2009/05/28
2009/05/17
stop omoh-phobia
A polícia de choque russa OMOH deteve ontem uma manifestação em Moscovo promovida por um grupo de 20 a 30 homossexuais, segundo as notícias. Tratava-se de uma intervenção pública a propósito do IDAHO (International Day Against Homophobia & Transphobia) que se assinala anualmente a 17 de Maio. Curiosamente, quatro dias antes da manifestação de ontem, a baixa de Moscovo terá sido aberta para uma outra manifestação, mas anti-gay. Segundo um comunicado de imprensa de Sergey Tsoy, porta-voz do presidente da câmara moscovita, os organizadores das marchas gay procuram "not only to destroy moral pillars of our society but also deliberately provoke disorder, which would threaten the lives and security of Muscovites and guests of the city", segundo se conta no site do IDAHO. O presidente da câmara não se escusa, inclusivamente, a declarar que os movimentos gay são obra de Satanás.As televisões de Portugal destacaram ontem as pré-comemorações dos 50 anos da inauguração do Cristo Rei, de Almada, que na verdade se completam hoje. A passagem da Imagem de Nossa Senhora de Fátima por Lisboa foi sem dúvida um extra que mereceu a atenção dos media e da população local, resultando de uma combinação rara e prodigiosa de oportunidade e engenho. É pena nós não sabermos tirar o mesmo partido destes pequenos momentos em que se pode chamar a atenção sobre as nossas causas, sobre os direitos e liberdades que estão ainda por conquistar e mais longe ainda de plenamente usufruir. Se há que mostrar e censurar as atitudes homofóbicas que levaram à intervenção da OMOH em Moscovo, há que mostrar ao mundo e aos portugueses que continuam a não querer ver que não é com avés-marias ou acções anti-satânicas que se resolvem todos os problemas. E muito menos os problemas de todos!
Já agora, não esqueçam de seguir a ligação no título desta entrada para passar 4 minutos e dez segundos com gays de todo o mundo que tiveram a coragem de dar a cara e de gravar uma mensagem universal de orgulho gay. Sim, de orgulho, essa coisa que é o inverso da vergonha! Compreendido?...
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2009/05/12
ver-se-á
«This Is England», o filme de que há muito tinha ouvido falar e que me aguçara o apetite, já tinha chegado ao Porto ― quero dizer, a Vila Nova de Gaia ― e eu ainda não me tinha apercebido. Foi a Adriana que mo recomendou ontem à noite, quando falámos ao telefone, e ainda bem porque estava já nos meus planos. Seguramente não destronará o filme incontornável de 2009 («Milk»), mas prevejo que ficará muito bem colocado na lista dos preferidos do ano. Eu ando cheio de trabalho, mesmo depois das oito horas do emprego, no entando dizem-me que poderá sair de cartaz ainda amanhã (só o saberei na tarde do proprio dia) e eu tenho que dar a volta ao texto... Ver-se-á, sem dúvida!
2009/05/08
a música de derek jarman
Do Brasil chegou-nos uma mensagem a pedir ajuda para identificar as curtas-metragens "musicais" realizadas por Derek Jarman, a quem já antes nos referimos neste blogue. A lista que se segue tenta corresponder à solicitação incluindo-se nela a principal filmografia do cineasta britânico, além das curtas-metragens que correspondem mais objectivamente ao tema da procura:1976
«Sebastiane» (com música original de Brian Eno)
«The Sex Pistols Number One» (sobre a música dos Sex Pistols)
1978
«Jubilee» (com música original de Brian Eno e trechos musicais de Adam & The Ants, Wayne County & The Electric Chairs, Chelsea, Maneaters, Suzi Pinns e de Amilcar)
1979
«The Tempest» (com música original de Brian Hodgson & John Lewis)
«Broken English», «Witches' Song» e «The Ballad Of Lucy Jordan» (sobre a música de Marianne Faithfull)
1981
«T.G.: Psychic Rally In Heaven» (sobre a música dos Throbbing Gristle)
1984
«Touch The Radio Dance» (sobre a música dos Language)
«What Presence?!» (sobre a música dos Orange Juice)
