Está a chegar ao fim o dia de Carnaval e no fim do dia ainda não chegamos à decisão sobre o nosso destino nas férias de Verão: Girona (nos 20 anos da morte de Dalí, tendo Figueras, Cadaqués e Barcelona por perto), Pisa (com Florença não muito longe), Copenhaga (a dos World OutGames 2009), Zurique (que é a do EuroPride 09) e ainda as Canárias (da Playa del Inglés) ou as Baleares (de Palma de Mallorca, mas também de Ibiza). A decisão vai ficar adiada (portanto se alguém quiser sugerir, que sugira ainda), enquanto na TV se continua a falar dos Oscars (e da orgulhosa dupla vitória de «Milk») e do dia folião que hoje foi por todo o lado. Para mais tarde recordar, nada melhor do que a imagem brincalhona de Cristiano Ronaldo e do seu brinquedo, que a própria Globo brasileira achou — como se vê — ser motivo de grande (e que grande!) destaque.
2009/02/24
ronaldo em grande
Está a chegar ao fim o dia de Carnaval e no fim do dia ainda não chegamos à decisão sobre o nosso destino nas férias de Verão: Girona (nos 20 anos da morte de Dalí, tendo Figueras, Cadaqués e Barcelona por perto), Pisa (com Florença não muito longe), Copenhaga (a dos World OutGames 2009), Zurique (que é a do EuroPride 09) e ainda as Canárias (da Playa del Inglés) ou as Baleares (de Palma de Mallorca, mas também de Ibiza). A decisão vai ficar adiada (portanto se alguém quiser sugerir, que sugira ainda), enquanto na TV se continua a falar dos Oscars (e da orgulhosa dupla vitória de «Milk») e do dia folião que hoje foi por todo o lado. Para mais tarde recordar, nada melhor do que a imagem brincalhona de Cristiano Ronaldo e do seu brinquedo, que a própria Globo brasileira achou — como se vê — ser motivo de grande (e que grande!) destaque.
2009/02/20
lembrando gisberta
Faz agora três anos que morreu a Gisberta e para o assinalar o Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto (GRIP) da associação ILGA Portugal organiza o debate «Lembrando Gisberta: Identidade de Género e Cidadania», que tem lugar no Clube Literário do Porto, sábado dia 21, a partir das 15h30. Estarão na mesa o psicólogo, investigador e activista LGBT independente Dr. Nuno Carneiro, o interno de psiquiatria do Hospital de Júlio de Matos Dr. João Tavares, o advogado estagiário Dr. Ricardo F. Diogo e a representante do GRIP Luísa Reis, além da moderadora Drª Salomé Coelho, doutoranda em Estudos Feministas.O comunicado do GRIP acrescenta ainda:
Em Fevereiro de 2006, Gisberta Salce Júnior foi encontrada morta numa obra abandonada no coração do Porto. Era mulher, transexual, e excluída.
Foi insultada, humilhada, agredida e violentada ao longo de vários dias, e finalmente atirada para um poço onde morreu afogada. Os responsáveis foram um grupo de 14 adolescentes entre os 12 e 16 anos de idade. A maioria deles estava ao cuidado da mesma instituição de acolhimento de menores tutelada pela Igreja Católica.
Exposto o caso, os responsáveis pela morte de Gisberta foram julgados no Tribunal de Família do Porto. A sentença considerou que ela não tinha sido vítima de homicídio, antes o seu cadáver – ainda vivo – ocultado; o motivo não foi determinado, mas o tribunal excluiu a possibilidade de se tratar de transfobia. Afirmou também que o que se tinha passado tinha sido 'uma brincadeira de mau-gosto que correu mal'.
Gisberta nunca foi reconhecida como mulher pelo Estado português, e foi essa mesma falta de reconhecimento que não a deixou ser cidadã. A sua morte bárbara foi o ponto final que pôs a descoberto a exclusão sobre a qual foi forçada a construir toda a sua vida.
