2007/05/17

bruce labruce

Conheci Bruce LaBruce (1964) pelo seu fanzine queerpunk J.D. e, depois, através da importação de um exemplar (ainda em VHS) do seu filme de culto «No Skin Off My Ass», um must have do cinema homossexual. Escritor, actor, fotógrafo, realizador, este canadiano nascido Justin Stewart é uma referência verdadeiramente excepcional no mundo da arte gay mais marginal. Se isto lhe diz alguma coisa, o melhor é mesmo estar atento e não o perder de vista...

Importado do blogue l'avion rose

dia internacional contra a homofobia

Todos os anos, a 17 de Maio celebra-se o IDAHO - International Day Against Homophobia. Para assinalar a chegada dessa data, as Panteras Rosa realizaram já ontem uma acção pública defronte do Ministério da Saúde, em Lisboa, alertando e questionando sobre a discriminação exercida sobre os dadores de sangue que se declarem homossexuais. O grupo de manifestantes contava com a presença de médicos e activistas cobrindo todo o espectro das orientações sexuais. Esta acção teve um carácter simbólico, sendo sustentada com base na credibilidade dos argumentos, como bem explicaram as Panteras Rosa nas suas intervenções.
O Dia Internacional Contra a Homofobia teve origem no Quebeque (Canadá) em 2003, tendo sido promovida pelo escritor francês Louis-Georges Tin (autor do «Dictionnaire de l'Homophobie», Presses Universitaires, França) em associação com a ILGA. Também a 18 de Janeiro de 2006, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu subscreveu uma resolução sobre a homofobia na Europa "considerando que são necessárias outras acções tanto a nível da União Europeia como a nível dos Estados-Membros para erradicar a homofobia e promover uma cultura de liberdade, de tolerância e de igualdade entre os cidadãos, assim como no âmbito da sua ordem jurídica" e "insta os Estados-Membros a adoptarem disposições legislativas para pôr fim à discriminação de que são vítimas os parceiros do mesmo sexo em matéria de sucessão, de propriedade, de locação, de pensões, de impostos, de segurança social, etc". Em Portugal continuamos ainda à espera...

2007/05/15

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Foi o Special K (de O Melhor Dos Dois Mundos) que me lançou o desafio. Por isso eu aqui vou tentar responder com honestidade e rigor às 7 questões que talvez façam de mim "uma foto em palavras". As 7 vítimas seguintes serão indicadas adiante, completando as 49 respostas que terei de apresentar. Pois seja, então:

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:
  1. Amar mesmo se doer
  2. Aperfeiçoar-me enquanto crescer
  3. Cantar virado para o ar
  4. Descobrir o que estiver para vir
  5. Divertir-me quando puder
  6. Recordar como é bom amar
  7. Viver até morrer
7 coisas que mais digo:
  1. Até amanhã
  2. Beijinhos
  3. Bom dia
  4. Dorme bem
  5. Fofinho
  6. Obrigado
  7. Se faz favor
7 coisas que eu faço bem:
  1. Ser amigo
  2. Ser carinhoso
  3. Ser criativo
  4. Ser cumpridor
  5. Ser paciente
  6. Ser romântico
  7. Ser sonhador
7 coisas que eu não faço:
  1. Ser arrogante
  2. Ser incoerente
  3. Ser infiel
  4. Ser ingrato
  5. Ser intrusivo
  6. Ser malcriado
  7. Ser mentiroso
7 coisas que adoro:
  1. A água
  2. A arte
  3. A literatura
  4. A música
  5. O amor
  6. O calor
  7. Um silêncio brando
7 coisas que odeio:
  1. Animais dentro de casa
  2. O rumo que estamos a dar à nossa democracia
  3. Todas as poluições
  4. Todos os egoísmos
  5. Todos os extremismos
  6. Todos os fundamentalismos
  7. Ver algum amigo a amuar, mesmo que só com uma destas coisas
7 amigos para continuar o jogo:
  1. Actas do Pequeno-Almoço (Daniel)
  2. André Benjamin (André)
  3. Arquipélago do Silêncio (Alexandre)
  4. Diferente Como Eu (DCG)
  5. Gayfield (Gonçalo)
  6. Iluminuras (Lucy)
  7. WhyNotNow (Pinguim)
Cá por mim, aposto que isto não irá muito além daqui...

