2009/01/29

milk

Chegado da ante-estreia do já premiado filme «Milk», o novo de Gus Van Sant com o actor Sean Penn no principal papel, não posso deixar de o referir como um dos que mais marcarão o meu ano de 2009 e, por isso, de o recomendar a quem queira submeter a minha escolha à sua aprovação. E o filme também, é claro...
Não vale a pena resumir a história escrita por Dustin Lance Black, elogiar este ou aquele detalhe, criticar um ou outro ponto. O filme baseia-se na figura de Harvey Milk, um activista político gay e em factos verídicos que tiveram lugar em San Francisco e é para nós um ensinamento, um exemplo de coragem e de luta destemida pela plenitude dos direitos cívicos e pela liberdade.
Valeria a pena vê-lo nem que fosse só por isso.

2009/01/27

momus maximus

No final dos anos 80 começou a nossa paixão pela música de Momus. «Circus Maximus» (1986, Cherry Red Records) foi o primeiro disco, atraindo não só pelas canções como pelo retrato do artista visto como S. Sebastião, ou até pelas fantásticas versões de clássicos de Jacques Brel — «Nicky», «Don't Leave» e «See A Friend In Tears». Depois veio «The Poison Boyfriend» (1987, Creation Records), com encantos originais como «Violets», «Sex For The Disabled» e «Closer To You». No ano seguinte era a vez de «Tender Pervert» (1988, Creation Records), menos acústico, mais electrónico, majestosamente perverso em temas como «The Angels Are Voyeurs», «I Was A Maoist Intellectual», o incómodo «The Homosexual» — »The Homosexual« they call me / It's all the same to me / That spectre you project / I will now pretend to be / Since your neurosis is what passes for normality / It's okay with me if I'm queer /... / No fucking fear — ou mesmo o encadeado «A Complete History Of Sexual Jealousy (Parts 17 - 24)». Em 1989 saltámos «The Hairstyle Of The Devil» e «Don't Stop The Night» para reencontrarmos alguns dos seus melhores temas na antologia do ano seguinte «Monsters Of Love - Singles 1985-90» (1990, Creation Records). Mais um ano e voltámos aos álbuns com «Hippopotamomus» (1991, Creation Records), na sua segunda versão após a retirada do mercado do disco com a capa original que plagiava sem maldade o Bibendum, mascote e símbolo da marca Michelin. Por esta altura Momus (aliás Nicholas John Currie) procurava reencontra-se e nós fomos perdendo-lhe o rastro: ouvimos «The Ultraconformist» e «Voyager» (ambos de 1992) e só voltámos aos seus discos três anos depois, com «The Philosophy Of Momus» (1995, Cherry Red Records), obra marcada por ritmos dub e de dança, incluindo belas canções como «The Madness Of Lee Scratch Perry», «It's Important To Be Trendy», «Quark & Charm, The Robot Twins», «Girlish Boy», «Microworlds» e quase todas as demais.
Actualmente, os primeiros discos de Momus estão fora do mercado e já só se encontram em edições pirata. Por isso, segundo a UbuWeb (ligação no título), o autor decidiu disponibilizar gratuitamente em mp3 os discos editados na Creation — «The Poison Boyfriend», «Tender Pervert», «Don't Stop The Night», «Hippopotamomus», «Voyager» e «Timelord» — dizendo-nos pela sua voz que this is quite a big decision, but I've taken it. Six Momus albums (the ones I recorded for Alan McGee's Creation label between 1987 and 1993) are out of print. Creation doesn't exist any more, and in theory Sony owns the rights to these albums, but isn't doing anything with them and probably never will.
Que se apressem por isso os curiosos e os interessados que a oferta vale bem o trabalho. Mas há que ser célere porque não é para sempre!...

2009/01/26

duncan jones... on the moon

Duncan Zowie Haywood Jones é um novo realizador britânico talvez mais famoso ainda por ser o mítico filho de David Bowie. Quando nasceu, em 1971, os seus pais David e Angela (ou Angie) decidiram dar-lhe o nome de Zowie (fusão de Ziggy com Bowie), mas ficou assente que a criança poderia mudar de nome quando melhor entendesse. Primeiro foi Joe e depois, ao 18 anos, passou a ser Duncan. É o nome que usa actualmente e é como Duncan Jones que o "menino" Zowie volta a estar nas bocas do mundo ao apresentar a concurso, no festival de cinema de Sundance (EUA), o seu filme «Moon». Nele, o actor Sam Rockwell faz de Sam Bell, o único operário de uma exploração mineira lunar que vive acompanhado apenas por um robot. O tema não é novo na vida do realizador, já que em 1995 andou lá perto ao defender a sua tese de doutoramento em Filosofia com o trabalho «How To Kill Your Computer Friend: An Investigation Of The Mind/Body Problem And How It Relates To The Hypothetical Creation Of A Thinking Machine». Há apenas 3 anos dirigiu também a campanha publicitária da marca French Connection UK, mais conhecida pela sigla "fcuk". Pode desde já espreitar-se uma amostra do filme de que se fala aqui (ver ligação no título) que de uma observação posterior mais atenta, pela nossa parte, ele já não se livra!

