Sempre fui um fã da Nivea. É uma daquelas marcas clássicas que não desapontam e que sobrevivem graças à capacidade de manter a qualidade ao longo das décadas, conservando o que nos produtos há a conservar e desenvolvendo onde tal se impõe. A Nivea foi, para além do mais, uma das marcas pioneiras na comercialização de produtos de higiene específicos para homem, contribuindo para desfazer a ideia de que os cuidados cosméticos são só para as mulheres, logo, convidando os homens a alterar os seus hábitos e acabando com preconceitos sobre o que é masculino. E depois há a publicidade, que constrói imagens muito atraentes de saúde e beleza, num contexto que explora o quotidiano mais do que o glamour. E é com este ponto que agora justifico esta entrada — Aos senhores responsáveis de marca que não arriscam anunciar na Com'Out: apesar de uma evidente imagem de tradição a defender, a Nivea não recuou perante o interesse de publicitar em revistas gay, inclusive alterando os detalhes necessários para que um determinado anúncio melhor se adaptasse a essa função (no caso que a imagem ilustra, substituindo um rosto feminino por uma simbólica bola de espelhos). Se a Nivea o faz, porquê não podem vocês?...
2008/08/28
se a nivea o faz...
Sempre fui um fã da Nivea. É uma daquelas marcas clássicas que não desapontam e que sobrevivem graças à capacidade de manter a qualidade ao longo das décadas, conservando o que nos produtos há a conservar e desenvolvendo onde tal se impõe. A Nivea foi, para além do mais, uma das marcas pioneiras na comercialização de produtos de higiene específicos para homem, contribuindo para desfazer a ideia de que os cuidados cosméticos são só para as mulheres, logo, convidando os homens a alterar os seus hábitos e acabando com preconceitos sobre o que é masculino. E depois há a publicidade, que constrói imagens muito atraentes de saúde e beleza, num contexto que explora o quotidiano mais do que o glamour. E é com este ponto que agora justifico esta entrada — Aos senhores responsáveis de marca que não arriscam anunciar na Com'Out: apesar de uma evidente imagem de tradição a defender, a Nivea não recuou perante o interesse de publicitar em revistas gay, inclusive alterando os detalhes necessários para que um determinado anúncio melhor se adaptasse a essa função (no caso que a imagem ilustra, substituindo um rosto feminino por uma simbólica bola de espelhos). Se a Nivea o faz, porquê não podem vocês?...
2008/08/24
1 bilhete para madonna
A digressão «Sticky & Sweet» estreou ontem em Cardiff e iniciou a contagem decrescente para a passagem em Lisboa, a 14 de Setembro no Parque da Bela Vista. Temos um bilhete a mais, para vender ao preço de custo. Os interessados devem contactar-nos para o e-mail lavionrose@sapo.pt. Isto não é um leilão. Quem contactar primeiro leva o bilhete — e há só um!... Assim que o bilhete esteja vendido daremos conta do facto, aqui.Nota: O bilhete já foi vendido — obrigado a todos.
2008/08/19
já o número 2
Já está nas bancas a edição de Agosto da Com'Out. Na capa, Madonna, a propósito do 50º aniversário (já aqui celebrado com hino e tudo) e do concerto de dia 14 de Setembro (o último a chegar é heterossexual :-) Este número inclui ainda entrevista a Richard Zimler; reportagem sobre os jovens e a saída do armário; fins-de-semana coloridos no Algarve; a Sparkling Party e o Labyrinto. No editorial comenta-se a economia associada ao 'euro cor-de-rosa', chamando a atenção para o caso espanhol e para o facto do volume do consumo dos gays e lésbicas vizinhos ter feito pesar a balança política a seu favor. Mas, mais importante, a equipa da Com'Out denuncia a hipocrisia de empresas portuguesas que, apesar de terem uma grande parte dos seus lucros a provir do consumo do público glbt, estão relutantes em anunciar os seus produtos na revista. É pena que em Portugal não exista um movimento associativo capaz de gerar boicotes às marcas homófobas. Mas, como de facto não existe, para já o melhor que podemos fazer é continuar a comprar a revista e, dessa forma, fazer pesar a balança a nosso favor.
2008/08/16
god save the queen

God save our gracious Queen,
Long live our noble Queen,
God save the Queen:
Send her victorious,
Happy and glorious,
Long to reign over us:
God save the Queen.
O Lord, our God, arise,
Scatter her enemies,
And make them fall.
Confound their politics,
Frustrate their knavish tricks,
On Thee our hopes we fix,
God save us all.
Thy choicest gifts in store,
On her be pleased to pour;
Long may she reign:
May she defend our laws,
And ever give us cause
To sing with heart and voice
God save the Queen.
