2007/12/05

(she's) lost control

Onde já vão os anos 80. O tempo das roupas cinzentas, das camisas brancas, das gabardinas que se usavam todo o ano. Ou dos "urbano-depressivos" que estavam muito na moda, então. Era o tempo de arranque de muita coisa, alguma que nos tocou e outra que preferimos (ou poderíamos) evitar. Os meus amigos ouviam Joy Division. Eu preferia ainda o Bowie e os Echo, os Smiths, Durutti, Jesus, Bauhaus ou Pistols. Mas o tempo deu-lhes razão e "a" Joy Division (como gostavam de dizer os mais puristas) foi o que foi, tornou-se "na" New Order que veio a ser o que veio e que nunca passou de moda. Anton Corbijn, fotógrafo de nome, decidiu lembrar-nos Ian Curtis e tudo isso no filme «Control», sem dúvida um dos marcos cinematográficos de 2007. Agora «She's Lost Control» faz ainda mais sentido, pelo menos para mim:

Confusion in her eyes that says it all
She's lost control
And she's clinging to the nearest passer-by
She's lost control
And she gave away the secrets of her past and said
I've lost control again
And heard the voice that told her when and where to act
She said I've lost control again
And she turned around and took me by the hand and said
I've lost control again
How I'll never know just why or understand she said
I've lost control again
And she screamed out, kicking on her side and said
I've lost control again
And seized up on the floor, I thought she'd died She said
I've lost control

She's lost control again, she's lost control.

Well I had to phone her friend to state her case and say
She's lost control again
And she showed up all the errors and mistakes and said
I've lost control again
And she expressed herself in many different ways until
She's lost control again
And walked upon the edge of no escape and laughed
I've lost control
She's lost control again, she's lost control.

2007/11/30

um natal diferente

Este ano vou passar um Natal diferente: até aqui sempre o passei com os meus pais excepto (no que eu chamaria um momento de transição) no passado ano em que já não tinha nenhum dos meus ascendentes directos vivos e nós (o que restava do grupo familiar que se juntava pelo Natal) fomos celebrá-lo fora da cidade. Mas essa excepção justificada muito racionalmente indiciava que vinha para ficar. Eu senti-o já então e há um par de semanas antecipei-me e anunciei que receberia a família em minha casa ou que cumpriria a tradição aceitando juntar-me a todos como noutros anos, mas só se não saíssemos da cidade, se nos ficássemos por cá... E a minha previsão estava certa: ou saio do Porto e faço um Natal como no passado ano, ou fico por minha conta, na minha casa, com o meu companheiro, com quem quisermos. Assim o faremos, juntando-nos certamente aos parentes próximos que temos por cá, talvez até a alguns amigos... Para já, certamente mais logo (bem mais logo, já depois da meia-noite) faremos a nossa primeira árvore de Natal no novo apartamento. Há uma semana fomos comprar tudo o que julgámos adequado (não foi nada fácil) e agora haverá que ser criativos... Curiosamente por esta altura deveremos receber o cabide do Alexander Taylor que no início de Agosto tivemos a intenção de comprar (ver entrada do L'Avion Rose), mas que afinal estava esgotado. Já que a sua forma evoca as galhadas de um alce vamos fazer de conta que serão as renas que nos entram pela casa dentro... Por outro lado, no local de trabalho é um mero wallpaper que dá a cor do Natal ao meu computador. É esse que mostro aqui mesmo, mas há mais que podem ir buscar pelo link que liga ao site nipónico do criador de moda britânico Paul Smith. De quem eu gosto, como gosto do seu trabalho. Admirem-no!

