugueses devessem fazer o mesmo...
No quadro de Paula Rego «Pietà», que se vê ao topo, parece haver um prognóstico ao futuro de José Sócrates como Primeiro-Ministro. Estranha coincidência!...

2007/05/04

matthew stradling

«The Weeping Flesh» é o título deste óleo sobre tela de 150x118 cm pintado pelo artista britânico Matthew Stradling. Nasceu em Hertfordshire, no sudeste da ilha, mas actualmente vive e trabalha na zona norte de Londres. De fama feita, tem obras presentes em colecções públicas e privadas de todos os continentes, com destaque para a Europa, América e Ásia. É bela e universal a linguagem da carne...

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2007/05/03

slim man

Há meia dúzia de anos atrás fui surpreendido pela campanha que lançava um novo perfume para homem: numa fotografia belíssima, a preto e branco, de Richard Avedon, um rapaz de tronco nu, escanzelado, sarapintado de sinais e com uns lábios opulentos que contradiziam a restante austeridade da imagem, anunciava o espírito novo de «Higher», a eau de toilette, e de Hedi Slimane, o novo director artístico da Dior Homme. De então para cá sucederam-se as colecções de fatos estreitos, corte agudo e acessórios ambíguos que tinham como referência o David Bowie dos anos 70, os estojos de luxo para o iPod, o falso mohawk, as colaborações com bandas de rock estreantes, o relançamento de «Fahrenheit» (com um filme de David Lynch), o revivalismo gourmand de «Dior Homme» ou o recente reprise branco, em canto de cisne, de «Fahrenheit 32». Hedi Slimane, o gerador da energia criativa que deu alento à maison nemesis da Chanel não renovou o contrato, abrindo passo ao seu assistente, Kris Van Assche, que acaba de ser anunciado como seu sucessor. O rapaz esguio que ditou novos padrões de beleza masculina, vagueia agora noutros corredores — fala-se na Yves Saint Laurent, mas eu queria-o na Chanel... Homme.

2007/04/30

20 anos de amor

Há 20 anos partimos do cais da estação para a nossa primeira noite de muitas noites que se seguiriam e seguirão. Do Porto a Braga foi um instante mas mesmo assim a noite não chegava e tudo acontecia lentamente como se fizesse parte de uma história encantada que tem que se contar devagar, que tem que se ouvir devagar, com vagar, para que se entenda e encante. Nela, tu e eu éramos os únicos heróis: tu, o meu e eu, seguramente, o teu. Assim não fosse, não nos teríamos perdido nos braços um do outro, nos lábios um do outro, no corpo um do outro, no mundo um do outro e não teríamos feito dessa noite a noite mais feliz das nossas vidas. Pode dizer-se que te afogaste no meu corpo, mas eu também me afoguei no teu. E na doçura dos nossos vinte anos fizemos todas as juras de amor que podem ser feitas. Ainda cá estamos e aqui pouco mais posso acrescentar do que um grande beijo para o meu querido amor! Até logo...

Imagem de Pierre et Gilles via MarkRobot
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pierre et gilles

Pierre et Gilles em reprise vem a propósito deste beijo fantástico. «The Kiss» parece ser o título da obra, mas esse tanto pode ser dito em inglês como noutra língua qualquer: é «O Beijo», de amor. Pierre Commoy (1949) e Gilles Blanchard (1953) sabem o que isso significa e as suas imagens não deixam dúvidas de que o que vemos aqui é uma representação do mais absoluto e puro amor. Deixem-nos (a) sós!...

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2007/04/27

david wojnarowicz

Descobri David Wojnarowicz em 1993 através do CD «ITSOFOMO», assinado em parceria com o compositor-trompetista Ben Neill. David nasceu em 1954 e morreu com sida em 1992. Foi homossexual, pintor, fotógrafo, escritor, realizador, actor e activista dos direitos civis. O seu disco já raro é um exemplo magistral do seu posicionamento e dessa luta. De 28 de Abril a 6 de Maio «ITSOFOMO» pode ser recordado através de uma instalação que estará no museu de arte contemporânea de Serralves, no Porto. Seguramente um acontecimento a não perder!...

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