2008/05/05

meme

Façam todos de conta que também não respondi a mais este desafio, mas (como que seja uma resposta em privado para os mariposos) aqui fica o que me ocorre dizer-vos:

1) Por que resolveu criar o blog?

Ele começou a 20 de Outubro de 2005. Nessa altura, eu e o meu namorado (o Gonçalo) passávamos muitas horas separados, ou então um de nós estava disponível para falar com o outro, mas o outro não. Foi por isso que me ocorreu abrir o blogue. Era uma forma de deixarmos mensagens, de aprofundarmos sobre assuntos que a um interessasse e que o outro dessa forma poderia acompanhar mais tarde e de forma aberta a terceiros (amigos em comum e não só). Servia também para exercer trabalhos de investigação sobre o nosso passado e sobre assuntos que nos interessassem e que não conhecêssemos suficientemente. Fomos fazendo isso ao longo do tempo, se bem que muito tenha entretanto acontecido. As razões que nos fazem hoje continuar as postar talvez sejam já um pouco diferentes das originais...

2) O que te dá mais prazer em blogar?

Não criei o blogue para fazer novos amigos. E muito menos para conhecer cara-a-cara outras pessoas. Mas tudo isso já aconteceu — e ainda bem! Num mundo cheio de diversidades o que me daria mais prazer seria conhecer alguém com quem fizéssemos uma amizade muito forte, muito especial. Estilo a peça do puzzle que fica ao lado. Mas por uma razão ou por outra (sexualidades, distâncias, gostos pessoais, relacionamentos) isso acaba por nunca acontecer. É uma espécie de utopia, uma quimera sem desfecho.

3) Indique um blog bom e um blog que você não gosta (essa vai ser difícil) e porquê?

Ambas são muito difíceis. Porquê? Porque nuns gosto só do conteúdo, noutros só das pessoas, noutros só do aspecto e, por outro lado, também há alguns em que só não gosto do conteúdo, ou só não gosto das pessoas, ou só não gosto do aspecto, para além dos que combinam valores de forma diferente. É muito difícil escolher apenas um par deles para corresponderem a cada género. Se tem que ser, atendendo a alguns detalhes eu, neste momento, escolho os blogues Reflexões de Um Cão Com Pulgas... e Voz do Deserto, mas vocês é que terão que distinguir qual é o que leva a minha apreciação positiva e qual o que sobra.

4) Qual tipo de música, e quais suas bandas favoritas?

Acho que sobre isso já se escreveu aqui muito. E muito mais haverá de se escrever! Mas eu gosto essencialmente de música criativa, de atitudes, de projectos e ideais. Não tenho muita cabeça para rock pesado ou qualquer género de ruído musical. Mas não me incomoda nem um, nem outro, desde que não sejam gratuitos. Por exemplo, ainda neste fim-de-semana vi em concerto no Porto o grupo "industrial" Einstürzende Neubauten (que eu já conhecia muito bem de vários discos e do qual fiquei a gostar um bom pedaço mais) — a sua evocação do dadaísta Hugo Ball (o da imagem é mesmo o original de 1916) não foi ligeira e foi feliz! Mas gosto também de dançar, de mexer o corpo e vibrar pela noite dentro. Para isso, não sou muito exigente no que respeita à música, basta-me a excelente companhia do Gonçalo. Bandas favoritas? É só ler umas quantas entradas atrás, e atrás, e atrás...

5) Qual o assunto que você mais gosta de postar?

Não sei! É difícil de responder. Faço-o sobre o que me apetece na altura e, portanto, todos os assuntos a que me dedico são do meu agrado. Há coisas sobre as quais também gostaria de escrever, mas tenho algum pudor. Sobre as relações em família, sobre detalhes muito concretos que impossibilitariam alguma privacidade que ainda preservamos e defendemos. Sobre sexo também dá muito prazer, é claro :-)

6) Se aqui nevasse você usava esqui?

Se aqui nevasse eu usaria o que fosse necessário para sobreviver na neve e certamente usaria um par de esquis, mas não talvez um esqui simples tipo prancha. É que além da vertigem (que se aprende a controlar, como no skate que em adolescente ainda usei) também sou um pouquinho friorento (é melhor dizer que gosto do calor, do sol e da praia) e isso é mais que suficiente para repelir a ideia. Mas se cá nevasse, fazia-ska-ski...

7) Você é: casado, solteiro, separado, enrolado, desquitado, chutado, viúvo ou outros?

Legalmente sou solteiro, mas dentro em breve espero pedir a união fiscal com o meu companheiro e, mais tarde, tenho a esperança de poder viver com ele uma união civil equiparada à dos casais heterossexuais.

8) Por que você deu este nome ao seu blog?

Na altura em que criei o blogue, eu morava numa rua cujo nome se poderia traduzir por Gay Field. Então, tendo em conta qual era o objecto do mesmo, pareceu-me que soaria muito melhor do que Campo Alegre e ficou. Só isso... :-)

9) Qual foi o último blog que você visitou?

