2009/06/25

morreu michael jackson

Segundo múltiplas fontes e confirmação via CNN, a estrela da música pop Michael Jackson terá morrido de ataque cardíaco com a idade de 50 anos. Pela ligação no título poderão obter-se mais detalhes.

+ Minutos depois confirmava-se a notícia avançada sobre a morte de Michael Jackson e sobre isso não vale a pena repetir o que já estamos fartos de ler e de ouvir na rádio ou na TV. Mas seja qual for a nossa opinião sobre ele, acredito que só poderá ser consensual afirmar-se que desapareceu do mundo dos vivos um dos maiores ícones da cultura pop. Por isso julgo que faz sentido acrescentar também este vídeo invulgar, para que neste momento lhe dediquemos ainda um sorriso póstumo:

2009/06/24

quadra de s. joão

Chega ao fim mais um dia de S. João,
mas não sem que lembre a intenção
de no próximo ano viver este momento
na alegria e felicidade do casamento.

2009/06/22

inquietações

O manifesto dos 28 economistas perturba-me. Não porque ache que têm ou não têm razão (embora as suas motivações e sentido de oportunidade me levantem as mais sérias dúvidas quanto ao interesse das suas opiniões), mas porque é mais um claro sinal de que começa a surgir um movimento que visa a derrota de Sócrates nas próximas legislativas e a eleição de Manuela Ferreira Leite como primeiro-ministro, sem que se vislumbre grande resistência. E porque me haveria de preocupar essa alternância de figuras e partidos na liderança do governo e, presume-se, de Portugal? Não certamente por causa da economia e de razões como as que os 28 economistas têm para apresentar e o jornal Público para promover — o destaque na barra superior do sítio deste jornal apontava (entretanto foi retirado) directamente para o sítio do dito movimento e não, como seria natural supor, para um artigo que desenvolvesse a notícia — até porque acredito sinceramente que existe um conluio supragovernamental que dita o essencial das políticas económicas quer o partido no Governo seja o PS ou o PSD. O que me preocupa é a passagem da lei que permitiria o acesso de pessoas do mesmo sexo ao casamento civil, questão em que, como acontece com outros assuntos, o PS e PSD são de facto diferentes. Eu sei que se votar em Sócrates terei que engolir o enorme sapo da votação de 10 de Outubro do ano passado, em que o primeiro-ministro ditou a disciplina de voto contra as propostas de lei que o BE e Os Verdes apresentaram sobre a igualdade no casamento civil, mas o facto é que entretanto se comprometeu, numa próxima legislatura, com a atribuição da igualdade aos homossexuais. E esse compromisso, se durante a campanha for claramente afirmado e mantido sem ambiguidades quanto à forma, poderá bem valer o meu voto e, seja essa também a vontade de outros como eu, a sua reeleição. (A ligação no título é para a organização White Knot que, a partir dos EUA, defende o direito dos casais homossexuais darem o nó).

palavras que nos tocam

Jorge de Sena é um velho companheiro deste leitor que vos assina e que recentemente se reencontrou com a extraordinária obra do poeta no programa Grandes Livros (ligação acima), que a RTP2 passou na sexta-feira passada. A propósito, ontem o amigo André Benjamim (ligação ao lado, nas Últimas) fez a reflexão sobre o escritor, que eu gostaria de ter feito e não fiz. Com o respeito que por ambos tenho, pouco mais havendo a dizer volto atrás e cito na íntegra o que me foi dado ler, para que chegue a mais gente como também os livros de Jorge de Sena deveriam chegar. Ei-la:

Ultimamente chego sempre atrasado às notícias, e apenas hoje me apercebi do porquê de repente começarem a surgir posts sobre Jorge de Sena na blogosfera, como cogumelos no Outono. Fiquei assim a saber que vão transladar os restos mortais do autor para Portugal. Jorge de Sena é dos autores injustamente esquecidos um dos mais injustamente esquecidos; temo que o transladar dos seus restos mortais para Portugal signifique apenas a sua morte definitiva entre nós: os restos imortais do autor hão-de continuar esquecidos: porque as palavras de Jorge de Sena são tão inconvenientes para o fascismo de ontem, como para a democracia de hoje: porque os homens verdadeiramente livres e independentes causam terror aos homens que se mascaram com ideologias balofas nas suas trincheiras políticas, e literárias. Temo que Portugal e os Portugueses já não vão lá [seja o «lá» onde for] nem com sinais de fumo, quanto mais com Sinais de Fogo!