Três anos depois, nada mudou: o estado português continua a recusar-se a reconhecer a identidade e cidadania das pessoas transexuais, e nenhum partido apresentou qualquer proposta de Lei de Identidade de Género.
Cabe a nós, aos cidadãos e à sociedade civil, denunciar a mais extrema forma de violação dos direitos humanos – a supressão da própria identidade e cidadania – e exigir a mudança.
Dia 21 de Fevereiro, às 15:30h, juntem-se a nós – para que não nos esqueçamos, e para que nunca mais façam Gisbertas de qualquer um de nós!
2009/02/18
norma e normalidade
Apontem-me o dedo ou não, é verdade que tenho o hábito de ler as primeiras notícias do dia no Público online. E é de lá, uma vez mais, que eu retiro o cabeçalho de uma notícia que (não) surpreende:Cardeal D. José Saraiva Martins diz que homossexualidade "não é normal"
O cardeal D. José Saraiva Martins indicou ontem que a "homossexualidade não é normal" e reiterou que as mulheres que pensem casar com muçulmanos precisam de ter "muita cautela", manifestando-se "totalmente de acordo" com um aviso idêntico feito há um mês pelo Cardeal Patriarca de Lisboa.
Será que D. José Saraiva Martins confundiu "norma" com "normalidade"? A questão pode ficar em aberto, mas ou eu tento-me a pensar que ou estou a ficar cada vez mais radical (e é por isso que o Papa e a Igreja Católica me parecem cada vez mais fundamentalistas), ou então não (e essa será a verdade triste, nua e crua).
2009/02/16
não às discriminações
É admissível (?!) que nos perguntem se o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um motivo de referendo: "Acha que a decisão sobre a legalização do casamento homossexual deve ser referendada?"...Está na primeira página do Público online e não só refere o casamento (civil) entre pessoas do mesmo sexo como "casamento homossexual" (existe algum casamento heterossexual, para que este seja homossexual?), como pede a opinião sobre uma questão de direitos civis que não deve, nem pode, ser motivo de referendo. Não há nesta decisão (tardia e muito) nada que ponha em causa os direitos dos outros cidadãos. É uma decisão que visa acabar com mais uma descriminação social e clarificar e enquadrar legalmente as relações estáveis entre pessoas do mesmo sexo, no que respeita ao amor e ao casamento. Continuará a haver homossexuais que não se casam (como os heterossexuais), continuará a haver homossexuais que não cumprem o seu pacto de casamento (como os heterossexuais) e passará a haver uma ampla gama de direitos e deveres entre os cônjuges (como já há nos restantes casamentos civis).
É vergonhoso que se ponha a questão daquela maneira grosseira e desadequada. Vamos deixar de lado de uma vez por sempre a ideia do "casamento homossexual", é CASAMENTO e pronto (vá lá ponham o civil, porque também não se trata de outra coisa, ao contrário do que muitos querem fazer parecer), e ponham de lado a ideia do referendo, que só vem aqui confundir ainda mais as pessoas menos avisadas: devem ser a favor do referendo (porque acham que o casamento é um pacto social que deve ser um direito de todos) ou devem ser contra ele (porque estas coisas não se referendam). Que venha o diabo e escolha a resposta que mais nos beneficia a todos (como homossexuais e como sociedade que todos somos), mas o que está em causa é que estas coisas não podem mais ser postas em causa.
E, por isso, nós dizemos claramente "NÃO": não às discriminações!
ÚLTIMA HORA - Mais logo, às 22h30, vai em directo para o ar na RTP1 o programa Prós e Contras, com o debate do tema «Em Nome de Valores». A não perder...
