2008/11/22
2008/11/11
lis boa
Citando notícia da ILGA, a "Assembleia Municipal de Lisboa aprova moção sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo". Transcrita na íntegra (siga-se a ligação no título), a informação da associação ILGA acrescenta que "A moção do Bloco de Esquerda mereceu os votos favoráveis do PS, PCP, PEV e de quatro deputados do PSD. Todos os deputados municipais do PS votaram a favor da alteração da lei para permitir o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, contrastando com a conduta deste partido na Assembleia da República, ao chumbar duas propostas que iam no mesmo sentido. Na proposta aprovada pode ler-se que a Assembleia Municipal se pronuncia a favor do princípio constitucional da não discriminação de cidadãos com base na orientação sexual e, em consequência, pela consagração na lei do acesso ao casamento civil a pessoas do mesmo sexo. Apenas 19 deputados do PSD e 2 do CDS/PP votaram contra. A maior parte do grupo municipal do PSD absteve-se, tendo ainda quatro deputados deste partido votado a favor. Mas o facto mais curioso foi a atitude dos deputados do PS, que, contrariamente ao que havia feito este partido no parlamento, votaram todos a favor da proposta do Bloco. Miguel Coelho e Maria de Belém são dois dos deputados municipais que sendo também deputados na Assembleia da República votaram de uma forma no parlamento e de outra na Assembleia Municipal." Parece estranho que as coisas aconteçam assim, como se relatam. Mas, de alguma forma é caso para o dizer, também é bom quando nos surpreendemos pela positiva. E em Lisboa haverá mais surpresas boas, com os islandeses Sigur Rós a actuar logo no Campo Pequeno. A não perder, por quem possa comparecer!
2008/10/29
que portugalidade?
Segundo notícias hoje chegadas à TV, parece que a nossa ganapada poderá vir a passar automaticamente de classe escolar até que complete os 12 anos de idade. Esta notícia teve por base uma recomendação do Conselho Nacional de Educação ao respectivo ministério, entretanto já divulgada noutros meios da comunicação social. Pelo que se entendeu parece que já não importará se se é bom ou mau aluno, se se vai ou não às aulas, se se agride ou não os colegas, empregados ou professores... A primeira preocupação do Estado será passar de ano os alunos e só depois, então, se pensará nas alternativas ao "insucesso" escolar.Não posso deixar de manifestar a minha estupefacção extra e de exibir que isto é afinal, como se costuma dizer, mais uma pedrinha para o meu sapato. É que esta coisa de estarem sempre a actualizar o grau da escolaridade mínima (da quarta classe ao 12º ano) até pode fazer algum sentido numa sociedade que se quer cada vez mais culta e mais moderna, mas tal não deveria ser nunca uma obrigação universal e descontrolada, mas apenas uma opção ditada pelas vocações de cada um. Tanto mais que tem vindo a penalizar todos os que optaram nos seus tempos de estudante pelo ensino básico (ou mais do que isso, alguns) e hoje se vêm desvalorizados numa sociedade que só reconhece diplomas, mesmo quando os seus titulares mal sabem executar o mais essencial da sua portugalidade: falar e escrever correctamente o Português!
[A imagem é de uma reinterpretação artística do Galo de Barcelos por Carla Gonçalves.]
2008/10/25
22
Diante de mim essoutro, o belo...E assim eu me senti atraído por ti
quase sem pecado, querendo só ficar ao teu lado
e entregar-me para sempre. Entreguei-me.
Adiante todo este tempo, neste momento
revejo o quanto te quero e desejo, ou
o quanto mais exijo para ti e para mim, por fim
a num sermos dois agora e aqui, ali e depois.
2008/10/23
à portuguesa
Para o caso de o link para o original da notícia vir a falhar, aqui fica a transcrição do texto de última hora que se encontra na edição online de hoje do jornal Público:"Entrevista de Stefan Petzner à rádio pública ORF
Áustria: sucessor de Joerg Haider confessa que era seu amante
23.10.2008 - 10h51 Susana Almeida Ribeiro
O sucessor do líder populista Joerg Haider, Stefan Petzner, chocou a conservadora Áustria ao afirmar que mantinha uma relação amorosa com o falecido líder do BZOe, que morreu no dia 11 de Outubro num desastre de automóvel. Numa entrevista radiofónica, o novo líder, de 27 anos, confessou que Haider era “o homem da sua vida”.