2007/11/29

coisas de cinema

"Um travesti que perdeu o amor pela vida é confrontado com a alegria de viver de um adolescente com Síndrome de Down", é a forma como se pode resumir a história de «A Outra Margem». Não são temas que me levem ao cinema, mas não consegui resistir à curiosidade após assistir a uma interessante reportagem sobre o filme na TV e a ter sabido da opinião de dois ou três dos amigos daqui. Para mais, por um acaso ontem passei pelos Cinemas Medeia Cidade do Porto e lá perguntei até quando estaria ainda o filme em exibição, pensando vê-lo no próximo fim-de-semana com o Gonçalo. Mas era já o último dia e, apesar de nessa altura estar sem o meu companheiro que se encontrava a trabalhar, não pude deixar de me deslocar à extensão dos cinemas no Teatro do Campo Alegre onde, às 22 horas, assisti ao filme. E ainda bem! Confirmo que Filipe Duarte e Tomás de Almeida na minha opinião bem mereceram o prémio ex-aequo que receberam no Festival de Cinema do Mundo de Montreal, Canadá, para melhor actor. E Luís Filipe Rocha, o realizador que recebeu o Prémio Arco-Íris atribuído este ano pela ILGA Portugal e já antes tinha assinado o também belo «Sinais de Fogo» (filme inspirado no livro de Jorge de Sena), passou a ser também para mim uma das figuras portuguesas mais relevantes neste ano que se aproxima já do fim. Porquê? Porque fez pensar. Porque faz e fará ainda pensar em questões que não são fáceis e que Portugal costuma esquecer. E porque o faz (segundo acredito) numa perspectiva exterior aos temas reflectidos, mas fá-lo com correcção e com uma paixão que não pode ser acusada de exageros. Gostei de Filipe Duarte, como actor e da sua personagem que logo que entra em cena me lembra a "descida à terra" de Mick Jagger no filme «Bent». Ou, também nessa princípio da história, a bem conseguida alternância de imagem e entrosamento de som entre a actuação do travesti na discoteca e o crepitar do fogo da cremação do seu namorado que decorria ao mesmo tempo, noutro local. E as relações que se foram mostrando, como flores que se abrem: com a irmã, o pai, o sobrinho, a noiva abandonada e, até, com os engates de cada momento ou os adiamentos consecutivos na entrega das cinzas do companheiro às suas origens... «The Other Side» é o título em inglês para este filme que merece lugar na história do cinema internacional de temática gay. A propósito: «Paranoid Park» é o novo de Gus Van Sant e estreia hoje por cá. Antes do filme será exibida uma nova curta-metragem de Joaquim Pinto, um realizador que se mostrou pela primeira vez em 1988 com «Uma Pedra no Bolso». A esse voltarei depois, talvez num destes dias...

2007/11/23

na casa dos sigur rós

Deliciem-se com a edição especial do DVD «Heima», dos islandeses Sigur Rós. Ponham de lado as paisagens sonoras carregadas de electricidade e silêncio, esqueçam os efeitos conceptuais transpostos do seu imaginário para o écran, desmontem as personagens misteriosas e elaboradas que acreditamos serem as reais e as que se esconderão por detrás das guitarras eléctricas, da bateria, dos sintetizadores deste quarteto. «Heima» é o filme do regresso a casa após uma dessas representações sonoras e visuais que são os seus concertos e que os levaram para outros países. Este é um documentário ao vivo do seu regresso à Islândia que os viu nascer e crescer, à terra dos seus compatriotas, ao berço da sua sensibilidade e da sua cultura. Os quatro Sigur Rós que aqui encontramos são quatro simples músicos, despojados de artifícios tecnológicos, que tocam simples instrumentos acústicos, e que o fazem de terra em terra, ao longo de 15 localidades, nas cidades, nas aldeias, nas igrejas, nos parques nacionais, em fábricas abandonadas e em qualquer outro lugar onde comparecesse um grupo suficiente de espectadores que os acolhessem e à sua oferta generosa. «Heima» passou no cinema, fora de Portugal, mas por cá parece que apenas estará disponível para uso privado, em DVD (há uma edição simples e outra especial com um livro de imagens de 116 páginas, a não perder). Reúne canções dos seus quatro álbuns, renovadas para assinalar também os seus 10 anos de existência, e dois temas novos. O filme foi realizado por Dean Deblois, que nos facultou esta oportunidade de conhecer de perto os membros da banda, o seu mundo, o seu meio, a sua casa. E para nós, homossexuais, muito especialmente o estranho e fascinante Jón Þór Birgisson (Jónsi), assumidamente gay e namorado de Alex Somers, o principal responsável pela elaborada imagem gráfica do grupo.

