2008/10/12

entrevista em contraluz

Foi-nos pedida uma entrevista (conversa gravada, melhor dizendo) pelo blogue Em Contraluz, do nosso amigo Tiago. A entrevista foi realizada ontem, 11 de Outubro de 2008, o dia seguinte ao chumbo pela Assembleia da República das propostas de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por agora (não é para sempre) pode ser ouvida na barra lateral do nosso blogue mas, em qualquer altura, poderão procurá-la no sítio original através da ligação que ficará no título para quem chegar mais tarde. Obrigado ao Em Contraluz pela oportunidade de abrir mais um debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Prometemos que no dia do casamento serão nossos convidados!

2008/10/10

tristeza e lealdade

O desfecho estava anunciado, mas nem sequer teve uma compensação que valesse um pouco que fosse: os deputados do PS votaram contra e, não anunciaram nenhuma medida concreta que desculpasse a hipocrisia e o oportunismo com que deixaram passar uma oportunidade, e com que sacrificaram sine die os direitos civis dos seus concidadãos homossexuais. Mas, mesmo sabendo que assim acabaria, eu não consigo deixar de estar triste. Quanto mais nos envolvemos maior é o tombo, e não é só pela queda em si. Ao seguir o debate que se ia estabelecendo em blogues, jornais e televisões (e acabou por não ser tão pequeno como isso), acabámos por ser confrontados com a estupidez, a fobia e — é verdade, ainda existe — o ódio. Em momentos como este, percebemos que o relativo conforto e aceitação com que vamos vivendo o nosso dia-a-dia é menor do que parece. E a nossa indignação é muito pequena. Regra geral, as várias estatísticas já realizadas apontam a percentagem de homossexuais na população para valores entre os 5% e os 10% — seja, no caso português, entre 500 mil e um milhão de pessoas — e, no entanto, durante os dias que antecedem a votação de um par de projectos de lei que visam aplicar a igualdade de direitos, em matérias que não só são essenciais para resolver as questões práticas das nossas vidas com os nossos companheiros, como contribuem para acabar com a homofobia, as poucas manifestações organizadas para pressionar os políticos e a opinião pública não mobilizam mais do que umas poucas dezenas de cidadãos. Talvez mereçamos os políticos que temos. Talvez a hipocrisia e oportunismo com que o PS adia os nossos direitos seja directamente proporcional à passividade com que nós suportamos e sofremos o insulto constante de sermos considerados cidadãos de segunda, cujos direitos são passíveis de ser adiados, discutidos, negociados e, de novo, deixados para outra altura. Mas eu não voto no PS, embora sabendo que é deles que dependerá necessariamente a aprovação de qualquer que seja o projecto que venha no futuro para concretizar a igualdade no acesso ao casamento, em 2009 não voto neles. Como posso eu dar o meu voto a um partido que, tendo tido a oportunidade de ma dar, se permite recusar-me a cidadania de pleno direito em nome de interesses eleitoralistas, quando outro partido houve que a prometeu no seu programa e apresentou a parlamento no projecto de lei pelo qual eu esperava e continuo a ansiar? O Bloco de Esquerda merece a minha retribuição e a minha lealdade e, a menos que a sua posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo mude, nas próximas eleições terá o meu voto.

2008/10/09

frente ao parlamento

«Na próxima 6ª feira, dia 10 de Outubro, o Parlamento discute (às 10h) e vota (às 12h) projectos que estabelecem a igualdade no acesso ao casamento.

Esta questão diz respeito a todas as pessoas que se preocupam  com os direitos fundamentais, com a cidadania e com a qualidade da nossa democracia.

Porque recusamos a discriminação, vamos manifestar-nos PELA IGUALDADE!

6ª feira
10 de Outubro de 2008
frente à Assembleia da República»

2008/10/07

flash mob (porto)

Vista no blogue do Miguel Vale de Almeida que a recebeu via UMAR, passamos a informação sobre uma flash mob no Porto:

«Dia 9 de Outubro, quinta-feira, todas/os à estação de metro da Trindade, às 12h!

Traz uma folha com a frase “ACESSO AO CASAMENTO CIVIL”.

Chega um pouco mais cedo e age naturalmente, como se fosses um/a mero/a utente à espera do metro. O objectivo é que estejamos todos/as dispersos/as e não em multidão.

Quando forem exactamente 12h, segura a tua folha. És uma estátua. Não fales nem te mexas. O importante é a tua mensagem.

Passados 2 minutos em que estás completamente estático/a, guarda a tua folha e retoma o teu percurso.

TU SEGUES. A MENSAGEM FICA. PORTUGAL AVANÇA.»

