2009/12/31

adeus, 2009

Em 27 de Setembro de 2009 Miguel Vale de Almeida foi eleito deputado da Assembleia da República Portuguesa, integrado nas listas do PS como independente. É uma das figuras mais importantes, carismáticas e merecedoras do movimento LGBT português e o primeiro homossexual assumido eleito para o Parlamento — acontecimento histórico que determinou que Luís e eu o escolhêssemos como figura do ano. O filme «Milk» foi outra das escolhas em que coincidimos: embora não tenha uma marca artística tão forte como é habitual em Gus Van Sant, os seus méritos são evidentes na escrita, na realização, na interpretação e, sobretudo, numa muito oportuna intervenção política que não faz sentido ignorar, sobretudo num momento em que Portugal discute a eliminação de barreiras à realização do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo — se o abominável referendo avançar, deveríamos todos, como proclamou Harvey Milk, sair do armário, e mostrar aos nossos familiares, amigos e colegas que já existimos enquanto Família e que não merecemos nada menos do que os outros. Para terminar, coincidimos no desejo de que uma nova lei do casamento civil seja aprovada, que nos permita casar para o ano. Feliz 2010 para todos!

O Gonçalo escolheu:
figuras: Miguel Vale de Almeida
cinema: «Milk» Gus Van Sant
concertos: «La Douce» Emmanuel Nunes (Casa da Música, Porto)
discos: «Veckatimest» Grizzly Bear
dvds: «Milwaukee At Last!!!» Rufus Wainwright
internet: twitter.com
livros: «Michael Tolliver Está Vivo» Armistead Maupin
lojas: A Vida Portuguesa (Porto)
momentos bons: férias de Verão (Cadaqués)
projectos: casar em 2010

O Luís escolheu:
figuras: Miguel Vale de Almeida
cinema: «Milk» Gus Van Sant
concertos: A Certain Ratio (Serralves em Festa, Porto)
discos: «Riceboy Sleeps» Jónsi & Alex
dvds: «A Taste of Honey» Tony Richardson
internet: flagrantedelicia.com
livros: «Canções de Inocência e de Experiência» William Blake
lojas: Museu do Estuque (Porto)
momentos bons: férias de Verão (Cadaqués)
projectos: casar em 2010 (e ir comer mel à luz do luar em Reykjanes, na Islândia)

2009/12/28

2009/12/27

campillo sí, quiero

A RTP2 passará a partir das 21h05 de hoje (domingo, 27) o documentário com o título «Campillo Sim, Quero». Realizado por Andrés Rubio em 2008, a RTP resume-o assim: "Em Junho de 2005, o parlamento espanhol aprovou a Lei do Casamento Gay, que outorga aos casais homossexuais os mesmos direitos dos casais heterossexuais, incluindo a adopção. Em cidades como Valladolid, uma das maiores em Espanha, os presidentes de câmara (que oficiam os casamentos civis) interpuseram um recurso contra a implementação da lei. No entanto, Francisco Maroto, o Presidente da Câmara de Campillo de Ranas, uma pequena cidade de 50 habitantes perdida nas montanhas de Guadalajara, decidiu dar um passo em frente e dizer: Eu caso. Ray, um americano, e o seu namorado espanhol, Pepe, chegam a Campillo para se casar."
Nesta altura especialmente "quente" do debate e aprovação do fim das barreiras legais em Portugal ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, esta será mais uma oportunidade e um momento digno para trazer à discussão pública aquilo que nem mereceria mais discussão num país democrático e evoluído.

blake no jardim do amor

«Canções de Inocência e de Experiência» teve edição recente pela Assírio & Alvim. As ideias defendidas pelo artista britânico William Blake (1757-1827) no livro «Songs of Inoccence and Experience», de 1789, foram extraordinariamente arrojadas para o seu tempo e mantêm-se ainda hoje vivas e válidas, apesar da civilização ter progredido mais 200 anos. "Mostrando os Dois Estados Contrários da Alma Humana", este belo livro de poesia e gravura de Blake é uma das edições mais bonitas e mais interessantes do ano que se aproxima do fim. Da tradução de Jorge Vaz de Carvalho, transcrevo o poema que originalmente se intitulou «The Garden of Love» e que é uma defesa da naturalidade da sexualidade, contrariada pela posição repressiva da Igreja:

Eu fui ao Jardim do Amor,
E vi o que nunca avistara:
Capela foi posta no meio,
Lá no verde onde eu brincara.

