É admissível (?!) que nos perguntem se o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um motivo de referendo: "Acha que a decisão sobre a legalização do casamento homossexual deve ser referendada?"...Está na primeira página do Público online e não só refere o casamento (civil) entre pessoas do mesmo sexo como "casamento homossexual" (existe algum casamento heterossexual, para que este seja homossexual?), como pede a opinião sobre uma questão de direitos civis que não deve, nem pode, ser motivo de referendo. Não há nesta decisão (tardia e muito) nada que ponha em causa os direitos dos outros cidadãos. É uma decisão que visa acabar com mais uma descriminação social e clarificar e enquadrar legalmente as relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo, no que respeita ao amor e ao casamento. Continuará a haver homossexuais que não se casam (como os heterossexuais), continuará a haver homossexuais que não cumprem o seu pacto de casamento (como os heterossexuais) e passará a haver uma ampla gama de direitos e deveres entre os cônjuges (como já há nos restantes casamentos civis).
É vergonhoso que se ponha a questão daquela maneira grosseira e desadequada. Vamos deixar de lado de uma vez por sempre a ideia do "casamento homossexual", é CASAMENTO e pronto (vá lá ponham o civil, porque também não se trata de outra coisa, ao contrário do que muitos querem fazer parecer), e ponham de lado a ideia do referendo, que só vem aqui confundir ainda mais as pessoas menos avisadas: devem ser a favor do referendo (porque acham que o casamento é um pacto social que deve ser um direito de todos) ou devem ser contra ele (porque estas coisas não se referendam). Que venha o diabo e escolha a resposta que mais nos beneficia a todos (como homossexuais e como sociedade que todos somos), mas o que está em causa é que estas coisas não podem mais ser postas em causa.
E, por isso, nós dizemos claramente "NÃO": não às discriminações!
ÚLTIMA HORA - Mais logo, às 22h30, vai em directo para o ar na RTP1 o programa Prós e Contras, com o debate do tema «Em Nome de Valores». A não perder...

















