2007/05/25

estudo sobre o casamento gay na europa

«Casamento e Outras Formas de Vida em Comum Entre Pessoas do Mesmo Sexo» é o título de um estudo da Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar, da Assembleia da República, soube-se hoje pela Associação ILGA Portugal.
O estudo foi preparado por Lisete Gravito e Maria Leitão, com a colaboração de Rosário Campos, para corresponder aos pedidos efectuados à Divisão de Informação Legislativa e Parlamentar, com alguma regularidade, de legislação estrangeira sobre este assunto. Para isso terá sido enviado um questionário a onze países europeus: a Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Noruega, Reino Unido e Suécia.
Como introdução diz que "a legislação sobre o casamento e as uniões ou parcerias civis entre casais do mesmo sexo, apresenta soluções diferentes na Europa. Por um lado, temos a Bélgica, a Espanha e a Holanda que permitem o casamento entre casais do mesmo sexo atribuindo-lhes direitos e obrigações idênticos aos dos casais heterossexuais. Por outro, temos as parcerias civis que atribuem parte dos direitos e deveres dos casais heterossexuais, encontrando-se neste caso, a França. Outros países, como a Alemanha, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Reino Unido e Suécia, ainda que não permitam o casamento entre pessoas do mesmo sexo, consagram as parcerias de vida registada com grande parte dos direitos e deveres do casamento. Em Portugal, a união de facto é a única forma de vida em comum para duas pessoas independentemente do sexo, sendo-lhes atribuídos pela lei alguns direitos e deveres. Por último, a Grécia e a Itália não reconhecem qualquer forma de união entre casais do mesmo sexo".
Assim se depreende que em toda a Europa se estão a dar respostas às exigências legítimas dos cidadãos no sentido de permitir e regulamentar uniões legais equiparadas ao casamento, entre pessoas do mesmo sexo. Numa sociedade democrática e assente no princípio da igualdade e do respeito dos direitos e das obrigações dos cidadãos, é de esperar que também os portugueses possam ver contempladas com toda a brevidade as suas exigências.
O documento tem 83 páginas e pode ser descarregado através do link no título desta entrada.

2007/05/24

marc almond por matthew stradling

Além de brilhante, o pintor londrino Matthew Stradling (1963) é também, segundo soube, um artista bem simpático. Já que neste ano se comemora o 50º aniversário de Marc Almond (que todos tão bem devem conhecer de um mundo pop a atirar para o vaudeville gay), regresso à arte de Matthew com um retrato do ex-vocalista dos Soft Cell. A tela foi pintada a óleo em 1991 e mede 165x135 cm. Num destes dias, aqui mesmo veremos Marc noutros retratos...

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/22

memorial

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

«Porque» é um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen que pode ser lido na página 159 do livro «Antologia» (Círculo de Poesia, Moraes Editores, Lisboa, 1975). Fonte de muitas inspirações, dedico esta singela memória, ilustrada com um quadro de Mark Rothko, ao meu pai (que perdi há quase 11 anos) e à minha mãe (que perdi há apenas 6 meses). Com eterna saudade.

Texto de Sophia de Mello Breyner Andresen
Imagem de Mark Rothko via Guggenheim Museum
Importado do blogue gayFEEL

mark rothko: preto sobre cinzento

Markus Rothkovitz, mais tarde Mark Rothko, (1903-1970) nasceu russo e morreu norte-americano. Estudou em Yale (1921-1923), começando a sua carreira como pintor na Nova Iorque de 1925. Cresce à sombra de influências surrealistas e de pintores como Barnett Newman e Adolph Gottlieb, mas a partir de 1947 o seu estilo procura uma outra luz e dela desabrocha um artista com uma nova abordagem plástica, onde manchas de cor sobre telas de grande dimensões provocam no observador sensações emotivas diversas — quentes, frias, alegres, tristes, intensas, serenas... Esta abordagem estabelece-se como padrão com a passagem dos anos. O lado físico e real que se apresenta sobre a matéria da tela confunde-se cada vez mais com o místico, com o espiritual, com o inatingível. Rothko não era um homem de grandes convicções religiosas. Era um intelectual, um pensador, talvez mesmo um anarquista que se deixou ir ao suicídio. Os seus imensos quadros mostram a sua alma, os seus sentimentos, os seus ditos sem palavras. Como em «Black On Grey», pintura de 1969/70 com 203,8x175,6 cm. Nela sentimos a cor da alma quando a ausência eterna de alguém nos preenche os momentos. Com eterna saudade, dedico esta memória ao meu pai (que perdi há 11 anos) e à minha mãe (que perdi há 6 meses). A memória e a emoção perdurarão pela vida.

