2007/09/29

a sexualidade, os números e nós

Um dos mais belos livros que eu li em toda a minha vida é da autoria de Isaac Asimov (1920-1992), um bioquímico russo que se fixou nos Estados Unidos e se tornou muito conhecido pela sua obra literária e científica. «Nove Amanhãs» (edição portuguesa da Vega, em 1979, sendo o original de 1959) contava nem mais, nem menos que 9 histórias autónomas da mais fantástica e credível ficção-científica. Todos os contos são excepcionais, mas foi «Profissão» logo a princípio e «O Rapazito Feio» a terminar que fez com que o livro se tornasse num dos meus preferidos de todos os tempos. Motivado para conhecer melhor a obra de Asimov, comprei depois «A Ciência, os Números e Eu» (originalmente de 1968), que abordava a mundo científico de forma não erudita, mas mais não era do que um (sem dúvida) excelente texto de lógica matemática em vez de algo igualmente literário, como os «Nove Amanhãs» que me fascinaram.
No entanto, ao título deste segundo livro fui buscar hoje a inspiração para o título desta entrada: «A Sexualidade, os Números e Nós». Porquê? Porque decidi verificar e tornar público um pequeno balanço sobre as visitas que acabo de contabilizar nos nossos blogues. É que são já vários os que eu administro, com temáticas bem diferentes: uns são blogues ligados à minha actividade profissional, outros são pessoais (como este GAYFIELD, ou o l'avion rose, ou o gayFEEL), há ainda um de teor homoerótico (quiçá pornográfico) que ficará desta vez ainda por identificar e, por fim, mais um par deles anónimos que espero manter ainda de alguma forma privados. Mas os números falam por si e decidimos mostrar-vos o que eles nos dizem de vós, o que eles também vos dizem de nós. O primeiro valor corresponde à previsão do total de visitas de cada blogue no último ano, o segundo é real e é a contagem das visitas nos últimos 30 dias e o terceiro é o total no melhor dia dos últimos 30:

1) O blogue (não identifico) da minha profissão: 3.900 / 325 / 32 visitas;
2) O blogue (não identifico) do meu trabalho extra: 1.008 / 84 / 21 visitas;
3) O GAYFIELD: 22.128 / 1.844 / 171 visitas;
4) O l'avion rose: 12.912 / 1.076 / 45 visitas;
5) O gayFEEL: 9.852/ 821 / 41 visitas;
6) O blogue (não identifico) sobre imagem homoerótica (e pornográfica): 235.860/ 19.655 / 745 visitas.

Tenho ainda a meu cuidado mais dois blogues muito recentes (que também não identifico e onde ainda nem sequer configurei contadores), sendo um dedicado aos projectos para a velha casa que foi a dos meus pais, um outro (especialmente dirigido ao meu companheiro) onde registo as minhas paixões e obsessões ao longo da vida, recordando as primeiras experiências sexuais, os reencontros com antigos parceiros, as atracções de coup d'oeil e, claro, a minha própria memória desta intensa paixão que dura já desde 1986. Estes números falam da nossa capacidade de comunicar, de partilhar interesses e de captar a atenção de quem nos é próximo. Só tenho pena que haja tantas vozes refugiadas no silêncio. Porque, apesar dos números, às vezes é isso que se sente do lado de cá.

martin creed: expresses himself

Martin Creed nasceu em 1968, em Wakefiel (Inglaterra), e o seu trabalho artístico evoluiu com a arte conceptual dos anos 60 e 70. Cresceu em Glasgow e estudou em Londres, na Slade School of Art, de 1986 a 90. Dois anos antes formara uma banda de rock conceptual, os Owada, que só muitos anos depois (em 1997) lançou o seu primeiro disco («Nothing», editado pelo selo Piano, do compositor David Cunningham). Já as obras plásticas começaram a surgir em 1987 e a tomar títulos que mais parecem de composições de música clássica: «Work No. 1» (um opus 1, por assim dizer) e por aí adiante. Talvez a sua obra mais conhecida seja a que exibiu em 2001 por ocasião da mostra do Turner Prize na Tate Gallery, designada «Work No. 227», um trabalho minimalista concebido com jogos de luz numa sala vazia. Martin disse um dia para uma rara entrevista destinada ao livro «Art Now»: "The only thing I feel like I know is that I want to make things. Other than that, I feel like I don’t know. So the problem is in trying to make something without knowing what I want. (...) I think it’s all to do with wanting to communicate. I mean, I think I want to make things because I want to communicate with people, because I want to be loved, because I want to express myself". Express yourself, pois então!