2009/01/22

as minhas bodas de cannes

De uma viagem de negócios a Cannes pautada por reuniões e banquetes com parceiros comerciais, aqui ficam umas quantas imagens prometidas e ainda devidas, que dão conta das escapadelas pelos arredores, com destaque maior para a minha peregrinação à Chapelle Cocteau, em Fréjus:

O nosso hotel, em Cannes La Bocca

Les Enfants Terribles, iate atracado na marina de Cannes

Na manhã seguinte, o mar de Cannes excepcionalmente agitado

Detalhe de mural de Jean Cocteau na Chapelle de Fréjus

E os vitrais concebidos pelo seu companheiro Edouard Dermit

No interior do bar gay Zanzibar, aberto em Cannes em 1885

No topo da cidade de onde se vê o velho casario

A caminho de Nice, mais um pequeno porto

Ao longe, as montanhas ainda cobertas de neve

Um conjunto arquitectónico que chama a atenção

Regresso ao mp2, o aeroporto de Marseille-Provence

Como banda-sonora proponho-vos o belíssimo «Messe In H-Moll» de Bach interpretado por Les Muciciens du Louvre-Grenoble dirigidos por Marc Minkowski (por tempo limitado pus ao lado um vídeo do YouTube) e depois «La Fida Ninfa» de Vivaldi apresentada pelo Ensemble Matheus sob direcção de Jean-Christophe Spinosi, especialmente nos momentos (en)cantados pela voz do contra-tenor Philippe Jaroussky (a mostrar já de seguida). Espero que gostem!

2009/01/11

sem calças '09 lisboa

Ontem aconteceu o «Sem Calças! '09 Lisboa».
Do que se trata? De uma iniciativa que já aconteceu noutros anos e noutros lugares e que desafia as pessoas mais atrevidas a tirar as calças em público, mas sem tirar o ar mais natural do mundo, fazendo de conta que nada de especial se passa. O «No Pants!» aconteceu pela primeira vez em 2002, no Metro de Nova Iorque, e ontem foi a primeira tentativa (bem sucedida) entre nós. A concentração final teve lugar pelas 15 horas, na zona de Telheiras, no jardim ao lado da estação do Metro. Organizou-a a ImprovLisboa, que tem mais informação disponível através do link no título. Segundo a edição online do jornal Público terão aparecido por lá cerca de 40 pessoas. Nada mau, a julgar pela apelativa imagem que o próprio jornal divulgou.
Queremos mais para o ano, e no Porto também!

2009/01/08

do you know?

No blogue avanti!, o Miguel apresenta-nos o engraçado Gary Adam (em cima, à direita) e perguntava "Do you know Gary Adam?". A nossa ignorância não era absoluta, porque de imediato nos fez pensar num clone juvenil do pintor David Hockney (o outro, claro). Do Gary nada mais conseguimos saber — alguém nos saberá esclarecer? Do David pintor sabemos muito, mas o muito que sabemos é e será sempre ainda muito pouco. Parabéns ao Miguel, pelo blogue.