2009/02/14
os namorados
Os "namorados" Bonnie e Clyde vistos por Gino Ginelli, com banda-sonora de Serge Gainbourg (é para pôr a tocar aí ao lado, que a mostra é temporária, depois é fazer clique na imagem e afastar-se para a ver melhor), dedicado a todos os namorados da Terra, mesmo os que não se portam "bem"... Com um grande beijo especialíssimo para o meu grande Amor!
2009/02/11
que sociedade é esta?
Que sociedade (informativa) é esta que põe no ar uma notícia sobre o recente projecto socialista para o casamento entre pessoas do mesmo sexo (entrevistando uma voz da Igreja que só argumenta disparates contra) e depois, como que tenha sido por acaso (e "acasos" destes até se evitam) passam de seguida uma reportagem sobre pedofilia e o combate da nossa judiciária a sites apontados como pedófilos. É chocante demais!...Já que estamos em maré de outros temas quentes (é disso que quase todos os media gostam), que tal esta proposta para mais logo: passam uma reportagem com uma visão negativa sobre o envolvimento de políticos em negócios pouco claros do outlet de Alcochete que tanto tem dado que falar e, logo depois, fazem um especial sobre Nicolau Ceausescu (o ditador romeno), ou a Dª Branca (a condenada "banqueira do povo"), ou o duo Bonnie e Clyde (famosos ladrões norte-americanos), ou qualquer coisa que no seu entender combine com política, populismo, ladroagem, mesmo que venha a provar-se (ou não) ser uma combinação pouco adequada.
Uma última nota: voltando atrás e às declarações do porta-voz (se não era, era como que fosse) da Igreja Católica Apostólica Romana, disse ele (como surpreendentemente também já o disse o "ex" Mário Soares) que o País e as famílias portuguesas têm outras prioridades que são bem mais importantes do que a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. E nós perguntamos: e que tem isso a ver? Será que essas prioridades não são também prioridades dos futuros cônjuges, hoje apenas aspirantes a uma legalidade multifacetada em termos de direitos e obrigações, que lhes é recusada?!... E em que é que as igrejas (sejam elas quais forem) tem que ver com o direito civil? Acaso eu ou algum cidadão que não perfilhe os ideais de qualquer delas vai lá "despejar postas de pescada"?... E assim visto parece-me óbvio que a sociedade vai mal, que é exageradamente egoísta e que argumenta sem argumentos para pessoas menos informadas que, infelizmente, se contentam em olhar apenas para o seu umbigo!
(Com uma dupla vénia de agradecimento, a imagem veio do blogue Jornalismo e Comunicação, é de José María Niimura e não tem título.)
2009/02/10
um olhar
Estranhe-se ou entranhe-se, o casal LUIGIyLUCA é também muito especial. Luigi é um bolonhês de 26 anos e Luca um madrileno de 22, ou pelo menos assim julgamos... Em 2007 começaram a construir o seu portefólio artístico cruzando os seus sonhos com a experiência no mundo da moda, alguma da vivência privada e artes como a performance, a fotografia e o cinema. De Florença foram até Madrid, San Francisco ou Berlim, onde se encontram de momento estabelecidos. Antes do seu regresso à Europa gravaram -L&L R STUCK- que agora é finalmente revelado pela KCTV. Trabalho criativo com o músico nova-iorquino Seth Sugar, que partilha mais uma visão arrojada do duo sobre o seu imaginário sexual, os seus rituais, as suas obsessões. Este projecto representado pela galeria Changingrole é interessante para muitos, mas o vídeo que dele resulta tem também os ingredientes q.b. para o tornarem perturbador ao gosto de muitos outros. Por isso, que só os valentes sigam a ligação do título...
2009/02/05
don't shoot me, i'm just the piano player
Mesmo a calhar, do álbum que em 1973 Elton John intitulou como «Don't Shoot Me, I'm Just The Piano Player» e que tem «Daniel» (uma das minhas canções preferidas de sempre) como tema de abertura, fica a legenda para esta fotografia anónima apanhada na net. E não se escandalizem por tão pouco, afinal, que é só mais um rabinho (como tantos outros que se vêm na TV, só que lá são mais de meninas)!...
