2008/05/23

filmes à letra

Há 3 anos, o GRIP (Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto da ILGA Portugal) apresentou o seu primeiro ciclo de cinema. Em parceria com a UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta) o GRIP propõe-se de novo a apresentar um ciclo de cinema, que desta vez terá lugar no espaço Maria Vai Com As Outras (Rua do Almada nº 443, no Porto), com a porta aberta a quem queira entrar.
Em quatro fins-de-semana, a partir de 30 de Maio, Filmes À Letra será dedicado aos temas que representam cada uma das letras da sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros). Durando até 5 de Julho, o ciclo decorrerá nas noites de sexta-feira e sábado, após as 22h30, integrando oito filmes e quatro debates que acontecerão após os filmes de sábado. Para abordar a transsexualidade, a bissexualidade, o lesbianismo e a homossexualidade masculina, o programa de Filmes À Letra é o seguinte:

30 de Maio (sexta-feira)
«Boys Don't Cry»
(Transsexualidade / biografia, romance, drama.) O jovem Brandon muda-se para Falls City, onde encontra emprego, faz novos amigos, e conhece Lana, a namorada. Mas ninguém a não ser Brandon sabe que ele não nasceu da maneira que o imaginavam. Baseado numa história real. Óscar para Melhor Actriz Principal e Melhor Actriz Secundária, Globo de Ouro para Melhor Actriz e Melhor Actriz Secundária. 1999, EUA, M/16. Realizadora: Kimberley Pierce. Elenco: Hilary Swank, Chloe Sevigny, Peter Sarsgaard, Brendan Sexton.

31 de Maio (sábado)
«Ma Vie en Rose»
(Transsexualidade / comédia, drama.) Ludo é tratada pelos pais, irmãos e professores como rapaz. Mas, num mundo de adultos confusos, só ela consegue ver com clareza suficiente para saber que nunca foi outra coisa que não uma menina. Globo de Cristal para Melhor Filme, Globo de Ouro para Melhor Filme Estrangeiro. 1997, França, Bélgica, Reino Unido, M/6. Realizador: Alain Berliner. Elenco: Georges du Fresne, Michèle Laroque, Jean-Phillipe Écoffey. No final, conversa com Nuno Carneiro (psicólogo, Faculdade de Psicologia do Porto) e elementos do GRIT (Ivo, Filipe, Luísa).

6 de Junho (sexta-feira)
«Gia»
(Bissexualidade / biografia, drama.) Um filme baseado na história de Gia Carangi, a primeira super-modelo. A beleza de Gia, recém-chegada a Nova Iorque, captura o olhar de uma agente, e ela ascende rapidamente no mundo da moda. Mas, ao mesmo tempo que se envolve com Linda, descobre que não consegue deixar de se sentir sozinha. Globo de Ouro para Melhor Actriz Principal e Melhor Actriz Secundária. 1998, EUA, M/16, 126 minutos. Realizador: Michael Cristofer. Elenco: Angelina Jolie, Elizabeth Mitchell, Eric Cole, Kylie Travis.

7 de Junho (sábado)
«Kinsey»
(Bissexualidade / biografia, drama.) Baseado na vida e trabalho de Alfred Kinsey, cuja pesquisa mudou para sempre a maneira como era vista a sexualidade. Globo de Ouro para Melhor Filme, Melhor Actor Principal, Melhor Actriz Secundária, nomeação para Óscar de Melhor Actriz Secundária. 2004, Estados Unidos/Alemanha, M/16, 118 minutos. Realizador: Bill Condon. Elenco: Liam Neeson, Laura Linney, Peter Sarsgaard, Chris O'Donnell. No final, conversa com Isabel Menezes (psicóloga, Faculdade de Psicologia do Porto).

20 de Junho (sexta-feira)
«Imagine Me And You»
(Lesbianismo / comédia romântica.) Rachel e Hector namoram há anos, e decidem finalmente casar-se. Pouco antes do casamento, ela conhece Lucy. A amizade vai crescendo, e Rachel não consegue deixar de pensar na nova amiga mesmo depois do casamento. Nomeado para Prémio da GLAAD de Melhor Filme. 2005, EUA/Inglaterra/Alemanha, M/12, 98 minutos. Realizador: Ol Parker. Elenco: Piper Perabo, Lena Headey, Matthew Goode, Celia Imrie e Anthony Head.

