2009/04/30

ainda tenho um sonho

Meu amor: como há 22 anos, na primeira noite que passámos juntos, ainda tenho um sonho. O meu sonho, hoje, é dar-te a mão. Dar-ta, de mão na mão, e dar-ta em cerimónia com toda a pompa que sempre na circunstância convém. Como não posso (sabes bem), então simbolicamente toma lá um pé. Não sei se sabes do que é, mas que é bonito lá isso é e a mim pareceu-me muito bem...
O pé só deve chegar amanhã, que ele é pesado e lento, mas a intenção e a promessa fica desde já.

2009/04/14

devaneios policiais

Segundo o blogue Devaneios LGBT, "o SUP, Sindicato Unificado da Polícia, quer que os novos estatutos da PSP garantam a não discriminação com base na orientação sexual, mais concretamente no artigo 8º, onde são determinados os deveres especiais do pessoal policial. E com o objectivo de não só erradicar situações em que a polícia impede a expressão pública de afectos entre cidadãos, como também de ajudar a eliminar a homofobia dentro das próprias forças da ordem. Situação, de resto, admitida pelo presidente do referido sindicato."
Citando afirmações ao jornal Público, diz-se ainda por lá que "a proposta é bem vinda e certamente necessária. E a prová-lo estão as palavras de um responsável de um outro sindicato da polícia, António Ramos do SPP, que reagiu à notícia dizendo que não há homossexuais dentro das forças policiais. É um mundo muito masculino disse ele, como se masculinidade e homossexualidade fossem extremos opostos."
Recorde-se que em países como Espanha (ver ligação no título), França e Reino Unido (o grafito alusivo é do artista Bansky) há forças LGBT muito fortes, visíveis e organizadas nas suas polícias. Para o bem de todos, para uma sociedade melhor, também nisto é tempo de Portugal mudar!...

2009/04/09

beleza adormecida

Segundo fonte julgada bem informada, espera-se para 20 de Julho o primeiro álbum de Riceboy Sleeps, o duo formado por Jónsi (Jón Þór Birgisson, vocalista-guitarrista dos Sigur Rós) e pelo seu namorado Alex Somers (o criativo gráfico dos Sigur Rós e também membro do grupo Parachutes). Alex contou que quando conheceu Jónsi era um rapaz "muito, muito pobre e estava a alimentar-me sobretudo de arroz e a dormir demasiado", e que "um dia Jónsi escreveu uma canção enquanto eu dormia e deu-lhe por título «Riceboy Sleeps»" assim ficando criado o termo que adoptariam para identificar a sua maior parceria artística.
Riceboy Sleeps trabalha com imagem, música, vídeo e narrativa literária. O disco não será a sua primeira obra no mercado, já que em 2006 fizeram uma edição artesanal de um livro com tiragem de 1000 exemplares numerados e assinados pelos autores, que foi vendido apenas na Islândia. Já no ano seguinte o duo fazia uma segunda edição convencional e editava dois singles, «All The Big Trees» (ver o vídeo abaixo) e «Daniel In The Sea», revelando uma musica etérea que combina com a imensidão da paisagem islandesa.
O novo trabalho discográfico estará já gravado, segundo as mesmas fontes, e nele foram utilizados exclusivamente instrumentos acústicos. Até Julho fica-nos a curiosidade e o desejo...

2009/04/08

father death blues

Transcrevo abaixo «Father Death Blues», parte integrante de «Don't Grow Hold» que em 1956 apareceu impresso pela primeira vez na antologia «Howl And Other Poems» e em 1990 fez parte do trabalho operático «Hydrogen Jukebox» assinado pelo compositor Philip Glass com o poeta Allen Ginsberg.
Na fotografia acima vemos Ginsberg ainda jovem ao lado do seu companheiro de longa data e poeta também Peter Orlovsky que segura num pequeno pássaro, talvez um rouxinol. Aqui, este poema tanto pode ser lido (de preferência em voz alta) como apreciado numa leitura pela voz do próprio poeta. Apesar de não ser matéria fácil, espero que agrade:

Hey Father Death, I'm flying home
Hey poor man, you're all alone
Hey old daddy, I know where I'm going

Father Death, Don't cry any more
Mama's there, underneath the floor
Brother Death, please mind the store

Old Aunty Death Don't hide your bones
Old Uncle Death I hear your groans
O Sister Death how sweet your moans

O Children Deaths go breathe your breaths
Sobbing breasts'll ease your Deaths
Pain is gone, tears take the rest

Genius Death your art is done
Lover Death your body's gone
Father Death I'm coming home

Guru Death your words are true
Teacher Death I do thank you
For inspiring me to sing this Blues

Buddha Death, I wake with you
Dharma Death, your mind is new
Sangha Death, we'll work it through

Suffering is what was born
Ignorance made me forlorn
Tearful truths I cannot scorn

Father Breath once more farewell
Birth you gave was no thing ill
My heart is still, as time will tell.