«Tenderness Is A Weakness» (sobre a música de Marc Almond)
1985
«The Angelic Conversation» (com música original dos Coil e trechos musicais de Benjamin Britten)
1986
«Caravaggio» (com música original de Simon Fisher-Turner e trechos de música clássica)
«Ask», «The Queen Is Dead», «Panic» e «There Is Light That Never Goes Out» (sobre as música de The Smiths)
«Avatar» (sobre a música de Matt Fretton)
1987
«The Last Of England» (na imagem de cima, com música original de Simon Fisher-Turner e trechos musicais de Barry Adamson, Andy Gill, Mayo Thompson & Albert Oehlen, Marianne Faithfull, Edward Elgar e de Diamanda Galás)
1989
«War Requiem» (com música de Benjamin Britten)
1991
«Edward II» (com música original de Simon Fisher-Turner e interlúdios de Wolfgang Amadeus Mozart, Cole Porter cantado por Annie Lennox e de Pyotr Ilyich Tchaikovsky)
«It's A Sin» e «Rent» (sobre música dos Pet Shop Boys)
1992
«Wittgenstein» (filme com música de Jan Latham-Koenig e trechos musicais de Johannes Brahms, César Franck, W.S. Gilbert & Arthur Sullivan, Leoš Janáček, Wolfgang Amadeus Mozart, Modest Mussorgsky, Francis Poulenc, Maurice Ravel, Erik Satie e de Robert Schumann)
1993
«Blue» (com música de Simon Fisher-Turner e um trecho musical de Karol Szymanowski, sendo interpretada por Simon Fisher-Turner com participações de John Balance, Gini Ball, Marvin Black, Peter Christopherson, Markus Dravius, Brian Eno, Tony Hinnigan, Danny Hyde, Jan Latham Koenig, Marden Hill & The King of Luxumbourg, Miranda Sex Garden, Momus, Vini Reilly, Kate St. John, Richard Watson e Hugh Webb)
Nesse 1993 (o penúltimo ano da sua vida) Derek Jarman também contribuiu com as imagens projectadas em palco no concerto «Love And Poison» dos Suede, mas nunca houve edição comercial que mostre esse trabalho. Sendo dirigido a partir da cama do hospital, o filme «Blue» terá ficado como a sua última obra mostrando-nos nele a sua visão da morte que se aproximava.
Há 10 anos (1999) os Pet Shop Boys lançaram o documentário «Projections: Derek Jarman's Films From Pet Shop Boys' First Tour», que junta com persistente frescura o estilo que marca quase todas as curtas-metragens de Derek Jarman com a música alegre dos Pet Shop Boys. Para mostrar escolheu-se o excerto «King's Cross»:
2009/05/04
with or without anger
Em Lisboa e no Porto estará a partir de hoje em destaque a obra do realizador underground norte-americano Kenneth Anger, agora com 82 anos de idade. Hoje mesmo, na Cinemateca (em Lisboa), amanhã e depois (05 e 06) em Serralves (no Porto) e de novo a 09 (sábado) em Lisboa, na Galeria Zé dos Bois haverá actividades (incluindo concertos com os Mécanosphère, Mark Stewart, Adolfo Luxúria Canibal e Angie Reed) relacionadas com a obra do realizador.Segundo o programa de Serralves (que junta a apresentação às comemorações dos 20 anos da Fundação de Serralves e dos 10 anos do Museu de Arte Contemporânea), "Kenneth Anger é um dos realizadores mais carismáticos e influentes do underground norte-americano. A poesia e intensidade visual únicas e as inovações operadas ao nível da abordagem de formas narrativas e da relação entre a imagem e a banda-sonora conduziram a uma aproximação estética ao cinema que viria a exercer uma forte influência em realizadores como Martin Scorcese, George Lucas, ou David Lynch, constituindo igualmente um impulso fundamental para o aparecimento do vídeo-clip musical e da cultura MTV."
Com ou sem Anger, o mundo não seria o mesmo!
2009/04/30
ainda tenho um sonho
Meu amor: como há 22 anos, na primeira noite que passámos juntos, ainda tenho um sonho. O meu sonho, hoje, é dar-te a mão. Dar-ta, de mão na mão, e dar-ta em cerimónia com toda a pompa que sempre na circunstância convém. Como não posso (sabes bem), então simbolicamente toma lá um pé. Não sei se sabes do que é, mas que é bonito lá isso é e a mim pareceu-me muito bem...O pé só deve chegar amanhã, que ele é pesado e lento, mas a intenção e a promessa fica desde já.
