
Só agora me pude virar para o «Acorrentado…», o mais recente desafio bloguista que nos foi lançado (ou aceite, pelo menos), desta vez pelo nosso recente amigo
how the enGine throbs... Propunha-nos ele que se respondesse a umas quantas questões sobre cultura, que ligeiramente adaptámos para melhor corresponderem ao nosso estilo de escrita. O responso não é propriamente colectivo, não vale pelos dois, é mais coisa minha com muito das duas almas que habitam esta casa, nestas quatro respostas:
Pergunta 1) Se, num dia de férias, pudesses assistir a quatro espectáculos culturais — dança/bailado, teatro, exposição, cinema — que programa escolherias e como o distribuirias cronologicamente ao longo do teu dia?
Resposta 1) Hoje mesmo, antes ou depois de almoço, começaria por uma (re)visita à exposição de pintura e cerâmica «Miguel d'Alte — Evocação de um amigo...» que está desde o dia 4 na Cooperativa Árvore, depois seguia para os cinemas do Arrábida Shopping onde iria ver às 16h25 o filme «Get Smart - Olho Vivo», depois do jantar, pelas 22h00, entregava-me à peça de teatro «Desafinado», que está a ser representada no CACE Cultural do Porto e, para fechar a noite, ia ver os clientes da discoteca Boys'R'Us a dançar, participando no bailado...
P2) Um filme visto ou revisto recentemente e um filme que queres ver ou rever?
R2) Visto? Temos ido tão pouco ao cinema!... Mas quase de certeza que foi «Nightwatching», o novo do Peter Greenaway. Os de casa quase não contam, certamente, se bem que por cá tenham passado bastantes: o excelente «Les Chansons d'Amour», o «Cidade de Deus», «Le Bal», mais recentemente o «Birdy»... No cinema espero que passe num destes dias próximos a nova versão do «Brideshead Revisited».
P3) Um livro lido recentemente e um livro que queres ler ou reler?
R3) Eu tenho sempre muito pouco tempo para ler, até porque nós temos o hábito de tratar bem os livros e acabam por ser lidos sempre em casa, quando quase nunca há tempo. Mas até às férias era uma rotina diária e foi «Arte vs Sexo», de Miguel Angelo, o último que li. Julho e Agosto, e Setembro, tem sido um corre-corre com muitas actividades menos habituais mas em que tenho que cumprir objectivos temporais. Roubo tempo à leitura, como roubo tempo ao blogue (já se notou, não já?). À saudade tem-me vindo a escrita do Al Berto. Mas às vezes pego simplesmente num ou noutro livro e devoro umas quantas páginas. Depois ele volta para a estante, à espera de tempo e disposição para outro. E vai ser assim, pelo menos durante mais algumas semanas. Também há umas obras de arte e design que me interessaram bastante, mas não comprei (é um ensaio escrito pelo David Hockney e uma monografia sobre Naoto Fukasawa). E há ainda o guia Wallpaper sobre Marselha que à falta de stock nas livrarias lá me dei ao trabalho de o encomendar, finalmente.
P4) Que espectáculo de música recente viste e qual desejas ver?
R4) Vimos há 2 dias o Zé Perdigão numa apresentação promocional no Porto. Fomos lá porque um amigo nosso também lá foi... O Zé Perdigão é um cantor de fado que está a ser "apadrinhado" pelo Cid, e que no seu primeiro disco — «Os Fados do Rock» — faz apenas versões fadistas de canções do rock nacional. Curioso, nota positiva para os músicos que o acompanham e para ele próprio, que tem uma excelente voz, se bem que nalguns momento eu preferisse ouvi-lo num tom mais suave... Experiência interessante! A seguir vem a Madonna (para o Gonçalo, já que eu não vou lá estar), mas quem eu gostava+gostava+gostava mesmo de ver/ouvir ao vivo um dia destes (é muito pouco provável) é o senhor Robert Wyatt (contentava-me, de imediato, em ver/ouvir os queridinhos Sigur Rós se eles viessem ao Porto ou se eu tivesse a possibilidade de os ir ver no sítio certo, em Reiquejavique).
Notas para fechar: Perdoem-me a dispersão, a falta de detalhe nalguns pontos, alguma incorrecção porventura, mas participo neste desafio porque me comprometi a fazê-lo e ou o fazia assim e agora, ou talvez acabasse por já não lhe corresponder. Os desafiados serão todos os que quiserem pegar na brincadeira (se o fizerem digam-me aqui alguma coisa, pode ser?). Na imagem (respeitosamente pilhada da net) está o pintor Miguel d'Alte, cuja obra eu conheço há muito e muito aprecio. A exposição a que me referi acima é póstuma porque "no dia 24 de Dezembro de 2007, houve um comboio que se atravessou no caminho do Miguel e levou-o para muito, muuuito longe de nós". Quantos lamentam!...