
































32 imagens de Londres e uma da chegada ao Porto. Sem legendas e só para satisfazer promessas adiadas... (Importado do blogue gayFEEL)
Há um mês estivemos em Londres. Antes e depois tivemos que lidar com uma desejada e inesperada mudança de casa. Não se espantem, portanto, que na nossa ausência o espírito do LAR sempre tenha estado presente. Num desses dias de Londres, à passagem pelo West End, entrámos no Liberty. Lá dentro ficámos encantados sobretudo com um cabide para roupa que na indecisão deixámos para trás, mas que jamais esquecemos. Esse acessório de mobiliário é do designer Alexander Taylor (1975), estabelecido por conta própria em 2002 e que tem vindo a ser distinguido e premiado internacionalmente. Ele tem já, até, uma peça na colecção do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Mas também o objecto da nossa admiração é especial e tão simples quanto a função a que se destina: «Antlers» inspira-se nas galhadas dos cervídeos, é feito em arame de aço de 8mm revestido a plástico branco (existe ainda em vermelho, azul, preto, amarelo ou em edição limitada cromada) e mede 55 cm de largura por 53 de altura e 18 de fundo. Fixa-se à parede por parafusos. Deverá sair de Londres nos próximos dias e passar a fazer parte da nossa colecção privada permanente. Vejam-no já aqui.
Há uma entrada atrás o Gonçalo referia que as coincidências formam cadeias de sentido e, sublinhando a lógica reparo como aconteceu a nossa presença no concerto dos 50 anos de Marc Almond, em Londres, no Sheperds Bush Empire.
Não levem a mal o meu silêncio por estes lados.
Numa sucessão mais ou menos desconexa de momentos geram-se às vezes coincidências, que formam pequenas cadeias de sentido, que dão forma às nossas vidas. Eis uma delas: No Inverno de há dois anos, como presente de aniversário, o Luís ofereceu-me o DVD «L'Amour de Loin», uma ópera de Kaija Saariaho cujo libreto alude de alguma forma à história da nossa relação. Na Primavera deste ano, com umas férias nas Canárias já quase marcadas, visitei o dermatologista para um exame de sinais que resultou numa pequena intervenção cirúrgica, na diminuição do orçamento disponível e na contra-indicação do excesso de exposição ao sol. Alterámos então o nosso destino para Londres, o lugar de uma antiga promessa, que agora, no ano dos nossos 20 anos, fazia todo o sentido enfim cumprir. Foi então, quando procurava espectáculos em cartaz na capital inglesa, que descobri «La Passion de Simone» [Weil], uma oratória para solista, coro, electrónica e orquestra, que, como o «L'Amour de Loin» do DVD que o Luís me tinha dado, era composta, encenada, escrita e cantada, respectivamente por Kaija Saariaho, Peter Sellars, Amin Maalouf e Dawn Upshaw. Poderia fazer o elogio da obra, de uma enorme sensibilidade, mas que não teve crítica unânime, ou explicar porque me escapa a lógica dos argumentos com que se criticou a confluência de sentido entre texto, música e encenação; ou ainda sublinhar o privilégio de ter ouvido Dawn Upshaw, recuperada de quimioterapia para cancro da mama, no papel que Saariaho escreveu para ela e que só agora, depois de substituída para a estreia em Viena, pôde cantar. Mas não, fico-me pelo fechar do círculo, do DVD para o espectáculo em Londres, no ano dos nossos 20 anos, com tanta coisa a acontecer.
Que me perdoe o Rui, mas achei óptimo que ele tenha vindo apoiar o Porto Pride 2007. Afinal, o Rui Reininho é uma figura mítica e carismática da cidade e do país. Por isso é tão importante a visibilidade do seu apoio e eu aqui o destaco (ver abaixo na ligação ao YouTube).
Sábado, 7 de Julho de 2007, os homossexuais comemoram no Porto o seu dia de orgulho.
Dei-me conta que me faltava um par de Havaianas cá em casa: há bem pouco tempo havia 2 pares a uso, mas nas caixas de sapatos deveria haver pelo menos mais um; o que não se verificou quando as procurei. Umas foram para casa da minha mãe, outras uso-as cá dentro nos dias quentes, em alternância com uns chinelos para os dias frios ou umas alpergatas para os outros dias. Tenho ainda uns chinelos de dedo da Camper, de que gosto muito, mas não era o que eu neste momento tinha em mente e procurava. Eram as Havaianas que me faltavam e a algum lado elas teriam ido parar...
Às vezes quase nos sentimos mal pela quantidade de imagens de jovens que passam aqui (mesmo as clássicas, como o recente «S. João Baptista» de Caravaggio). Mas a juventude é de facto uma fonte inesgotável de beleza e, por mais que se goste de homens com algum músculo ou com qualquer outro atributo menos habitual nos juvenis, a juventude volta sempre e manda "para canto" qualquer um que já não a tem. Jay Diers é um fotógrafo norte-americano que sabe isso e usa-o. O chame da juventude está nas fotografias que nos apresenta. É isso que lhe interessa, é isso que o seduz, é isso que nos seduz. Mas não só, pois há nas suas imagens belos tratos de detalhe que fazem com que dele fique bem mais do que a simples imagem de um bom apreciador: ele é também um bom intérprete e um bom criador. Estes três são estágios diferentes que só um bom fotógrafo consegue alcançar em pleno. É o caso! Mais, de ânimo leve muitos pensariam que se defendia aqui o trabalho de um simples amador de rapazes e de fotografia, mas nesta ele é mesmo um profissional: fez imagem para a revistas Blue (da Austrália), Manner (da Alemanha) e, desde há pouco, para a Playgirl (esta pode dizer-se universal). Nas lojas da internet (essas normais e universais também) pode encontrar-se ainda Jay Diers em livro: «Visions» e «Raw Youth» são já seguidos por «A Night at The Motel», a nova edição que vem mostrar obra recente inspirada nas primeiras práticas sexuais fora de casa, no anonimato próprio de um motel.
Estou de férias! Hoje não fui trabalhar! Enganem-se se pensam que vou agarrar-me ao computador e pôr-me práqui a escrevinhar. Enganem-se! Sinto-me livre, um novo homem.