2008/10/02

ainda nunca

A imagem é da dupla de artistas britânicos Gilbert & George e tem por título «Everstill», que vem bem muito a propósito de um (esperado) cabeçalho noticioso de hoje: "Com mais de 20 votos contra PS aprova disciplina de voto contra casamentos homossexuais - 02.10.2008, 14h30, Público, com Lusa", fim de citação. O «Ainda Nunca» da imagem (na tradução para português) ajusta-se a a este momento de defesa dos nossos direitos, justos e inalienáveis! A luta continua...

2008/09/30

flash mob (lisboa)

Recebemos e divulgamos:

Amig@s, companheir@s e familiares,
Como sabem no dia 10 de Outubro foi agendada a discussão parlamentar de dois projectos que contemplam o acesso ao casamento civil a pessoas do mesmo sexo. Em Espanha, Zapatero, disse, “não estamos a legislar para gentes remotas e estranhas. Estamos a ampliar as oportunidades de felicidade dos nossos vizinhos, dos nossos colegas de trabalho, dos nossos amigos e das nossas famílias e, ao mesmo tempo, estamos a construir um país mais decente. Porque uma sociedade decente é aquela que não humilha os seus membros”. Mais, falamos de uma alteração mínima na lei, com custo zero.
Sócrates, contrário ao seu congénere, recusou a liberdade de voto no dia 10 de Outubro Dizendo que “o casamento de homossexuais não está na agenda política nem do Governo nem do PS. Não está no programa do Governo do PS e o PS não anda a reboque de nenhum outro partido”. Como se fosse uma questão partidária!

Dizem que tem de haver debate na sociedade, não reconhecendo que a única questão fracturante nesta matéria é a homofobia em si.
Porque não podemos ficar indiferentes, porque queremos essa alteração na lei e porque Direitos não podem nunca andar a reboque, queremos convocar-te para duas flash mob pelo Acesso ao Casamento Civil entre Pessoas do Mesmo Sexo.

1ª Flash Mob, quinta-feira , 2 de Outubro, às 19h30, junto à saída do Metro Baixa/Chiado em frente à pastelaria A Brasileira.

2ª Flash Mob, quarta-feira, 8 de Outubro, às 19h30, na Praça do Rossio, junto à estátua, onde foram muitos homossexuais castigados publicamente.

O que é uma flash mob? São multidões de pessoas, num sítio público, que realizam uma acção previamente combinada e que devem dispersar por completo após a realização do proposto.

Que devo fazer? Deves levar uma folha em branco e uma caneta. Às 19h30, deves escrever na folha em branco “Acesso ao Casamento Civil”, e de seguida erguer a folha para que todas e todos a possam ler. Ao fim de um minuto, deves dispersar, como se nada tivesse acontecido.

E procura ser pontual. Está lá um pouco antes para que a flash mob tenha o impacto pretendido.

Poderás também divulgar via sms.

1ª Flash Mob pelo acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, quinta, dia 2, em frente à Brasileira, às 19h30. Leva folha branca e caneta para escreveres “Acesso ao Casamento Civil”. Deves dispersar no minuto seguinte!

e…

2ª Flash Mob pelo acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, quarta, dia 8, na praça do Rossio, às 19h30. Leva folha branca e caneta para escreveres “Acesso ao Casamento Civil”. Deves dispersar no minuto seguinte!

Divulga!

2008/09/28

uma mensagem aos deputados

O Paulo, o Miguel e o Alberto já tinham mostrado este texto, com o qual se pretende fazer chegar a nossa voz aos deputados que no dia 10 de Outubro vão votar os projectos de lei do BE e do PEV. Publicamo-lo aqui para que outros mais o vejam, copiem e enviem. Para além do endereço dos grupos parlamentares, no final desta entrada encontram um link que aponta para uma página oficial do Parlamento, através da qual podem enviar o texto a cada um dos deputados individualmente. Quem sabe se estas mensagens não fazem a diferença?

Assunto: No dia 10 de Outubro, SIM à liberdade e à igualdade.

No próximo dia 10 de Outubro, a Assembleia da República será chamada a votar projectos que estabelecem finalmente a igualdade no acesso ao casamento.

Esta é uma questão de direitos fundamentais, é uma questão de cidadania, é uma questão que determina a qualidade da nossa democracia. Trata-se de acabar com a humilhação de muitas mulheres e muitos homens que são ainda discriminadas/os na própria lei por causa da sua orientação sexual. Trata-se de afirmar finalmente que gays e lésbicas não são cidadãos e cidadãs de segunda.