2007/11/22

sempre comigo

Foi a 22 de Novembro de 2006, pouco passava das 13 horas. De repente o céu fez-se negro, quando antes já voltava a haver luz e a haver cor. Passou-se um ano, mas um ano depois é ainda muito pouco tempo depois. É tempo de olhar para dentro. Ainda. De reflectir. Ainda. De dedicar...
À minha mãe, que partiu, eu diria como no fado da Amália que o David Mourão-Ferreira escreveu: "tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo". Conheci-os aos dois, de forma fugaz, a ele numa conferência, a ela numa sessão de fotografia e depois num concerto para que fui convidado. Talvez por isso me sinto hoje ainda mais inclinado a identificar-me com ela e com ele, e a apropriar-me destas palavras, desta voz, que não são minhas, nem saberiam sequer quem eu sou. Mas que são de todos e muito belas:

De manhã, que medo que me achasses feia,
acordei tremendo deitada na areia.
Mas logo os teus olhos disseram que não!
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois numa rocha uma cruz
e o teu barco negro dançava na luz...
Vi teu braço acenando entre as velas já soltas...
Dizem as velhas da praia que não voltas.

São loucas... são loucas!

Eu sei, meu amor, que nem chegaste a partir,
pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros,
na água que canta no fogo mortiço,
no calor do leito dos bancos vazios,
dentro do meu peito estás sempre comigo.

A Amália cantou isto ao vivo em Bucareste e está online num filme que podem ver pelo link do título. Vejam-no lá, no YouTube, mas não façam aqui qualquer comentário. Apenas digam hoje algo de extraordinariamente belo a uma pessoa que amem muito: à Mãe, ao Pai, ao Companheiro, à Companheira, ou mesmo até à pessoa que está aí já ao lado...

2007/11/16

a um passo

Às vezes penso, como poderá Portugal dar o passo que deu a Espanha e estender o casamento civil aos homossexuais, quando aqui não temos nenhuma da visibilidade que há no país vizinho, nomeadamente através de marchas de orgulho com centenas de milhares de participantes... Não existe pressão política, nem aceitação social. Existe talvez consentimento comedido, como é próprio de uma sociedade hipócrita como a nossa. Recentemente disseram-me que existe cá um "observatório das sexualidades" e que, segundo estudos realizados por essa entidade, existiriam 30% de portugueses a favor do casamento entre homossexuais (em Espanha a mudança da lei deu-se com 48%) — serão então os 18% da diferença que nos faltam para a mudança da lei? Ou talvez nos baste a justiça do Tribunal Constitucional, onde pára agora o recurso da Teresa e da Lena e onde, como aconteceu na África do Sul (que como Portugal tem uma Constituição que não permite a discriminação pela orientação sexual, mas que ao contrário de nós já legalizou o casamento para casais do mesmo sexo após um casal lésbico ter insistido em recursos até — mais uma coincidência — ao Tribunal Constitucional), se espera uma última sentença nacional. Não percebo os homossexuais que são contra o casamento. Trata-se apenas de uma questão de direitos iguais no acesso a um contrato civil — não é relevante se vamos casar proporcionalmente mais ou menos que os casais heterossexuais e, de igual modo, se nos vamos divorciar mais ou menos depressa. Ao contrário do que possam pensar aqueles que crêem ser avançados e progressistas no seu pensamento, com ideias sobre um estilo de vida alternativo ao heterossexual (que mais não é do que aquele que se lhes permite ter na margem do colectivo), reaccionária é a oposição ao casamento de homossexuais. Por isso, também de pouco serve dizer "sim, sou a favor, mas não estou interessado em casar" — para atingirmos essa meta a primeira parte da frase é suficiente. Será possível que o nosso Tribunal Constitucional, como na África do Sul, largue a bomba e corte caminho? Estaremos em breve, alguns de nós, a assinar certidões nas conservatórias, a trocar alianças e a continuar as nossas vidas com uma maior legitimidade perante a lei?
"Parece impossível... com este frio e de manga curta!".

2007/11/06

o amor é...