Foi o Mariposo, pois tinha que ir buscar o questionário para responder aqui.

10) Porque resolveu participar deste meme?

Porque achei piada à ideia do desafio vir do Brasil e porque gosto de imaginar que desse lado do Atlântico há um casal de maridos/esposos que talvez se pareça connosco, apesar de haver alguma diferença de idades. Por mim, esse convívio é saudável e merece ser mantido. Daí a minha disponibilidade e entrega séria às questões colocadas. Mas como não gosto de ser empurrado para cadeias de espécie nenhuma — é sabido —, não vou escolher ninguém para lhe dar seguimento. Se alguém decidir aproveitar a ideia e também responder a estas 10 questões, que siga e nos comunique aqui. Para todos, beijinhos ou abracinhos...

E para quem não saiba, segundo a Wikipédia meme é um "termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso «O Gene Egoísta», é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros."
Está-se sempre a aprender!

2008/05/03

com flor de laranjeira

Fez num dia desta semana 21 anos que ao fim da tarde tomámos o comboio para Braga como dois bons amigos que pretendem passar juntos um bom fim-de-semana e regressámos mais juntos ainda com a promessa mútua de que ficaríamos juntos para o resto das nossas vidas.
A data nunca nos esquece e é sempre mais um pretexto para as nossas comemorações de amor, algumas raras vezes partilhadas por um grupo de amigos muito próximos que se juntam a nós.
Mas não foi bem o que aconteceu desta vez: a semana estava a decorrer cheia de afazeres e foi com um simples jantar a dois — pela primeira vez (nesta data) na nossa própria casa —, que procurámos recordar e reavivar detalhes do acontecimento que sempre nos trás a estas comemorações.
Ao fim de um dia de trabalho, o jantar não foi muito diferente dos outros de todos os dias, mas para o tornar algo mais diferente tivemos um pequeno bijou que nos acompanhou no café e adoçou o fecho da refeição: uma caixinha de 24 pétalas de chocolate negro aromatizado com flor de laranjeira, belga e com muito bom aspecto!
O dia seguinte passámo-lo só nós dois, em casa, entretidos entre beijos e a execução de tarefas adiadas, como a viagem próxima a Provença que nos tomou algumas horas em pesquisas na internet. Haverá quem nos censure?...

2008/04/28

2008/04/25

revolução

Há muitos anos fui chamado para aqui. No ano e meio que cá vivi tornei-me num outro homem, porque descobri em mim forças que até aí eu nem sequer imaginava ter. Nesse tempo vivi com quem fez a Revolução e, também nesse tempo, cheguei a pensar que a revolução iria acontecer de novo. Aqui, ou aqui perto, foi também o berço das nossas primeiras férias, um ano e outro e outro. É também aqui, ou aqui perto, que se esconde o verdadeiro cálice da liberdade, aquele por onde todos os homens deveriam beber um dia e outro e outro. Cada vez que aqui passo, eu lembro-me como fui livre, como sonhei com a Liberdade, com um país que afinal não tenho. Mas o homem em que me tornei diz-me que o sonho não acabou, que há que sonhar ainda e que ter força para ser revolucionário todos os dias, outra e outra vez.

boa noite lisboa

Correspondendo a um convite, estivemos em Lisboa de 19 a 21 deste mês. Quando se regressa a casa é como se nós tivéssemos parado no tempo e houvesse que acelerar para colocar todos os afazeres em dia. O que também demora algum tempo. É por isso que só hoje, véspera de feriado, ficamos até mais tarde para compor um singelo registo da nossa viagem e o agradecimento a todos com quem nos encontrámos.
O nosso principal destino foi o Pátio Bagatela (na foto) ou, melhor, o restaurante O Caruso, onde os "bloguistas" desafiados pelo Paulo e pelo Zé (do Felizes Juntos) e pelo Pinguim (do WhyNotNow) se reuniram — nalguns casos pela segunda vez — para um jantar de amizade que assim parece iniciar um ciclo que se repetirá anualmente. Para nós, que estivemos ausentes do encontro de 2007, foi especialmente notória a naturalidade com que todos conviveram. Como nós, havia outros que apareciam pela primeira vez, mas tudo foi tão simples e natural que todos parecíamos velhos amigos. E o que parece muitas vezes é-o: à volta de uma mesa em U fomos muitos e fomos um só corpo, uma só alma, uma só vibração!
Depois a noite chegou e cada um tomou o seu destino. Nós e mais uns quantos seguimos para o Maria Lisboa, onde a noite se tornou ainda mais longa. Para todos, então boa noite Lisboa...

