2007/07/05

dia de orgulho

Sábado, 7 de Julho de 2007, os homossexuais comemoram no Porto o seu dia de orgulho.
É o sexto ano consecutivo em que sob um mesmo símbolo se encontram "todos os Gays, Lésbicas, Bissexuais, Trans e Heterossexuais Descomplexados", nas palavras adequadas da própria organização. O local mítico da concentração, do convívio entre todos os que queiram estar presentes, é o Teatro Sá da Bandeira, em plena baixa da cidade. Este ano com música pelo DJ Nuno Cacho, happenings de Roberta Kinsky, Natasha Semmynova, Ricardo Madonna, Elsa Martinelly, Diana Prince e Lady Slim e, também, uma actuação especial de Nany Petrova. Das 22 horas às 08 da manhã, a 07/07/07, no número 108 da Rua Sá da Bandeira o teatro que tem esse nome está de portas abertas para todos os que queiram e possam associar-se às comemorações na diversidade da nossa existência e do nosso orgulho. O ingresso é apenas vendido à porta, tem o custo simbólico de 10 Euros e dá direito à primeira bebida. E nenhuma cerveja, whisky ou gin sabe tão bem como a primeira que nessa noite se beber ali, com o amigo ou amiga ou amigos que levarmos ou encontrarmos. Sobretudo a quem já tenha participado na 2ª Marcha de Orgulho LGBT no Porto, que às 15h30 sai da Praça da República em direcção à de D. João I.

2007/07/04

my havaianas dragon

Dei-me conta que me faltava um par de Havaianas cá em casa: há bem pouco tempo havia 2 pares a uso, mas nas caixas de sapatos deveria haver pelo menos mais um; o que não se verificou quando as procurei. Umas foram para casa da minha mãe, outras uso-as cá dentro nos dias quentes, em alternância com uns chinelos para os dias frios ou umas alpergatas para os outros dias. Tenho ainda uns chinelos de dedo da Camper, de que gosto muito, mas não era o que eu neste momento tinha em mente e procurava. Eram as Havaianas que me faltavam e a algum lado elas teriam ido parar...
Talvez numa ida à praia, no final do Verão passado, as tenha perdido. Seria fácil perceber porquê, já que até lá eu vou de sandálias (que gosto bem menos de usar) e só à chegada as troco pelas Havaianas. Estranho, não é?... Mas tem uma razão (tome nota): é proibido conduzir descalço ou de chinelos em Portugal! Brasileiro diria «mas havaiana não é chinelo», só que a polícia portuguesa não vai nessa conversa... Tá a vê, não é?!...
Assim fui à procura de mais um par deste perfeitíssimo chinelo brasileiro, que primeiro conquistou o mundo e depois (via Gonçalo, claro!) conquistou-me a mim. São ideais para a praia e para a cidade, para a casa e a rua, para o dia e a noite, para o quarto e a sala, é só deixarmos-nos levar. Escolhi as novas Havaianas Dragon (black), que se vêem acima numa fotografia que acabei de tirar cá em casa. São pretinhas e prateadas. São iguais a todas as outras e diferentes ao mesmo tempo. São sobretudo muito leves, muito confortáveis e muito higiénicas. Vão comigo até Londres, e ficarão no hotel à espera dos meus regressos. Abraçarão os meus pés cansados ao fim de cada dia. Ajudar-me-ão a recuperar o bem-estar e as energias, enquanto me entrego nos braços do meu companheiro. Espero que o meu fofito goste da escolha!

