
Li ontem num jornal um artigo de opinião sobre o consumo de tabaco a que não pude evitar este meu comentário. Começava por dizer nele Luísa Castel-Branco que "O tabaco faz mal. O tabaco mata." E prosseguia com comparações que eu até acho bem pouco relacionadas, como as gorduras em excesso, o sal em excesso, o álcool, a droga, a violência nas escolas, na noite, em casa... Mas até entendo aonde queria chegar. Afirmava ainda que "como fumadora, tenho consciência de que não se fuma num ambiente com pouco ar e com crianças, ou outras pessoas a quem o tabaco incomode", mas recusava-se "a aceitar este
politicamente correcto importado..." e acrescentava que "talvez o Estado devesse olhar também para os fumadores como pessoas que necessitam de
salas de chuto em vez de criminosos!"
Pois bem, nós até somos ex-fumadores. Nós até toleramos os fumadores e os fumadores reparam nisso. Nós até trabalhamos com patrões fumadores que simplesmente abusam porque são patrões. Nós até chegamos a casa a cheirar a tabaco, não porque o desejássemos. Nós até abrimos o guarda-fatos no dia seguinte e sentimos ainda e intensamente o cheiro do charuto do patrão do dia anterior. Nós até gostamos de tabaco, pois não deixámos de fumar porque não gostássemos de o fazer. Deixámos de fumar porque nos fazia mal, porque nos dava cabo do orçamento, porque fazia mal aos que estavam junto de nós. Deixámos por querermos e insistirmos nessa decisão, em não voltar a fumar.
Okay que o civismo não deveria ser legislado.
Okay, mas parece-me que é necessário. E duvido que seja suficiente. O que é pena, como noutras coisas também! Terei sido claro?...