2007/05/22

memorial

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

«Porque» é um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que pode ser lido na página 159 do livro «Antologia» (Círculo de Poesia, Moraes Editores, Lisboa, 1975). Fonte de muitas inspirações, dedico esta singela memória, ilustrada com um quadro de Mark Rothko, ao meu pai (que perdi há quase 11 anos) e à minha mãe (que perdi há apenas 6 meses). Com eterna saudade.

Texto de Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem de Mark Rothko via Guggenheim Museum
Importado do blogue gayFEEL

mark rothko: preto sobre cinzento

Markus Rothkovitz, mais tarde Mark Rothko, (1903-1970) nasceu russo e morreu norte-americano. Estudou em Yale (1921-1923), começando a sua carreira como pintor na Nova Iorque de 1925. Cresce à sombra de influências surrealistas e de pintores como Barnett Newman e Adolph Gottlieb, mas a partir de 1947 o seu estilo procura uma outra luz e dela desabrocha um artista com uma nova abordagem plástica, onde manchas de cor sobre telas de grande dimensões provocam no observador sensações emotivas diversas — quentes, frias, alegres, tristes, intensas, serenas... Esta abordagem estabelece-se como padrão com a passagem dos anos. O lado físico e real que se apresenta sobre a matéria da tela confunde-se cada vez mais com o místico, com o espiritual, com o inatingível. Rothko não era um homem de grandes convicções religiosas. Era um intelectual, um pensador, talvez mesmo um anarquista que se deixou ir ao suicídio. Os seus imensos quadros mostram a sua alma, os seus sentimentos, os seus ditos sem palavras. Como em «Black On Grey», pintura de 1969/70 com 203,8x175,6 cm. Nela sentimos a cor da alma quando a ausência eterna de alguém nos preenche os momentos. Com eterna saudade, dedico esta memória ao meu pai (que perdi há 11 anos) e à minha mãe (que perdi há 6 meses). A memória e a emoção perdurarão pela vida.

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/21

felix d'eon

For a friend: Felix d'Eon...

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/18

renasce uma estrela

Sai já a 4 de Junho «Stardom Road», o novo álbum de Marc Almond. A 22 de Junho começará em Glasgow a sua apresentação ao vivo que terá um momento especial quando, depois de passar por Manchester e Bristol, chegar a Londres a 9 de Julho. Aí, o encontro está marcado para o Shepherds Bush Empire, um histórico teatro construído em 1903 e com capacidade máxima para apenas 2000 espectadores, onde todos os presentes irão sem dúvida cantar-lhe as congratulations na noite do espectáculo, que coincide com o seu (já) 50º aniversário.
«Stardom Road», este novo disco gravado para a Sanctuary Records, recolhe as participações de elementos de Antony and the Johnsons e dos Saint Etienne, entre outros, além de uma orquestra com 50 músicos, e incluirá versões de 12 clássicos pop que influenciaram a carreira musical do ex-Soft Cell («Strangers In The Night» ou «I Close My Eyes And Count To Ten» são dois dos títulos mais sonantes). Marc Almond escreveu ainda «Redeem Me (Beauty Will Redeem The World)», o tema que certamente melhor marcará o seu renascimento.

ron grisworld

De um plano de voo: Ron Grisworld.

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2007/05/17

homophobia

being the true tale of a young gay man who was kicked to death outside a toilet in bradford ... homophobia ... up behind the bus-stop in the toilets off the street / there are traces of a killing on the floor beneath your feet / mixed in with the piss and beer are bloodstains on the floor / from the boy who got his head kicked in a night or two before // homophobia the worst disease / you can't love who you want to love in times like these / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // in the pubs clubs and burgerbars breeding pens for pigs / alcohol testosterone and ignorance and fists / packs of hunting animals roam across the town / they find an easy victim and they punch him to the ground // homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // the siren of the ambulance the deadpan of the cops / chalk to mark the outline where the boy dropped / beware the holy trinity church and state and law / for every death the virus gets more deadly than before / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these.

«Homophobia» é o título de uma canção dos Chumbawamba incluída no álbum «Anarchy», de 1994 (One Little Indian Records). Hoje, 17 de Maio, comemora-se o Dia Internacional Contra a Homofobia.

Texto via Chumbawamba
Imagem via Work Hard Public Relations
Importado do blogue l'avion rose

bruce labruce

Conheci Bruce LaBruce (1964) pelo seu fanzine queerpunk J.D. e, depois, através da importação de um exemplar (ainda em VHS) do seu filme de culto «No Skin Off My Ass», um must have do cinema homossexual. Escritor, actor, fotógrafo, realizador, este canadiano nascido Justin Stewart é uma referência verdadeiramente excepcional no mundo da arte gay mais marginal. Se isto lhe diz alguma coisa, o melhor é mesmo estar atento e não o perder de vista...