Importado do blogue l'avion rose

2007/09/21

memórias vivas

Na tua ausência eu vou fazendo com que a presença aconteça. Hoje, afinal, vou comemorar o teu aniversário ainda que já não estejas cá, connosco, neste mundo por onde apenas permanecemos um quanto tempo. E vai ser assim todos os anos, como o será noutras datas poucas mas importantes para mim. Hoje, nessa ausência de quase um ano, nos 81 do teu nascimento, é mais do que em tudo nas tuas plantas, no teu jardim, que eu reencontro essa vida que nos une. Não só não te vou esquecer, nunca, como procurarei perpetuar junto de mim essas memórias vivas da tua existência. Parabéns, querida Mãe - as tuas plantas continuam lindas!...

Imagem via Looking Out From a Southern Closet
Importado do blogue gayFEEL

2007/09/07

cogito ainda

Quando voltei de férias (e já muito tempo se passou) eu havia sido surpreendido com nomeações para um punhado de "prémios" que me surpreenderam: a primeira a 10 de Julho via De Viris Pulchris et Aliis..., depois a 11 via O Melhor Dos Dois Mundos e uma outra a 16 via André Benjamim. Já antes havia entrado numa destas coisas de ser nomeado por alguém e, acreditem, lidei com alguma dificuldade com o assunto. Como sempre, "fui à guerra" e fiz o que pude. Mas pensava que já não voltaria a passar por outra. Desta vez pensei no assunto. Porra! Ainda se fosse só uma nova nomeação, mas logo três!... Como corresponder?... Não sei! Não, não sei!!! Sei apenas que não vou adiar mais este assunto, quando é tempo de resolver os assuntos em aberto para partir para outros. Cogitei, cogitei e cogito ainda, mas vou ficar por aqui. Agradeço a honra das nomeações e - francamente - não vou nomear ninguém porque não gosto de ser simplesmente simpático. O mais certo é que o foram comigo, pois eu não sei se mereceria tantas honras... Eu até tenho as minhas afinidades, eu até vou visitando com regularidade e às vezes comentando nos blogues dos meus amigos, mas nem sempre gosto daquilo que vejo, algumas outras vezes gosto mesmo muito e, seja como for, eu vou sempre voltando. Por outro lado, às vezes passo ao acaso por blogues surpreendentes, mas a blogosfera é tão imensa que não regresso a eles e perco a noção da sua localização. Parto para outras navegações, para outras descobertas. Por isso, se alguém merecesse a minha nomeação, hoje seriam todos e ninguém. Parece-me mais justo assim. Espero que me entendam ou, se necessário, que me perdoem simplesmente por (sobre isto) agora desistir de pensar...

Imagem via Rodin's Thinker
Importado do blogue gayFEEL

2007/09/01

livros, palavras, imagens

Com o tempo que tenho usado de outras formas, eu já teria correspondido a todos os desafios que me vão sendo lançados aqui, nos últimos tempos. Para cumprir promessas decido-me a corresponder ao que a 19 de Julho o Ric me dirigiu e vou-lhe respondendo enquanto consulto de novo o seu blogue De Viris Pulchris et Aliis... e nele vou ouvindo a bela (mas triste) chanson «Avec le Temps», do Leo Ferré.
Pois é, meu querido Ric, num período de mudanças é bem possível que eu me esqueça de algum dos últimos cinco livros que li (ou leio), e é essa lista que me foi pedida por ti há já algum tempo. Do esforço, aqui tens o resultado:

1) «Punk on 45: Revolutions on Vinyl 1976-79» de Gavin Walsh, Plexus, London, 2006;
2) «Os Cadernos Secretos de Sébastian» de André Benjamim, Editorial 100, Vila Nova de Gaia, 2006;
3) «MoMA Highlights» de Harriet Schoenholz Bee e Cassandra Heliczer, The Museum of Modern Art, New York, 2004;
4) «Uma Existência de Papel» de Al Berto, Gota de Água, Porto, 1985;
5) «The Angel of Death in The Adonis Lounge» de Marc Almond, The Gay Men's Press, London, 1988.