2009/04/25
2009/04/14
devaneios policiais
Segundo o blogue Devaneios LGBT, "o SUP, Sindicato Unificado da Polícia, quer que os novos estatutos da PSP garantam a não discriminação com base na orientação sexual, mais concretamente no artigo 8º, onde são determinados os deveres especiais do pessoal policial. E com o objectivo de não só erradicar situações em que a polícia impede a expressão pública de afectos entre cidadãos, como também de ajudar a eliminar a homofobia dentro das próprias forças da ordem. Situação, de resto, admitida pelo presidente do referido sindicato."Citando afirmações ao jornal Público, diz-se ainda por lá que "a proposta é bem vinda e certamente necessária. E a prová-lo estão as palavras de um responsável de um outro sindicato da polícia, António Ramos do SPP, que reagiu à notícia dizendo que não há homossexuais dentro das forças policiais. É um mundo muito masculino disse ele, como se masculinidade e homossexualidade fossem extremos opostos."
Recorde-se que em países como Espanha (ver ligação no título), França e Reino Unido (o grafito alusivo é do artista Bansky) há forças LGBT muito fortes, visíveis e organizadas nas suas polícias. Para o bem de todos, para uma sociedade melhor, também nisto é tempo de Portugal mudar!...
2009/04/09
beleza adormecida
Segundo fonte julgada bem informada, espera-se para 20 de Julho o primeiro álbum de Riceboy Sleeps, o duo formado por Jónsi (Jón Þór Birgisson, vocalista-guitarrista dos Sigur Rós) e pelo seu namorado Alex Somers (o criativo gráfico dos Sigur Rós e também membro do grupo Parachutes). Alex contou que quando conheceu Jónsi era um rapaz "muito, muito pobre e estava a alimentar-me sobretudo de arroz e a dormir demasiado", e que "um dia Jónsi escreveu uma canção enquanto eu dormia e deu-lhe por título «Riceboy Sleeps»" assim ficando criado o termo que adoptariam para identificar a sua maior parceria artística.Riceboy Sleeps trabalha com imagem, música, vídeo e narrativa literária. O disco não será a sua primeira obra no mercado, já que em 2006 fizeram uma edição artesanal de um livro com tiragem de 1000 exemplares numerados e assinados pelos autores, que foi vendido apenas na Islândia. Já no ano seguinte o duo fazia uma segunda edição convencional e editava dois singles, «All The Big Trees» (ver o vídeo abaixo) e «Daniel In The Sea», revelando uma musica etérea que combina com a imensidão da paisagem islandesa.
O novo trabalho discográfico estará já gravado, segundo as mesmas fontes, e nele foram utilizados exclusivamente instrumentos acústicos. Até Julho fica-nos a curiosidade e o desejo...
2009/04/08
father death blues
Transcrevo abaixo «Father Death Blues», parte integrante de «Don't Grow Hold» que em 1956 apareceu impresso pela primeira vez na antologia «Howl And Other Poems» e em 1990 fez parte do trabalho operático «Hydrogen Jukebox» assinado pelo compositor Philip Glass com o poeta Allen Ginsberg.Na fotografia acima vemos Ginsberg ainda jovem ao lado do seu companheiro de longa data e poeta também Peter Orlovsky que segura num pequeno pássaro, talvez um rouxinol. Aqui, este poema tanto pode ser lido (de preferência em voz alta) como apreciado numa leitura pela voz do próprio poeta. Apesar de não ser matéria fácil, espero que agrade:
Hey Father Death, I'm flying home
Hey poor man, you're all alone
Hey old daddy, I know where I'm going
Father Death, Don't cry any more
Mama's there, underneath the floor
Brother Death, please mind the store
Old Aunty Death Don't hide your bones
Old Uncle Death I hear your groans
O Sister Death how sweet your moans
O Children Deaths go breathe your breaths
Sobbing breasts'll ease your Deaths
Pain is gone, tears take the rest
Genius Death your art is done
Lover Death your body's gone
Father Death I'm coming home
Guru Death your words are true
Teacher Death I do thank you
For inspiring me to sing this Blues
Buddha Death, I wake with you
Dharma Death, your mind is new
Sangha Death, we'll work it through
Suffering is what was born
Ignorance made me forlorn
Tearful truths I cannot scorn
Father Breath once more farewell
Birth you gave was no thing ill
My heart is still, as time will tell.
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