Importado do blogue l'avion rose

dia internacional contra a homofobia

Todos os anos, a 17 de Maio celebra-se o IDAHO - International Day Against Homophobia. Para assinalar a chegada dessa data, as Panteras Rosa realizaram já ontem uma acção pública defronte do Ministério da Saúde, em Lisboa, alertando e questionando sobre a discriminação exercida sobre os dadores de sangue que se declarem homossexuais. O grupo de manifestantes contava com a presença de médicos e activistas cobrindo todo o espectro das orientações sexuais. Esta acção teve um carácter simbólico, sendo sustentada com base na credibilidade dos argumentos, como bem explicaram as Panteras Rosa nas suas intervenções.
O Dia Internacional Contra a Homofobia teve origem no Quebeque (Canadá) em 2003, tendo sido promovida pelo escritor francês Louis-Georges Tin (autor do «Dictionnaire de l'Homophobie», Presses Universitaires, França) em associação com a ILGA. Também a 18 de Janeiro de 2006, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu subscreveu uma resolução sobre a homofobia na Europa "considerando que são necessárias outras acções tanto a nível da União Europeia como a nível dos Estados-Membros para erradicar a homofobia e promover uma cultura de liberdade, de tolerância e de igualdade entre os cidadãos, assim como no âmbito da sua ordem jurídica" e "insta os Estados-Membros a adoptarem disposições legislativas para pôr fim à discriminação de que são vítimas os parceiros do mesmo sexo em matéria de sucessão, de propriedade, de locação, de pensões, de impostos, de segurança social, etc". Em Portugal continuamos ainda à espera...

2007/05/15

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Foi o Special K (de O Melhor Dos Dois Mundos) que me lançou o desafio. Por isso eu aqui vou tentar responder com honestidade e rigor às 7 questões que talvez façam de mim "uma foto em palavras". As 7 vítimas seguintes serão indicadas adiante, completando as 49 respostas que terei de apresentar. Pois seja, então:

7 coisas que tenho de fazer antes de morrer:
  1. Amar mesmo se doer
  2. Aperfeiçoar-me enquanto crescer
  3. Cantar virado para o ar
  4. Descobrir o que estiver para vir
  5. Divertir-me quando puder
  6. Recordar como é bom amar
  7. Viver até morrer
7 coisas que mais digo:
  1. Até amanhã
  2. Beijinhos
  3. Bom dia
  4. Dorme bem
  5. Fofinho
  6. Obrigado
  7. Se faz favor
7 coisas que eu faço bem:
  1. Ser amigo
  2. Ser carinhoso
  3. Ser criativo
  4. Ser cumpridor
  5. Ser paciente
  6. Ser romântico
  7. Ser sonhador
7 coisas que eu não faço:
  1. Ser arrogante
  2. Ser incoerente
  3. Ser infiel
  4. Ser ingrato
  5. Ser intrusivo
  6. Ser malcriado
  7. Ser mentiroso
7 coisas que adoro:
  1. A água
  2. A arte
  3. A literatura
  4. A música
  5. O amor
  6. O calor
  7. Um silêncio brando
7 coisas que odeio:
  1. Animais dentro de casa
  2. O rumo que estamos a dar à nossa democracia
  3. Todas as poluições
  4. Todos os egoísmos
  5. Todos os extremismos
  6. Todos os fundamentalismos
  7. Ver algum amigo a amuar, mesmo que só com uma destas coisas
7 amigos para continuar o jogo:
  1. Actas do Pequeno-Almoço (Daniel)
  2. André Benjamin (André)
  3. Arquipélago do Silêncio (Alexandre)
  4. Diferente Como Eu (DCG)
  5. Gayfield (Gonçalo)
  6. Iluminuras (Lucy)
  7. WhyNotNow (Pinguim)
Cá por mim, aposto que isto não irá muito além daqui...

Imagem via O Melhor Dos Dois Mundos
Importado do blogue gayFEEL

2007/05/12

um café com história

A primeira vez que estive em Londres foi nos anos 80 e já nessa altura a capital britânica era uma cidade muito mais aberta do que eu poderia prever. Ido de um Portugal defensor da democracia e da liberdade, as diferenças só poderiam mostrar-me que por cá vivemos quase só de ilusões e de pouca convicção. Por lá, nas ruas dizia-se não e não e não à Cláusula 28, nome por que era conhecida a nova lei sobre a idade do consentimento sexual. Lá, nesse mesmo ano de 1986, um café-bar saía do armário e adoptava como nome First Out. Era o primeiro espaço do género na grande Londres e era por isso notícia. Soube dele assim, por uma revista, e fui à sua procura no nº 52 de St. Giles High Street, no West End. As duas mesas no exterior davam-lhe um ar de serena normalidade. Lá dentro havia um balcão-frigorífico com atractivos bolos e clientes num vai-e-vem entre o balcão e as mesas, num ambiente decorado ao estilo continental, com música suave, intimista e agradável. Descendo as escadas que se nos ofereciam adiante, o ambiente mudava para algo mais britânico e mais cool, de iluminação mais ténue, música mais alta e algum fumo de clientes que se faziam ouvir em conversas soltas. Se no piso de cima (usado como café) predominava um consumo light à base de doces e saladas, de chá, café ou refrigerantes, já no de baixo (usado como bar) se bebia sobretudo álcool. Sobressaiam estes dois ambientes num só espaço partilhado por rapazes e raparigas (talvez com a predominância destas), claramente gays mas diversos nas suas maneiras de ser e de estar. Pelas paredes mostravam-se quadros de novos artistas. Quanto aos preços, enfim, não é de esperar pechinchas na capital britânica, mas com um pouco de sorte e de sabedoria há sempre alguma possibilidade mais conveniente. O First Out Café Bar deverá ser um ponto de paragem para quem, como nós, passe ao lado e não escape à atracção da história.

Estações de Metro: Tottemham Court Road, Covent Garden ou Leicester Square.