21 de Junho (sábado)
«Producing Adults»
(Lesbianismo / drama.) Venla quer engravidar, mas o namorado, Antero, tem medo que um filho comprometa a sua carreira. Ela acaba por pedir ajuda a uma colega na clínica de fertilidade, Sati, e entre as duas desenvolve-se uma relação que vai para além do profissional. Prémios FIPRESCI e Rosebud para o Melhor Filme. 2004, Finlândia/Suécia, M/12, 102 minutos. Realizador: Aleksi Salmenpera. Elenco: Kari-Pekka, Tolvonen, Minna Haapkyla, Minttu Mustakallio. No final, conversa com Maria João Silva (Associação para o Planeamento da Família).

4 de Julho (sexta-feira)
«The Bubble»
(Homossexualidade masculina / romance, drama.) Noam, um soldado israelita, conhece Ashraf, um jovem palestiniano, num posto de controle. Dias mais tarde, voltam a encontrar-se na casa que Noam partilha com Yali e Lulu. No meio do conflito, o amor nasce espontaneamente entre os dois. Prémio CICAE do Festival Internacional de Berlin e Melhor Argumento no Festival Internacional de Durban. 2006, Israel, M/16, 114 minutos. Realizador: Eytan Fox. Elenco: Ohad Knoller, Alon Friedman, Daniela Virtzer, Yousef Sweid.

5 de Julho (sábado)
«Wedding Wars»
(Homossexualidade masculina / comédia.) Ben pede ao irmão, Shel, designer de cerimónias, para organizar o seu casamento com Maggie. Shel descobre que afinal é Ben quem é responsável pelo discurso contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo que o governador Welling, pai de Maggie, vai usar na sua campanha eleitoral. Shel fica indignado, e organiza uma greve! 2006, EUA/Canadá, M/12, 87 minutos. Realizador: Jim Fall. Elenco: John Stamos, Eric Dane, Bonnie Somerville, Sean Maher. No final, conversa com Gabriela Moita (psicóloga, Faculdade de Psicologia do Porto) e encerramento do ciclo.

A imagem por nós escolhida é retirada do filme «The Bubble».

2008/05/21

um dia no paraíso

Versão I
«The stones where the haft rotted»
na tradução do original chinês escrito por Meng Chiao (751-814)

Less than a day in paradise
and a thousand years have passed among men.
While the pieces are still being laid on the board
All things have changed to emptiness.
The woodman takes the road home,
the haft of his axe
has rotted in the wind:
Nothing is what it was except the stone bridge
Still spanning a rainbow cinnabar red.


Versão II
«Solo un dia»
na versão traduzida e adaptada pelos ZNR

Solo un dia en paradise
y miles anos pasan en la tierra
les pièces du jeu sont couchées sur le sol
cosas caminan to emptiness
el woodman vuelve a casa
el haft of his hache
a pourri en el viento
nada como hoy solo el puente
still spanning un rainbow granapo.


Versão III
«Um dia no paraíso»
que eu traduzi e adaptei para respeitar ambos os textos

Quase um dia no paraíso
e um milhar de anos passaram pelos homens
enquanto as peças estão ainda a ser dispostas no tabuleiro
todas as coisas se transformaram em vazio
o lenhador mete-se a caminho de casa
o cabo do seu machado
apodreceu ao vento
nada é o que foi só a ponte de pedra
enquadrando ainda um arco-íris cinábrio.


O chinês Meng Chiao terá escrito belos poemas no final da dinastia Tang (618-907 DC), um dos quais foi adaptado por Wayne Hutton e Hector Zazou para o disco «Barricade 3», dos ZNR (Joseph Racaille no piano e voz, Hector Zazou no baixo e sintetizador analógico modular VCS3, Gilly Bell no sintetizador analógico semi-modular ARP 2600 e Fernand d'Arlès na bateria). Nesta versão de meados dos anos 1970, o poema foi vestido de várias línguas e levou por título «Solo un dia». De regresso ao original (na sua tradução anónima para inglês), eu procurei adaptá-lo à língua portuguesa num compromisso possível entre as duas versões de que disponho (a canção dos ZNR foi o que me levou a esta descoberta). Para saber mais sobre o quase desconhecido grupo de Hector Zazou e companhia convido-vos a percorrer o caminho que a ligação no título vos sugere e a ouvir algumas amostras do seu trabalho, quase único no género. E eu espero que gostem ou, pelo menos, que fiquem a conhecer algo com um "encanto" diferente...