Imagem via O Melhor Dos Dois Mundos
Importado do blogue gayFEEL

2007/05/12

um café com história

A primeira vez que estive em Londres foi nos anos 80 e já nessa altura a capital britânica era uma cidade muito mais aberta do que eu poderia prever. Ido de um Portugal defensor da democracia e da liberdade, as diferenças só poderiam mostrar-me que por cá vivemos quase só de ilusões e de pouca convicção. Por lá, nas ruas dizia-se não e não e não à Cláusula 28, nome por que era conhecida a nova lei sobre a idade do consentimento sexual. Lá, nesse mesmo ano de 1986, um café-bar saía do armário e adoptava como nome First Out. Era o primeiro espaço do género na grande Londres e era por isso notícia. Soube dele assim, por uma revista, e fui à sua procura no nº 52 de St. Giles High Street, no West End. As duas mesas no exterior davam-lhe um ar de serena normalidade. Lá dentro havia um balcão-frigorífico com atractivos bolos e clientes num vai-e-vem entre o balcão e as mesas, num ambiente decorado ao estilo continental, com música suave, intimista e agradável. Descendo as escadas que se nos ofereciam adiante, o ambiente mudava para algo mais britânico e mais cool, de iluminação mais ténue, música mais alta e algum fumo de clientes que se faziam ouvir em conversas soltas. Se no piso de cima (usado como café) predominava um consumo light à base de doces e saladas, de chá, café ou refrigerantes, já no de baixo (usado como bar) se bebia sobretudo álcool. Sobressaiam estes dois ambientes num só espaço partilhado por rapazes e raparigas (talvez com a predominância destas), claramente gays mas diversos nas suas maneiras de ser e de estar. Pelas paredes mostravam-se quadros de novos artistas. Quanto aos preços, enfim, não é de esperar pechinchas na capital britânica, mas com um pouco de sorte e de sabedoria há sempre alguma possibilidade mais conveniente. O First Out Café Bar deverá ser um ponto de paragem para quem, como nós, passe ao lado e não escape à atracção da história.

Estações de Metro: Tottemham Court Road, Covent Garden ou Leicester Square.

2007/05/11

pop dell'arte: querelle em versão 2007

"Querelle", o primeiro máxi dos Pop Dell' Arte vai ser editado numa nova versão misturada pelos Glimmers e apresentado no Lux dia 11 de Maio (...). A primeira vez que ouvi o "Querelle" foi um ou dois anos após a sua edição. A Nini tinha o maxi-single que trazia no Lado B o "Mai 86". Na altura andávamos no liceu, uma altura muito engraçada nas nossas vidas, lol. Foi o início de tudo. No teledisco apareciam as pessoas que víamos nos locais que começávamos a frequentar à noite, os freaks, as aves raras, os noctívagos frequentadores do Bairro Alto dos finais dos 80.

Nova parceria (com os belgas que antes se chamavam The Glimmer Twins), novo disco, novo concerto... Pop Dell'Arte hoje no Lux (em Lisboa), pelas 22h00. E em disco, em breve por aí... Hoje, se pudesse, estaria lá!

Imagem via Pop Dell'Arte
Texto de ZEP via Fruta e Verdura
Importado do blogue gayFEEL

2007/05/09

benoît prévot

Nas imagens de Benoît Prévot há um quê de glamour fora de moda. São imagens de l'amour, mas sendo de hoje parecem pertencer a uma época clássica, que já passou no tempo dos nossos pais, dos nossos avós. Há nestas imagens uma virilidade e uma delicadeza raras, mas tão verdadeiras como se não fossem a mais pura ficção. Há encanto e beleza, num traço firme e experiente de quem faz do desenho a sua profissão...

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/08

dennis cooper: crónicas de amor e sexo

Como escritor, Dennis Cooper (1953) seguiu os modelos de Rimbaud, Verlaine, De Sade ou Baudelaire. Ainda jovem escreveu poesia que expunha a sua vida emotiva e sexual entre os punks e os jovens artistas libertários da sua época, que nele viam um líder. Deixou a sua Califórnia e os States em 1976 e foi ao encontro de Londres, no velho Reino em revolução punk e anarquista. Chegou, viu e venceu, envolvendo-se nos movimentos mais contestatários de então. Criou a editora Little Caesar e a revista com o mesmo nome. Progrediu, mas em 1979 voltou à Califórnia e lá dirigiu iniciativas artísticas com figuras tão relevantes como Gerard Malanga, o poeta, fotógrafo e realizador que ombreou regularmente com Warhol. Em 1982 edita a sua primeira novela, de título «Wrong». Dois anos depois parte para Nova Iorque e em 87 para Amesterdão, na Holanda. Aí acaba de escrever o seu primeiro grande romance, «Closer», enquanto faz algum dinheiro como correspondente de diversas revistas norte-americanas (a Village Voice e outras). Regressa a NY onde inicia colaborações com a revista ArtForum. Segue-se «Frisk» em 1991, novela nova, e depois «The Dream Police: Selected Poems '69-93», «Jerk» e «Try» (em 1994), «Horror Hospital Unplugged», «All Ears» e «Guide» (em 1997), «Period» (2000), «My Loose Thread» (2002), «The Sluts» (2004) e «God Jr.» (2005). Para ler (em livro), ver (em vídeo) ou ouvir (em disco, como na sua colaboração com John Zorn ou Kathy Acker), porque a arte e a homossexualidade sempre estiveram presentes nas suas crónicas... de amor e sexo.