Mais sobre Havaianas
Importado do blogue gayFEEL

2007/07/02

jay diers no anonimato de um motel

Às vezes quase nos sentimos mal pela quantidade de imagens de jovens que passam aqui (mesmo as clássicas, como o recente «S. João Baptista» de Caravaggio). Mas a juventude é de facto uma fonte inesgotável de beleza e, por mais que se goste de homens com algum músculo ou com qualquer outro atributo menos habitual nos juvenis, a juventude volta sempre e manda "para canto" qualquer um que já não a tem. Jay Diers é um fotógrafo norte-americano que sabe isso e usa-o. O chame da juventude está nas fotografias que nos apresenta. É isso que lhe interessa, é isso que o seduz, é isso que nos seduz. Mas não só, pois há nas suas imagens belos tratos de detalhe que fazem com que dele fique bem mais do que a simples imagem de um bom apreciador: ele é também um bom intérprete e um bom criador. Estes três são estágios diferentes que só um bom fotógrafo consegue alcançar em pleno. É o caso! Mais, de ânimo leve muitos pensariam que se defendia aqui o trabalho de um simples amador de rapazes e de fotografia, mas nesta ele é mesmo um profissional: fez imagem para a revistas Blue (da Austrália), Manner (da Alemanha) e, desde há pouco, para a Playgirl (esta pode dizer-se universal). Nas lojas da internet (essas normais e universais também) pode encontrar-se ainda Jay Diers em livro: «Visions» e «Raw Youth» são já seguidos por «A Night at The Motel», a nova edição que vem mostrar obra recente inspirada nas primeiras práticas sexuais fora de casa, no anonimato próprio de um motel.

Importado do blogue l'avion rose

práqui a escrevinhar

Estou de férias! Hoje não fui trabalhar! Enganem-se se pensam que vou agarrar-me ao computador e pôr-me práqui a escrevinhar. Enganem-se! Sinto-me livre, um novo homem.
(E dizem que trabalhar faz bem!?...)
Vou fazer o que puder nos próximos dias, que muito tenho para fazer: a casa nova (sempre vai para a frente, temos estado a trabalhar nisso), a casa velha (a da minha mãe, que ando a modernizar, a pensar numa fonte extra de rendimento), a viagem (que não tarda a acontecer, mas da qual só darei detalhes mais interessantes quando voltarmos), as minhas outras actividades (porque há pequenos nadas que umas férias não impedem de acontecer).
Estou de férias! Hoje não vou trabalhar! Enganem-se se pensam que vou agarrar-me ao computador e pôr-me práqui a escrevinhar. Enganem-se!
(Mas farei o que puder...)

Imagem: Jay Diers via GayFeed
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2007/06/23

orgulho gay

Tom Robinson compôs «Glad To Be Gay» para a marcha do Gay Pride londrino de 1976. Dois anos depois apareceu finalmente em disco, mas a sua passagem na rádio foi recusada pela BBC Radio 1. Teve várias versões, sendo mais considerada a do LP de 1979 que se intitulou «Cabaret '79». A letra era assim:

The British Police are the best in the world
I don't believe one of these stories I've heard
'Bout them raiding our pubs for no reason at all
Lining the customers up by the wall
Picking out people, knocking them down
Resisting arrest as they're kicked on the ground
Searching their houses and calling them queer
I don't believe that sort of thing happens here
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2)

Pictures of naked young women are fun
In Penthouse and Playboy, page three of The Sun
There's no nudes in Gay News our one magazine
But they still find excuses to call it obscene
Read how disgusting we are in the press
In The Evening News and the Sunday Express
Molesters of children, corruptors of youth
It's there in the paper, it must be the truth
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2)

Have you heard the story about Peter Wells
Who one day was arrested and dragged to the cells
For being in love with a man of eighteen
The vicar found out they'd been having a scene
The magistrate send him for trial by the Crown
He even appealed, but they still send him down
He was only mistreated a couple of years
Cos even in prison they... look after the queers
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2)

So sit back and watch as they close all our clubs
Arrest us for meeting and raid all our pubs
Make sure your boyfriend's at least 21
So only your friends and your brothers get done
Lie to your workmates, lie to your folks
Put down the queens and tell anti-queer jokes
Gay Lib's ridiculous, join their laughter
"The buggers are legal now — what more are they after?"
Sing if you're glad to be gay
Sing if you're happy this way, hey (x2).


Possivelmente foi através deste álbum e especialmente desta canção que eu descobri que a homossexualidade poderia ser um motivo de orgulho, não de vergonha. Eu teria 18 anos quando um amigo heterossexual mo ofereceu. Faz parte da minha história, eu próprio sou um reflexo desse orgulho. Por isso me sinto à vontade para evocar a memória e dedicar toda a minha admiração aos que hoje ainda se revêem nesta canção, bem como a todos os que participam nos Gay Prides ou em qualquer outra manifestação de Orgulho Gay.