2008/05/17

stop homophobia

Hoje é o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia. Pretende-se com ele combater todas as formas de repressão devida à orientação sexual ou à identidade de género, promovendo a igualdade de direitos e oportunidades entre os cidadãos, muitas vezes negada pelos próprios governantes.
Da mesma forma que foi criado e tem vindo a ser assinalado o Dia Mundial da Mulher, ou o Dia Mundial de Luta Contra a Sida, espera-se que o Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia seja reconhecido nacional e internacionalmente no âmbito das lutas de defesa dos direitos humanos e também assim promover ou reforçar um símbolo das lutas LGBT de todo o mundo.
O reconhecimento deste Dia Mundial traria à discussão valores enraizados nas sociedades, mesmo nas mais evoluídas, apelando ao direito universal de escolha da orientação e da identidade sexual, acentuando a necessidade de reformular os direitos dos cidadãos.
A ILGA Portugal propõe este ano uma petição internacional por um dia mundial de luta contra a homofobia — por isso, no título há uma ligação para a ILGA onde poderão ser consultados todos os detalhes sobre a proposta do Dia Mundial Contra a Homofobia. A imagem do lado — com o título "STOP: Homossexualidade NÃO é uma doença!" — foi editada a partir do cartaz oficial do Canadá para assinalar em 2008 o Dia Internacional Contra a Homofobia.

2008/05/15

de 68 aos pactos civis

Maio, de 1968: em Paris começa o fim da era moderna e o principio do nosso tempo. Da capital apela-se à paralisação total do país, contra as políticas reaccionárias instituídas. A greve iniciada por estudantes toma proporções não imaginadas, alarga-se por todo o lado aos trabalhadores e às minorias reprimidas e leva a confrontos repetidos entre activistas e as forças governamentais dirigidas pelo presidente Charles de Gaulle. O Partido Comunista Francês toma uma posição ambígua, mesmo desencorajadora, mas a revolução popular estava já na rua e, apesar da vitória que em Junho seguinte daria ainda mais força ao partido gaullista, o debate de ideias já não podia ser ignorado, nem parado...
Um ano depois, em Maio também, o coração da capital francesa é tomado por panfletos e por uns quantos cartazes do proclamado Comité d'Action Pédérastique Révolutionaire, que organiza debates nas Belas-Artes de Paris. Logo depois, em Junho, enquanto nos Estados Unidos da América é criada a Gay Liberation Front, em França um homossexual é morto pela polícia. O clima torna-se ainda mais buliçoso.
Setembro de 1970 traria em destaque na revista Partisans um artigo sobre a Libertação da Mulher. Um grupo de lésbicas assume-se sexualmente e organiza-se como movimento revolucionário. Em Fevereiro do ano seguinte, 1971, uns quantos homens, homossexuais, juntam-se ao grupo das mulheres, apoiando o seu movimento. Um mês depois apresentam-se colectivamente sob o lema «Deixem-nos viver!». Seria o princípio de uma nova forma de acção, já que passados apenas 5 dias se manifestam de novo através da interrupção do programa de Ménie Grégoire «A Homossexualidade, Este Doloroso Problema». Pela primeira vez seria usada a expressão que os identificaria e os manteria unidos nos anos seguintes: Front Homosexuel d'Action Révolutionnaire. Rompendo com o acomodamento dos grupos existentes, a FHAR reivindicava a subversão do Estado "burguês e heteropatriarcal" e a negação dos valores machistas instalados na esquerda tradicional e na extrema-esquerda. Apelando ao apoio alargado da sociedade, foi no entanto através do jornal de esquerda Tout que mais vezes fez saber das suas reivindicações, defendendo e insistindo que a liberdade sexual de todo o indivíduo estava à frente de qualquer outra. Jean-Paul Sartre, então director do jornal, foi repetidamente incomodado pelas autoridades judiciais, até que uma declaração do Tribunal Constitucional, em Julho de 1971, fez saber que a liberdade de expressão não poderia ser controlada. Ainda nesse ano é publicado pela FHAR o «Rapport Contre La Normalité» (que em 74, ano da nossa revolução, é traduzido para português e tem edição pela Assírio & Alvim sob o título «Relatório Contra A Normalidade»). A Frente Homossexual de Acção Revolucionária acabou por dar lugar a outros movimentos, como a revista Gai Pied (1979) ou a associação de luta contra a Sida conhecida por Act Up Paris (1989).
A meio do mês em que se comemoram os 40 anos do Maio de 68, os franceses contam já com a conquista do Pacto Civil de Solidariedade (PaCS). Por cá, uns continuam a fechar os olhos e outros a defender e lutar pelo direito a uma sexualidade livre, responsável, reconhecida e integrada. O que continua a ser sonegado a quem a pretende praticar.

