Aos poucos vou lendo «Arte vs Sexo», quinto livro de Miguel Angelo que de artista tem a fama como cantor do grupo Delfins (cuja dissolução foi recentemente anunciada para o final do próximo ano). Na literatura, ele começou a ser lido em 1998 com a edição de «A Queda de Um Homem». A Oficina do Livro lançou-lhe em 2005 a obra à mão, contendo 69 histórias curtas que "confrontam os dois vícios mais antigos do mundo". Da página 116 à 117 lê-se «O Mito do Pénis Encolhido», até agora a minha história preferida, que é assim:Ao contrário do que a sociedade moderna questiona quando se trata de averiguar o tamanho do sexo do parceiro masculino (a eterna questão do tamanho contar ou não), os nus na arte antiga representavam sempre o órgão sexual masculino de forma diminuta, quer na pintura quer na escultura, e sem vergonha nenhuma, mais, sem que isso afectasse a virilidade daqueles deuses que dominavam as telas, a terra e os céus. Acreditando que nem todos os homens da altura teriam o pénis assim tão pequeno, que conclusões é que podemos tirar? Bem, algumas possíveis:
— Primeiro, que os artistas da época representavam o particular pela generalidade pois ainda hoje a percentagem de homens com pénis pequenos deve ser maior do que a dos homens com grandes;
— Segundo, que era uma espécie de autocensura artística de modo a que a obra se tornasse assexuada para não chocar reis, papas e restante nata de uma sociedade patrona dos artistas mais importantes do século e responsável pelas encomendas que hoje são património mundial e motivo de deslumbre;
— Terceiro, que o pénis da Idade Média era mesmo assim, mais pequeno do que o actual, na generalidade, antes da mistura racial que os séculos seguintes proporcionaria, nomeadamente com a entrada na Europa de muitos "membros" do continente africano;
— Quarto, que por os corpos existirem assim tão musculosos o pénis atrofiava e mais pequeno parecia no meio daquela massa muscular insuflada e arredondada. Isso hoje pode ser observado nos balneários masculinos de ginásios de musculação;
— Quinto, que aquela flacidez era a representação rápida e directa do órgão do modelo que resistisse nu e em pé horas a fio e ao frio enquanto os artistas trabalhavam o mais depressa que conseguiam, quer para entregar a encomenda aos patronos em tempo útil e receber a paga, quer para mandar o rapaz embora o mais rápido possível, pois também não gostavam de o ver sofrer;
— Sexto, que os artistas de então eram todos gays, representando o órgão masculino encolhido como forma de protesto quanto aos seus direitos enquanto minoria, como por exemplo o direito dos casais heterossexuais pagarem um só imposto ao rei ao viverem em união de facto;
— Sétimo, e final, que o tamanho não importa mesmo, sendo as preocupações estético-artísticas da altura de carácter puramente intelectual.
Sete tópicos oportunos sem serem istas que ajudarão porventura os interessados a tirar outras ilações sobre o mito do pénis encolhido, presente e desnudado em quase todas as obras religiosas de então. Obrigado pela atenção. E desculpem a interrupção.
A imagem que ilustra é do pintor Steve Walker e tem por título «David and Me». É claro que este David também é do Michelangelo, mas do outro: o Buonarroti.