2009/01/29
milk
Chegado da ante-estreia do já premiado filme «Milk», o novo de Gus Van Sant com o actor Sean Penn no principal papel, não posso deixar de o referir como um dos que mais marcarão o meu ano de 2009 e, por isso, de o recomendar a quem queira submeter a minha escolha à sua aprovação. E o filme também, é claro...Não vale a pena resumir a história escrita por Dustin Lance Black, elogiar este ou aquele detalhe, criticar um ou outro ponto. O filme baseia-se na figura de Harvey Milk, um activista político gay e em factos verídicos que tiveram lugar em San Francisco e é para nós um ensinamento, um exemplo de coragem e de luta destemida pela plenitude dos direitos cívicos e pela liberdade.
Valeria a pena vê-lo nem que fosse só por isso.
2009/01/27
momus maximus
No final dos anos 80 começou a nossa paixão pela música de Momus. «Circus Maximus» (1986, Cherry Red Records) foi o primeiro disco, atraindo não só pelas canções como pelo retrato do artista visto como S. Sebastião, ou até pelas fantásticas versões de clássicos de Jacques Brel — «Nicky», «Don't Leave» e «See A Friend In Tears». Depois veio «The Poison Boyfriend» (1987, Creation Records), com encantos originais como «Violets», «Sex For The Disabled» e «Closer To You». No ano seguinte era a vez de «Tender Pervert» (1988, Creation Records), menos acústico, mais electrónico, majestosamente perverso em temas como «The Angels Are Voyeurs», «I Was A Maoist Intellectual», o incómodo «The Homosexual» — »The Homosexual« they call me / It's all the same to me / That spectre you project / I will now pretend to be / Since your neurosis is what passes for normality / It's okay with me if I'm queer /... / No fucking fear — ou mesmo o encadeado «A Complete History Of Sexual Jealousy (Parts 17 - 24)». Em 1989 saltámos «The Hairstyle Of The Devil» e «Don't Stop The Night» para reencontrarmos alguns dos seus melhores temas na antologia do ano seguinte «Monsters Of Love - Singles 1985-90» (1990, Creation Records). Mais um ano e voltámos aos álbuns com «Hippopotamomus» (1991, Creation Records), na sua segunda versão após a retirada do mercado do disco com a capa original que plagiava sem maldade o Bibendum, mascote e símbolo da marca Michelin. Por esta altura Momus (aliás Nicholas John Currie) procurava reencontra-se e nós fomos perdendo-lhe o rastro: ouvimos «The Ultraconformist» e «Voyager» (ambos de 1992) e só voltámos aos seus discos três anos depois, com «The Philosophy Of Momus» (1995, Cherry Red Records), obra marcada por ritmos dub e de dança, incluindo belas canções como «The Madness Of Lee Scratch Perry», «It's Important To Be Trendy», «Quark & Charm, The Robot Twins», «Girlish Boy», «Microworlds» e quase todas as demais.Actualmente, os primeiros discos de Momus estão fora do mercado e já só se encontram em edições pirata. Por isso, segundo a UbuWeb (ligação no título), o autor decidiu disponibilizar gratuitamente em mp3 os discos editados na Creation — «The Poison Boyfriend», «Tender Pervert», «Don't Stop The Night», «Hippopotamomus», «Voyager» e «Timelord» — dizendo-nos pela sua voz que this is quite a big decision, but I've taken it. Six Momus albums (the ones I recorded for Alan McGee's Creation label between 1987 and 1993) are out of print. Creation doesn't exist any more, and in theory Sony owns the rights to these albums, but isn't doing anything with them and probably never will.
Que se apressem por isso os curiosos e os interessados que a oferta vale bem o trabalho. Mas há que ser célere porque não é para sempre!...
Subscrever:
Mensagens (Atom)