Por causa de uma entrada que li (e comentei) hoje no blogue do André Benjamim parece-me por bem recordar uma belíssima letra de uma ainda mais bela canção dos Pop Dell'Arte, grupo que foi criado por João Peste, Zé Pedro Moura, Paulo Salgado e Ondina Pires em 1984, no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa.
Ao longo dos anos a formação dos Pop Dell'Arte foi sendo alterada, mantendo a liderança e a voz de João Peste, que é também o autor das letras (no link do título podem encontrar mais notas sobre o grupo publicadas por nós, neste blogue). É do EP de 1989, onde se reunia «Illogik Plastik», «Poema Para Noiva Circular em Betão Armado Plástico Cor-de-Rosa & Rádio Digital Programado em FM», «Saltando Das Nuvens» e «O Amor é... um Gajo Estranho», que se destaca esta canção, estranha como o amor que canta, sedutora sob todas a formas, bela na música e na letra:

O amor é um gajo estranho
Não tem sonhos não tem coração
Vive tão longe e tão só
Preso à sua própria sedução!
O amor quando eu o conheci
Olhou para mim sorriu e disse:
"Eu sou apenas uma mentira
mas podes fazer de mim uma canção!"
O amor passa os dias frente ao espelho
Acredita num reencontro
Eu adormeço o rosto no seu peito nu
E sonho acordar noutro lugar
O amor nunca me mente
Quando me venho na sua boca
Abraça-me lentamente
E eu canto-lhe com a voz rouca!


(O amor é!?...)

2007/10/31

ladislaw starewicz: o natal dos insectos

Uma vez que se aproxima o Natal faz sentido agora mostrar-vos um pouco da obra do realizador de animação Ladislaw Starewicz, especialmente o extraordinário «The Insect's Christmas», realizado na Rússia em 1913 (podem vê-lo e descarregá-lo através da ligação no título). Este pequeno filme de animação feito com bonecos e minúsculos animais conta uma doce história de Natal passada no mundo dos insectos. É verdadeiramente bela e impressionante a concepção do filme e a delicadeza com que nos encanta. Está disponível na UbuWeb em formato "avi" e pesa 51,6MB.
Se o filme o impressionar, como nos impressionou a nós, no mesmo local poderá ainda ver e descarregar «The Cameraman's Revenge And Other Fantastic Tales», realizado um ano antes. Nesta sequência de contos destaca-se a primeira e talvez única versão cinematográfica sobre a infidelidade entre insectos, que faz a narrativa da viagem "de negócios" do Sr. Escaravelho que, ao chegar à cidade, se detém no The Gay Dragonfly e lá mete conversa com uma dançarina e, depois... Bem, é a história do costume! 13 minutos é quanto dura esta obra que pesa 143,3MB.
Ladislaw Starewicz nasceu na Rússia em 1882 e cedo se interessou pelo desenho, pela pintura e pelo estudo dos insectos. Depois fez teatro, fotografia e cinema. Viveu em Moscovo até 1919, estabelecendo-se a partir de 1920 em França, onde viria a falecer em 1965. Fez dezenas de filmes de animação e terá certamente inspirado a imaginação de muitas crianças e adultos, talvez até a de Tim Burton que em 1993 produziu o invulgar conto de Natal «The Nightmare Before Chrismas», apenas com paralelo no cinema de Ladislaw Starewicz.