2008/05/14

fréjus: chapelle cocteau

Enquanto investigava sobre a possibilidade de nas nossas próximas férias fazermos um desvio até Fréjus — local onde se encontra situada a Chapelle Notre Dame de Jérusalem, última obra de Jean Cocteau iniciada em 1961 e concluída pelo seu pupilo e amante Edouard Dermit em 1965 — vim a descobrir um estudo fabuloso sobre os aspectos mais místicos da sua concepção, algo que deliciará não só os apaixonados pela obra do artista francês, mas também os que gostam de temas religiosos e misteriosos, verdadeiramente esotéricos e ao sabor do melhor «Código Da Vinci».
Lembra Corjan de Raff num estudo publicado em Andrew Gough's Arcadia que Cocteau se dedicou à decoração de igrejas e capelas várias, antes da sua obra final em La Tour de Mare, na vila de Fréjus (França). O projecto foi lançado por um banqueiro suíço que pretendia criar uma comunidade de artistas naquela localidade e convidou Cocteau para criar a capela com a ajuda do arquitecto Jean Triquenot. Apesar de ter morrido antes de o projecto estar concluído, Cocteau deixou bem claro como pretendia terminar a sua última obra. A partir de 1963 foi o seu companheiro Edouard Dermit que concretizou os murais e Roger Pelissier que se dedicou às partes cerâmicas e ao pavimento, ficando terminada apenas em 1965.
Das suas paredes exteriores octogonais (símbolo religioso da ressurreição), aparentemente desenhadas sobre o traço da Cruz de Jerusalém (símbolo das cruzadas muito ligado à imagem de Cristo, presentes no chão, no altar, no telhado, em todo o lado), há imensos sinais de que Cocteau não se limitou a fazer boa arte decorativa. Também por isso Cocteau terá sido um iluminado no seu tempo, conforme se entende ao ver a interpretação que deu à Última Ceia (com a visão do apóstolo Maria Madalena, muitos anos antes de ser tornado público pelo filme «Código Da Vinci»), bem como um entendimento quase certo de que o cálice sagrado — o San Graal — conteria afinal o Sangue Real... E isto é só um pouco desta história.
Na nossa passagem por Aix en Provence e Marselha, Fréjus é ainda um destino não seguro, uma mera intenção que no local se procurará concretizar. Mas por tudo o que aqui adianto e pela vontade de contactar in loco com a última obra de Cocteau (e com a de Dermit, no seu melhor), certamente num destes dias estaremos de passagem por lá. Por enquanto e para os que ficam, as ligações no título e no texto são mesmo para se visitar.

2008/05/07

au revoir, cadinot

Acabo de saber da morte por enfarte de Jean Daniel Cadinot. Apesar de já ter acontecido a 23 de Abril, não posso deixar de assinalar hoje mesmo o quanto lamento a sua ausência do mundo criativo e da indústria cinematográfica, em que se especializou e que tantos prazeres nos deu.
Cadinot chegou ao meu mundo há umas duas décadas atrás: primeiro por uma revista-catálogo que um amigo ribatejano me deu a possibilidade de conhecer, depois através de um vídeo visto num de alguns fins-de-semana passados no Minho — «Le Jeu de Pistes», de 1984. O que os meus amigos me mostraram era pornografia gay, mas muito diferente da que os jovens de então conheciam do mundo heterossexual: o fotógrafo-realizador parisiense nascido em 1944 contava histórias que nos faziam ver não só o evidente, mas também toda a riqueza de detalhe que sabia tão perfeitamente captar e mostrar com uma dinâmica que também o caracterizou.
Os seus filmes foram fruto de memórias revisitadas, retratos de jogos interditos que viveram à luz de de cumplicidades belas e explosivas. Nesse tempo não havia internet, nem as facilidades de importação que há hoje. Daí que apenas tenha experimentado Cadinot num outro filme desse ano («Harem») e quase 10 anos depois (1993) ainda em «L'Expérience Inédite» (que foi um belo presente do meu namorado). Cadinot começou como fotógrafo aos 19 anos e depois dedicou-se ao cinema, mas o seu primeiro filme de temática homossexual apenas apareceria em 1980. Para nosso prazer ficaram no entanto umas largas dezenas de verdadeiras e intensas histórias de amor e sexo, quase sempre com actores de várias raças e aspecto jovem. Será difícil imaginar que os filmes de Jean Daniel Cadinot cheguem um dia às salas de cinema, mas dentro de portas fizeram e continuarão a fazer muitas delícias e a deixar evidentes influências em fotógrafos como Aron Norman, ou actores e estúdios como os das casas BelAmi e Eurocreme.
Para Jean Daniel Cadinot não há adieux; au revoir é bem mais adequado...