2008/07/30
saída do armário
Finalmente apareceu nas bancas uma revista portuguesa mainstream dirigida a um público glbt. Eu digo "finalmente" porque, pela minha parte, era algo há muito aguardado. Não é só pela informação que a revista em si possa fazer chegar à comunidade a que se destina, mas pelo simples facto de existir e estar presente nas bancas. Pode haver as mais diversas opiniões sobre este tipo de publicações, pode-se criticar a sua vertente de incentivo ao consumo e a exploração que faz de um determinado tipo ou imagem do indivíduo homossexual, mas certo é que esse tipo de lógica aplica-se também a quase todo o universo de revistas presentes no mercado: das revistas de moda às revistas de música, passando pela culinária, as viagens e um sem número de outras variantes temáticas e respectivos públicos-alvo. Por isso, o primeiro feito da Com'Out é existir, contribuindo para normalizar a percepção que a sociedade tem dos temas glbt e dos homens e mulheres homossexuais. A revista inclui artigos de discussão sobre os gay pride; reportagem sobre a marcha de Lisboa; dossier sobre o estado do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo nos vários países da Europa; entrevista com o Guilherme de Melo e a Solange F.; guia de viagem à Croácia, e muitos outros artigos, colunas, destaques e propostas. Entre os colaboradores deste primeiro número estão o Miguel Vale de Almeida e o Paulo Côrte-Real. Não identifico os outros nomes ou a equipa que faz a revista, sei que estão de parabéns por terem levado avante este projecto, e que desejo sinceramente que vá sempre evoluindo e melhorando, e que permaneça por muitos anos. Para isso são necessários leitores. A maior parte de nós, acho, compra e lê com mais ou menos regularidade as congéneres estrangeiras Zero, Têtu, Gay Times ou Advocate — citando um artista plástico que há uns anos atrás assim brincava com os estereótipos: o good gay guy é, agora, aquele que compra e lê a Com'Out.
2008/07/28
2008/07/24
arte vs sexo
Aos poucos vou lendo «Arte vs Sexo», quinto livro de Miguel Angelo que de artista tem a fama como cantor do grupo Delfins (cuja dissolução foi recentemente anunciada para o final do próximo ano). Na literatura, ele começou a ser lido em 1998 com a edição de «A Queda de Um Homem». A Oficina do Livro lançou-lhe em 2005 a obra à mão, contendo 69 histórias curtas que "confrontam os dois vícios mais antigos do mundo". Da página 116 à 117 lê-se «O Mito do Pénis Encolhido», até agora a minha história preferida, que é assim:Ao contrário do que a sociedade moderna questiona quando se trata de averiguar o tamanho do sexo do parceiro masculino (a eterna questão do tamanho contar ou não), os nus na arte antiga representavam sempre o órgão sexual masculino de forma diminuta, quer na pintura quer na escultura, e sem vergonha nenhuma, mais, sem que isso afectasse a virilidade daqueles deuses que dominavam as telas, a terra e os céus. Acreditando que nem todos os homens da altura teriam o pénis assim tão pequeno, que conclusões é que podemos tirar? Bem, algumas possíveis:
— Primeiro, que os artistas da época representavam o particular pela generalidade pois ainda hoje a percentagem de homens com pénis pequenos deve ser maior do que a dos homens com grandes;
— Segundo, que era uma espécie de autocensura artística de modo a que a obra se tornasse assexuada para não chocar reis, papas e restante nata de uma sociedade patrona dos artistas mais importantes do século e responsável pelas encomendas que hoje são património mundial e motivo de deslumbre;
— Terceiro, que o pénis da Idade Média era mesmo assim, mais pequeno do que o actual, na generalidade, antes da mistura racial que os séculos seguintes proporcionaria, nomeadamente com a entrada na Europa de muitos "membros" do continente africano;
— Quarto, que por os corpos existirem assim tão musculosos o pénis atrofiava e mais pequeno parecia no meio daquela massa muscular insuflada e arredondada. Isso hoje pode ser observado nos balneários masculinos de ginásios de musculação;
— Quinto, que aquela flacidez era a representação rápida e directa do órgão do modelo que resistisse nu e em pé horas a fio e ao frio enquanto os artistas trabalhavam o mais depressa que conseguiam, quer para entregar a encomenda aos patronos em tempo útil e receber a paga, quer para mandar o rapaz embora o mais rápido possível, pois também não gostavam de o ver sofrer;
— Sexto, que os artistas de então eram todos gays, representando o órgão masculino encolhido como forma de protesto quanto aos seus direitos enquanto minoria, como por exemplo o direito dos casais heterossexuais pagarem um só imposto ao rei ao viverem em união de facto;
— Sétimo, e final, que o tamanho não importa mesmo, sendo as preocupações estético-artísticas da altura de carácter puramente intelectual.
Sete tópicos oportunos sem serem istas que ajudarão porventura os interessados a tirar outras ilações sobre o mito do pénis encolhido, presente e desnudado em quase todas as obras religiosas de então. Obrigado pela atenção. E desculpem a interrupção.
A imagem que ilustra é do pintor Steve Walker e tem por título «David and Me». É claro que este David também é do Michelangelo, mas do outro: o Buonarroti.
2008/07/21
inquérito público

Na sua página de entrada, logo abaixo da coluna "Bolsa" e acima da coluna "Blogues", o sítio do Público colocou-nos uma questão:
— Acha que o casamento gay deve estar consagrado na lei?
Um amigo deu-nos conta e acrescentou que "na realidade, este tipo de inquéritos nem deveriam existir". Simplesmente porque — diz ele ainda — "valores como Igualdade, Liberdade, Dignidade, Respeito" e outros assim "não deveriam ser sondados". E tem toda a razão, claro!
Depois, há a questão do casamento "gay". Alguém quer um casamento gay? Só se for mesmo pela diversão (porque sabemos divertir-nos, quando queremos divertir-nos). Porque o que todos nós queremos é a mais básica igualdade (nada menos, nada mais)... Ah já tínhamos dito, não já?!
Mas vá lá, votem. E ainda que tenha que ser a esta forma equívoca de nos colocar a questão, não deixem de votar a favor, por favor, mesmo que não queiram casar-se, mesmo que seja só para dizer de forma clara que acham que o casamento civil deveria ser um direito de todos.
Um direito assente em valores como a Igualdade, a Liberdade, a Dignidade, o Respeito e outros assim, que todos nós tanto prezamos.
2008/07/20
2008/07/08
provença: 8 dias em 8 imagens
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