2009/04/05

j.c.

Há muito que tinha já reservado para mim este poema que Mário de Sá-Carneiro deu ao mundo com o título de «Fim», em Paris, no distante ano de 1916. Mas hoje achei que o que aconteceu ontem e soube há poucos minutos justificava dedicá-lo a um amigo especial, desses que nos trazem à memória a alegria culta e inteligente a que nos habituou numa amizade de menos de um ano. Acreditamos que o João Catatau gostaria de nos ouvir a declamar por ele estas palavras, que lhe dedicamos:

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos berros e aos pinotes
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas.

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa,
E eu quero por força ir de burro...

Estejas onde estiveres, obrigado! E continua a fazer-nos felizes.

2009/04/03

contem histórias

Elisabete Rodrigues, socióloga, está a desenvolver um projecto de investigação com Magda Nico, socióloga também, e precisa de ajuda. Nas suas palavras:

Este projecto sociológico tenta desconstruir a ideia de que a forma como os indivíduos se relacionam quotidianamente e na esfera doméstica se esgota na diferença de sexo entre membros do casal.
Para tal, precisamos de entrevistar membros de casais homossexuais (gays e lésbicas) que coabitem há pelo menos um ano e que residam na Área Metropolitana de Lisboa.

As entrevistas serão:
realizadas aos membros do casal separadamente,
no horário e local que lhes seja mais conveniente,
gravadas para efeitos da análise mas, está claro,
completamente anónimas (o nome das pessoas nunca será identificado e o conteúdo integral das entrevistas nunca ficará disponível para fora desta equipa).
Esta pesquisa científica serve apenas interesses académicos (nunca jornalísticos) na área dos estudos da família e do género.

Adiante pedem a ajuda de quem corresponda aos critérios definidos ou, não correspondendo, que passe os contactos a quem julgue que pode corresponder. Eles aqui ficam:

Elisabete Rodrigues
elisabete.rodrigues@iscte.pt
http://www.cies.iscte.pt/investigadores/ficha_completa.jsp?pkid=232&subarea=todos

Magda Nico
magdalalanda@gmail.com
http://www.cies.iscte.pt/investigadores/ficha_completa.jsp?pkid=224&subarea=todos

Por outro lado, também Ricardo Lapão nos pede apoio para um projecto que está a desenvolver em conjunto com amigos:

O nosso projecto (http://www.partilhate.com) tem como objectivo publicar um livro com 200 histórias de partilha sobre a homossexualidade que contribua para ajudar a desmistificar os preconceitos que existem na nossa sociedade.
O nosso compromisso é lançar o livro em Junho de 2009 e para tal temos muito trabalho pela frente :)

Diz-nos ainda:

Não sei exactamente de que forma é que vos é possível apoiar esta iniciativa, mas gostava de saber se poderiam:
Ajudar a divulgar o projecto pelos vossos meios
Dar-me algum contacto que considerem que poderia ser uma ajuda para este projecto
Contribuir com algumas histórias vossas

E conclui:

Acredito no poder das histórias, e acho que escrever uma história é também um modo de nos libertarmos nós próprios de medos e preconceitos que tenhamos. Gostávamos muito de ter um livro realmente diverso com contributos o mais heterogéneos possíveis.

Nós, para concluirmos, expressamos gratidão a quem se preocupa connosco e retribuímos desta forma, se mais não poder ser.
A bela imagem é do pintor chileno Claudio Bravo e tem por título «Pintando El Muro».
Há mais alguém que possa dar uma mão?...

2009/03/31

a tradição já não é o que era

"Mãe há só duas" é o título de um artigo de José Vitor Malheiros mostrado no Público online que merece atenta leitura, apesar de longo. Nele se faz uma análise sob diferentes perspectivas da nova lei sobre filiação em procriação assistida que vai entrar em vigor no Reino Unido e permitir a uma segunda "mãe" ser registada como "pai". Daí se parte para outras análises sobre conceitos mais e menos tradicionais de família e para os enquadramentos sociais e legais que actualmente se fazem cá dentro e lá fora, em países como o Reino Unido, Espanha, Estados Unidos e outros. Chega-se facilmente ao artigo pela habitual ligação que facultamos no título, mas recomenda-se alguma descontracção para que não sinta mais uma vez as faces a arder ou, no mínimo, algum incómodo por um ou outro comentário mais brejeiro que alguns leitores continuam a gostar de largar por lá. Certamente devido a uma crassa falta de educação, que essa não é só previlégio das famílias "tradicionais"...

2009/03/25

little ashes

Feito em 2008, quando poderemos ver o filme entre nós?...