2008/05/05

meme

Façam todos de conta que também não respondi a mais este desafio, mas (como que seja uma resposta em privado para os mariposos) aqui fica o que me ocorre dizer-vos:

1) Por que resolveu criar o blog?

Ele começou a 20 de Outubro de 2005. Nessa altura, eu e o meu namorado (o Gonçalo) passávamos muitas horas separados, ou então um de nós estava disponível para falar com o outro, mas o outro não. Foi por isso que me ocorreu abrir o blogue. Era uma forma de deixarmos mensagens, de aprofundarmos sobre assuntos que a um interessasse e que o outro dessa forma poderia acompanhar mais tarde e de forma aberta a terceiros (amigos em comum e não só). Servia também para exercer trabalhos de investigação sobre o nosso passado e sobre assuntos que nos interessassem e que não conhecêssemos suficientemente. Fomos fazendo isso ao longo do tempo, se bem que muito tenha entretanto acontecido. As razões que nos fazem hoje continuar as postar talvez sejam já um pouco diferentes das originais...

2) O que te dá mais prazer em blogar?

Não criei o blogue para fazer novos amigos. E muito menos para conhecer cara-a-cara outras pessoas. Mas tudo isso já aconteceu — e ainda bem! Num mundo cheio de diversidades o que me daria mais prazer seria conhecer alguém com quem fizéssemos uma amizade muito forte, muito especial. Estilo a peça do puzzle que fica ao lado. Mas por uma razão ou por outra (sexualidades, distâncias, gostos pessoais, relacionamentos) isso acaba por nunca acontecer. É uma espécie de utopia, uma quimera sem desfecho.

3) Indique um blog bom e um blog que você não gosta (essa vai ser difícil) e porquê?

Ambas são muito difíceis. Porquê? Porque nuns gosto só do conteúdo, noutros só das pessoas, noutros só do aspecto e, por outro lado, também há alguns em que só não gosto do conteúdo, ou só não gosto das pessoas, ou só não gosto do aspecto, para além dos que combinam valores de forma diferente. É muito difícil escolher apenas um par deles para corresponderem a cada género. Se tem que ser, atendendo a alguns detalhes eu, neste momento, escolho os blogues Reflexões de Um Cão Com Pulgas... e Voz do Deserto, mas vocês é que terão que distinguir qual é o que leva a minha apreciação positiva e qual o que sobra.

4) Qual tipo de música, e quais suas bandas favoritas?

Acho que sobre isso já se escreveu aqui muito. E muito mais haverá de se escrever! Mas eu gosto essencialmente de música criativa, de atitudes, de projectos e ideais. Não tenho muita cabeça para rock pesado ou qualquer género de ruído musical. Mas não me incomoda nem um, nem outro, desde que não sejam gratuitos. Por exemplo, ainda neste fim-de-semana vi em concerto no Porto o grupo "industrial" Einstürzende Neubauten (que eu já conhecia muito bem de vários discos e do qual fiquei a gostar um bom pedaço mais) — a sua evocação do dadaísta Hugo Ball (o da imagem é mesmo o original de 1916) não foi ligeira e foi feliz! Mas gosto também de dançar, de mexer o corpo e vibrar pela noite dentro. Para isso, não sou muito exigente no que respeita à música, basta-me a excelente companhia do Gonçalo. Bandas favoritas? É só ler umas quantas entradas atrás, e atrás, e atrás...

5) Qual o assunto que você mais gosta de postar?

Não sei! É difícil de responder. Faço-o sobre o que me apetece na altura e, portanto, todos os assuntos a que me dedico são do meu agrado. Há coisas sobre as quais também gostaria de escrever, mas tenho algum pudor. Sobre as relações em família, sobre detalhes muito concretos que impossibilitariam alguma privacidade que ainda preservamos e defendemos. Sobre sexo também dá muito prazer, é claro :-)

6) Se aqui nevasse você usava esqui?