2007/10/27

seu

Há muitos anos fiz um amigo que era uns 10 anos mais velho do que eu. A amizade surgiu porque comprávamos discos na mesma loja e havia muitas coincidências na música que nos interessava, quando essa música ainda interessava a pouca gente. Em termos temporais decorriam os anos 80, já lá para o final, e um dos grupos que eu descobri por sua conta foi o que tinha por nome Henry Cow (de tão estranho, o nome foi-me repetido e até traduzido — Vaca Henrique, clarificou ele! — e foi mais uma das descobertas que ainda hoje permanece fonte do meu interesse). Mas com o passar dos anos, apesar da amizade se ir reforçando e alargando também ao meu companheiro, as diferenças foram cavando um fosso cada vez mais largo e intransponível. Se, por um lado, abertamente me perguntou um dia se eu e o Gonçalo éramos namorados (respondi-lhe que sim, e ele passou a tratar-nos como tal), por outro (ao contrário de mim), tinha uma repulsa profunda por tudo quanto fosse música de origem brasileira (Caetano Veloso, Ambitious Lovers, Tom Zé e toda a música Made in Brazil era como se tivesse sido criada por algum demónio). À medida que fomos ficando mais velhos, a diferença de idades foi-se esbatendo, mas o resto não e há bem pouco tempo até nos cruzámos sem nos cumprimentarmos, por sinal à entrada para um concerto.
Não espero, por isso, vir a encontrar o Zé (é o seu primeiro nome, se bem que zés haja muitos) no início de Novembro, quando o brasileiro Seu Jorge se apresentar em concerto na cidade do Porto. Jorge Mário da Silva é um bonito homem de 36 anos de idade, magro e de tez escura. Descobri-o com o disco «Cru», que me atraiu pela capa mas não me levou a dar o passo da compra. Reencontrei-o em «The Life Aquatic Studio Sessions», banda-sonora da aventura oceanográfica que em 2004 Wes Anderson filmou — em português com o título «Um Peixe Fora de Água» — e onde o músico faz o papel de Pelé dos Santos. O disco mostra a peça composta por Seu Jorge para o filme («Team Zissou») e treze versões acústicas traduzidas de clássicos de David Bowie («Rebel Rebel», «Life on Mars?», «Ziggy Stardust», etc). O próprio Bowie elogiou o trabalho dizendo que "had Seu Jorge not recorded my songs acoustically in Portuguese I would never have heard this new level of beauty which he has imbued them with", fazendo do disco um must have absoluto! É deste Seu Jorge que que eu gosto, ou mesmo do Mané Galinha que ele interpretou no filme de Fernando Meirelles «Cidade de Deus». Ele que, nos anos 90, foi um dos sem-abrigo das ruas do Rio de Janeiro, vai agora estar em Portugal para nos deslumbrar em vários concertos, que passarão por Portalegre, Guimarães, Estarreja, Lisboa e Porto. Nesta cidade recebe-o a Casa da Música já a 1 e 7 de Novembro. Nós estaremos por lá, mas será que o Zé estará?...

2007/10/25

fermento no casamento

Tínhamos sido convidados para um jantar especial, com um pretexto-surpresa, num restaurante da baixa do Porto. As instruções marcavam o dia e a hora, bem como o local exacto, mas ao questionar o secretismo do convite foi-nos dito que seria melhor não o revelar aos amigos comuns com quem entretanto pudéssemos vir a estar. Entre nós estudámos as possibilidades, desde o aniversário dela ou dele, à de quererem anunciar a vinda de um baby ou mesmo (com eles não seria nada de estranhar) a mudança com todas as armas e bagagens para um país distante (o Japão, se calhar). Mas não, não foi nada disso. À hora marcada lá entrámos no restaurante, fomos até à sala do fundo e, à volta da mesa, estavam a Diana e o Zé e duas mãos cheias de convidados. A surpresa das surpresas foi quando nos anunciaram que nesse dia se tinham casado (eles viviam juntos há anos e nós até pensávamos que essa situação estaria de alguma forma já resolvida). A surpresa não poderia ser mais agradável, até porque nos levou a recordar que se conheceram por nosso intermédio. E a noite avançou, agradável como o jantar, até ao fecho do restaurante e, depois, até quase à porta de casa na boleia de um outro simpático casal.
Hoje, a 25 de Outubro, o day after deste belo momento, também nós temos um acontecimento a assinalar: os 21 anos da noite em que nos conhecemos. Acordámos ainda há pouco e só mais logo, muito em cima da meia-noite, teremos de novo algum tempo para nós. Com champanhe para celebrar a dois, segundo as nossas intenções, mesmo que seja já na madrugada do dia seguinte. Mas os acontecimentos de ontem, que aceleraram os nossos átomos de amor, levam-nos a pedir para todos os que queiram casar, independentemente da sua orientação sexual, fermento no casamento. Isto faz todo o sentido numa sociedade equilibrada e justa e só parece não fazer sentido para quem decide manter ou apoiar a limitação dos direitos dos seus concidadãos.
(Parabéns Diana e Zé! Parabéns também para nós...)