A Assembleia da República terá finalmente a oportunidade de afirmar o seu empenho nesta luta pela igualdade e pela liberdade – e a oportunidade de contribuir de forma particularmente simples para a felicidade de muitas pessoas.

O fim da exclusão de gays e lésbicas no acesso ao casamento consegue-se com uma pequena alteração no texto de uma lei, que não implica custos nem afecta a liberdade de outras pessoas. Porém, será um enorme passo no sentido da igualdade e contra a discriminação. E como demonstraram as discussões sobre o voto para as mulheres ou sobre o fim do apartheid racista na África do Sul, o preconceito que existe na sociedade não pode nunca justificar a negação de direitos fundamentais. Pelo contrário, votar contra a igualdade é legitimar e encorajar a discriminação.

Esta votação representa por isso uma enorme responsabilidade, pelas implicações que terá no reforço ou na recusa do preconceito.

Porque recuso a discriminação na lei portuguesa e porque esta é a oportunidade de repor a justiça e cumprir o princípio constitucional da igualdade, seguirei com atenção esta votação - e apelo ao voto favorável de todos os membros deste Grupo Parlamentar e à defesa intransigente da igualdade no próximo dia 10 de Outubro.

Endereços de email dos grupos parlamentares:
blocoar@ar.parlamento.pt
gp_pcp@pcp.parlamento.pt
gp_pev@ar.parlamento.pt
gp_pp@pp.parlamento.pt
gp_ps@ps.parlamento.pt
gp_psd@psd.parlamento.pt

e de cada um dos deputados em particular:
www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Deputados.aspx

2008/09/23

como um penso rápido

Não gosto da expressão "casamento homossexual" nem de "casamento gay". Nesta questão que ressurgiu nos últimos dias por via das propostas legislativas do Bloco de Esquerda (BE) e do Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) trata-se, de facto, de alargar o acesso ao casamento aos casais gay, ou homossexuais, mas a expressão presta-se a confusões, porque não só não se pretende um casamento especial, como nada se ganha em criar na cabeça das pessoas menos informadas imagens hollywoodescas de bodas estilo "gaiola das malucas". Falemos então do acesso ao casamento para pessoas do mesmo sexo — é politicamente correcto, é verdade, mas o politicamente correcto muitas vezes é mesmo o mais correcto. Tem sido comentado, aqui e ali, que o Bloco de Esquerda e os Verdes foram inoportunos, que não prepararam o terreno para que as suas propostas de lei possam efectivamente ser aprovadas, que estão mais preocupados em desafiar o PS... No entanto a proposta aí está, porque não passá-la? A Juventude Socialista é a favor, a Juventude Social Democrata é a favor, parte da bancada socialista é a favor, são-no também, obviamente, o BE e o PEV, e talvez até uma parte dos deputados do PSD, do CDS/PP e do PCP. Qual é então o problema, o termo "casamento"? A palavra deriva de casa, nada tem de religioso, não há razão para criar uma designação especial (uma discriminação por palavras) para um casal ("casa") de homens ou um de mulheres. Estará a dificuldade, no que diz respeito ao PS, em fazer justiça e conceder um direito não anunciado previamente no programa de governo votado nas eleições? Mas será que os eleitores do PS não estarão já habituados a ouvi-lo aliciar eleitores com o alargamento do casamento civil aos casais do mesmo sexo, prometendo a sua concretização em sucessivos adiamentos... Ou então é, talvez, a urgência e primazia da política económica, como se um assunto inviabilizasse o outro. Ou foi o "aborto", uma questão fracturante, que acabou com a quota-parte de questões fracturantes aceitáveis num só mandato... Tenham juízo e, sobretudo, tenham vergonha na cara. A altura é ideal. No dia 10 de Outubro, façam passar a proposta de lei do BE — a do Bloco de Esquerda, sim, porque a dos Verdes, vá-se lá saber porquê, perpetua a homofobia, impedindo o acesso à adopção. Seria como tirar um penso rápido — "scrrt!" — dói um bocadinho no instante, mas depois passou e ficamos todos bem.

2008/09/12

+ um (que partiu)

Morreu Hector Zazou, na manhã do passado dia 8 de Setembro, mas só o soubemos hoje. De nada adianta vir aqui contar-vos das mil e uma maravilhas ou das muitas mais que ele criou e nos deixou em vida. Se não sabem de quem falo, do que falo eu, acordem! Acordem, se fazem o favor, vão e procurem-no ainda. Nas lojas, na net, mas mexam-se!...

2008/09/10

acorrentado...