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/21

felix d'eon

For a friend: Felix d'Eon...

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/18

renasce uma estrela

Sai já a 4 de Junho «Stardom Road», o novo álbum de Marc Almond. A 22 de Junho começará em Glasgow a sua apresentação ao vivo que terá um momento especial quando, depois de passar por Manchester e Bristol, chegar a Londres a 9 de Julho. Aí, o encontro está marcado para o Shepherds Bush Empire, um histórico teatro construído em 1903 e com capacidade máxima para apenas 2000 espectadores, onde todos os presentes irão sem dúvida cantar-lhe as congratulations na noite do espectáculo, que coincide com o seu (já) 50º aniversário.
«Stardom Road», este novo disco gravado para a Sanctuary Records, recolhe as participações de elementos de Antony and the Johnsons e dos Saint Etienne, entre outros, além de uma orquestra com 50 músicos, e incluirá versões de 12 clássicos pop que influenciaram a carreira musical do ex-Soft Cell («Strangers In The Night» ou «I Close My Eyes And Count To Ten» são dois dos títulos mais sonantes). Marc Almond escreveu ainda «Redeem Me (Beauty Will Redeem The World)», o tema que certamente melhor marcará o seu renascimento.

ron grisworld

De um plano de voo: Ron Grisworld.

Importado do blogue l'avion rose

2007/05/17

homophobia

being the true tale of a young gay man who was kicked to death outside a toilet in bradford ... homophobia ... up behind the bus-stop in the toilets off the street / there are traces of a killing on the floor beneath your feet / mixed in with the piss and beer are bloodstains on the floor / from the boy who got his head kicked in a night or two before // homophobia the worst disease / you can't love who you want to love in times like these / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // in the pubs clubs and burgerbars breeding pens for pigs / alcohol testosterone and ignorance and fists / packs of hunting animals roam across the town / they find an easy victim and they punch him to the ground // homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these // the siren of the ambulance the deadpan of the cops / chalk to mark the outline where the boy dropped / beware the holy trinity church and state and law / for every death the virus gets more deadly than before / homophobia the worst disease / you can’t love who you want to love in times like these.

«Homophobia» é o título de uma canção dos Chumbawamba incluída no álbum «Anarchy», de 1994 (One Little Indian Records). Hoje, 17 de Maio, comemora-se o Dia Internacional Contra a Homofobia.

Texto via Chumbawamba
Imagem via Work Hard Public Relations
Importado do blogue l'avion rose

bruce labruce

Conheci Bruce LaBruce (1964) pelo seu fanzine queerpunk J.D. e, depois, através da importação de um exemplar (ainda em VHS) do seu filme de culto «No Skin Off My Ass», um must have do cinema homossexual. Escritor, actor, fotógrafo, realizador, este canadiano nascido Justin Stewart é uma referência verdadeiramente excepcional no mundo da arte gay mais marginal. Se isto lhe diz alguma coisa, o melhor é mesmo estar atento e não o perder de vista...

Importado do blogue l'avion rose

dia internacional contra a homofobia

Todos os anos, a 17 de Maio celebra-se o IDAHO - International Day Against Homophobia. Para assinalar a chegada dessa data, as Panteras Rosa realizaram já ontem uma acção pública defronte do Ministério da Saúde, em Lisboa, alertando e questionando sobre a discriminação exercida sobre os dadores de sangue que se declarem homossexuais. O grupo de manifestantes contava com a presença de médicos e activistas cobrindo todo o espectro das orientações sexuais. Esta acção teve um carácter simbólico, sendo sustentada com base na credibilidade dos argumentos, como bem explicaram as Panteras Rosa nas suas intervenções.
O Dia Internacional Contra a Homofobia teve origem no Quebeque (Canadá) em 2003, tendo sido promovida pelo escritor francês Louis-Georges Tin (autor do «Dictionnaire de l'Homophobie», Presses Universitaires, França) em associação com a ILGA. Também a 18 de Janeiro de 2006, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu subscreveu uma resolução sobre a homofobia na Europa "considerando que são necessárias outras acções tanto a nível da União Europeia como a nível dos Estados-Membros para erradicar a homofobia e promover uma cultura de liberdade, de tolerância e de igualdade entre os cidadãos, assim como no âmbito da sua ordem jurídica" e "insta os Estados-Membros a adoptarem disposições legislativas para pôr fim à discriminação de que são vítimas os parceiros do mesmo sexo em matéria de sucessão, de propriedade, de locação, de pensões, de impostos, de segurança social, etc". Em Portugal continuamos ainda à espera...