2009/06/16

isto diz-nos respeito

Isto Diz-me Respeito é um novo movimento e um blogue que convida homossexuais e pessoas solidárias com as vítimas de discriminação por orientação sexual a fotografarem-se com o emblema Isto Diz-me Respeito (fornecido com arco-íris ou a preto-e-branco no sítio indicado no título desta entrada). O Manifesto do movimento é o seguinte:

O movimento Isto Diz-Me Respeito pretende chegar a toda a sociedade civil, através da ligações que têm com os homossexuais, mas também aos homossexuais propriamente ditos.
Mais do que acabar com a discriminação, pretendemos que todos se manifestem em favor dos discriminados, por forma a mostrarmos um panorama social onde as orientações sexuais são manifestamente aceites por todos.
Às mães, aos amigos, aos vizinhos, aos colegas, aos clientes ou aos fãs de um homossexual acreditamos que cumpre o dever de demonstrarem a aceitação e de assumirem, tal como estes, a sua crença nos direitos iguais para todos. Todos devem perceber que a relação que têm também é penalizada pela discriminação.
Queremos motivar todas as pessoas para esta preocupação social, aproximá-las de uma tomada de consciência, de que alguém próximo é discriminado socialmente pela sua orientação sexual.
Aceitamos os outros e temos orgulho. E orgulho é a palavra-chave neste manifesto, apropriada das crescentes manifestações que vêm a acontecer em inúmeras cidades no mundo todo. O nosso discurso é dirigido nesse sentido, com o foco no objectivo final de "aceitar os outros e ter orgulho nisso".
Todos somos o reflexo de cada pessoa discriminada, e isso diz-nos respeito.

Isto diz-nos respeito!

2009/06/15

campanha "no h8"

Como muitos já terão verificado, parece ter havido um ataque ao sítio que aloja as assinaturas dos subscritores do Movimento pela Igualdade (que já eram perto de 7000). Ignoro se esse ataque visava esta petição em particular ou outras que aí se fizessem e se as assinaturas se perderam ou podem ser recuperadas. Parece-me claro que, seja qual for o caso, as assinaturas ressurgirão. Por outro lado, este pequeno contratempo faz pensar numa certa urgência que existe de que o Movimento pela Igualdade adquira visibilidade e peso no curto período de campanha que existe até às legislativas, para que os partidos se confrontem uma vez mais com a questão, para que de novo se posicionem, para que o PS e José Sócrates reiterem a sua promessa de dar acesso a pessoas do mesmo sexo ao casamento civil. Gostaria de ver um só logótipo (já vi pelo menos dois), t-shirts, emblemas, cartazes ou anúncios — que tal abrir um jornal ou uma revista de grande circulação e ver anúncios com fotografias das personalidades-chave que generosamente deram o seu nome a esta campanha, com a frase, por exemplo, "José Saramago subscreve o Movimento pela Igualdade"! Não sei se é viável, se há dinheiro ou vontade, mas, para não perder o impulso do enorme passo que já se deu, seria importante fazer novas acções e não deixar esmorecer a questão. Nos EUA, um fotógrafo de celebridades, Adam Bouska, iniciou uma campanha que consiste em fotografar anónimos e conhecidos com uma t-shirt branca, fita isolante metalizada sobre a boca (simbolizando o silenciamento da voz), e o slogan "NO H8" pintado na cara (não à Preposition 8, que bane o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, ao mesmo tempo um fonético "NO HATE" — não ao ódio). A campanha (ligação no título desta entrada), que conta já com mais de 600 fotos de subscritores, é visualmente muito eficaz e já teve a atenção de jornais e televisões. Não há como negar o poder das imagens para seduzir, informar e mobilizar. A exploração dos suportes visuais deveria ser a próxima etapa do Movimento pela Igualdade mas, mesmo tendo já dado a cara, a Ana Zanatti não pode fazer tudo sozinha.