2008/12/31

adeus, 2008

Outro ano está no fim e (com alguma dificuldade, confessamos) tentámos compor uma lista do que mais nos marcou nestes últimos 366 dias. Apesar das habituais-normais divergências de opinião, nalguns pontos ficámos de acordo como, por exemplo, ao considerar que o nosso melhor momento do ano foi o da viagem à Provença e, já agora, que a loja que mais nos agradou foi a La Cure Gourmande, em Marselha, todo cheiinha de coisas bonitas, raras e doces. Também elegemos em uníssono que o chumbo parlamentar das propostas pela igualdade no casamento civil foi o acontecimento (negativo) do ano enquanto, por outro lado, a leitura que nos marcou 2008 foi a nova e aclamada revista Com'Out. No campo virtual houve um site que foi o mais relevante de todos para nós: a bonita loja online de Thorsten van Elten (de onde vem a foto em destaque).
Já nos DVDs adquiridos tivemos alguma discórdia: o Luís foi por «As Canções de Amor» de Christophe Honoré (um belo trabalho desenvolvido a partir de um triângulo amoroso, com Louis Garrel como Ismaël e com Grégoire Leprince-Ringuet como Erwann) e o Gonçalo pela colecção operática «The Copenhagen Ring» de Richard Wagner, produzida por Kasper Bech Holten. No cinema de grande ecrã também divergimos em opinião: o Gonçalo escolheu o filme de Eric Rohmer «Os Amores de Astrea e de Celadon», enquanto já em final do ano o Luís se decidiu pelo «Ensaio Sobre a Cegueira» dirigido por Fernando Meirelles a partir da mesma obra literária de José Saramago. Nos discos estão em destaque as senhoras, já que foi o Luís pelo novo «Hurricane» de Grace Jones e o Gonçalo pelo «Watershed» de K.D. Lang. Quase o mesmo se passou em matéria de concertos: o Gonçalo escolheu o «Sticky & Sweet Tour» de Madonna no Parque da Bela Vista (em Lisboa) e o Luís o dos Young Marble Giants no «Clubbing» da Casa da Música (no Porto). Bem mais difícil é eleger as personalidades do ano que, num plano, poderia ser o senhor Pedro Passos Coelho só per ter defendido a igualdade no casamento durante a sua campanha à presidência do PSD e, num outro, o senhor Barack Obama pelo que significa a sua eleição enquanto reconfiguração completa do perfil do presidente dos Estados Unidos da América.
Projectos para 2009? Votar, votar muito, mas claramente votar apenas em quem dê a voz mais justa às nossas justas reivindicações: casamento civil para todos, com plena igualdade de direitos e de deveres, como em tudo o resto. Em breve estaremos de volta mas, para já, ficam os nossos votos de um novo ano cheio de energia e de muitas alegrias!

2008/12/29

the fall em janeiro

A notícia do dia, para mim, foi a de que o grupo post-punk britânico The Fall, criado em 1976 e desde então liderado pelo vocalista Mark E. Smith, estará a 17 de Janeiro na Casa da Música. Coisa rara, The Fall é um desses grupos que nunca deixou de se mostrar bem vivo ao longo do tempo, tendo quase tantos álbuns de estúdio quantos os anos de actividade, que são já 32. O nome veio-lhe do título de um romance de Albert Camus, «La Chute» («The Fall» em inglês). Nessa linha, também as canções parecem transbordar de vertigens, de emoções fortes, de um encanto decadentista. Quem conhece a voz de Mark E. Smith (que recentemente a emprestou também ao projecto Von Südenfed) não a esquece e sabe bem que cada nova canção é um regresso diferente a um estilo nascido na proximidade dos Buzzcocks, Joy Division ou A Certain Ratio, grupos que deram nome à Manchester dos últimos anos de 70 e do início dos 80. «Imperial Wax Solvent» (Sanctuary, 2008) é o seu mais recente álbum e foi considerado por muitos um dos melhores do ano. A revista britânica de novas músicas The Wire considera-o o nono melhor disco de 2008, referindo-o como "caustically cerebral and sonically inventive" ou "a vital late period masterpiece". Incontornável!

2008/12/27

um café com amizade

A capa é do nº 9, mas o texto é de um anúncio da marca BICAFÉ no 10 (número de Dezembro) da revista UmCafé. Saboreiem-no e que nos sirva de reflexão neste final de ano:

Um professor diante da sua turma, sem dizer uma palavra, pegou num frasco grande e vazio de maionese e começou a enchê-lo com bolas de golfe.
A seguir perguntou aos estudantes se o frasco estava cheio. Todos estiveram de acordo em dizer que "sim". O professor pegou então numa caixa de fósforos e deitou-a dentro do frasco de maionese. Os fósforos preencheram os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a responder que "Sim". Logo, o professor pegou numa caixa de areia e despejou-a dentro do frasco. Obviamente que a areia encheu todos os espaços vazios e o professor questionou novamente se o frasco estava cheio. Os alunos responderam-lhe com um "Sim" retumbante.
O professor, em seguida, adicionou duas chávenas de café ao conteúdo do frasco que preencheram todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes riram-se nessa ocasião. Quando os risos terminaram, o professor comentou:
"Quero que percebam que este frasco é a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes: a família, os filhos, a saúde, a alegria, os amigos, as coisas que vos apaixonam! São coisas que, mesmo que perdêssemos tudo o resto, manteriam a nossa vida ainda cheia. Os fósforos representam outros elementos importantes da nossa vida tais como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o resto, são as pequenas coisas. Se primeiro colocamos a areia no frasco, não haverá espaço para os fósforos, nem para as bolas de golfe. O mesmo ocorre com a vida. Se gastarmos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teremos lugar para as coisas que realmente são importantes. Prestem atenção às coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades e, o resto, é só areia."
Um dos estudantes levantou a mão e perguntou: "Então e o que representa o café?"
O professor sorriu e disse: "Ainda bem que perguntas! Isso é só para vos mostrar que, por mais ocupada que a vossa vida possa parecer, há sempre lugar para tomar um café com um amigo".