E os portões da Capela fechados,
E Não hás de. escrito sobre a porta;
Pois voltei ao Jardim do Amor,
Que tanta doce flor comporta;

E vi-o repleto de campas,
E lápides em vez de flores;
E Padres de preto, em rondas por perto,
E sarça a prender, meu gozo & querer.

2009/12/26

2009/12/21

amor de inverno

Descobria-o num catálogo, neste fim-de-semana. Gostei do design e tive que procurar informação para saber mais deste pequeno gadget tecnológico. Ao fim de dois dias apenas, eu já sei tanto sobre ele como nunca imaginei. E apetecia-me mesmo tê-lo, mas também sei que na verdade é o que é e que não preciso dele. De um... amor de inverno!

2009/12/19

þetta er ísland (fjórir)

«Wallpaper* City Guide: Reykjavík»

2009/12/17

o tempo vai mudar

Há dias em que sabe especialmente bem ler as notícias e hoje deve ser um deles, pelo menos a avaliar pelo sorriso com que abri o dia (ver ligação acima — reportagem de Miguel Gonçalves no Jornal de Notícias, de leitura obrigatória). Apesar de continuarmos com o tempo virado para chuva intensa e para um frio extremo, mais logo esperamos voltar a sorrir com o calor agradável de uma aguardada notícia. O tempo vai mudar, certamente...

2009/12/16

antónio botto e a paixão

Encontrámos hoje no blogue «Bajo el Signo de Libra», criado e mantido a partir da nossa vizinha Espanha, uma entrada sobre um dos nossos poetas preferidos: «António Botto, el poeta de la pasión». António Botto nasceu na Concavada, a poucos quilómetros de Abrantes, a 17 de Agosto de 1897 e morreu por terras brasileiras, em exílio da alma, a 17 de Março de 1959. A sua obra maior é sem dúvida a que se reúne sob o título de «Canções», que durante muitos anos esteve ausente das livrarias. O seu primeiro lançamento ocorreu no já muito distante ano de 1921 e num outro de 1956 (três anos antes da sua morte) cita-se postumamente no frontispício um escrito sobre António Botto, do poeta espanhol Federico García Lorca: "Se a inveja dos inúteis, dos mesquinhos não o larga, Ele não dá importância. Trás nas lindas mãos uma estrela imponderável, aonde o insulto do irracional jamais consegue empanar ou diminuir o brilho da sua intensidade impressionante."
Também de Espanha nos chega pela nossa imprensa virtual (o Público online), a propósito do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, a notícia onde se lê que "apesar da polémica política e religiosa — a Igreja promoveu várias manifestações contra a reforma legislativa —, a sociedade civil espanhola sempre esteve maioritariamente a favor do casamento homossexual, com sondagens a confirmarem que esse apoio chegou quase aos 70 por cento, valor que, nos últimos anos, não tem sido sequer medido, empurrando o tema para o palco da normalidade." Faz parte das notícias de hoje do Público e é mais uma que nos faz aumentar a ansiedade pela "normalidade" que também se espera a todo o momento em Portugal.
Se no seu tempo Botto dizia ironicamente que era "o único homossexual reconhecido no País", hoje isso deveria (e deverá) ter cada vez menos importância. Está cada vez mais longe o tempo em que um homossexual tinha que se esconder, em que tinha que viver a sua sexualidade nos antros obscuros das relações promiscuas e clandestinas, em que tinha que se fazer confundir com o melhor dos heterossexuais ou, se assim o preferisse, assumir-se e ser ridicularizado e marginalizado.
António Botto foi um desses homens íntegros a quem devemos muitas das justas mudanças sociais que hoje finalmente se operam aqui e por todo o mundo. Obrigado!