2009/06/13

santo antónio variações

Também hoje faz 25 anos que o barbeiro-cantor António Joaquim Rodrigues Ribeiro nos deixou. E deixou-nos com belas memórias e o desejo de o recordar (veja-se pela ligação no título o recente espectáculo de teatro «Experiência Variações», que lhe é inteiramente dedicado). A alguém particularmente especial António Variações deixou também a muito bela canção «Anjinho da Guarda», na qual "reza" assim ao seu guarda:

Eu tenho um anjo
Anjo da Guarda
Que me protege
De noite e de dia
Eu não o vejo
Eu não o oiço
Mas sinto sempre
A sua companhia

Eu tenho um guarda
Que é um anjo
Que me protege
De noite e de dia
A toda a hora
E em todo o lado
Com a sua vigia
Não usa arma
Não usa a força
Usa uma luz
Com que ilumina
A minha vida

Ele não
Não usa arma
Ele não
Não usa a força
Usa uma luz
Com que ilumina
A minha vida.

O nosso "Santo António" Variações ilumina a nossa vida e, pelos vistos, muitas e muitas outras como as do Coro Senhor dos Aflitos, de Lousada:

encomenda postal

destino-te a tarefa de me sepultares
no segredo mineral da noite
com um lápis e uma máquina fotográfica

depois
fica atento ao correio
do secular laboratório nocturno enviar-te-ei
devidamente autografado
o retrato da solidão que te pertenceu

e numa encomenda à parte receberás
a revelação desta arte
onde a vida cinzelou o precário corpo
na luz afiada de um vestígio de tinta

[«Encomenda Postal» é um poema de Al Berto vindo dos «Sete Poemas do Regresso de Lázaro» que «O Medo» contém e a que se regressa para o recordar e enaltecer hoje, no dia do 12º ano após a sua morte.]

2009/06/12

recém-casados

Nalguns países, Estados Unidos (ou parte deles) incluídos, podemos utilizar a expressão recém-casados para nos referirmos a dois homens ou duas mulheres que, em posição de igualdade perante a lei, o fez — casou. E é com essa expressão, mais exactamente «The Newlywed Gays», que o New York Times destaca em capa de revista de Abril do ano passado um longo artigo de Benoit Denizet-Lewis sobre as motivações e preparativos do casamento, bem como o acompanhamento dos primeiros tempos da vida de casal, de alguns jovens gay que decidiram dar o passo — casar! Ao longo do texto, e pelas entrevistas que são conduzidas aos protagonistas destas bodas alegres, revelam-se casos de longos noivados e outros de amor à primeira vista; festas de casamento com família, convidados e rituais, e simples registo civil; dúvidas e certezas; distribuição de tarefas domésticas; reacções de família e de pessoas no dia-a-dia; sucessos e divórcios... O artigo funde a familiaridade de situações a que estamos já habituados pelo convívio com casais heterossexuais com as novas realidades criadas pelo reconhecimento do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Podem ler o artigo seguindo a ligação no título desta entrada e, talvez, como aconteceu comigo, concluir que a legalização do casamento entre homossexuais é na verdade um pequeno mas urgente passo, perante tudo aquilo que fica pela frente, por fazer... E depois sonhar com os deliciosos quadros de felicidade conjugal com que Erwin Olaf parodia a América dos anos 50, nas fotografias que ilustram o texto.