Só agora me pude virar para o «Acorrentado…», o mais recente desafio bloguista que nos foi lançado (ou aceite, pelo menos), desta vez pelo nosso recente amigo how the enGine throbs... Propunha-nos ele que se respondesse a umas quantas questões sobre cultura, que ligeiramente adaptámos para melhor corresponderem ao nosso estilo de escrita. O responso não é propriamente colectivo, não vale pelos dois, é mais coisa minha com muito das duas almas que habitam esta casa, nestas quatro respostas:

Pergunta 1) Se, num dia de férias, pudesses assistir a quatro espectáculos culturais — dança/bailado, teatro, exposição, cinema — que programa escolherias e como o distribuirias cronologicamente ao longo do teu dia?

Resposta 1) Hoje mesmo, antes ou depois de almoço, começaria por uma (re)visita à exposição de pintura e cerâmica «Miguel d'Alte — Evocação de um amigo...» que está desde o dia 4 na Cooperativa Árvore, depois seguia para os cinemas do Arrábida Shopping onde iria ver às 16h25 o filme «Get Smart - Olho Vivo», depois do jantar, pelas 22h00, entregava-me à peça de teatro «Desafinado», que está a ser representada no CACE Cultural do Porto e, para fechar a noite, ia ver os clientes da discoteca Boys'R'Us a dançar, participando no bailado...

P2) Um filme visto ou revisto recentemente e um filme que queres ver ou rever?

R2) Visto? Temos ido tão pouco ao cinema!... Mas quase de certeza que foi «Nightwatching», o novo do Peter Greenaway. Os de casa quase não contam, certamente, se bem que por cá tenham passado bastantes: o excelente «Les Chansons d'Amour», o «Cidade de Deus», «Le Bal», mais recentemente o «Birdy»... No cinema espero que passe num destes dias próximos a nova versão do «Brideshead Revisited».

P3) Um livro lido recentemente e um livro que queres ler ou reler?

R3) Eu tenho sempre muito pouco tempo para ler, até porque nós temos o hábito de tratar bem os livros e acabam por ser lidos sempre em casa, quando quase nunca há tempo. Mas até às férias era uma rotina diária e foi «Arte vs Sexo», de Miguel Angelo, o último que li. Julho e Agosto, e Setembro, tem sido um corre-corre com muitas actividades menos habituais mas em que tenho que cumprir objectivos temporais. Roubo tempo à leitura, como roubo tempo ao blogue (já se notou, não já?). À saudade tem-me vindo a escrita do Al Berto. Mas às vezes pego simplesmente num ou noutro livro e devoro umas quantas páginas. Depois ele volta para a estante, à espera de tempo e disposição para outro. E vai ser assim, pelo menos durante mais algumas semanas. Também há umas obras de arte e design que me interessaram bastante, mas não comprei (é um ensaio escrito pelo David Hockney e uma monografia sobre Naoto Fukasawa). E há ainda o guia Wallpaper sobre Marselha que à falta de stock nas livrarias lá me dei ao trabalho de o encomendar, finalmente.

P4) Que espectáculo de música recente viste e qual desejas ver?

R4) Vimos há 2 dias o Zé Perdigão numa apresentação promocional no Porto. Fomos lá porque um amigo nosso também lá foi... O Zé Perdigão é um cantor de fado que está a ser "apadrinhado" pelo Cid, e que no seu primeiro disco — «Os Fados do Rock» — faz apenas versões fadistas de canções do rock nacional. Curioso, nota positiva para os músicos que o acompanham e para ele próprio, que tem uma excelente voz, se bem que nalguns momento eu preferisse ouvi-lo num tom mais suave... Experiência interessante! A seguir vem a Madonna (para o Gonçalo, já que eu não vou lá estar), mas quem eu gostava+gostava+gostava mesmo de ver/ouvir ao vivo um dia destes (é muito pouco provável) é o senhor Robert Wyatt (contentava-me, de imediato, em ver/ouvir os queridinhos Sigur Rós se eles viessem ao Porto ou se eu tivesse a possibilidade de os ir ver no sítio certo, em Reiquejavique).

Notas para fechar: Perdoem-me a dispersão, a falta de detalhe nalguns pontos, alguma incorrecção porventura, mas participo neste desafio porque me comprometi a fazê-lo e ou o fazia assim e agora, ou talvez acabasse por já não lhe corresponder. Os desafiados serão todos os que quiserem pegar na brincadeira (se o fizerem digam-me aqui alguma coisa, pode ser?). Na imagem (respeitosamente pilhada da net) está o pintor Miguel d'Alte, cuja obra eu conheço há muito e muito aprecio. A exposição a que me referi acima é póstuma porque "no dia 24 de Dezembro de 2007, houve um comboio que se atravessou no caminho do Miguel e levou-o para muito, muuuito longe de nós". Quantos lamentam!...