Stefan Petzner, que foi ontem empossado como o novo líder da Aliança para o Futuro da Áustria (BZOe), depois da morte de Joerg Haider, confirmou à rádio austríaca ORF que mantinha com o falecido líder uma relação que ia muito para além da amizade, confirmando os rumores há muito ventilados de que os dois homens poderiam ser amantes.
As tentativas do partido de travar a difusão da entrevista acabaram por falhar, com a rádio pública a negar qualquer tentativa de silenciar as revelações do jovem Petzner, indica o "The Guardian".
As notícias estão a chocar a Áustria, que ainda está a tentar ultrapassar a morte trágica do governador da Caríntia. O falecido líder, que votou contra a moção parlamentar para baixar a idade de consentimento sexual para os homossexuais, apresentava-se como um homem de família quase abstémio.
Porém, depois do acidente de automóvel que o vitimou, foi revelado que não só o líder populista – que foi durante muitos anos a face da extrema-direita austríaca – ia em excesso de velocidade, como tinha níveis de álcool no sangue quatro vezes superiores ao permitido. Ficou igualmente a saber-se então que Haider tinha passado as suas últimas horas de vida num bar “gay” em Klagenfurt, capital do estado do qual era governador.
O novo líder do BZOe confessou ter sentido uma “atracção magnética” pelo líder populista, mais velho que ele 31 anos, admitindo ainda ter sempre receado que a relação entre os dois não sobrevivesse à diferença de idades.
“Tínhamos uma relação que ia para além da amizade. Jörg e eu estávamos ligados por uma coisa realmente especial. Ele era o homem da minha vida”.
Petzner indicou ainda que Claudia, mulher de Haider há 32 anos e mãe das suas duas filhas, estava a par da relação entre os dois e não se opunha a ela."
Porque será que esta história cheia de falsa moralidade me parece tão à portuguesa?...
2008/10/19
all about grace
O título do post remete para o filme de Mankiewicz, com a fabulosa Bette Davis, a actriz que teve a melhor frase alguma vez escrita num guião de cinema: "I'd like to kiss you, but I just washed my hair". Eu sou o tipo de homem que encaixa plenamente no estereótipo do homossexual com fascínio pelas divas fabulosas do mundo do espectáculo (todas as outras semelhanças são inexistentes, ou, na maior parte dos casos, pura coincidência). Liza Minnelli, Kate Bush, Nina Hagen, Diamanda Galàs, Marilyn Monroe, Bette Davis, Barbara, Edith Piaf, Madonna, Marlene Dietrich, Judy Garland — been there, done that. E agora Grace Jones, all over again (compreenderão que esta entrada tem que ser bilingue, claro). Conhecemo-la e adoramo-la dos tempos de «Slave to the Rhythm», das fantásticas sessões fotográficas de corte e colagem com Jean-Paul Goude, de «La Vie en Rose» e do anúncio para a Citroën; de acordeão a cantar "warm leatherette", "strange, i've seen that face before" ou "victor should have been a jazz musician"; ou como May Day, a vilã assassina que mata com borboletas envenenadas mas no fim dá a sua vida por Bond. Agora, quase 20 anos depois de «Bulletproof Heart», está de volta com «Hurricane», ao lado de nomes como Brian Eno e Tricky. A abrir as hostilidades surgiu o tema «Corporate Cannibal», num video extraordinário de Nick Hooker, que salta directamente para a lista dos melhores do ano (podem vê-lo temporariamente na coluna aqui ao lado). Tivémos a sorte de assistir a um concerto que deu há anos atrás no Cais 447, numa produção low budget, mas que deixava perceber porque razão a Grace é Grace Jones. Agora mal posso esperar pelo lançamento do novo CD e as renovadas investidas audio-visuais. She's not perfect, but she's perfect for me...[Foto de Chris Cunningham para a Dazed & Confused.]
2008/10/12
entrevista em contraluz

Foi-nos pedida uma entrevista (conversa gravada, melhor dizendo) pelo blogue Em Contraluz, do nosso amigo Tiago. A entrevista foi realizada ontem, 11 de Outubro de 2008, o dia seguinte ao chumbo pela Assembleia da República das propostas de legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Por agora (não é para sempre) pode ser ouvida na barra lateral do nosso blogue mas, em qualquer altura, poderão procurá-la no sítio original através da ligação que ficará no título para quem chegar mais tarde. Obrigado ao Em Contraluz pela oportunidade de abrir mais um debate sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Prometemos que no dia do casamento serão nossos convidados!