Se aqui nevasse eu usaria o que fosse necessário para sobreviver na neve e certamente usaria um par de esquis, mas não talvez um esqui simples tipo prancha. É que além da vertigem (que se aprende a controlar, como no skate que em adolescente ainda usei) também sou um pouquinho friorento (é melhor dizer que gosto do calor, do sol e da praia) e isso é mais que suficiente para repelir a ideia. Mas se cá nevasse, fazia-ska-ski...

7) Você é: casado, solteiro, separado, enrolado, desquitado, chutado, viúvo ou outros?

Legalmente sou solteiro, mas dentro em breve espero pedir a união fiscal com o meu companheiro e, mais tarde, tenho a esperança de poder viver com ele uma união civil equiparada à dos casais heterossexuais.

8) Por que você deu este nome ao seu blog?

Na altura em que criei o blogue, eu morava numa rua cujo nome se poderia traduzir por Gay Field. Então, tendo em conta qual era o objecto do mesmo, pareceu-me que soaria muito melhor do que Campo Alegre e ficou. Só isso... :-)

9) Qual foi o último blog que você visitou?

Foi o Mariposo, pois tinha que ir buscar o questionário para responder aqui.

10) Porque resolveu participar deste meme?

Porque achei piada à ideia do desafio vir do Brasil e porque gosto de imaginar que desse lado do Atlântico há um casal de maridos/esposos que talvez se pareça connosco, apesar de haver alguma diferença de idades. Por mim, esse convívio é saudável e merece ser mantido. Daí a minha disponibilidade e entrega séria às questões colocadas. Mas como não gosto de ser empurrado para cadeias de espécie nenhuma — é sabido —, não vou escolher ninguém para lhe dar seguimento. Se alguém decidir aproveitar a ideia e também responder a estas 10 questões, que siga e nos comunique aqui. Para todos, beijinhos ou abracinhos...

E para quem não saiba, segundo a Wikipédia meme é um "termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso «O Gene Egoísta», é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros."
Está-se sempre a aprender!

2008/05/03

com flor de laranjeira

Fez num dia desta semana 21 anos que ao fim da tarde tomámos o comboio para Braga como dois bons amigos que pretendem passar juntos um bom fim-de-semana e regressámos mais juntos ainda com a promessa mútua de que ficaríamos juntos para o resto das nossas vidas.
A data nunca nos esquece e é sempre mais um pretexto para as nossas comemorações de amor, algumas raras vezes partilhadas por um grupo de amigos muito próximos que se juntam a nós.
Mas não foi bem o que aconteceu desta vez: a semana estava a decorrer cheia de afazeres e foi com um simples jantar a dois — pela primeira vez (nesta data) na nossa própria casa —, que procurámos recordar e reavivar detalhes do acontecimento que sempre nos trás a estas comemorações.
Ao fim de um dia de trabalho, o jantar não foi muito diferente dos outros de todos os dias, mas para o tornar algo mais diferente tivemos um pequeno bijou que nos acompanhou no café e adoçou o fecho da refeição: uma caixinha de 24 pétalas de chocolate negro aromatizado com flor de laranjeira, belga e com muito bom aspecto!
O dia seguinte passámo-lo só nós dois, em casa, entretidos entre beijos e a execução de tarefas adiadas, como a viagem próxima a Provença que nos tomou algumas horas em pesquisas na internet. Haverá quem nos censure?...

2008/04/28

2008/04/25

revolução

Há muitos anos fui chamado para aqui. No ano e meio que cá vivi tornei-me num outro homem, porque descobri em mim forças que até aí eu nem sequer imaginava ter. Nesse tempo vivi com quem fez a Revolução e, também nesse tempo, cheguei a pensar que a revolução iria acontecer de novo. Aqui, ou aqui perto, foi também o berço das nossas primeiras férias, um ano e outro e outro. É também aqui, ou aqui perto, que se esconde o verdadeiro cálice da liberdade, aquele por onde todos os homens deveriam beber um dia e outro e outro. Cada vez que aqui passo, eu lembro-me como fui livre, como sonhei com a Liberdade, com um país que afinal não tenho. Mas o homem em que me tornei diz-me que o sonho não acabou, que há que sonhar ainda e que ter força para ser revolucionário todos os dias, outra e outra vez.