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/06

da lábia e dos narcisos

Uns lábios podem dizer-nos muito, ou simplesmente nada. Ainda que seja falso que o dito e a fala venham dos lábios (na verdade vêm é das cordas vocais), é para eles que olhamos quanto prestamos atenção a quem nos fala. Pelo menos se está à nossa frente. Às vezes, porém, é pelo telefone (fixo ou móvel) que a voz nos chega. E se nessas ocasiões não são uns lábios que temos à nossa frente, já a imaginação nos ajuda a compensar essa ausência. O que é difícil é ter a compensação do silêncio dos amigos, da família, dos que queremos por perto mesmo que seja só em voz e de vez em quando. Penso quanto é estranho que hoje as pessoas se refugiem em silêncios que se poderiam ultrapassar. Para o contrariar, eu ainda pego no telefone, à noite ou aos fins-de-semana, e ligo para umas quantas pessoas (cada vez menos) que quero ouvir. É uma facilidade sem custos adicionais, graças a um plano de preços que subscrevi ainda no tempo em que queria ter todo o tempo do mundo para falar com a minha mãe. A Mãe já cá não está hoje, nem nunca mais, mas o plano mantém-se e o tempo sobra-me. Falo com quem posso, com quem encontro, mas quase nunca alguém tem a iniciativa de falar comigo. Isto é: eu passo a vida a ligar a toda a gente e (quase) ninguém me liga, nem hoje, nem amanhã, nem depois... Haverá uma excepção ou outra, bem sei, e reconheço que o pouco que vou recebendo deve ser reconhecido. É nos outros casos que eu vou ficando cada vez mais distante de quem quero: primeiro porque não me apetece insisitir em conversas com quem já não me procura, depois porque quase sempre fico a pensar que uns quantos não se interessam muito mais por mim para além do mero facto de me terem conhecido ou de me conhecerem. E há os que se desfazem em simpatias e promessas, que nunca concretizam. Mas talvez bem piores sejam mesmo os que só têm lábia para celebrar a sua própria vida, ou aqueles que são tão extraordinariamente narcisistas que só se preocupam com os seus excessos egocentristas, com a celebração da sua existência excepcional, dos seus sucessos ampliados e desmedidos, ou ainda com as explosivas manifestações de afectos dos e para com os seus béu-béus ou miau-miaus... Que tenham dó dos simples e humanos mortais!

Imagem via GayFeed
Importado do blogue gayFEEL

brandon herman

Brandon Herman (1983) é novo na fotografia, tendo feito a sua estreia em exposição individual no início de 2007, na galeria Wessel + O'Connor, de Brooklyn. «Schooldayz» mostrava os seus amigos e amigas, amantes e colegas de liceu, numa explosão de sexualidade que chegava a apelar à lascívia mas também, e sobretudo, à admiração estética. Brandon formou-se na Rhode Island School of Design, vivendo e trabalhando em Nova Iorque.

Importado do blogue l'avion rose

estranha coincidência

Citando um artigo de jornal, a Associação ILGA Portugal fez saber que o porta-voz da direcção nacional do Partido Socialista, Vitalino Canas, admitiu ser uma "ideia interessante" celebrar-se em 2010 o centenário da instauração da República Portuguesa com "ideias fortes". Segundo a mesma fonte, a Comissão de Projectos para as Comemorações do Centenário da República, presidida por Vital Moreira, propôs ao Governo um programa legislativo que inclua, "no campo das relações sociais", uma "revisão do Código Civil em matéria de relações familiares" e que tenha "em conta as novas relações sociais", ou seja, que porventura abra a legislação portuguesa ao casamento homossexual e às equivalências que daí advêm. O mesmo porta-voz do PS, mas já apenas na qualidade de jurista, acrescentou que no seu entender é altura de se "mudar" o velho Código Civil que ficou "desactualizado" face às "novas realidades" sociais e familiares. Sobre isto, pela voz de Paulo Côrte-Real, a secção portuguesa da ILGA (International Lesbian and Gay Association) recordou que foram já entregues na Assembleia da República, há mais de um ano, projectos do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista Os Verdes que defendiam a autorização legal dos casamentos homossexuais em Portugal, à semelhança aliás de outros exemplos concretizados noutros países da União Europeia, nomeadamente no Reino Unido e em Espanha. "Não se deve esperar por 2010, deve-se sim actuar desde já", defendeu ainda a ILGA Portugal. E disso não há dúvida: já estamos cansados de esperar por algo que era esperado nesta legislatura sob a governação socialista. Só que se no passado o PS terá piscado o olho aos homossexuais, agora parece ter medo de perder votos e eleições e aposta antes na estabilidade heterossexual. Em 2010 parece que sim, que haverá a intenção de legislar. Só que 2010 é depois das próximas eleições. Eu só votarei em quem me apoiar e talvez todos os homossexuais portugueses devessem fazer o mesmo...
No quadro de Paula Rego «Pietà», que se vê ao topo, parece haver um prognóstico ao futuro de José Sócrates como Primeiro-Ministro. Estranha coincidência!...