2008/10/10
tristeza e lealdade
O desfecho estava anunciado, mas nem sequer teve uma compensação que valesse um pouco que fosse: os deputados do PS votaram contra e, não anunciaram nenhuma medida concreta que desculpasse a hipocrisia e o oportunismo com que deixaram passar uma oportunidade, e com que sacrificaram sine die os direitos civis dos seus concidadãos homossexuais. Mas, mesmo sabendo que assim acabaria, eu não consigo deixar de estar triste. Quanto mais nos envolvemos maior é o tombo, e não é só pela queda em si. Ao seguir o debate que se ia estabelecendo em blogues, jornais e televisões (e acabou por não ser tão pequeno como isso), acabámos por ser confrontados com a estupidez, a fobia e — é verdade, ainda existe — o ódio. Em momentos como este, percebemos que o relativo conforto e aceitação com que vamos vivendo o nosso dia-a-dia é menor do que parece. E a nossa indignação é muito pequena. Regra geral, as várias estatísticas já realizadas apontam a percentagem de homossexuais na população para valores entre os 5% e os 10% — seja, no caso português, entre 500 mil e um milhão de pessoas — e, no entanto, durante os dias que antecedem a votação de um par de projectos de lei que visam aplicar a igualdade de direitos, em matérias que não só são essenciais para resolver as questões práticas das nossas vidas com os nossos companheiros, como contribuem para acabar com a homofobia, as poucas manifestações organizadas para pressionar os políticos e a opinião pública não mobilizam mais do que umas poucas dezenas de cidadãos. Talvez mereçamos os políticos que temos. Talvez a hipocrisia e oportunismo com que o PS adia os nossos direitos seja directamente proporcional à passividade com que nós suportamos e sofremos o insulto constante de sermos considerados cidadãos de segunda, cujos direitos são passíveis de ser adiados, discutidos, negociados e, de novo, deixados para outra altura. Mas eu não voto no PS, embora sabendo que é deles que dependerá necessariamente a aprovação de qualquer que seja o projecto que venha no futuro para concretizar a igualdade no acesso ao casamento, em 2009 não voto neles. Como posso eu dar o meu voto a um partido que, tendo tido a oportunidade de ma dar, se permite recusar-me a cidadania de pleno direito em nome de interesses eleitoralistas, quando outro partido houve que a prometeu no seu programa e apresentou a parlamento no projecto de lei pelo qual eu esperava e continuo a ansiar? O Bloco de Esquerda merece a minha retribuição e a minha lealdade e, a menos que a sua posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo mude, nas próximas eleições terá o meu voto.
2008/10/09
frente ao parlamento
«Na próxima 6ª feira, dia 10 de Outubro, o Parlamento discute (às 10h) e vota (às 12h) projectos que estabelecem a igualdade no acesso ao casamento.Esta questão diz respeito a todas as pessoas que se preocupam com os direitos fundamentais, com a cidadania e com a qualidade da nossa democracia.
Porque recusamos a discriminação, vamos manifestar-nos PELA IGUALDADE!
6ª feira
10 de Outubro de 2008
frente à Assembleia da República»
2008/10/07
flash mob (porto)
Vista no blogue do Miguel Vale de Almeida que a recebeu via UMAR, passamos a informação sobre uma flash mob no Porto:«Dia 9 de Outubro, quinta-feira, todas/os à estação de metro da Trindade, às 12h!
Traz uma folha com a frase “ACESSO AO CASAMENTO CIVIL”.
Chega um pouco mais cedo e age naturalmente, como se fosses um/a mero/a utente à espera do metro. O objectivo é que estejamos todos/as dispersos/as e não em multidão.
Quando forem exactamente 12h, segura a tua folha. És uma estátua. Não fales nem te mexas. O importante é a tua mensagem.
Passados 2 minutos em que estás completamente estático/a, guarda a tua folha e retoma o teu percurso.
TU SEGUES. A MENSAGEM FICA. PORTUGAL AVANÇA.»
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