2008/04/15

boas atitudes

Pedro Castro, 31 anos, desenvolveu a ideia de criar uma rede de hotéis vocacionada para o turista homossexual. Ele próprio, como viajante, já estava "cansado das decepções e das dificuldades em encontrar as boas moradas gay", verificando mesmo que muitos hotéis se promoviam como gay-friendly, mas que tal não era "verdadeiramente vivido". A Attitude Hotels, que tem sede em Zurique, nasce dessas questões e da procura de respostas para elas. Para já integra 28 unidades hoteleiras "concebidas, imaginadas e desenvolvidas para satisfazer os turistas gays e lésbicas", mas espera chegar às 100 unidades até ao final do ano. Em Portugal há já há quatro unidades hoteleiras aderentes: duas em Lisboa, que são a residência My Rainbow Rooms e o Palacete Chafariz d'El Rei (que abrirá já em Julho) e mais duas no Algarve, a saber a Casa Marhaba (no Carvoeiro) e a Casa Charneca (próximo de Faro). Pela Europa fora há uma grande variedade de opções por Espanha, França, Itália, Reino Unido e, até, muito mais longe. Como nos Estados Unidos, do outro lado do Atlântico. O nome Attitude Hotels é para fixar, disso parece-nos não haver dúvidas, porque é já tempo de ter mais hotéis com... boas atitudes!

nós gostamos


Ele gosta da música, eu gosto do vídeo. É ponto assente cá em casa que gostamos de «Hapinness», dos Goldfrapp. À noite, ontem, passou no canal VH1, mesmo antes de nos irmos deitar. É verdade que Alison Goldfrapp, a vocalista, me irritou sempre, desde o princípio. Admito que tenho sido pré-conceituoso, mas que lhe hei-de eu fazer? Vou tentar redimir-me daqui p'rá frente. Para a felicidade de todos. Prometo!

2008/04/14

honni soit qui mal y pense

Pelos vistos os britânicos não estão nada preocupados com a sua continuada auto-exclusão da Zona Euro: a libra inglesa está para durar, a julgar pelo concurso que foi aberto para a sua renovação e que reuniu mais de 4.000 propostas. A escolha (que nos parece muito feliz) recaiu sobre a proposta de Matthew Dent, um designer gráfico de apenas 26 anos de idade. Há nela algo que junta tradição e modernidade, o que só faz bem ao orgulho dos britânicos (sejam eles conservadores ou revolucionários). A unidade entre as moedas é dada pelo escudo heráldico com o brasão real de Isabel II, se bem que com algumas variações: a moeda de "One Pound" (1 Libra) tem o brasão completo, enquanto as dos restantes valores (ver imagem da esquerda) apenas têm os segmentos que formam o conjunto quando se agrupam entre si (imagem da direita). Está prevista a entrada em circulação destas moedas ainda no decurso do corrente ano — assim, honni soit qui mal y pense...

2008/04/11

com o pénis na memória

Quer ver o pénis deste rapaz? Tem a certeza que nunca o viu? Acha que se o viu não foi mais que um par de vezes? E se lhe disser que o tamanho do pénis dele era demasiado diminuto para o/a fascinar? Mesmo assim, eu insisto em que já deve ter visto o rapaz muitas vezes, tantas que até nem liga! Vai uma aposta? Siga o link no título...

libertem-se os lobos

Se calhar nunca fui grande fã da música clássica, mas também nunca deixei de o ser. Creio que a primeira vez que a ouvi "a sério" foi em 1977, atraído pelo encanto transgressor do filme de Ken Russell «Lisztomania». Liszt e Wagner estavam na ordem do dia e as «Rapsódias Húngaras», numa mistura de piano melodioso e variações folclóricas, eram uma verdadeira descoberta. Veio depois Chopin, muita música barroca e alguma portuguesa, sobretudo a de Carlos Seixas (ainda hoje uma paixão) e a contemporânea (não sei Luís Cília deveria ser mencionado neste momento, mas a música dele talvez tenha sido um começo também).
Se actualmente vivo da música, não sendo músico, é de surpresas que eu gosto. Não é de facilidades gratuitas, e menos ainda de seguidismos cegos, kamikaze. Por isso fiquei surpreendido ao deixar-me levar pelo relançamento de um disco editado no ano do centenário do nascimento do compositor Heitor Villa-Lobos (1887-1959), com o alto patrocínio do Brasil. Nele se ouve a(s) «Bachianas brasileiras No 1», uma «Suite for voice and violin», os «Preludes and Fugues from Bach's Well-tempered Clavier» e a(s) «Bachianas brasileiras No 5» numa muito inspirada interpretação do Pleeth Cello Octet (um octeto de violoncelos), com participações da soprano Jill Gomez e do violinista Peter Manning. As «Bachianas» de Villa-Lobos misturam os conceitos clássico e popular da música, com o objectivo de prestar uma homenagem a Bach e de criar a sua versão brasileira dos famosos «Concertos Brandenburgueses». São para recordar ou descobrir em qualquer versão, mas eu sugiro a que agora me encantou, lançada pela britânica Hyperion. A imagem na capa não é a de um lobo, mas a música sim. Que se libertem os lobos!...