Via Tom Robinson a canção original (mp3) ou uma versão vídeo (QT)
A ilustração veio via ILGA Portugal
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/21

no more lonely nights?

Hoje está previsto irmos ver uma casa. "A" casa, como referia o Gonçalo no quinto ponto das «7 coisas que tem de fazer antes de morrer». A marcação ainda não é definitiva (está sujeita a uma confirmação a meio da tarde) e poderá ser adiada por alguns dias, em função das nossas disponibilidades e da do seu proprietário ou representante.
O momento é importante e eu não estou habituado a ver casas. Falo comigo, em voz alta:
  1. O apartamento actual é um T1 e o que vamos ver é um T3 (o Gonçalo quer que seja pelo menos um T2);
  2. O actual tem uma kitchenette (do que eu me habituei a gostar porque gosto de espaços abertos, de conversar com os convidados enquanto cozinho, da informalidade da situação) e o "novo" deverá ter uma cozinha independente (que também tem as suas vantagens, admito);
  3. O actual não tem lavandaria nem estendal (lavar e secar faz-se numa máquina felizmente muito eficiente), o novo deverá ter (o que seria melhor e mais em conta);
  4. O actual é um prédio muito recente, com acabamentos interessantes e agradáveis, e tem um lugar de estacionamento na garagem colectiva do prédio, enquanto o novo deverá ter mais de uma ou duas décadas de construção e o consequente uso, os acabamentos deverão ser já questionáveis e tem uma garagem individual, ao lado de outras, nas traseiras do prédio;
  5. O actual fica numa rua arborizada com muito tráfego (felizmente tem janelas com vidros duplos) e nas proximidades de bairros sociais problemáticos (com forte consumo de drogas e junkies que por vezes pernoitam abrigados à porta do prédio), o novo fica também numa rua arborizada com pouco tráfego mas bem mais sossegada em termos sociais (falta saber como serão os novos vizinhos) e ambos ficam na mesma zona da cidade, sendo o novo ainda mais perto do local onde eu trabalho e do supermercado onde eu faço as compras;
  6. O actual é sossegado (tirando os vizinhos mais próximos que são simpáticos mas um pouco desrespeitadores dos outros condóminos ou habitantes do prédio: cão no terraço a ladrar o dia todo, ou sacos de lixo à porta do apartamento quase todos os dias das 8 horas e pico da manhã até perto das 9 horas da noite, ou até num dos primeiros dias uns risinhos histéricos à minha passagem) e o novo também deve sê-lo;
  7. O actual é bem servido pela rede de autocarros e tem acessos muito próximos à auto-estrada, o novo tem ainda mais autocarros só que do outro lado do quarteirão (onde num futuro não muito distante poderá vir a passar uma linha do Metro) e também tem acesso próximo à auto-estrada;
  8. Ambos ficam virados a Sul, o que é uma boa orientação solar;
  9. Numa primeira análise, a mudança de apartamento corresponde a um aumento da renda que eu pago em cerca de 16% (o que, dividido pelos dois, daria para mim uma redução dessa despesa em 42%) mas, apesar disso, alguma prudência alerta-me para eventuais dificuldades orçamentais se no futuro um de nós ficar sem emprego;
  10. É um facto que o apartamento actual tem sido acima de tudo o meu apartamento, enquanto que o novo seria o passo que me falta dar para que se viabilize em definitivo e harmoniosamente uma vida que desejamos a dois e sob um mesmo tecto.
Enquanto isto vem-me ao pensamento o refrão de uma canção: «No More Lonely Nights»... Fui ver e era de Paul McCartney. Devo estar mesmo a ficar velho!!!