O 4 e o 5, por assim dizer, foram regressos e o 3 foi mais consulta do que leitura. O 2 li com agrado e espero vir a fazer uma entrada em breve sobre ele, enquanto que o 1 é o livro que ando a ler para saber detalhes novos de um dos movimentos culturais mais importantes (para mim, pelo menos) do final do século XX. Eu, ao contrário do Ric, não vou passar o testemunho e desafiar alguém a fazer uma lista. Mas ficaria feliz se alguém decidisse aproveitar a oportunidade para tal. Nesse caso que mo comunique, está bem? Ao Ric, ainda, entrego a imagem que é um wallpaper da Amália que eu fiz já em 2003... Pelas razões justificadas nos comentários da minha entrada anterior, aqui fica para ele, para todos, para a Amália... (Amai-la!)

Importado do blogue gayFEEL

2007/08/31

notas de viagem III: rock garden

Estive no restaurante Rock Garden da primeira vez que fui a Londres, na segunda metade dos anos 80, e lá voltei por volta de 1993. Era impossível para mim, com esses dois bons momentos na memória, não regressar de novo para o revelar ao meu companheiro nesta terceira viagem (a primeira juntos neste destino). O Rock Garden (que se presta à confusão com jardim de pedra mas que, na verdade, é mais um jardim do rock) é um restaurante com 30 anos de existência que assenta sobre o seu próprio bar-discoteca (o The Gardening Club) por onde passaram imensas bandas pouco conhecidas que em curtos anos se tornaram cintilantes nomes do pop-rock: The Smiths, Talking Heads, The Stranglers, U2 ou The Police. Na verdade, o edifício ocupa também o primeiro andar do prédio e o exterior sob as arcadas onde, dia e noite, está uma esplanada para os que preferem almoçar, lanchar ou jantar mais em contacto com o ar fresco e o movimento constante. Discreto por fora e intenso por dentro, fica defronte ao célebre mercado de Covent Garden, bem no centro de Londres e da agitada vida nocturna.
Só que nessa noite de Julho (a segunda desta nossa viagem, se bem me recordo) ambos estávamos perturbados com uma sinusite. Era eu que mostrava mais sinais de mal-estar. Por isso pedi uma mesa no interior, mas junto à janela por causa das vistas. Para jantar, a escolha foi simples e comum aos dois: "fish and chips", um dos mais típicos pratos britânicos, e vinho da casa. A comida estava óptima, mas nessa noite muitos planos ficaram certamente por concretizar. Regressámos cedo e só no dia seguinte procurámos uma farmácia, onde nos receitaram um remédio quase milagroso que nos salvou a noite que viria...
Hoje, visto já a alguma distância, parece-me claro que o Rock Garden poderá ser ainda um restaurante a revisitar, caso surja a oportunidade. É caro, mas não mais do que se pode esperar numa das cidades mais caras do mundo e, por isso também, uma boa dica para quem possa aproveitar esta sugestão.

2007/08/30

gostava de ser quem sou

A Amália tinha um disco (que eu um dia também tive) que tem por título «Gostava de Ser Quem Era» e isso estava-me na cabeça ainda agora e por isso fui ainda agora à procura do origem do que me estava na cabeça e foi um espanto que encontrei não só a referência a esse disco de encanto (dessa Senhora com quem estive uma vez em Paris) mas também uma outra forma de canto que por ser tão belo não pude ignorar nem deixar de citar assim com todas a vírgulas e pontos e sentimentos e urgências de mostrar e revelar:

"Gostava de ter nascido fora de Lisboa. Gostava de ser Alentejano, ou Algarvio. Gostava de ter uma terra, gostava de morar nela. Gostava de viver no campo, ou de saber viver no campo. Gostava de apreciar paisagens. Gostava de apreciar as pessoas. Gostava de saber lidar com elas. Gostava de saber lidar comigo. Gostava de ser artista, fotógrafo, pintor, ou algo assim. Gostava de ser criativo, ou dinâmico. Gostava de saber pensar. Gostava de dizer aquilo que penso. Gostava de saber comunicar. Gostava de ser livre. Gostava de saber o que digo quando falo, ou o que penso quando escrevo. Gostava de gostar de mim, ou de ti. Gostava de ter amigos. Gostava de ser amigo. Gostava de não saber ler, de não saber pensar, de não saber falar. Gostava de me reinventar. Gostava de não me contradizer. Gostava de ser quem sou, ou quem nunca fui. Gostava de saber quem és, ou porque me lês. Gostava que não me lesses, ou que não me visses. Gostava que voltasses. Mas gostava, sobretudo, de não te sentir a falta..."

Bem longe de Lisboa e mais ainda de Paris por aqui me fico em vénia dupla de admiração e de encanto.

O texto que cito acima é da autoria de Blindness e está no Diário da Minha Cegueira
Já a imagem era para ser a da serigrafia do Leonel Moura, mas como não a encontrei veio esta via La Danza Del Folletto
Importado do blogue gayFEEL

2007/08/17

ainda das profundezas

Reapareço das profundezas. Quando posso. Entre mudanças, férias, regresso ao trabalho, compras para a casa, limpezas, arrumações, trapalhadas legais e outras mais, muitas mais. E, de repente, a presença do amigo que durante mais de três anos nunca correspondeu aos convites para ficar na casa antiga (o apartamento que deixámos) e que entretanto decide aparecer. Mesmo sendo advertido que o momento não seria o melhor. Nem mesmo para ele. Assim foram passando quase oito dias. Difíceis para nós e para o nosso (muito querido) amigo. Ficou na sala, no sofá, pois teve a sorte de a nossa cama ter sido montada um ou dois dias antes dele ter chegado. A outra cama ainda só chegará na próxima semana, e essa teria sido a solução ideal. No fim, ficámos com pena de não o ter recebido melhor. Sem tempo para ele nem tempo para nós, mesmo sem tempo para vós. O amigo partiu ontem, anunciou-o logo de manhã muito cedo. Rápido como nos anunciou a chegada, anunciou a partida. Nós aprendemos uma lição, uma grande lição: a de que, às vezes, é preferível dizer "agora não!"... Lentamente, entretanto, tentamos concluir o que deveria estar feito. Eu próprio reapareço das profundezas para tentar concluir o tanto que ainda há por fazer. Talvez domingo tire uma espécie de folga, que me poderia levar pela primeira vez à praia neste ano. Ou talvez algum amigo queira aparecer, mas para nos ajudar...

Imagem via Bajo el Signo de Libra
Importado do blogue gayFEEL

ícaro doria: bandeiras ao vento

Ícaro Doria é um brasileiro de 25 anos que tem produzido obra gráfica e de opinião para a revista portuguesa Grande Reportagem. Com Andrea Vallenti, Luís Silva Dias, Duarte Pinheiro de Melo e João Roque, ele concebeu uma campanha baseada em dados recolhidos nos relatório da Amnistia Internacional e da Organização das Nações Unidas. A equipa olhou para as estatísticas da União Europeia e de mais sete países: Angola, Brasil, Burkina Faso, China, Colômbia, Somália e os Estados Unidos da América (na imagem). As opiniões sobre a guerra no Iraque, a violência contra as mulheres africanas, as desigualdades sociais no Brasil, o tráfico de drogas na Colômbia, a sida e a malária em Angola, ou o consumo e produção de petróleo na Europa foram alguns dos temas abordados. Onde termina a arte dos artistas e começa a reportagem dos repórteres, é muitas vezes difícil de perceber e, neste caso, mais ainda. Mesmo assim, há aqui uma clara intenção de criatividade e de intervenção social, política e económica. E é caso para admirar, ou não é?!...

Importado do blogue l'avion rose

2007/08/13

33 imagens sem grandes palavras


































32 imagens de Londres e uma da chegada ao Porto. Sem legendas e só para satisfazer promessas adiadas... (Importado do blogue gayFEEL)