Imagem via Gomez Patchouly
Importado do blogue gayFEEL

2007/06/20

este s. joão é de caravaggio

Vem a obra a propósito da festa que se avizinha em muitas terras de Portugal e do planeta, e que de forma menos pagã assinala de novo o solstício de Verão no Trópico de Câncer. Mas seria necessário ir a Roma, à Galeria Nacional de Arte Antiga, para admirar o original deste «S. João Baptista», um grande óleo sobre tela pintado pelo mestre Caravaggio (1571-1610). Este belo santo, que nos alegra a alma e o coração nesta versão pintada pelo artista aos 30 e poucos anos de idade, é um excelente apelo à devoção da imagem: pela santidade, pela beldade ou pela excelência pictórica. Michelangelo Merisi da Caravaggio (não confundir com Michelangelo Buonarroti, aquele que reconhecemos quando se fala só de Michelangelo) foi o primeiro grande artista do Barroco e viveu num sucesso quase imediato. Foi uma figura fascinante e também problemática, tendo morto um jovem numa luta em 1606. Fugiu por ter a cabeça a prémio. As pessoas vulgares das ruas eram os seus modelos, que pintava em intensidade de luz sobre um fundo de fechada escuridão. Assim deu uma vida excepcional e mundana aos seus temas e foi assim também que morreu em 1610, possivelmente vencido pelos seus perseguidores.

Importado do blogue l'avion rose

2007/06/18

david hockney e a obra (do) gigante

Vou estar em breve defronte deste imenso quadro de David Hockney (1937), que a Royal Academy of Arts está a mostrar em Londres, em estreia absoluta, desde 11 de Junho. Como bem sabe que já é habitual neste blogue, Hockney é figura máxima da arte pop no Reino Unido, um dos meus artistas predilectos e até um dos pintores mais relevantes da história da arte do século XX. Este seu novo e sensacional quadro foi baptizado como «Bigger Trees Near Warter» ou «Peinture En Plein Air Pour L'Age Post-Photographique» e mede 12,2 metros de largura por 4,6 de altura (o artista aparece à frente para ajudar a dar uma ideia das verdadeiras dimensões). Pintado por secções ao ar livre na povoação de Warter (Yorkshire), no norte de Inglaterra, onde o pintor vive e regularmente trabalha, a gigante pintura vibra de luminosidade e transparência. Quase como na sua fotografia fracturada (feita nos anos 70 e 80 com polaroides organizadas para compor imagens maiores), esta enorme tela é o resultado da combinação (ainda que não de justaposição) de 50 telas menores que foram levadas para o terreno ao longo de várias sessões. A obra ocupa a parede maior do museu, que fica no coração de Londres, onde estará exposto até 19 de Agosto.

2007/06/14

uma bandeira vermelha

Nas palavras de José Saramago, a esquerda "deixou de ser esquerda". O mais estranho nas recentes afirmações do Nobel da Literatura é, segundo o jornal Público, dizer também que não conhece "nada mais estúpido que a esquerda".
Para Saramago, bem conhecido pelo seu posicionamento histórico como militante do Partido Comunista Português, os governos estão a tornar-se "comissários do poder económico". Explicou que "o mundo é dirigido por organismos que não são democráticos, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio". Até "já não há governos socialistas, ainda que tenham esse nome os partidos que estão no poder", acrescentou como alusão aos executivos português e italiano.
Estas declarações terão sido proferidas na conferência «Lições e Mestres» que se realizou em Santillana del Mar (não muito longe de Santander, em Espanha) e confrontou as opiniões de Saramago com as de outros pensadores e escritores. "Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda". Para José Saramago é tempo de balanço e insubmissão: "estamos a chegar ao fim de uma civilização e aproximam-se tempos de obscuridade, o fascismo pode regressar; já não há muito tempo para mudar o mundo. (...) É altura de protestar, porque se nos deixamos levar pelos poderes que nos governam e não fazemos nada por contestá-los, pode dizer-se que merecemos o que temos".
A notícia pode ser consultada na sua versão integral através do link neste título.

2007/06/13

al berto, no silêncio

é no silêncio
que melhor ludibrio a morte

não
já não me prendo a nada
mantenho-me suspenso neste fim de século
reaprendo os dias para a eternidade
porque onde termina o corpo deve começar
outra coisa outro corpo

ouço o rumor do vento
vai
alma vai
até onde quiseres ir

Nos 10 anos da morte do poeta Al Berto, este excerto do «Regresso às Histórias Simples» foi transcrito da página 53 de «Uma Existência de Papel», editado pela Gota de Água, no Porto, em 1985. Al Berto escrevera-o entre Sines e Lisboa, um ano antes.

Imagem via Mundo Pessoa
Importado do blogue gayFEEL